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Ver Versão Completa : Música Clássica - dê sua sugestão.



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Wieniawski
28-07-2008, 22:24
Além de um "ilustre desconhecido", o "famoso quem" da graça do Chico Anísio, Henryk Wieniawski escreveu de fato dois concertos para violino - ele próprio um virtuoso violinista -, e o primeiro, Opus 14. (o nº 2 é Opus 22) foi composto em 1883 quando tinha apenas 18 anos!

Deve-se a Itzhak Perlmann a divulgação dos dois concertos pela EMI, CDC7 47107-2.

Encontrei tais informaçõs num velho catálogo de CD, de 1989, mas nunca ouvi nenhuns.

Holbein, a "traça" audiófila.

In tempore: e o nosso Wieniawski, que postou sua primeira mensagem no HTForum aqui neste tópico, que parentesco tem com Henryk? Esclareça, colega.

Olá Holbein!

Na verdade não tenho nenhum parentesco com o Wieniawski (rsrsrsrs), adotei este username por admirar muito sua obra!

Bem citado este CD do Perlman, excelente gravação dos 2 concertos!!

Wieniawski compôs além destes 2 concertos, mais 2 que não foram publicados, são estes:

Violin concerto in D-major, 1847
Violin concerto A-minor, 1878

Além de várias cadenzas:

Cadence to Concerto no.7 by Rode, ca. 1848.
Cadence to Concerto no.2 by Lipiński, ca. 1850.
Cadence to Concerto by Mendelssohn, 1853.
Cadence to Concerto by Beethoven, ca. 1854.
Cadence to Concerto no.5 by Vieuxtemps, ca. 1864.
Cadence to Concerto F sharp minor by Ernst, ca. 1860.

Gostaria de citar também uma belíssima obra para violino e piano chamada Legende, sobre ela tem uma interessante história:

"Wieniawski compôs esta peça para uma jovem chamada Isabella Hampton, cujos pais eram contrários a esta união, acontece que esta composição conseguiu mudar a idéia dos pais dela, e eles acabaram se casando"

Por aí vocês devem imaginar o quanto é bela esta obra...

abçs

Holbein Menezes
29-07-2008, 05:49
Cadência, "cadence" ou "cadenza" são gêneros assemelhados mas não necessariamente iguais; o que tem de igual em todos os concertos é o aspecto "virtuosístico" pois se trata de uma passagem do concerto (em geral improvisada) que pode ser do próprio compositor da peça ou de outros - é comum ser do concertista. Foi Mozart, em 1780, quem inaugurou escrever os compositores suas próprias "cadenzas"; antes deste tempo, o componsitor da obra indicava, por meio de formata, sobre que acorde ou acordes deveriam entrar as "cadenzas". Trata-se de gentileza do autor para com o intérprete, a dar a este a oportunidade de exibir todo seu vistuosimo!

Em homenagem ao executante, a orquestra silencia na hora das cadências. E os ouvintes agradecemos tal generosidade.

A próposito, quais as mais belas "cadenzas"? Quais as mais difíceis? Quais as que exigem mais "virtuose"?

Com a palavra o Z, especialista em concertos para violino

Holbein.

ZpínoZ
29-07-2008, 11:18
Esse detalhe já foi dito não sei onde, mas apenas para dar noção do valor de Ginette Neveu àqueles que não a conhecem, mesmo sem nunca tê-la ouvido sequer uma única vez, vejamos o que diz este (http://en.wikipedia.org/wiki/Ginette_Neveu) site:

“...At age 15, Ginette Neveu achieved worldwide celebrity status when she won the Henryk Wieniawski Violin Competition (http://en.wikipedia.org/wiki/Henryk_Wieniawski_Violin_Competition) over 180 contestants, including the future virtuoso David Oistrakh (http://en.wikipedia.org/wiki/David_Oistrakh), who finished second. ...”

Mestre migrando fico imaginando, com base na carreira de Oistrakh, e se os crescimentos fossem lineares, a que ponto chegaria Neveu aos 60 anos.

Desafortunadamente as flores Neveu e Du Pré foram colhidas ainda em botão, só podemos intuir seu pleno desabrochar.

Aproveitando. Sábado passado, num papo na casa do Sidão sobre Du Pré e o Concerto para Violondelo de Elgar, comentamos que suas gravações (Barbirolli é minha preferida) sublimes, soberbas e soberanas, são muito mais que interpretações brillhantes, tornaram-se verdadeiras re-autorações. A peça, depois de tocada por Du Pré. ganhou uma dimensão e profundidade jamais entresonhadas pelo autor.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/41T95TFV4XL._SL500_AA240_.jpg

Z

Sidney Romano
29-07-2008, 11:56
Mestre migrando fico imaginando, com base na carreira de Oistrakh, e se os crescimentos fossem lineares, a que ponto chegaria Neveu aos 60 anos.

Desafortunadamente as flores Neveu e Du Pré foram colhidas ainda em botão, só podemos intuir seu pleno desabrochar.

Aproveitando. Sábado passado, num papo na casa do Sidão sobre Du Pré e o Concerto para Violondelo de Elgar, comentamos que suas gravações (Barbirolli é minha preferida) sublimes, soberbas e soberanas, são muito mais que interpretações brillhantes, tornaram-se verdadeiras re-autorações. A peça, depois de tocada por Du Pré. ganhou uma dimensão e profundidade jamais entresonhadas pelo autor.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/41T95TFV4XL._SL500_AA240_.jpg

Z


Tens razão Douglas. Pra mim hj, é mais fácil falar que é o Concerto da Du Pré, pedindo escusas ao Elgar onde quer que ele esteja.

Sidão

migrando
29-07-2008, 13:10
Prezado filósofo ZpínoZ.

Diz você “... fico imaginando, com base na carreira de Oistrakh, e se os crescimentos fossem lineares, a que ponto chegaria Neveu aos 60 anos. ...”

Por analogia e extensão fico também imaginando as carreiras de Michael Rabin, (http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Rabin_(violinist) Emanuel Feuermann, (http://en.wikipedia.org/wiki/Emanuel_Feuermann) Josef Hassid, (http://en.wikipedia.org/wiki/Josef_Hassid) William Kapell (http://en.wikipedia.org/wiki/William_Kapell) e tantos
outros que o destino levou precocemente.

Possuo o álbum abaixo, simplesmente maravilhoso.

http://www.amazon.com/Michael-Rabin-1936-1972/dp/B000002S35/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=music&qid=1217347519&sr=1-1 (http://www.amazon.com/Michael-Rabin-1936-1972/dp/B000002S35/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=music&qid=1217347519&sr=1-1)


http://ecx.images-amazon.com/images/I/51DN6YRWB0L._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B000002S35/sr=1-1/qid=1217347677/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music&qid=1217347677&sr=1-1)

Sidney Romano
29-07-2008, 13:19
Caros amigos:

Atendendo pedido do meu irmãozinho Gondim, vou arriscar trazer a vcs algumas considerações, muito ligeiras e didáticas, para que todos possam compreender melhor as vozes líricas.

Em qualquer tipologia desse jaez, qualquer que seja a fonte consultada, veremos que, basicamente, os registros de vozes masculinas e femininas foram catalogados relativamente a uma tripartição.

Assim, partindo da premissa de que as vozes podem ser agudas, médias ou mais graves, se idealizou que os tenores e os sopranos são os registros mais altos, sendo os médios de baritonos e mezzosopranos, e os mais graves de baixos e contraltos.

É evidente que uma catalogação assim tão simples não esgotaria as possibilidades de pesquisa e definição, sendo próprio de uma arte, como a canora, uma medotização qualquer que tenha por objetivo não apenas explicar as nuances ou diferenças de registos, como sobretudo explicar porque certas vozes não podem enfrentar determinados papéis, muito embora, teoricamente, sejam do mesmo registro.

Assim, procurarei, nos termos mais simples possíveis, explicar não apenas no que consiste cada registro, mas citar e se possível demonstrar com vídeos, os vários matizes ou melhor, os vários tipos de voz de um determinado registro, colocando, desde já, que essa classificação pode levar em conta não apenas a natureza da voz em si, como instrumento, como também uma peculiar forma de cantar, fruto tudo isso de séculos de desenvolvimento da arte lírica.

Iniciarei hoje pelo registro de tenor:

Tenor é o termo musical que desgina a voz masculina mais aguda, seja por o cantor ser dotado dessa natureza, quanto por alcançar esse registro.

Nas harmonias típicas a quatro vozes de corais, a de tenor é a segunda voz a partir do baixo, assim como a de soprano seria a segunda após o contralto. A extensão típica da voz de tenor é de cerca de duas oitavas, do Dó da segunda oitava ao Dó da quarta oitava, comumente denominado DÓ DE PEITO, muito raro de ser alcançado.

O nome TENOR vem do latim TENERE, que significa manter, fazer durar. Logo, temos uma voz aguda masculina capaz de manter ou fazer durar certas notas, dentro de seu registro ou oitavas.

Na música medieval ocidental, a voz de tenor teve limitada utilização até o Século XVIII, similarmente ao que ocorreu com o atual baritono, sendo sempre dirigida ao chamado CANTUS FIRMUS, ou seja, a melodia principal das composições polivocais, As outras vozes juntavam à de tenor harmonia e contraponto. Ao contrário, no melodrama o tenor tinha sua voz anteposta como antagonista do CASTRATO e na era moderna, com a crescente ausência de vozes sopranistas masculinas, assumiu o papel de protagonista, porém com exigência de alcance vocal mais ampliado, especialmente para os extremos agudos da chamada IMPOSTAÇÃO DE PEITO.

Por tal termo são designados, também, certos instrumentos, como o sax e a tuba.

Em termos de classificação ou tipologia geralmente aceitas hoje em dia, podemos dizer que a voz ou registro de tenor se dividem em:

TENOR LIGEIRO OU DI GRAZIA:
Voz clara e ágil, leve, munida de espectro muito agudo e também de capacidade virtuosística. Exemplo: Conte D'Almaviva no IL BARBIERE DI SIVIGLIA, aqui ilustrado com a primeira cena da ópera, em montagem do Metropolitan de Nova York, com JUAN DIEGO FLOREZ interpretando o Conde:

8em12ert6lI

TENOR LÍRICO:
Voz com calor, plena e rica, que se impõe da zona central à mais aguda, especialmente adaptado a um certo modo de cantar. O tenor lírico se subdivide em TENOR LIRICO PRÓPRIO ou TENOR LIRICO LIGEIRO, este último com uma capacidade maior de alcançar certas notas ou cantar com virtuosismo, porém com mais peso e sem a extensão do TENOR LIGEIRO. Exemplo: Alfredo Germont na LA TRAVIATA ou o Duca di Mantua do RIGOLETTO. Vou ilustrar com o exemplo de LUCIANO PAVAROTTI, ao vivo, no Met de NY, em 1981, cantando a famosíssima LA DONNA È MOBILE:

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TENOR LÍRICO SPINTO:
Voz cuja natureza representa mais volume,da zona central à aguda, porém a com a possibilidade de "empurrar" (o termo vem do italiano spingere) certas notas à extensão de uma tonalidade mais dramática, ou se quiserem, como muitos hoje em dia aceitam, de cor mais escura, potente e com nuances de maior dramaticidade. Exemplo: Rodolfo da LA BOHÈME, aqui ilustrado pelo tenor GIUSEPPE SABBATINI, em concerto de 1991, em Tokyo:


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TENOR DRAMÁTICO OU DI FORZA:
Voz rica, plena, de timbre escuro e com maior volume que o spinto, da zona central do registro a acentos mais fortes. Exemplos: OTELLO e Des Grieux na MANON LESCAUT. Aqui um exemplo de OTELLO de Verdi, com o canadense JON VICKERS interpretando Dio mi poteva scagliar, de 1978:


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Há estudiosos que ainda classificam a voz do tenor em outros tipos, segundo o uso que se lhes fazia numa certa época ou por um modo especial de cantar.

Assim, temos o BARITENORE, voz escura, de espectro médio, porém com facilidade para alcançar notas agudíssimas, de registro tenoril específico, utilizado por alguns compositores do Bel Canto do final do Século XVIII e começo do XIX, dentre os quais Rossini e Donizetti. Exemplo: Aqui um exemplo raro do que poderia ser esta voz, com o tenor CHRIS MERRIT no OTELLO rossiniano, em PESARO, 1988, AH SI, PER VOI GIÁ SENTO:

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HELDENTENOR ou TENOR HERÓICO na escola germânica, variante do termo dramático empregado nas óperas wagnerianas, com emissão desde a zona central mais baixa até as de dramático, com timbre geralmente baritonal. Exemplo: TRISTÃO, SIEGFRIED. Aqui, trago LAURITZ MELCHIOR cantando WINTERSTÜRME, num filme dá década de 40:

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TENOR ROBUSTO:
Tenor dramático especializado em papéis verdianos, similar aos HELDENTENOR, somente com a diferença de utilizarem durante mais tempo notas mais agudas. Posso exemplificar com CARLO BERGONZI interpretando OH FEDER NEGAR POTESSI, da LUISA MILLER verdiana, num concerto de 1996, no Met de NY, já com 72 anos de idade:

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HAUTE-CONTRE ou TENOR CONTRALTINO:
É um tenor lírico-ligeiro caracterizado por uma voz de timbre claro e notável extensão no registro agudo, parecido com a do contralto, tendo sido particularmente empregado na ópera francesa do Século XVIII. Aqui um exemplo na voz de GREGORY KUNDE interpretando AH MES AMIS, da LA FILLE DU REGIMENT, de Donizetti

J1bYA4u3kt8

Temos, por fim, o assim denominado CONTRATENOR, cuja voz se assemelharia à dos castrati, especialmente utilizada nas óperas dos Séculos XVII e XVIII, até seu desaparecimento. Aqui tento exemplificar essa voz com DAVID DANIELS interpretando a famosíssima OMBRA, MAI FU, da SERSE (XERXES) de Handel:

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Termino por aqui o registro de tenor.
Volto daqui uns dias com o de baritono.

Tomara que gostem,

grande abraço,

Sidão

PARKERsp
29-07-2008, 13:37
Pergunta de um leigo: qual o melhor formato de áudio para não se perder as nuances de um concerto?
O formato mp3 não é adequado?:confused:

Holbein Menezes
29-07-2008, 14:08
Não se pode dizer que não será, na eletrônica do áudio o que não é agora pode um dia vir a ser; e o que é até pode não ser nem nunca ter sido...

A característica dominante do desenvolvimento tecnológico - e o áudio para a reprodução do som musical é uma tecnologia - é sua "ida-e-vinda", isto é, sua "senoidalidade". É verdade que há muito de modismo, de "novitaleiro", dessa coisa de "última geração"; ao mais das vezes para enganar trouxas.

Da mesma forma como há bastante de saudosismo, de "no meu tempo a coisa era melhor".

Parece, porém, que o desenvolvimento tecnológico em áudio passará por duas gargantas: a miniatura e o digital.

E Mp3 está longe disso, eu acho.

Holbein.

Sidney Romano
29-07-2008, 14:15
Pergunta de um leigo: qual o melhor formato de áudio para não se perder as nuances de um concerto?
O formato mp3 não é adequado?:confused:


PARKER:

Só tem um formato mesmo: o bom e velho stereo, com boa fonte, boas caixas e bons cabos.
O resto é perfumaria.
No quesito MP3, apesar das gravações ficarem até razoáveis, dependendo do software que vc utilizar, SEMPRE haverá compressão de dados, desaparecendo nuances que são na maioria das vezes o fator de alegria e satisfação de um audiófilo.
Assim, vai por mim, não tem segredo. O correto é ouvir em stereo, escolhendo bem as mídias.

Grande abraço,

Sidão

migrando
29-07-2008, 14:19
Alô ParkerSP

Por favor, veja o site abaixo:

http://www.htforum.com/vb/showthread.php?p=640424#post640424

:feliz:

Redlaw
29-07-2008, 14:21
...O formato mp3 não é adequado?:confused:

O grande problema do MP3 é que ele ceifa as frequências acima de 15-16 kHz.

Os CD´s de música clássica normalmente são bem gravados, ao contrário dos discos de rock e pop, que normalmente sofrem de alta compressão dinâmica. Logo, os MP3 de música clássica tendem a apresentar uma maior degradação na qualidade.

Mas o melhor é você testar. Se sentir que vale a pena, vá fundo.

O pessoal que está partindo para ouvir música a partir de computador, atualmente está preferindo mais os codecs sem perda, como flac. Mas quem entende deste assunto é o TUTU, quem sabe ele dá alguma palavrinha por aqui.

[ ]'s Walder.

PARKERsp
29-07-2008, 14:23
Assim, vai por mim, não tem segredo. O correto é ouvir em stereo, escolhendo bem as mídias.

E de que maneira essas nuances são melhor perceptíveis?
Em um sistema multicanal, em 2 canais ou num bom fone de ouvido aliado a uma boa fonte?

ZpínoZ
29-07-2008, 20:35
Dennis,

Por favor, gostaria de saber o que é preciso fazer para tornar este tópico o "CLUBE DA MÚSICA CLÀSSICA", uma vez que, em conversas, todos os participantes mais assíduos concordam?

Z

Isaac Boy
29-07-2008, 20:41
Z,

Só os moderadores conseguem alterar o título dos tópicos. Você já fez certo ao se dirigir ao Dennis. Mas seria bom enviar uma MP ou e-mail para agilizar. :legal:

A propósito, concordo totalmente com a mudança! :aplauso:

Wieniawski
29-07-2008, 22:47
Tens razão Douglas. Pra mim hj, é mais fácil falar que é o Concerto da Du Pré, pedindo escusas ao Elgar onde quer que ele esteja.

Sidão

Também engrosso a lista dos admiradores desta excepcional virtuose, tenho este concerto do Elgar com a du Pré em DVD, o que é um atrativo a mais, pois é interessante observar sua maneira de interpretar a obra.

Indico também as sonatas para cello e piano de Beethoven em CD, com ela e Barenboim, as sonatas são lindíssimas, a interpretação de du Pré, magnífica.

Abçs

Wieniawski
29-07-2008, 22:53
Prezado ZpínoZ.

Esse detalhe já foi dito não sei onde, mas apenas para dar noção do valor de Ginette Neveu àqueles que não a conhecem, mesmo sem nunca tê-la ouvido
sequer uma única vez, vejamos o que diz este (http://en.wikipedia.org/wiki/Ginette_Neveu) site:

“...At age 15, Ginette Neveu achieved worldwide celebrity status when she won the Henryk Wieniawski Violin Competition (http://en.wikipedia.org/wiki/Henryk_Wieniawski_Violin_Competition) over 180 contestants, including the future virtuoso David Oistrakh (http://en.wikipedia.org/wiki/David_Oistrakh), who finished second. ...”

Diz-nos a Wikipedia que a 1ª execução do Concerto nº 1 para Violino ocorreu em 1853 (http://en.wikipedia.org/wiki/Violin_Concerto_No._1_%28Wieniawski%29) e a do 2º em 1862 (http://en.wikipedia.org/wiki/Violin_Concerto_No._1_%28Wieniawski%29), execução do próprio compositor.
Seguindo as pegadas fornecidas pelo nosso amigo Holbein, embora ao detalhe não se tenha referido especificamente, poderíamos deduzir que Itzhak Perlmann teria feito pelos concertos para violino de Wieniawsky o mesmo papel que Mendelssohn fez pela música de Bach, quando fez o “revival” da Paixão Segundo São Mateus. (http://en.wikipedia.org/wiki/Felix_Mendelssohn)

Embora seja heifetziano há mais de 50 anos, reputo brilhante a execução do Concerto nº 2 pelo tio Heifetz.

:feliz:

Bem lembrada esta gravação do 2º concerto pelo Heifetz, Migrando!

Gosto muito dela, este concerto é a cara do Heifetz!

abçs

Holbein Menezes
30-07-2008, 05:24
Z., meu querido filósofo e amigo, que ganharia este tópico em qualidade uma vez transformado em "Clube"?

Você sabe que não sou perito nesses mistérios cibernético, mal cato milho no teclado, ainda agora hei de socorrer-me mais uma vez com o Administrador Dennis para pôr no ar meu próximo texto de 1º de agosto. E estou velho demais para tentar compreender "bits" & cia...

Mas no meu ver, "Clube" pressupõe local, reuniões, encontros, regras, estatutos, tudo em terceira dimensão, a cores e ao vivo; tópico é, segundo a definição do AURÉLIO, "Relativo precisamente àquilo de que se trata."

Nesses termos, o tópico afigura-se-me mais livre quanto a poder estar nele, e bem mais libertário quanto ao dizer/desdizer, ou não dizer.

Que ganharíamos com a mudança, hem?

Holbein.

Holbein Menezes
30-07-2008, 05:46
"... embora ao detalhe não se tenha referido especificamente." Migrando.

Para musicistas que desconhecemos a técnica de composição, detalhes são percepções pessoais, não é verdade Mestre Migrando? Ao mais das vezes percepções de ordem subjetiva; ou narcíseas..., isto é, na conformidade das nossas necessidades emocionais próprias e temporais. Se ousamos os musicistas a falar de detalhes, estaremos a repetir entendidos. Por isso fujo deliberadamente deles.

Prefiro prestar informações, que as tomei de alguém, às vezes a confessar isso ou não. Pecado que não encobre o interesse da informação.

Eu nunca ouvi uma peça de Henryk Wieniawski; leio que foi tão virtuose quanto Paganini; não sei se tão exibicionista quanto...

Holbein.

ZpínoZ
30-07-2008, 10:04
Z., meu querido filósofo e amigo, que ganharia este tópico em qualidade uma vez transformado em "Clube"?

Você sabe que não sou perito nesses mistérios cibernético, mal cato milho no teclado, ainda agora hei de socorrer-me mais uma vez com o Administrador Dennis para pôr no ar meu próximo texto de 1º de agosto. E estou velho demais para tentar compreender "bits" & cia...

Mas no meu ver, "Clube" pressupõe local, reuniões, encontros, regras, estatutos, tudo em terceira dimensão, a cores e ao vivo; tópico é, segundo a definição do AURÉLIO, "Relativo precisamente àquilo de que se trata."

Nesses termos, o tópico afigura-se-me mais livre quanto a poder estar nele, e bem mais libertário quanto ao dizer/desdizer, ou não dizer.

Que ganharíamos com a mudança, hem?

Holbein.

Em Roma como os romanos, mesmo nestes mundos virtuais.

Pelo que depreendo das peculiaridades deste fórum, existem alguns tipos de tópicos: de compra e venda, de assuntos específicos, a Zona Livre (cuja liberalidade intuo seja a mola de sucesso do HTForum) e, entre outros, os Clubes. As vantagens destes são exatamente as que você, Holbein, cavoucou no Aurélio, ou seja, enquanto tópico se restringe ao seu tema, "áquilo de que se trata", enquanto clube, é mais abrangente, congrega interesses diversos com um ponto de convergência comum.

Senão vejamos, o titulo do tópico e o seguinte: "Musica Clássica – dê a sua sugestão". Se quisermos ser semanticamente rigorosos, não caberiam nele os brilhantes artigos do Sidão sobre as vozes líricas, nem nossos (meus, seus, do Gondim e outros) assanhamentos musicólogos e musicistas. Deveríamos nos concentrar em sugerir discografias.

Nomes são importantes caro mestre, dizem que são os substratos, a condição imprescíndível que permite o pensamento humano.

Shakespeare, em Romeu e Julieta, na melhor cena de amor, para tudo para discutitir "a rosa por outro nome".
Gertrude Stein é minimalista, mais profunda: "uma rosa é uma rosa é uma rosa..."
Umberto Eco, patologicamente semiótico, gasta um romance inteiro, seu melhor, Nome da Rosa, para brincar com essa boutade.

Z

migrando
30-07-2008, 12:21
Mestre Holbein.

Quando mencionei, na #1283, "... embora ao detalhe não se tenha referido especificamente, ...” quis apenas revelar minha dedução, fazendo comparação de mérito entre Perlmann e Mendelssohn, sem nenhuma outra conotação.
Aliás, por minha deficiência de redação, esqueci-me de dizer que esse mérito deve dizer respeito apenas ao Concerto nº1, uma vez que, em 1935, tio Jasha
gravou o de nº2, com John Barbirolli e a London Philharmonic Orchestra, época em que nosso amigo Itzhak ainda se encontrava navegando em outras
órbitas.

Grande abraço.

Wieniawski
30-07-2008, 13:31
Mestre Holbein.

Quando mencionei, na #1283, "... embora ao detalhe não se tenha referido especificamente, ...” quis apenas revelar minha dedução, fazendo comparação de mérito entre Perlmann e Mendelssohn, sem nenhuma outra conotação.
Aliás, por minha deficiência de redação, esqueci-me de dizer que esse mérito deve dizer respeito apenas ao Concerto nº1, uma vez que, em 1935, tio Jasha
gravou o de nº2, com John Barbirolli e a London Philharmonic Orchestra, época em que nosso amigo Itzhak ainda se encontrava navegando em outras
órbitas.

Grande abraço.

Migrando,

Acredito que nem o nº 1, pois citando apenas 2 exemplos, temos gravações do Ivry Gitlis e do Rabin.

abçs

ZpínoZ
30-07-2008, 14:33
Às vezes passo longos períodos ouvindo, preferencialmente, Concertos para Violino. Também acontece nessas fases me dar na telha comparar os movimentos das peças. Desse tempo vadio, dessa mania indecorosa descambei numa constatação inusitada, porém, de obviedade panglossiana e fosforescente: nos Concertos, na minha avaliação pessoal e particular, é bastante dissimilar a qualidade dos movimentos. Um exemplo matador: nove entre dez estrelas de cinema só conhecem o segundo movimento do Concerto de Aranjuez para Violão, de Joaquim Rodrigo.

Voltando ao violino, no Concerto de Sibelius gosto mais do primeiro e terceiro movimentos; no Concerto de Brahms do primeiro, no concerto de Stravinsky o terceiro; no primeiro de Shostakovich, o primeiro...

Aí, brincando, resolvi "frankensteinizar" o processo e montar meu Concerto-Lego perfeito, porém mantendo a ordem relativa do concerto original.

PrimeiroMovimento: Mendelssohn – Allegro molto apassionato
Segundo Movimento: Kachaturian – Andante sostenuto
Terceiro Movimento: Sibelius – Allegro ma non tanto.

Ficou interessante ouvir os movimentos nesse arranjo.

Z

migrando
30-07-2008, 14:51
Alô Wieniawsky

Escrevi "...deve dizer respeito ..." porque desconheço a data em que Perlman o executou, o mesmo acontecendo com Rabin e Gitlis. Meus alfarrábios não chegam a tal nível de detalhamento, exceção feita à maioria das gravações do tio Jasha.

Abraços.
:feliz:

Redlaw
30-07-2008, 14:52
...resolvi "frankensteinizar" o processo e montar meu Concerto-Lego perfeito...

PrimeiroMovimento: Mendelssohn – Allegro molto apassionato
Segundo Movimento: Kachaturian – Andante sostenuto
Terceiro Movimento: Sibelius – Allegro ma non tanto...

Boa Z :concordo::concordo::concordo:.

Eu já havia feito isso, mas somente com uma música, e diferentes performances. Com música diferente, é novidade para mim. Mas que essas brincadeiras são divertidas, ah isso são mesmo :riso::riso::riso:.

[ ]'s Walder.

Holbein Menezes
30-07-2008, 17:42
Z., querido, faz uma cópia e manda para mim; dá para fazer?

Holbein.

O Carteiro
30-07-2008, 19:36
Caros amigos:

Atendendo pedido do meu irmãozinho Gondim, vou arriscar trazer a vcs algumas considerações, muito ligeiras e didáticas, para que todos possam compreender melhor as vozes líricas. [...]

Grande, Sidão, grande. Vou tentar salvar o post em html para colecionar.

Este tópico a cada dia fica melhor.

Abraços e obrigado,
Gondim

O Carteiro
30-07-2008, 19:44
[...] Aí, brincando, resolvi "frankensteinizar" o processo e montar meu Concerto-Lego perfeito, porém mantendo a ordem relativa do concerto original.

PrimeiroMovimento: Mendelssohn – Allegro molto apassionato
Segundo Movimento: Kachaturian – Andante sostenuto
Terceiro Movimento: Sibelius – Allegro ma non tanto.

Ficou interessante ouvir os movimentos nesse arranjo.


Nem o Dr. Frankenstein foi tão longe.

Abração,
Gondim

ZpínoZ
30-07-2008, 21:44
Uma disparidade, tenho umas 10 versões no primeiro de Bruch, porém nunca ouvi o segundo.

Dias atrás num post (#1284), provocado pelo novo topicista Wieniawski, comentei que nunca tinha tido a oportunidade de ouvir o Concerto para Violino N. 2 em ré menor (opus 44) de Bruch, apesar de tê-lo procurando sempre.

Coincidência? Serendipty? Hoje, no fim da tarde, fui na FNAC da Paulista e me deparei com um CD do Izhak Perlman contendo os dois concertos do autor. O segundo, inédito para mim, gravado em 11/1976, com a New Philhamonia Orchestra, Jesús Lópes-Cobos regendo.

Agora já o escutei diversas vezes. Certamente não tem o radiante encantamento do primeiro (que lembra concomitantemente Mendelssohn e Brahms), mas não encontrei motivos para que se mantenha tão escondido.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/510FQX5EVSL._SL500_AA240_.jpg

Entretanto, nem tudo é perfeito... Descobri também que Bruch compôs não apenas 2, mas 3 concertos. A coisa piorou e a busca continua.

Z

Wieniawski
30-07-2008, 22:22
Z, tem a gravação abaixo, o 3º concerto também não chega a empolgar, mas a Fantasia Escocesa vale pelos 2 últimos concertos, é muito bonita:

http://www.cduniverse.com/search/xx/music/pid/1169829/a/Bruch:+Complete+Violin+Concertos,+Scottish+Fantasy +%2F+Accardo.htm

:legal:

abçs

Holbein Menezes
31-07-2008, 06:23
Na praça musical um concerto para violino e orquestra by ZpínoZ.

O primeiro movimento, é "transpirado" de Felix Mendelssohn, "Allegro molto appassionato"; dele escreveu Michel Ciry, que eu não sei quem foi, mas que mostra que não é burrro: "Há poucos momentos musicais que atinjam esse nível de sucesso, essa perfeição de feitura como o que oferece a reentrada da orquestra após a cedência do primeiro movimento."

O segundo movimento, "clonado", leia-se, piratiado de Aram Khatchaturian, o "Andante sostenuto" , no dizer do crítico François-René "...trata-se da parte mais inspirada do concerto, cheia de uma emoção dolorosa...".

O terceiro movimento, emprestado de Jean Sibelius, o "Allegro ma non tanto"ou "Allegro moderato", no qual "... a escrita violinística parece mais improvisada, no tom de balada."

Custo de cada unidade: o preço do frete..., depósito em minha conta.

Holbein.

O Carteiro
31-07-2008, 08:15
[...] Entretanto, nem tudo é perfeito... Descobri também que Bruch compôs não apenas 2, mas 3 concertos. A coisa piorou e a busca continua.

Z, este Duo Philips traz os 3 concertos. Eu já ouvi o segundo, mas também não sabia do terceiro. O álbum traz ainda uma Serenata para violino e orquestra em quatro movimentos (que eu também não sabia que existia) e a famosa Fantasia Escocesa (que particularmente acho a elegia do tédio).

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41B56P8JPPL._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B0000069CT/sr=8-1/qid=1217501642/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music&qid=1217501642&sr=8-1)

http://www.amazon.com/Bruch-The-Complete-Violin-Concertos/dp/B0000069CT/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&s=music&qid=1217501642&sr=8-1



O melhor de tudo é o Salvatore Accardo.

Abraços,
Gondim

Redlaw
31-07-2008, 18:19
Eu tomei conhecimento do sítio Antares Música (http://www.virtuastore.com.br/lojas.asp?IdSeguro=203158317&loja=26&link=Inicio), e a recomendação de alguns CD´s.

A Antares tem como sócio e produtor Augusto Maurer. O músico divide suas atividades na produtora, com as funções de Primeiro Clarinetista da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e de Professor no Instituto de Artes da UFRGS. O interessante é o que escreve sobre a qualidade do áudio:

"Nós da Antares temos orgulho da qualidade de áudio de nossos produtos, fruto do talento de nossos engenheiros e de um longo processo de maturação, com inúmeros testes auditivos realizados até que um novo CD seja considerado pronto para publicação.

Em nossa loja virtual, entretanto, utilizamos trechos de músicas em MP3 de baixa resolução, com qualidade acústica muito inferior à dos CDs, para reduzir o tamanho dos arquivos e, consequentemente, seu tempo de transmissão por Internet convencional.

Por isto, convidamos você a conhecer o som Antares, tão natural como só gravações ao vivo podem ser. Aqui, a música respira. Ouça e compare. Depois, envie-nos sua opinião: ela é fundamental para nosso contínuo aprimoramento".


Bom, não resisti e encomendei 4 CD´s, que quando chegarem faço os devidos comentários:

- Orquestra de Câmara da ULBRA I, Tiago Flores
- Orquestra de Câmara da ULBRA II, Tiago Flores
- Música de Câmara Brasileira pelo Trio de Madeiras de Porto Alegre
- Sonata - Thiago Colombo, violão

http://www.virtuastore.com.br/produtos/26/vs_94104image00001.jpg http://www.virtuastore.com.br/produtos/26/vs_ulbraii.jpg http://www.virtuastore.com.br/produtos/26/vs_trio-de-madeiras.jpg http://www.virtuastore.com.br/produtos/26/vs_thiago.jpg

[ ]'s Walder.

Holbein Menezes
31-07-2008, 18:54
Walder,

tô interessadíssimo nesses discos da Antares de Posto Alegre. Como se faz para comprá-los? Quanto custam cada? Paga-se frete? Têm-se descontos?

Em Porto Alegre respira-se música e não é só o magnífico folclore gaucho. Quando fui compelido a passar três meses na Capital Gaucha, em tratamento de um CA de próstata, quase todas as semanas assistia a um concerto na sala da OSPA.

E em Porto Alegre tive uma das maiores experiências musicais de minha vida: conheci Marlene Hofmann Goidanichi, cantora e percussionista do excelente Conjunto de Câmara de Porto Alegre, dirigido por ela. Sua generosidade ofereceu-me dois cedês do conjunto que vieram a ser minhas músicas de cabeceira. Os discos são edições particulares feitos com o patrocínio da Prefeitura. Não sei se estão no mercado comercial.

Até mandei para a gravadora K617 cópias dos dois discos mas nunca recebi nem sequer um muito obrigado. Mas é música de altíssima qualidade. São peças antiquíssimas do tempo dos Trovadores Medievais. Coisa fina!

Holbein.

ZpínoZ
31-07-2008, 21:12
Gondim,

Na casa do Sidão você falou maravilhas do Ataúlfo Argenta, regente espanhol. Repetindo enfaticamente o que já havia lido anteriormente no excelente logoseletronico.

Aí na minha promenade crepuscular pela FNAC da Avenida Paulista, além do Segundo de Bruch, serendipitosamente, encontrei também um CD do fulgurante cometa espanhol, cuja morte foi mais absurda do que geralmente a Definitiva soe ser.

Chama-se España o CD, por isso as faixas têm em comum inspiração Ibérica. São musicas de ritimo bem marcando, dançantes, melodiosas. Ouvi algumas vezes e o maestro foi muito bem. Preliminarmente gostei especialmente do "timing" e do "balanço" com que ele conduz Debussy - Images pour Orchestre.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51GJHnRDU2L._SL500_AA240_.jpg

Gostei da foto capa, parece jogador mandando a torcida adversária calar a boca depois de fazer o gol.

Z

O Carteiro
01-08-2008, 09:30
Gondim,

Na casa do Sidão você falou maravilhas do Ataúlfo Argenta, regente espanhol. Repetindo enfaticamente o que já havia lido anteriormente no excelente logoseletronico.

Aí na minha promenade crepuscular pela FNAC da Avenida Paulista, além do Segundo de Bruch, serendipitosamente, encontrei também um CD do fulgurante cometa espanhol, cuja morte foi mais absurda do que geralmente a Definitiva soe ser.l

Chama-se España o CD, por isso as faixas têm em comum inspiração Ibérica. São musicas de ritimo bem marcando, dançantes, melodiosas. Ouvi algumas vezes e o maestro foi muito bem. Preliminarmente gostei especialmente do "timing" e do "balanço" com que ele conduz Debussy - Images pour Orchestre.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51GJHnRDU2L._SL500_AA240_.jpg

Gostei da foto capa, parece jogador mando a torcida adversária calar a boca depois de fazer o gol.

Z

Z, tenho o CD que você encontrou na Fenac. É o primeiro deste álbum de 5 discos da Decca, com a Sinfonia Fausto (da qual já falei muito) e uma Sinfonia Fantástica com a abordagem mais original e radical que já ouvi:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51vOM0tGVSL._SS500_.jpg

http://www.amazon.com/Complete-Reordings-Ata%C3%BAlfo-Argenta-1953-1957/dp/B000G6BJKI/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&s=music&qid=1217590360&sr=8-1

Don Ataúlfo Argenta deixou outras gravações, como uma Eroica e uma 2ª. de Brahms espetaculares.

A coleção Decca Original Masters tem outros tesouros altamente recomendados e relativamente baratos (Ansermet, 6 CDs por 47,98; Monteux, 7 CDs por 34,97):

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51%2BvssHLWvL._SS500_.jpg

http://www.amazon.com/Ernest-Ansermet-Decca-Recordings-1953-1967/dp/B000JU7N7Y/ref=pd_sim_m_1

Ansermet além de ser um gigante do podium era filósofo e matemático. Suas posições sobre música moderna - que ele detestava - eram muito interessantes e corajosas.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51jMFxyqSTL._SS500_.jpg

http://www.amazon.com/Pierre-Monteux-Philips-Recordings-1956-1964/dp/B000G6BJKS/ref=pd_sim_m_7

Vale lembrar que Monteux foi quem estreou a Sagração da Primavera. Foi um dos regentes mais claros e precisos do século XX. Como nunca tinha visto ele reger, comprei um DVD do Stokovski só para assisti-lo no bonus conduzindo o Aprendiz de feiticeiro sem partitura -- indicando cada entrada de instrumento de um jeito que pouquíssimos regentes têm coragem de fazer, pois jogam sobre si o peso de qualquer contagem errada. Neste álbum podemos ouvi-lo na Sagração e no Pássaro de Fogo.

Abraços,
Gondim

migrando
01-08-2008, 10:47
Amigo ZpínoZ

Veja o DVD abaixo, com Zukerman executando o concerto nº1 de Bruch.
Aí alguém poderá perguntar: Mas Zukerman não é violista? Sim, mas é ótimo violinista.
Existem artistas que tocam as notas escritas na partitura; outros que tocam a música, com poesia, escondida atrás das notas.
Zukerman, Gitlis, Rabin, Milstein, Grumiaux, Francescatti, Oistrach, Perlman, Suk, Campoli e alguns outros que se incluem nessa última categoria, penso eu.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/317-PLKKTQL._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B000OQDRPA/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=130&s=dvd)

ZpínoZ
01-08-2008, 11:12
Existem artistas que tocam as notas escritas na partitura; outros que tocam a música, com poesia, escondida atrás das notas. Zukerman, Gitlis, Rabin, Milstein, Grumiaux, Francescatti, Oistrach, Perlman, Suk, Campoli e alguns outros que se incluem nessa última categoria, penso eu.

Sei que foi somente um esquecimento, mestre migrando, :D mas posso, desbragadamente, incluir Christian Ferras neste seu olimpo? :aplauso::concordo:

Z

Wieniawski
01-08-2008, 12:24
Sei que foi somente um esquecimento, mestre migrando, :D mas posso, desbragadamente, incluir Christian Ferras neste seu olimpo? :aplauso::concordo:

Z


Amigos, e quanto aos novos intérpretes, quais vocês gostam?

Eu arrisco um nome: Vadim Repin

Conheci Repin ainda no finado Allegro, através do Sanctus, se alguém aqui já foi de lá, deve se lembrar.

Dêem uma olhada no youtube, este mesmo concerto do Bruch com ele, e depois me falem!

abçs

migrando
01-08-2008, 15:31
Prezado ZpínoZ.

Você pode ter certeza de que não houve esquecimento. Quando disse “...e outros ...” pensei numa enorme relação de violinistas, certamente em Ferras, Repim, Szering, Stern, Ricci, Neveu, tio Jascha e, repito, outros, de cujos nomes agora não me lembro e que tocam música com poesia atrás das notas.

Você me fez rever meus arquivos e encontrei artigo de J.Rego Costa, que escrevia a respeito de música clássica na antiga revista O Cruzeiro, possivelmente entre 1955/1957 (esqueci-me de datar o artigo).

“... Concerto de Max Bruch – 0 Sr. José Guedes, de recife, Pernambuco, deseja saber qual a melhor gravação do Concerto número 1, em Sol menor, para violino e orquestra, de Max Bruch. Existem nove gravações desta peça, tendo como solistas Auclair, Campoli, Francescatti, Haendel, Heifetz, Menuhim, Milstein, Oistrach e Wolf. De todos estes artistas, o mais feliz na sua interpretação é notoriamente Heifetz, portador de uma técnica e de uma sonoridade verdadeiramente suntuosos; todavia, tem-se como igualmente bem sucedida a interpretação de Milstein.
O missivista pode escolher livremente entre estas duas gravações, que estará bem servido com qualquer delas. Quanto à consulta, em particular, sobre a gravação de Menuhim, temo-la como inferior: o solista tem algumas falhas, sobretudo no
movimento final. ...”

Para mim a leitura desse artigo foi um choque: possuía, na época, no máximo 6 LPs, entre os quais um da RCA, em que
Menuhim executa os concertos de nºs 1 e 2 e os ouvia com freqüência. Coincidentemente ocorreu uma viagem a São Paulo e fui à saudosa loja Bruno Blois e lá ouvi e comprei o LP executado por Heifetz. Estou preparado para as possíveis pedradas que possam vir, mas nunca mais comprei discos com Menuhim.
:feliz:

O Carteiro
01-08-2008, 19:22
Prezado ZpínoZ.

Você pode ter certeza de que não houve esquecimento. Quando disse “...e outros ...” pensei numa enorme relação de violinistas, certamente em Ferras, Repim, Szering, Stern, Ricci, Neveu, tio Jascha e, repito, outros, de cujos nomes agora não me lembro e que tocam música com poesia atrás das notas.

Você me fez rever meus arquivos e encontrei artigo de J.Rego Costa, que escrevia a respeito de música clássica na antiga revista O Cruzeiro, possivelmente entre 1955/1957 (esqueci-me de datar o artigo).

“... Concerto de Max Bruch – 0 Sr. José Guedes, de recife, Pernambuco, deseja saber qual a melhor gravação do Concerto número 1, em Sol menor, para violino e orquestra, de Max Bruch. Existem nove gravações desta peça, tendo como solistas Auclair, Campoli, Francescatti, Haendel, Heifetz, Menuhim, Milstein, Oistrach e Wolf. De todos estes artistas, o mais feliz na sua interpretação é notoriamente Heifetz, portador de uma técnica e de uma sonoridade verdadeiramente suntuosos; todavia, tem-se como igualmente bem sucedida a interpretação de Milstein.
O missivista pode escolher livremente entre estas duas gravações, que estará bem servido com qualquer delas. Quanto à consulta, em particular, sobre a gravação de Menuhim, temo-la como inferior: o solista tem algumas falhas, sobretudo no
movimento final. ...”

Para mim a leitura desse artigo foi um choque: possuía, na época, no máximo 6 LPs, entre os quais um da RCA, em que
Menuhim executa os concertos de nºs 1 e 2 e os ouvia com freqüência. Coincidentemente ocorreu uma viagem a São Paulo e fui à saudosa loja Bruno Blois e lá ouvi e comprei o LP executado por Heifetz. Estou preparado para as possíveis pedradas que possam vir, mas nunca mais comprei discos com Menuhim.
:feliz:

Mestre Migrando, Menuhin não só foi um grande músico como também um grande musicólogo, autor de “A Música do Homem”, tão importante para os melômanos quanto “Cartas de van Gogh a Theo” é importante para os pintores. Quando ele morreu, a Royal Philharmonic comprou seu acervo, considerado a maior biblioteca particular de música da Europa.

Perdoe a ousadia, mas o amigo não sabe o que está perdendo rejeitando Lorde Yehudi Menuhin. A não ser, é claro, que o senhor não goste do som peculiar dele, que de fato é áspero e agressivo – mas ao mesmo tempo, profundamente articulado. Sempre que ouço Menuhin tenho a impressão de que são dois violinistas tocando e não um (efeito harmônico que as limitações do Youtube não podem reproduzir).

Abraços,
Gondim

Xj6SSqm5W8Q

Holbein Menezes
02-08-2008, 07:00
Querido Edison Brandão.

Eu numa Banda de Rock? Só se for pelo milagre da transubstanciação! Mas que parece, parece. Baixinho e invocado... boné e barbicha... "magister dixit" de baqueta na mão a apontar o caminho... do controverso!

Diabo! tenho sido tanta coisa neste mundo... Tenho "camalionado" tanto!

Inda agorinha mesmo estou a vender meu par de Martin-Longan e o Audiopax 98 para escutar de verdade, não de faz-de-conta, música sinfônica do tamanho de uma música sinfônica, oratórios de muitas vozes, óperas tais Otelo e Boris Godunov, meu adorado Ciclo do Anel, e órgão pleno, de encher uma rede; que os não ouvia vai fazer dois anos!

Com apenas dois ledores, um pré-amplificador e um fone de ouvido (no futuro, três fones de ouvido, dois dedicados aos amigos): nada mais! No conforto de cadeiras confortáveis.

E ainda dei um "jeitinho brasileiro" e consegui ter o melhor "western" no écran!

Quem precisa de mais, pô?

Holbein, o mutante.

ZpínoZ
03-08-2008, 11:11
Conheci Repin ainda no finado Allegro, através do Sanctus, se alguém aqui já foi de lá, deve se lembrar.

Me lembro muito bem, gostava imensamente dos comentários do Sanctus. Através deles aprendi a perceber as peculiaridades do Christian Ferras. Trocamos diversos DVDs e CDs com obras para violino.

Pena que com a extinção do Allegro tenha perdido seu contato.

Z

migrando
03-08-2008, 12:06
A exemplo de inúmeros htnautas, sempre procuro postar mensagens que contenham dados que eventualmente possam servir de subsídios.
Assim, na #9 (http://www.htforum.com/vb/showthread.php?p=620905#post620905) este fórum me deu oportunidade de mencionar alguma coisa que já havia escrito no Allegro:

Disse um allegronauta: “... O que cada um aqui faz para que o som saia do aparelho do modo mais aprazível?” Vestindo esse “cada um” não pude resistir à
tentação de também tentar expor, além de alguma experiência pessoal, opção diferente e extremamente agradável para ouvir música como arte.
Confesso que esse “cada um” se reveste de abordagem um tanto complexa, pois, da mesma maneira que procedemos frente a uma infinidade de opções em
nossas vidas, ouvir música depende fundamentalmente do gosto das pessoas. De acordo com o Aurélio, em sua acepção 7, gosto significa “Faculdade de
julgar os valores estéticos segundo critérios subjetivos, sem levar em conta normas preestabelecidas. ...”

Nesse contexto, graças a Deus e à paciência do nosso administrador, temos total liberdade para externar nossas opiniões, por mais bizarras que possam
parecer e minha esperança é a de que assim continue. Não torço futebol desde a Copa de 50, fórmula 1 para mim é um tédio, porém com felicidade estou
nas estradas das peças musicais para violino e dos violinistas há mais de 50 anos — na verdade o detalhe não tem nenhum valor extrínseco e a menor
significância externa — e até mesmo na minha juventude cheguei a estudar o violino por 2 anos, que abandonei por completa falta de
capacidade/vocação. Não descarto a possibilidade de estar transitando pelas estradas erradas, mas meu conforto é o de que possuo CDs com quase todos
os violinistas que mencionei e com alguns outros, como Morini, Ida Haendel, Elman, Thibaud, Carmignola, Biondi, Enrico Onofri, além da The Heifetz
Collection. Assim, dada a grande diversidade de opções de que disponho, acredito que não teria condições de saber o que possivelmente estaria perdendo,
como jocosamente disse nosso grande amigo Gondim.

PS.
Rubens Alves: (http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=3266)

“...Cuidado com a inveja dos deuses! Caro Nelson Freire: Ao terminar de ouvir os dois concertos de Brahms interpretados por você lembrei-me de um incidente que poderá lhe ser de grande valia. Bernard Shaw foi ouvir Jascha Heifetz. Chegando em casa depois do concerto escreveu-lhe uma carta imediatamente. O conteúdo era mais ou menos assim: “Prezado senhor Jascha Heifetz. Ouvi-o no concerto desta noite. Voltei para casa profundamente preocupado. Porque tocando do jeito como o senhor toca é impossível que os deuses não se roam de ciúme – porque é certo que eles não conseguem tocar como o senhor. Eles sentirão inveja. E deuses invejosos são perigosos. Assim, dou-lhe um conselho. De noite, antes de dormir, não faça suas orações costumeiras. Pegue o seu violino e toque desafinado. Os deuses ao ouvi-lo se sentirão aliviados na sua inveja e deixarão o senhor em paz. Atenciosamente, George Bernard Shaw.” Nelson, faço meu o conselho de Shaw. Sozinho, de noite, ao invés de rezar, toque mal, esbarre algumas notas, erre... Nenhum crítico o estará ouvindo. Mas os deuses estarão. E eles dormirão em paz e você dormirá em paz. Conselho do seu conterrâneo Rubem Alves. ...”

Cordialmente
:feliz:

ZpínoZ
03-08-2008, 13:26
"...Klemperer também gravou o Idílio de Siegfried de Wagner, insistindo em utilizar as mesmas forças – 5 cordas solo, 1 flauta, 1 oboé, 2 clarinetes, 1 fagote, 2 trompas e 1 trompete – que o compositor empregou na manhã de Natal de 1870, quando, como um presente de aniversário para Cósima, regeu a primeira apresentação da obra na escadaria de sua Villa, em Tribschen, nas margens do Lago Lucerna."

Do libreto do CD do Klemperer - Tradução livre minha.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/413WMR4KWXL._SL500_AA240_.jpg

Era bem tratada a Cósima de Flavigni, depois List, depois von Bülow, enfim Wagner. Esses sobrenomes enfeixam boa parte da Música Clássica Moderna.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Cosimawagner1877london.jpg/180px-Cosimawagner1877london.jpg

Entretanto, é bom lembrar, Alma Mahler fez mais: a viúva das quatro artes recebeu, no nome ou na cama, luminares da cultura germânica do seculo XX: Mahler, compositor; Gropius, arquiteto; Kokoschka, pintor e Werfel, poeta.

Cósima, magnificamente interpretada por Silvana Mangano no belissimo filme de Visconti, Ludwig, fazendo com Travor Howard, considerando o physique du rôle, o melhor casal Wagner no cinema.

Merecidamente, pelo seus múltiplos trabalhos garantindo a posteridade de Richard Wagner, acabou como estátua nos jardins do Bayreuth Festspielhaus.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/37/Cosima.jpg/180px-Cosima.jpg

Z

O Carteiro
04-08-2008, 08:45
[...] Não descarto a possibilidade de estar transitando pelas estradas erradas, mas meu conforto é o de que possuo CDs com quase todos os violinistas que mencionei e com alguns outros, como Morini, Ida Haendel, Elman, Thibaud, Carmignola, Biondi, Enrico Onofri, além da The Heifetz Collection. Assim, dada a grande diversidade de opções de que disponho, acredito que não teria condições de saber o que possivelmente estaria perdendo,
como jocosamente disse nosso grande amigo Gondim. [...]

Mestre Migrando, se o seu amor pelo instrumento não se esgota em sua vastíssima discoteca, permita-me sugerir mais um virtuose: Takako Nishizaki.

Creio sinceramente que o talento autêntico não é privilégio de alguns poucos nomes ilustres. E que a Sra. Nishizaki – que ainda não teve seu nome gravado em mármore - prova a tese propondo soluções originais e muito inteligentes para alguns dos desafios técnicos do concerto n. 1 de Bruch em CD lançado pela Naxos.

Abraços,
Gondim

O Carteiro
04-08-2008, 08:51
"...Klemperer também gravou o Idílio de Siegfried de Wagner, insistindo em utilizar as mesmas forças – 5 cordas solo, 1 flauta, 1 oboé, 2 clarinetes, 1 fagote, 2 trompas e 1 trompete – que o compositor empregou na manhã de Natal de 1870, quando, como um presente de aniversário para Cósima, regeu a primeira apresentação da obra na escadaria de sua Villa, em Tribschen, nas margens do Lago Lucerna."



Z, a última gravação do Glen Gould foi sua estréia como regente, justamente com o "Siegrfried-Idyll" na versão original para 13 instrumentos.

É uma leitura notável, disponível em um CD que inclui entre as peças a transcrição para piano da Jornada de Siegfried pelo Reno.


Abraços,
Gondim

Redlaw
04-08-2008, 08:59
...tô interessadíssimo nesses discos da Antares de Posto Alegre. Como se faz para comprá-los? Quanto custam cada? Paga-se frete? Têm-se descontos?...


...Antares Música (http://www.virtuastore.com.br/lojas.asp?IdSeguro=203158317&loja=26&link=Inicio), e a recomendação de alguns CD´s....Bom, não resisti e encomendei 4 CD´s, que quando chegarem faço os devidos comentários:

- Orquestra de Câmara da ULBRA I, Tiago Flores
- Orquestra de Câmara da ULBRA II, Tiago Flores
- Música de Câmara Brasileira pelo Trio de Madeiras de Porto Alegre
- Sonata - Thiago Colombo, violão...[ ]'s Walder.

Holbein, desculpe o atraso, é que fiquei um pouco ocupado por estes dias.

Basta você entrar no sítio Antares Música, o endereço está sublinhado acima, mas vou repetir:

http://www.virtuastore.com.br/lojas.asp?IdSeguro=203158317&loja=26&link=Inicio

Quanto aos preços, são em torno de 20 e 25 reais, com opção de frete por sedex e encomenda normal. Os meus 04 CD´s, com frete comum, ficaram em 106 reais.

A compra é bem simples, basta clicar no botão de compra, depois ir para a tela de compra, preencher os dados cadastrais, e depois vai para a tela do cartão de crédito e digitar o número.

[ ]'s Walder.

Redlaw
04-08-2008, 10:55
Será Gustavo Dudamel um novo Berstein, um novo gênio da música, como a mídia está apregoando?

Com apenas 26 anos Gustavo Dudamel assumirá a direção artística da Filarmônica de Los Angeles a partir de 2009.

Dudamel tem origem humilde, na cidade de Barquisimeto, distante 260 quilômetros da capital venezuelana Caracas.

"Muitos de seus amigos de infância foram ganhar a vida no crime. Dudamel acredita que ele próprio teria seguido caminho semelhante, não fosse ainda na infância ter topado com um programa singular: El Sistema, um projeto instituído na Venezuela em 1975 para integrar jovens de comunidades carentes por meio da música"...

Pelo que pude observar o maestro destaca-se pela energia na condução musical, e teatralidade na performance. Hilário foi observar sua conversa com os músicos, salvo engano da filamornica de Viena, em que ele pedia para ver sangue, sangue esborrifado na execução das músicas, e a risada geral dos músicos.

Sítio pessoal: Gustavo Dudamel (http://www.gustavodudamel.com/artistmicrosite/DUDGU/es/index.htms).

O jovem maestro é contratado da Deutsche Grammophon, e já tem algumas gravações:

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/4777822.jpg

HECTOR BERLIOZ - Symphonie fantastique - Los Angeles Philharmonic

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/4777457.jpg

FIESTA - Works by Bernstein · Carreño · Castellanos . Estévez · Ginastera · Márquez . Revueltas · Romero - Simon Bolivar Youth Orchestra of Venezuela

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/4776545.jpg

GUSTAV MAHLER - Symphony No. 5 - Simon Bolivar Youth Orchestra of Venezuela

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/4777182.jpg

BÉLA BARTÓK - Concerto for Orchestra - Los Angeles Philharmonic

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/0734357.jpg

BIRTHDAY CONCERT FOR POPE BENEDICT XVI - GABRIELI - MOZART - DVORÁK - Hilary Hahn - Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/4776228.jpg

LUDWIG VAN BEETHOVEN - Symphonies No. 5 & 7 - Simon Bolivar Youth Orchestra of Venezuela

http://revistadasemana.abril.com.br/images/boashistorias/31214b2b-7591-4402-8578-9a68fbb6b47a_zoom.jpg


[ ]'s Walder.

Holbein Menezes
04-08-2008, 12:21
Confesso que não gosto do "carimbo" de colecionadores se aplicado em musicistas que apreciam ter coleções completas; como Mr. Z e "myself".

Sou tão fissurado em coleções que um dia que já vai longe comprei a "Comédia Humana" de Balzac, e, pasmem! a li quase toda! Assim como a coleção de Machado de Assis, e do chato Eça de Queiroz, e da sábia Velha Senhora, Agatha Christie; e da verve do Rex Stout, e do esnobe Ellery Queen, e, agorinha mesmo, do tupiniquim Luiz Alfredo Garcia-Roza e seu delegado Espinosa (chorei com a morte da bela Serena!)

Não sei explicar porquê; e nem desejo saber. Sou "colecionador", e pronto!

Por intermédio da generosidade sem limites do poeta e filósofo Z, adquirimos a coleção completa das obras de Mozart (170 cedês) e da vasta obra de Bach (155 CDs).

Mozart estou a ouvir dois cedês por dia, e no dia de hoje ouvi e fiquei pasmo (!) seu KV 32 (obra da infância) com o estrabótico título de "Gallimathias Musicum". Acionei todos os meus alfarrábios e não encontrei uma só palavra sobre essas "Gallimathias"; nem no cósmico da Internet descobri explicação sobre.

Quem mo informa, hem?

Holbein.

migrando
04-08-2008, 13:01
Prezado Holbein.

Veja este (http://mozart.infonet.com.br/K32Mus.htm) site. Seria sobre o assunto a que você se refere?

Quanto à colecionadorite, havia também comprado a coleção de Mozart e a de Bach (a minha contém 160CDs e o assunto já foi discutido aqui (http://www.htforum.com/vb/showthread.php?p=672446#post672446) neste fórum). Uma vez que o vírus ainda se encontra ativo, estou à espera das coleções de Brahms e de Beethoven. Não tem jeito mesmo.

Abraços

:feliz:

Holbein Menezes
04-08-2008, 14:53
Obrigado, Mestre Migrando!

Como é que você "descobre" essas coisas, hem?

Holbein.

cheriato
04-08-2008, 15:12
Ola PEssoal me desculpe por nao conseguir colocar foto, mas tenho o link de um CD que julgo ser muito interessante.

Acham que eh uma boa compra? gosto muido dela. Edda Moser, mas nao sei especificamente esse cd.

Uma faixa que gosto muito em especial eh a 2. 2. Der Holle Rache - Edda Moser faixa da peca "Die zauberflöte", alias eh uma pena que nao se ache este DVD com legenda para os que nao entendem muito de ingles ou alemao.

http://www.americanas.com.br/AcomProd/580/2456358

abs.

migrando
04-08-2008, 15:45
Prezado Gondim.

Obrigado pela indicação. Vou procurar o CD. Já conhecia a Nishizaki, porém não tenho nenhum CD com ela. Existem outros ótimos violinistas dos quais também não tenho nenhum CD: Gil Shaham, (http://en.wikipedia.org/wiki/Gil_Shaham) Kreisler, (http://en.wikipedia.org/wiki/Fritz_Kreisler) Kremer (http://en.wikipedia.org/wiki/Gidon_Kremer), Thibaud (http://www.thirteen.org/publicarts/violin/thibaud.html) e não sei quantos mais.

Tomando por empréstimo suas palavras, em que você se refere a Menuhim como tendo som peculiar “...áspero e agressivo – mas ao mesmo tempo, profundamente articulado ...”, ocorre-me a dúvida: Seriam essas características consideradas suficientes para atingir nossa preferência? No século passado bastava ouvir trechos de determinada peça para violino que eu e meus amigos conseguíamos, quase sempre, distinguir o nome do violinista do disco que estava sendo reproduzido. Eles conseguiam imprimir à execução determinadas características que os diferenciavam.
Nos dias de hoje perdi totalmente esse sentido com relação aos novos violinistas, uma vez que me parece que as escolas asiáticas ensinam a tocar o instrumento da mesma maneira; tocam tudo igual, nem a Midori escapa.

Nem sempre a técnica é suficiente, pois ela não falta a Accardo, (http://en.wikipedia.org/wiki/Salvatore_Accardo) Anne-Solphie Mutter (http://www.anne-sophie-mutter.de/me_index.php), Vengerov (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maxim_Vengerov) etc. Você já teve oportunidade de ouvir os concertos de Mozart com a Anne-Sophie? A crítica internacional não gostou (parece-me que foi a Gramophone que testou os respectivos CDs). Também não gostei. Possuo os concertos para violino de Paganini com o Accardo, mas depois de ouvir este concerto (http://www.amazon.com/Paganini-Violin-Concerto-No-Spohr/dp/B000G04RKS/ref=sr_1_6?ie=UTF8&s=music&qid=1217873250&sr=1-6) acredito que vou aguardar a Hilary
gravar os outros de Paganini. Sinto que Biondi (http://www.europagalante.com/fabio_biondi.php?changeLang=en) deu nova roupagem, novo frescor à música barroca, a exemplo de Carmignola (http://www.goldbergweb.com/en/interpreters/conductors/12485.php) e Enrico Onofri (http://www.amazon.com/s?ie=UTF8&search-alias=classical&keywords=Onofri%2C%20Enrico&page=1), acostumado como estava às excelentes, porém um tanto vetustas, gravações com I Musici. (http://www.newworldclassics.com/musici.htm)

Onde se esconde a música/poesia atrás das notas? Quem mais possui violino com som de mármore e arco que pesa alguns quilos?

:feliz:

ZpínoZ
04-08-2008, 17:12
Confesso que não gosto do "carimbo" de colecionadores se aplicado em musicistas que apreciam ter coleções completas; como Mr. Z e "myself".

Sou tão fissurado em coleções que um dia que já vai longe comprei a "Comédia Humana" de Balzac, e, pasmem! a li quase toda! Assim como a coleção de Machado de Assis, e do chato Eça de Queiroz, e da sábia Velha Senhora, Agatha Christie; e da verve do Rex Stout, e do esnobe Ellery Queen, e, agorinha mesmo, do tupiniquim Luiz Alfredo Garcia-Roza e seu delegado Espinosa (chorei com a morte da bela Serena!)

Não sei explicar porquê; e nem desejo saber. Sou "colecionador", e pronto!

Machado de Assis (encadernada em primoroso couro de porco), Borges (em espanhol e português), Oscar Wilde, Fernando Pessoa, T.S.Elliot (em inglês e português), Jorge de Lima e Raduan Nassar (em primeiras edições); de todos eles tenho edições completas, não obstante, ainda tenho uma ponta de inveja, mestre Holbein.

Exatamente nestes item acima, negritados e amplificados, é que reside o móvel do meu pecado. Sou preguiçoso (ou me auto iludo), assim não se me predisponho a fazer uma negociação ampla, como você fez, como com a "Livros do Brasil", que, apesar do nome, foi banidas das terras do gigante adormecido. E pelo que sei, só ela editou todos.

Por outro lado, por ainda não ter a completa do Gordo detetive, preservo ainda uma alegria: de repente, não mais do que de repente, encontrar, em uma livraria qualquer, uma história que ainda não li. Não é pouco, e não sei se quero perder essa perpétua busca deste metafórico ponto "G" (para os mais pudicos "G" de Graal).

Este é o prazer interdito aos colecionadores, comprando tudo de uma vez, perdemos a chance de multiplicar os momentos de contentamento, à cada item encontrado. Ter ou não ter (tudo), eis nossa questão.

Z

membroativo
04-08-2008, 18:12
Machado de Assis (encadernada em primoroso couro de porco)...
Z

Caro Z,
Tenho boa parte das obras completas de escritores nacionais e estrangeiros pela Nova Aguilar (boa edição, apesar das margens "desonestas"), mas essa aí foi de babar...
principalmente por ser do Machadão.

abraços,

O Carteiro
04-08-2008, 18:17
Prezado Gondim.

Obrigado pela indicação. Vou procurar o CD. Já conhecia a Nishizaki, porém não tenho nenhum CD com ela. Existem outros ótimos violinistas dos quais também não tenho nenhum CD: Gil Shaham, (http://en.wikipedia.org/wiki/Gil_Shaham)Kreisler, (http://en.wikipedia.org/wiki/Fritz_Kreisler)Kremer (http://en.wikipedia.org/wiki/Gidon_Kremer), Thibaud (http://www.thirteen.org/publicarts/violin/thibaud.html) e não sei quantos mais.

Tomando por empréstimo suas palavras, em que você se refere a Menuhim como tendo som peculiar “...áspero e agressivo – mas ao mesmo tempo, profundamente articulado ...”, ocorre-me a dúvida: Seriam essas características consideradas suficientes para atingir nossa preferência? No século passado bastava ouvir trechos de determinada peça para violino que eu e meus amigos conseguíamos, quase sempre, distinguir o nome do violinista do disco que estava sendo reproduzido. Eles conseguiam imprimir à execução determinadas características que os diferenciavam.
Nos dias de hoje perdi totalmente esse sentido com relação aos novos violinistas, uma vez que me parece que as escolas asiáticas ensinam a tocar o instrumento da mesma maneira; tocam tudo igual, nem a Midori escapa.

Nem sempre a técnica é suficiente, pois ela não falta a Accardo, (http://en.wikipedia.org/wiki/Salvatore_Accardo)Anne-Solphie Mutter (http://www.anne-sophie-mutter.de/me_index.php), Vengerov (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maxim_Vengerov) etc. Você já teve oportunidade de ouvir os concertos de Mozart com a Anne-Sophie? A crítica internacional não gostou (parece-me que foi a Gramophone que testou os respectivos CDs). Também não gostei. Possuo os concertos para violino de Paganini com o Accardo, mas depois de ouvir este concerto (http://www.amazon.com/Paganini-Violin-Concerto-No-Spohr/dp/B000G04RKS/ref=sr_1_6?ie=UTF8&s=music&qid=1217873250&sr=1-6) acredito que vou aguardar a Hilary
gravar os outros de Paganini. Sinto que Biondi (http://www.europagalante.com/fabio_biondi.php?changeLang=en) deu nova roupagem, novo frescor à música barroca, a exemplo de Carmignola (http://www.goldbergweb.com/en/interpreters/conductors/12485.php) e Enrico Onofri (http://www.amazon.com/s?ie=UTF8&search-alias=classical&keywords=Onofri%2C%20Enrico&page=1), acostumado como estava às excelentes, porém um tanto vetustas, gravações com I Musici. (http://www.newworldclassics.com/musici.htm)

Onde se esconde a música/poesia atrás das notas? Quem mais possui violino com som de mármore e arco que pesa alguns quilos?

:feliz:



Mestre Migrando, estamos falando de cordas e arcos e ao mesmo tempo de coisas intangíveis. Descrevi o som de Menuhin como “...áspero e agressivo – mas ao mesmo tempo profundamente articulado ...”. Tais características também poderiam ser descritas – e com a mesma imprecisão – como “som de rabeca”. Menuhin tem uma “assinatura” tão distinta quanto “polêmica” pois, dependendo do ouvinte, o que chamo de “áspero” pode facilmente ser traduzido como “rude”.

E acho que esse é o ponto.

O senhor coloca uma questão difícil de responder: seriam tais características consideradas suficientes para atingir nossa preferência?
Suficientes? Não. Do meu ponto de vista pessoal, são atributos necessários, mas existem outros muito mais abstratos para que eu arrisque uma descrição.

O senhor cita Anne-Sophie Mutter e seus concertos de Mozart. Também os acho lamentáveis, deploráveis, de uma mediocridade abissal. E aqui o mistério que estamos sondando se materializa como granito: Mozart é tão fácil de tocar, por que é tão difícil?

De um ponto de vista técnico poderíamos responder: como suas bases harmônicas são simples e limitadas, é preciso articulá-lo em andamentos precisos. Mas e daí? Arrastando um piano para a discussão, Brendel tocando Mozart é articulado e preciso, realmente bonito, mas... ouvimos Géza Anda, e o Mozart do grande Brendel empalidece. Brendel não é um gênio da técnica? Não tem uma das mais belas sonoridades do século XX? Sem dúvida. O que Géza Anda tem que Brendel não tem? A princípio nada, mas ainda assim ele parece ter tudo.

Como resolver a equação? Qual o Argumento Analógico do binômio Brendel-Anda?

Talvez estejamos fazendo a pergunta errada.

Uma vez perguntaram a Agostinho de Hipona o que era a Trindade. O patriarca da teologia e formulador do termo respondeu: “eu não sei o que é a Trindade, mas sei o que ela não é”.

Pois eu também não sei, mestre Migrando, que características são necessárias para saciar minhas preferências e exigências. E não sei porque gosto tanto das asperezas de Menuhin (enquanto muitos amigos que gostam de música tanto quanto eu as detestam). Mas sei que desejo muito mais que Mutter e outras marcas de sabonete. E por isso estou sempre buscando coisas novas: porque muito do encanto que encontramos em alguns intérpretes estão justamente em nós mesmos. Nós dizemos: uau! Esse camarada é bom. Por que esse é bom, se tantos outros são tão bons ou melhores do que ele?

Acho que é porque eles tocam justamente a poesia que existe em nós. Somos poemas inconclusos em busca de poetas com arcos e cordas.

Um abraço – e agradeço ao amigo pelo post.
Gondim

Holbein Menezes
04-08-2008, 21:43
Genialidade é isto, ó O Carteiro: o simples tornado profundo. Mozart não inventou nada em música, não a revolucionou mas transformou o feijão-com-arroz barroco num feijão-com-arroz de Chefes de Cozinha efeminados. Não é a harmonia nem os temas tratados - a maioria banal -, nem mesmo a deliciosa melodia tão cantabile; a meu ver, o genial em Mozart reside na intensidade do toque, nem forte nem leve, apenas angelical - e não digo divino pelas muitas iras de Deus registradas nas Escrituras.

Mozart o artista nunca perdia "a leveza de ser" nem quando o mundo de suas finanças desabava sobre sua cabeça. Aliás, não desabava sobre sua cabeça, que ele conseguia dar a ela a imunidade de útero feminino; desabava sobre o resto de seu corpo abaixo da cabeça. Porque são dois Mozart: o homem e o anjo feito homem. E anjo, pelas asas que tem, deve ser "peso pluma". Poucos intérpretes de Mozart, pianistas, violinistas, maestros dão-se conta disso; Carlos Kleiber é um deles; mas a Anne-Sophia não é um deles. Nem Hebert von Karajan que transfigura Mozart num "cabra-macho" quando o artista nunca deixou de ser garoto, "peso pluma". Friedrich Gulda não houvesse nascido germânico, teria chegado lá...

A "leveza do ser" é a marca do zorro de Mozart, mas um Z de água-de-cheiro. O mais banal em Mozart é o pianíssimo ainda que a intensidade desse pianíssimo seja sua criação mais genial. É como se apertar o bico dos peitos de uma menina-moça: uma leve pressão e dói...

Holbein.

ZpínoZ
04-08-2008, 21:48
Somos poemas inconclusos em busca de poetas...

Não se compreendi o resto, mas isso entendi.

Vai dai, voltanto à Agostinho de Hipona, que nos meus livros vem precedido de Santo, ele é maravilhosamente citável. Me desculpando do pecado por evocá-lo de memória, por contexo e sem consulta ao texto, gosto quanto diz: quando penso no que é o Tempo entendo tudo, porém se me pedem para explicá-lo não entendo mais nada.

Z

ZpínoZ
04-08-2008, 21:56
Caro Z,
Tenho boa parte das obras completas de escritores nacionais e estrangeiros pela Nova Aguilar (boa edição, apesar das margens "desonestas"), mas essa aí foi de babar...
principalmente por ser do Machadão.

abraços,

E veja, quando encomendei, no Sebo do Messias, exatamente esta edição, levou três meses para ele achar. Foi exumada de uma biblioteca de um emérito professoar de Fortaleza. :p:concordo:

Z

O Carteiro
05-08-2008, 08:27
Obituário do CD clássico


O crítico inglês Norman Lebrecht mostra os bastidores das principais gravadoras e declara o fim da indústria fonográfica


Eduardo Socha

Quando a finlandesa Linda Brava - boxeadora, esquiadora, co-pilota de rally, atriz, modelo e capa da Playboy (uma das Sex Stars of 1998 da edição americana) - começou a ganhar notoriedade na década de 1990, não foram somente suas peripécias esportivas e seus ululantes atributos físicos que serviram de expedientes para uma certeira fama planetária. Também violinista da Orquestra da Ópera de Helsinki, a moça provocava suspiros nas salas de concerto européias com seus dotes musicais (para lá de suspeitos, diga-se). Todos os atributos somados, dava a nítida impressão de ser uma renascentista da pós-modernidade. Em 1999, a EMI Classics, gigante da indústria fonográfica, não perdeu a chance. Profundamente mergulhada em crises financeiras, contratou a beldade para gravar o CD Linda Brava, incluindo hits bombásticos do repertório de elevador, como Ave Maria, de Gounaud, e Berceuse, de Fauré. Sucesso imediato, a crítica "especializada" era só elogios: "a sensação do violino da Finlândia" estampava o respeitado The Gramaphone, seguido por comentários positivos das revistas Andante e Classic CD; o jornal The Times, por sua vez, atingia o píncaro da exaltação e, sem medo de perder seus leitores, lapidou o trocadilho criminoso "Bravo Brava!"

http://revistacult.uol.com.br/website/images/website/linda%20brava%202%20-%20site.jpg
Linda Brava: sintomas de um mercado agonizante (Divulgação)

Na esteira do sucesso da finlandesa, o prestigiado selo Decca - outro titã conhecido pela qualidade de suas gravações (o "som Decca" virou sinônimo para perfeição acústica) - não demorou muito para colocar nas lojas o primeiro disco do Bond, um quarteto de cordas de moças siliconadas à la Spice Girls, que estremecia o mundo com interpretações estridentes da "Abertura 1812" de Tchaikovsky. Fenômenos parecidos de classical crossover (mistura de gêneros pop com música clássica) atingiam outras gravadoras, que registravam boas vendas com a iniciativa. Era o caminho messiânico para a salvação das majors, todas amarguradas em números? Infelizmente, o tempo mostrou que não. A onda erótica passou, e o desespero das gravadoras já havia criado todo tipo de aberração comercial; a BMG chegou a lançar um disco duplo, O único álbum clássico de que você precisará, que foi respondido pela Universal com seu fabuloso CD de clássicos "com todos os trechos chatos cortados".

Para Norman Lebrecht, enfant terrible da crítica britânica, tudo não passava de um conjunto de sintomas do quadro agonizante e irreversível da indústria. O excesso de produção, o barateamento dos custos, a oferta na internet e, principalmente, a falta de invenção das gravadoras teriam sido os fatores decisivos para o declínio do CD clássico. Em seu recente livro, com o curioso subtítulo A vida secreta e a morte vergonhosa da indústria da música clássica, Lebrecht narra de maneira divertida os bastidores da ascensão e queda desse universo industrial dos clássicos, que se tornou um capítulo importante da história da música ocidental. Além de crítico musical e apresentador do "lebrecht.live", da rádio BBC, Lebrecht é autor de onze livros sobre música (entre eles, O mito do maestro) e do romance The song of names. Nesta entrevista à CULT, fala sobre o futuro das relações entre a música de concerto e o grande público.

http://revistacult.uol.com.br/website/images/website/lebrecht%20-%20site.jpg
Divulgação

CULT - O fim da indústria fonográfica significa um retrocesso na popularização da música clássica?
Norman Lebrecht - É o fim do disco, do objeto físico: aquele novo álbum produzido por um selo comercial qualquer. A internet substituirá a força das grandes gravadoras e dará acesso, por exemplo, a apresentações ao vivo, gravadas diretamente das salas de concerto, o que é muito estimulante para a divulgação da música clássica como um todo. Mas acredito que aquela cultura comercial da gravação, nos moldes tradicionais, chegou realmente ao fim.

CULT - No livro, você critica novamente o mito em torno da figura do maestro, cujo paradigma seria Herbert von Karajan. O estereótipo afasta mesmo o público? Como explicar a popularidade das gravações de Karajan?
N.L. - O sanduíche do McDonald's também é popular. O fato de colocar um produto idêntico, padronizado, em cada cidade do mundo, garante sucesso comercial à empresa. Em escala menor, Karajan procurou fazer o mesmo com a indústria fonográfica, gravando segundo ideais comerciais, o que deu muito lucro no início. Depois, as orquestras passaram a ter sonoridades parecidas, as gravações tornaram-se monótonas, e as vendas despencaram. O problema é que essa padronização não significou qualidade artística.

CULT - O desenvolvimento da linguagem musical durante o século 20 provocou o divórcio entre a produção de vanguarda e a recepção do público. Há um consenso em torno da importância de Ligeti, Stockhausen e Boulez, mas poucos têm acesso à obra desses compositores. A indústria seria uma das responsáveis por essa distância entre público e vanguarda?
N.L. - A indústria fonográfica, nos tempos áureos, era um equilíbrio entre o comercial e o experimental. Dez Vivaldis pagavam um Stockhausen, por exemplo. Mas à medida que os selos clássicos foram sendo comprados pelas grandes empresas, as gravações de obras de alta relevância cultural, engajadas com a inovação artística, diminuíram drasticamente. Então sim, com o tempo, a indústria acabou se desinteressando pela vanguarda. Ligeti ainda não é muito conhecido, mas pelo menos o público tinha a chance de ouvir suas obras; a Sony chegou mesmo a gravá-las em algumas séries audaciosas, mas depois abandonou o projeto; a Warner continuou e também desistiu. Hoje existem no mercado mais de 400 gravações de As quatro estações, de Vivaldi, e pouca coisa de compositores contemporâneos.

CULT - A crítica especializada também é responsável por esse afastamento?
N.L. - Duas gerações atrás, sim. Os críticos nos anos 1950 e 1960 seguiam a linha do politicamente correto, definida por Darmstadt, segundo a qual não valia a pena ouvir música que não fosse atonal ou serial. Hoje, a música e a crítica tornaram-se mais diversos. Não existem mais tantos dogmas.

CULT - No Brasil, houve um discreto aumento de interesse pela música clássica, mas ainda muito associado ao culto de algumas celebridades. É uma aproximação adequada para esse tipo de música?
N.L. - A música sempre avançou pela combinação de uma grande obra executada por um grande intérprete. Hoje, o perigo é uma celebridade qualquer, não necessariamente um bom músico, chamar a atenção do público, roubando a cena dos verdadeiros artistas. Não vejo problema na popularização de artistas brilhantes como Nelson Freire, por exemplo. Mas o ponto importante é que, enquanto o disco clássico perde espaço, o interesse pelas apresentações ao vivo aumenta, o que é muito bom para a aproximação do grande público com a música clássica.

CULT - Você traz uma lista no livro com os melhores e os piores CDs clássicos. Qual o critério para estabelecer uma lista sempre discutível como essa?
N.L. - Fiz uma lista com as 100 melhores gravações do século, considerando, além de sua própria qualidade técnica, o quanto trouxeram para o desenvolvimento da gravação como produto da sociedade civilizada. As 20 piores são marcos de vaidade e imbecilidades, mostrando o quanto uma ambição não-musical pode transformar a música em caricatura.

O Carteiro
05-08-2008, 08:34
Será Gustavo Dudamel um novo Berstein, um novo gênio da música, como a mídia está apregoando? [...]

http://www.gustavodudamel.com/imgs/s120x120/4776228.jpg

LUDWIG VAN BEETHOVEN - Symphonies No. 5 & 7 - Simon Bolivar Youth Orchestra of Venezuela

[...]


Walder, NMHO esse garoto não caminha para ser um novo Bernstein, mas para ser ele mesmo. Nessa V de Beethoven ele descobriu coisas novas depois de 1001 outras grandes gravações feitas ao longo da história do disco. Em DVD ele tem uma X de Shostakovich arrepiante.

Esse rapaz está destinado à grandeza. Não é mais uma marca de sabonete.

Abraços,
Gondim

ÉdisonCh
05-08-2008, 10:12
De um ponto de vista técnico poderíamos responder: como suas bases harmônicas são simples e limitadas, é preciso articulá-lo em andamentos precisos. Mas e daí? Arrastando um piano para a discussão, Brendel tocando Mozart é articulado e preciso, realmente bonito, mas... ouvimos Géza Anda, e o Mozart do grande Brendel empalidece. Brendel não é um gênio da técnica? Não tem uma das mais belas sonoridades do século XX? Sem dúvida. O que Géza Anda tem que Brendel não tem? A princípio nada, mas ainda assim ele parece ter tudo.

Como resolver a equação? Qual o Argumento Analógico do binômio Brendel-Anda?


Talvez seja essa a característica essencial de Mozart. Embora ele pareça fácil ( não é, apenas parece ) a qualidade de sua música depende totalmente do intérprete. Passa por ele.

Muitas obras de Bach são tocadas da mesma forma por todos os ingleses e alguns alemães. Mozart não: ele é sempre filtrado pelos músicos. Em Mozart é mais forte do que na maioria dos demais compositores o ditado de que música é o que se toca e se ouve, não aquilo que está escrito.

Para mim, aparentemente, Brendel toca Mozart ( e também Haydn) como se fossem Beethovens.

Prefiro outros, inclusive a Maria João Pires e o Horowitz, ambos brilhantes. Mas, gosto muito também de Brendel.

ZpínoZ
05-08-2008, 11:16
Obituário do CD clássico

O crítico inglês Norman Lebrecht mostra os bastidores das principais gravadoras e declara o fim da indústria fonográfica

Também li esta entrevista, ou outra com teor parecido. Nessa leitura pretérita, minha memória insiste, o assunto enveredava para os selos de orquestras (veja aqui (http://www.htforum.com/vb/showthread.php?p=1060358&highlight=selo#post1060358)), ou seja, pequenos selos cuja proposta seria se associar às orquestras estabelecidas para registrar e divulgar seus programas mais notórios. Pareceu uma saída interessante, na medida em que diversificava e alterava as premissas do mercado.

Acho que o Lebrech faz firulas com a Música Clássica se aproveitando das turbulências de um fenômeno muito generalizado: a queda abissal nas vendas de toda a indústria fonográfica tal como a conhecemos, do sertanejo ao rock, provocada pela Internet.

Às vezes fico olhando meus filhos mexendo com os IPOD deles. 30, 60 GB de músicas. Potencialmente dezenas de milhares de CDs guardados. Porém, curiosamente, ainda observo o fetiche pelas capas, que fazem absoluta questão de guardar também. Será que vai ser por aí o futuro?

Eu sentiria imensamente perder o "prazer táctil" de que fala o Caetano.

O mundo gira, me conforta saber que o CD faz o mesmo.

Z

migrando
05-08-2008, 12:13
Prezado Mestre Gondim (#1353):

Fora dos arcos e das cordas, diz você “...Qual o Argumento Analógico do binômio Brendel-Anda? Talvez estejamos fazendo a pergunta errada. ...” Não, meu caro, a pergunta está certa e as respostas é que possivelmente estejam erradas, porque agora estamos tentando falar de coisas intangíveis e de problemática contextualização.
Minha curiosidade levou-me ao Aurélio, que, na palavra contexto, em sua acepção 8 diz o seguinte:
“Numa situação de comunicação, características extralingüísticas que determinam a produção lingüística, como, p.ex., o grau de formalidade ou de intimidade entre os falantes.” A rigor desses termos, fica ainda mais complicado, para mim, tentar responder qual o Argumento Analógico do binômio a que o amigo se refere. De
qualquer forma, essa definição reforçou meu desejo de continuar à busca de um bálsamo às minhas eternas indagações.

Continuando “...O senhor coloca uma questão difícil de responder: seriam tais características consideradas suficientes para atingir nossa preferência? Suficientes? Não. Do meu ponto de vista pessoal, são atributos necessários, mas existem outros muito mais abstratos para que eu arrisque uma descrição. ...” Também não arriscaria, mas a “assinatura” a que o amigo se refere —característica própria que distingue os concertistas —,
poderia ser a imponderável leveza do ser, que, no caso dos violinistas e pianistas, representaria a sua própria alma, traduzida pela pressão que imprimem ao arco e aos dedos nos teclados.
Como explicar a música e poesia que se esconde atrás das notas? Ouvindo Géza Anda nos concertos para piano de Mozart e tio Jascha nos concertos 4 e 5 para violino, penso eu.

:feliz:

Holbein Menezes
05-08-2008, 13:04
"Também não arriscaria, mas a “assinatura” a que o amigo se refere —característica própria que distingue os concertistas —,
poderia ser a imponderável leveza do ser, que, no caso dos violinistas e pianistas, representaria a sua própria alma, traduzida pela pressão que imprimem ao arco e aos dedos nos teclados. Migrando.

Não há o criador per se, há a criação. Que se consubstancia nas pessoas dos intérpretes. É claro que o criador existe, mas sem o intérprete a criação não se realiza, não se materializa, fica no limbo... das boas intenções.

Escrevi seis romances, nenhum publicado, subsobrevivem empoeirados nos escaninhos de minhas gavetas, também empoeiradas. Eles existem? Não! Porque não se materializaram pela forma indispensável de uma edição, que representa a interpretação dos livros.

Porquanto quem "faz" a obra é o intérprete! Que teria sido de Richard Wagner sem a interpretação de Franz Liszt? Como disse o velho e sonolento Imperador da Prússia: "...um amontoada de barulho...".

Ouçam uma sinfonia deShostakovich na regência dos "donos do poder" discográfico e ouçam-na na interpretação do filho do compositor, Maxim Shostakovich; é outra obra; ouçam Mozart sob a batuta de Carlos Kliber - a conhecida sinfonia nº 40, por exemplo - e escutem-na na "voz grandiloquente" de Karajan; é outra coisa.

Till Eulenspiegel do velho Strauss, com Sergiu Celibidache, é completamente diferente, seja no tempo, seja na intensidade, seja na articulação do "Till Eulenspiegel" do Noeme Jarvi ou do Bernard Haitink. São leituras diferentes. Mas que fazem a diferença!

Holbein.

ZpínoZ
05-08-2008, 14:12
...poderia ser a imponderável leveza do ser, que, no caso dos violinistas e pianistas, representaria a sua própria alma, traduzida pela pressão que imprimem ao arco e aos dedos nos teclados.

O frase é lindissima, mas as consequências arrasadoras.

Uma correlação perigosa: alma e qualidade do som. Se a alma está para o som, temo que as vezes a reciproca possa ser assustadora. Ou, pior, de uma banalidade guandiloquente.

Mas sou inclinado a pensar que esse núcleo de tensão seja tríplice: a música, o músico e o ouvinte. Este último traz para o contexto toda sua história cultural.

Ninguém ouve Shostakovich como eu ouço, para o bem e para o mal.

Z

Ricardo W. Pereira
05-08-2008, 17:59
Porquanto quem "faz" a obra é o intérprete! Que teria sido de Richard Wagner sem a interpretação de Franz Liszt? Como disse o velho e sonolento Imperador da Prússia: "...um amontoada de barulho...".


Curiosa essa sua observação Holbein porque sei que Liszt é quem foi tomar lições de orquestração etc com Wagner...
A música orquestrada de Liszt era, por assim dizer, algo conturbada, simplória, o negócio dele era tocar piano e compor.
Depois dessas lições é que melhorou e MUITO.
Da minha apreciação e gosto pessoal cito um exemplo das faculdades de arranjo/transcrição de Liszt: "Dansa Macabra" de Saint Saens... uma peça TÃO bonita e que Liszt assassinou com sua adaptação para o piano, muito feia, rebuscada e de gosto bem duvidoso pois a peça ficou quase irreconhecível, parece outra música.
Agora peço correção se estiver enganado.

[]
Ricardo

migrando
05-08-2008, 19:12
Prezado filósofo ZpínoZ.

À falta de bagagem cultural mais aprimorada, permito-me relembrar o que,a respeito de equipamentos de som, escrevi algures:

“... Richard Heyser, engenheiro e cientista, já dizia no passado remoto: “ A percepção do som envolve mais do que o que ouvimos. É uma experiência holística, que envolve não apenas os outros sentidos, mas também experiências passadas e estados emocionais momentâneos.” (Parece que ele leu Proust.)

Disse você: “... Ninguém ouve Shostakovich, como eu ouço, para o bem e para o mal. ...”

Concordo e repito:
“... Se as pessoas enxergam de modo diferente, é natural que também não possam ouvir da mesma forma. O famigerado “gosto pessoal intransferível” explica-se pela maneira como um mesmo bom equipamento, na mesma sala de audição, reproduzindo repetidamente o mesmo CD de música clássica e com a presença de várias pessoas para avaliação, sofre uma adjetivação tão diversa a respeito de suas qualidades. ...”

Essa adjetivação tão diversa poderia também, acredito, ser encontrada se pudéssemos, ao término de um concerto, pedir a opinião dos freqüentadores a respeito do que ouviram.

mmartins
05-08-2008, 20:11
Nossa, fiquei estarrecido com este eloquente tópico, ainda mais com a presença do exuberante Holbein Menezes.

Vamos aprender um bucadin de música erudita.

Meu preferido é bach, mas adoro todos.

[]s
mmartins

Holbein Menezes
05-08-2008, 20:12
Migrando, meu amigo, meus 27 anos de psicanálise familiar fizeram-me aceitar a análise freudiana que indica que ouvimos o que necessitamos ouvir; e necessidade aqui está relacionada com as emoções.

Já tratei desse assunto em mais de um texto e não vou repetir os argumentos aqui. A novidade é que esse "necessitamos" está também ligado ao montante despendido no sistema de som... Aplicar 40 mil dólares só na eletrônica de áudio... inda que não corresponda... há que soar bem para quem despendeu tanta gaita... nas suas expectativas... ou nas suas fantasias...

Holbein.

ZpínoZ
05-08-2008, 22:53
Meu amigo Sidão,

Pela consistente cadeia lógica que você desenvolveu, pela cerrada, emocionada e impositiva argumentação, tenho que confessar: o erro foi meu.

Contudo, pela beleza das suas falas, pela emoção com que defendeu algumas figuras da Música, tenho que concluir: em alguma coisa acertei para suscitar um texto assim.

Mas voltado ao crime e avaliando as frases do meu post:

Primeira: só um mote de um trecho do mestre Migrando.

Segunda: a principal suspeita. Por falha de redação eventualmente provocou o mal entendido, porque é algo empolada e meio cifrada.

Terceira: apenas a argumentação de que também o ouvinte deve ser considerado na análise da apreciação musical.

Quarta: uma declaração de gosto e da especificidade da escolha pessoal.

Portanto vamos retomar à segunda frase, a indigitada. São somente duas idéias, no formato: se "a" então "b".

a) A “correlação perigosa” seria assumir que à beleza dos sons produzidos corresponde a beleza das almas que os produziu.
b) Porque a “recíproca assustadora” seria imaginar o contrário. Ou seja, que os sons horríveis que as vezes ouvimos correspondam as almas horripilantes.

Peço perdão por minha inabilidade (ou falta de graça). Inclusive ao meu mestre Migrando por tirar consequências de uma frase dele fora do contexto próprio.

Espero muito ter esclarecido.

Z

ÉdisonCh
05-08-2008, 23:17
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Se todos fôssemos desiguais, (A existência d') os críticos não teriam sentido.

Se todos fôssemos iguais, a crítica não teria objetivo.

É evidente que existem padrões, "paradigmas" daquilo que deve ser uma boa interpretação. A parte não escrita, a tradição, aquilo que os mestres transmitem aos discípulos, é fundamental no estudo e na execução musical. Portanto, há no mínimo um modelo a ser seguido ou transgredido.

Mas a personalidade do intérprete, a leitura criativa, é incentivada por todos os grandes mestres, pois fora dessa opção virtuosa não existe a arte, só o ofício strictu sensu.

E o trinômio da boa arte é real: o criador, a obra, o intérprete. Todos fundamentais. Complementados por nós, meros, mas essenciais e felizes ouvintes.

Em nosso caso particular precisamos de algo a mais : um bom CD ou LP bem gravado, um sisteminha High-end, numa sala high-end. Precisão não carece, mas apraz.

ZpínoZ
06-08-2008, 00:04
ÉdsonCh,

Concordo com quase tudo que você disse, mas o gosto, qualquer gosto (mesmo o oficial), como “la donna è mobile qual piuma al vento”. Basta lembrar, por exemplo, a inversão na avaliação de Antonio Salieri e Amadeus Mozart ao longo do tempo. Sendo ambas as valorações, embora contrárias, sempre justificadas por alentados critérios, "paradigmas" e "tradições" amplamente aceitas. Afinal, Mozart tinha "notas demais".

Certamente os críticos, e eles sabem disso, não atribuem nem outorgam qualidade intrínseca às obras. São meramente, por assim dizer, agentes e catalisadores culturais. Cuja função é, com base num conjunto de valores eleitos e instituídos culturalmente por cada época, selecionar e apontar as obras que melhor correspondam ao gosto e expectativas daquela específica sociedade. Ou seja, ensinam e exemplificam o "bom" gosto para a sociedade a qual pertencem. Mas apenas enquanto esta os aceita como árbitros.

Porque mudar e passar a xingar os árbitros é fácil e repentino. Que o diga Petronius, Arbiter.

Aliás, na História da Música mudança é a regra, acontecem muito mais erros do que acertos nas primeiras avaliações.

Z

O Carteiro
06-08-2008, 08:21
Prezado Mestre Gondim (#1353):

Fora dos arcos e das cordas, diz você “...Qual o Argumento Analógico do binômio Brendel-Anda? Talvez estejamos fazendo a pergunta errada. ...” Não, meu caro, a pergunta está certa e as respostas é que possivelmente estejam erradas, porque agora estamos tentando falar de coisas intangíveis e de problemática contextualização.
Minha curiosidade levou-me ao Aurélio, que, na palavra contexto, em sua acepção 8 diz o seguinte:
“Numa situação de comunicação, características extralingüísticas que determinam a produção lingüística, como, p.ex., o grau de formalidade ou de intimidade entre os falantes.” A rigor desses termos, fica ainda mais complicado, para mim, tentar responder qual o Argumento Analógico do binômio a que o amigo se refere. De
qualquer forma, essa definição reforçou meu desejo de continuar à busca de um bálsamo às minhas eternas indagações.

Continuando “...O senhor coloca uma questão difícil de responder: seriam tais características consideradas suficientes para atingir nossa preferência? Suficientes? Não. Do meu ponto de vista pessoal, são atributos necessários, mas existem outros muito mais abstratos para que eu arrisque uma descrição. ...” Também não arriscaria, mas a “assinatura” a que o amigo se refere —característica própria que distingue os concertistas —,
poderia ser a imponderável leveza do ser, que, no caso dos violinistas e pianistas, representaria a sua própria alma, traduzida pela pressão que imprimem ao arco e aos dedos nos teclados.
Como explicar a música e poesia que se esconde atrás das notas? Ouvindo Géza Anda nos concertos para piano de Mozart e tio Jascha nos concertos 4 e 5 para violino, penso eu.

:feliz:

Mestre Migrando, em reação ao seu post tivemos defesas doutas e intensas do que cada um considera o elemento de “eleição” do intérprete. Ora cerebrais, ora apaixonadas, nenhuma dessas concepções explica coisa alguma porque são fenômenos estritamente pessoais.

Foi o que eu quis dizer quando escrevi que “muito do encanto que encontramos em alguns intérpretes estão justamente em nós mesmos”. E é por isso que podemos apreciar ou rejeitar dezenas de interpretações diferentes de uma mesma obra: porque nossas almas são vastas, nossa psique é vasta, nossos atavismos são vastos, etc.

Em resumo, porque somos humanos.

A meu ver, mesmo empreendendo análises infinitas, precisas e profundas para justificar porque este intérprete nos toca e o outro não, estaremos sempre andando em círculos.

Abraços,
Gondim

mmartins
06-08-2008, 08:28
Bom dia,

Não cheguei a ler o tópico inteiro, na verdade, li algumas linhas, mas percebi que está sendo comentado sobre a atuação dos intérpretes.

Minha coleção de cds era vasta, tinha vários e vários intérpretes das mais famosas obras, mas um dia percebi que não há muita diferença entre ouvir a Terceira de Mahler maestrada pelo maestro X ou pelo maestro Y, a música no sei íntimo, continua sendo a mesma.

Um caso diferente, foi a interpretação da Moonlight pelo Benjamim Zander! Ah, isso sim, fez uma grande diferença, muita mesmo. Só que no caso, foi uma releitura total na forma de interpretar aquela sonata, como se realmente fosse uma nova música.


[]s
mmartins

Holbein Menezes
06-08-2008, 11:48
"Nossa, fiquei estarrecido com este eloquente tópico, ainda mais com a presença do exuberante Holbein Menezes." mmartins.

Nesses muitos anos todos do meu longo viver já fui chamado de "Oval", "Gago", "Doidinho", "Careca", "Baixinho", "Tagarela", "Metidiço", "Verborrágico", "Hipertinético" etc., só para citar os apodos negativos; mesmo porque os positivos têm sido poucos mas mui gratificantes. E que Deus se apiede das almas desses poucos caridosos!

Agora, essa de "exuberante" é a primeira vez; e fico sem saber se é uma esculhambação metafórica - e dou ao mmartins o direito de proferi-la; ou o significado "4. Viçoso, vigoroso" do AURÉLIO, e aí entende-se a generosidade do mmartins com este seu velhinho de estimação uma vez que cada um de nós possui um tal velhinho...Ou ainda: se é a acepção "3. Animado, vivo", também aureliana, bem próxima da verdade que eu mesmo faço de mim mesmo.

Mas que foi demais (nos dois sentidos), lá isso foi.

Generosidade, teu nome é afeto.

Holbein.

ÉdisonCh
06-08-2008, 23:54
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Se todos fôssemos desiguais, (A existência d') os críticos não teriam sentido.

Se todos fôssemos iguais, a crítica não teria objetivo.



Z,

Estava falando de nós mesmos, todos nós ouvintes, não da crítica especializada. Vocês talvez achem que tenha uma prevenção contra a crítica. Isso não ocorre.

Talvez tenha me expressado mal. Novamente. Acho que cada crítico é um caso diferente.

Buscava salientar que tanto a obra intangente (quem poderia saber o que realmente corria pelos neurônios de Mozart ?), quanto o virtuose, têm suas importâncias relativa e absoluta. Cada qual é senhor e servo, cabal e provisório. Transcendente e submisso. Mas o criador é a origem de tudo.

Da nossa perspectiva, de ouvintes, é que eles se equivalem.

ZpínoZ
07-08-2008, 10:06
Vocês talvez achem que tenha uma prevenção contra a crítica. Isso não ocorre.

Não sei os outros, mas eu, Édson, sinceramente, tinha essa impressão.

Num certo nível compartilho dessa prevenção básica. Entretanto, talvez, seja um pouco mais complacente. Acredito que intermediários, facilitadores, atravessadores, profetas e críticos sejam uma mal necessário, eventualmente inevitáveis.

São o fermento, os diluidores do negócios da cultura, cabe a nós aprendermos a avaliar o que estamos comprando.

Repito, gosto de ler seus posts. Têm uma visão desapaixoda, porém, ao mesmo tempo, comprometida com as coisas de que fala.

Z

Holbein Menezes
07-08-2008, 12:47
Este véio aqui não vai desmerecer sua "classe": de fato, velho é o começo da sebedoria...

Mas não é documento de fé pública e juramentado, que todo velho chegará à sabedoria. Em especial, em interpretação de música.

Tenho falado de interpretação como primeira e maior condição para uma composição ser considerada pela galera dos musicistas como boa; porque não é a técnica empregada (que a não dominamos), nem a escolha do tema, nem as harmonias da peça; embora tudo isso seja importante. Entretanto, a interpretação é que decide para os musicistas!

Que pouco tem a ver com a idade do intérprete. Por exemplo: para meu apreciar, o grande Sergiu Celibidache foi "melhor" aos 40/50 anos - quando gritava com a orquestra, "Nein!" -, do que aos 70 quando, já alquebrado e gordo, e quem sabe, doente, regia na base de conversa mansa a Orquestra de Munique.

Tenho também insistido, no que concerne à interpretação, na noção de tempo e intensidade em Mozart. Vejam: possuo todas as sonatas para piano, de Mozart - de resto, possuo toda a obra completa de Mozart -, interpretadas em "fortepiano" (o piano do tempo de Mozart) pelo jovem Ronald Brautigam. Não me faz o gosto, de jeito nem maneira. Mas aprecio muito a Fantasia nº 3, em piano de cauda moderno, "Steinway", tocada pelo igualmente jovem Zoltan Kocsis, que dá a sua interpretação o tempo e a intensidade de Mozart.

Por isso que Mozart foi a vida toda um infant terrible mas sua genial música foi adulta deste sua infância. Entretanto, sua noção de tempo e intensidade é um misto de brincadeira e seriedade; nem é sisudo quanto se tornou Beethoven nem "palhaço" quanto foi Paganini. Tempo e intensidade são em Mozart coisa muito séria.

Carlos Kleiber entendeu issso, von Karajan, nunca!

Holbein.

migrando
07-08-2008, 15:03
Amigos,

Possuo as coleções das sinfonias de Mozart (http://www.amazon.com/Haydn-The-Symphonies/dp/B0000042DP/ref=sr_1_6?ie=UTF8&s=music&qid=1218120970&sr=1-6) e de Haydn (http://www.amazon.com/Joseph-Haydn-Symphonies-1757-60-Chrisopher/dp/B000004CY3/ref=sr_1_25?ie=UTF8&s=music&qid=1218121327&sr=1-25) com Hogwood, mas já fui tentado a comprar a com Antal Dorati (http://www.amazon.com/Haydn-The-Symphonies/dp/B0000042DP/ref=sr_1_6?ie=UTF8&s=music&qid=1218121503&sr=1-6), mas ainda reluto, uma vez que, para meu gosto, considero Hogwood muito comportado, digamos assim. Hogwood esteve aqui em Brasília anos atrás e sua apresentação foi para mim de contida exuberância.

À boca pequena se pode ouvir referências a respeito do número (recomendável ?) de executantes em uma orquestra, executando música barroca e outros gêneros mais antigos. Críticas ácidas reportam que Haydn e Mozart teriam “estranhado” a execução de suas sinfonias por orquestras de dimensões wagnerianas, como, por exemplo, Karajan et al., chegando até mesmo a “virar-se em seus túmulos” com a “audição” de algumas delas.

Todavia, podemos verificar Harnoncourt (http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=0334&ORDEM=a) contrapor-se ao que se propala, quando relata:

“... A questão da configuração orquestral adequada está intimamente ligada aos problemas da instrumentação. Quando ouvimos hoje uma ‘orquestra mozartiana’ ou ‘orquestração mozartiana’ logo imaginamos um conjunto relativamente pequeno. As formações orquestrais da época de Mozart eram, porém, extremamente variáveis. em grau superior até aos extremos que conhecemos hoje. Em 4 de novembro de 1777, Mozart escreveu de Manheim: “...a orquestra é muito boa e forte. De cada lado 10 a 11 violinos, 4 violas, 2 flautas e 2 clarinetas, 2 trompas, 4 fagotes e 4 contrabaixos mais trompetes e tímpanos.” Isso corresponde a uma típica formação orquestral mozartiana hodierna, porém com algumas diferenças interessantes ...”

Continuando
“...Em 11 de abril de 1781, Mozart escrevia de Viena: ‘...A sinfonia transcorreu magnificamente e teve um grande sucesso — 40 violinos tocaram [sem dúvida 20 primeiros e 20 segundos violinos] — os instrumentos de sopro foram todos dobrados [!] — 10 violas — 10 contrabaixos, 8 violoncelos e 6 fagotes...’
Observa-se que, mesmo com uma tão gigantesca configuração orquestral, as proporções acima mencionadas entre violinos, violas, violoncelos, contrabaixos e fagotes se confirmam. Mas vê-se que Mozart buscava a maior configuração possível, chegando ao ponto de dobrar os sopros. Hoje em dia, tal prática seria condenada como o maior dos sacrilégios, contra o ‘verdadeiro culto de Mozart.’ ...”
“No King’s Theatre de Londres, em 1794 (onde também as madeiras de sopro foram dobradas)...” 12 primeiros violinos, 12 segundos violinos, 6 violas, 4 violoncelos e 5 contrabaixos.
“...Quando se examina estes números, pode-se constatar que a verdadeira situação das orquestras, ao final do século XVIII, não condiz em absoluto com as dogmáticas opiniões que vieram a se formar sobre o assunto. ...”

Isso nos induz a refugar o dito popular de que nem sempre “A voz do povo é a voz de Deus.”

:hilario:

Wieniawski
08-08-2008, 13:48
http://www.mdt.co.uk/public/pictures/products/standard/8111246.jpg

Dos grandes concertos para violino com o Oistrakh, só me faltava o Mendelssohn, ainda estou aguardando a chegada deste CD, mas um fato me deixa curioso nestas gravações da Naxos Historical: o preço.

Alguém possui algum destes CDs? O que acham das gravações quanto à qualidade?

Abçs

O Carteiro
08-08-2008, 20:41
http://www.mdt.co.uk/public/pictures/products/standard/8111246.jpg

Dos grandes concertos para violino com o Oistrakh, só me faltava o Mendelssohn, ainda estou aguardando a chegada deste CD, mas um fato me deixa curioso nestas gravações da Naxos Historical: o preço.

Alguém possui algum destes CDs? O que acham das gravações quanto à qualidade?

Abçs

Caro Wieniawski, tenho alguns CDs da Naxos Historical com gravações extraídas diretamente de discos 78 rpm. Acho muito satisfatório, não tem nenhum do qual me "arrependa". O trabalho de restauração é sério e é assinado.

Abraços,
Gondim

ZpínoZ
09-08-2008, 20:24
Sobre o "amadorismo" de Schubert, pensando, lendo, ouvindo...

O distanciamento entre os músicos profissionais, ou peritos (kenner) e os amadores (liebhaber) se alargou na passagem do classicismo para o romantismo. Contribuiu fortemente para isso a consolidação da figura do virtuose, cujo maior incentivo veio da disseminação e preponderância do piano e do violino como instrumentos solistas (Hist. da Música Ocidental - Grout/Palisca).

Talvez isso explique também o inexplicado estranhamento que se pode pressentir na música de Schubert. Subsiste nela uma ingenuidade e um frescor, um traço lúdico e um amadorismo, que não combinam com a profundidade imensa e o amor explícito pela Música que nos transmitem suas obras. Assim como alguém que empreendesse uma escalada temerária apenas pelo prazer da visão das alturas, sem se preocupar sem levar cordas e equipamentos de segurança. Glinka? Mussorgsky?

Diferente de seus pares na História (Haydn, Mozart, Beethoven ou Schumann) Franz Peter Schubert nunca foi efetivamente um profissional, jamais penetrou de fato na alta roda musical vienesense. Habitante da periferia, participava bissextamente, compunha para um pequeno círculo de familiares e amigos, que também executava suas obras em fins de semanas e feriados. Permaneceu um diletante apaixonado, um "estagiário", um amador brilhante que o tempo revelaria genial.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51HJ1HYTDFL._SL500_AA240_.jpg

Quando ouvimos os lindíssimos Quartetos Tardios de Beethoven percebemos que, muito mais que belos, são cânones, paradigmas, diretrizes, exemplos para a Música futura. Por isso atravessar os Quartetos de Cordas completos de Schubert é espantoso, grande parte deles parece um jorro de frescor, novidade, criatividade e brincadeira permanente e descompromissada. De uma simpleza deliciosa e provocativa. Lembram uma fonte natural e inesgotável. É interessante constatar ainda que ele escrevia pensando na competência dos seus presuntivos intérpretes, o cello sempre mais fácil, porque seu pai era um músico sofrível.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51RVNZ7KMGL._SL500_AA240_.jpg

De repente, no final, a coisa inteira muda, tudo se “beethoveniza”, aparecem Rosemunde (String Quartet in A minor, D804), A Morte e a Donzela (String Quartet in D minor, D810) e outras inesperadas tentativas de uma seriedade e ousadia que nos deixam embasbacados.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/211230B668L._SL500_AA180_.jpg

De bate pronto, se me perguntassem, diria que, de todos os quartetos de cordas qure ouvi, A Morte e a Donzela é o meu preferido. Roman Polanski quem sabe poderia concordar comigo, seu filme de mesmo nome (Ben Kingsley e Sigourney Weaver) preverva a mesma acidez e beleza novidadeira, porem, reminiscente da música de Schubert.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51XWEMC0ZSL._SL500_AA240_.jpg

Z

ÉdisonCh
10-08-2008, 00:04
Este é o CD de música de câmera mais bem gravado que escutei.

The Vienna String Quartet perform Schubert's Death and Maiden (String Quartet No. 14) and Quartettsatz (String Quartet No. 12).

Musicians:
Vienna String Quartet:
Wolfgang Schulz, flute
Hubert Kroisamer, violin
Hans Peter Ochsenhofer, viola
Fritz Dolezal, cello


http://www.elusivedisc.com/images/JMCSXR034-Large.jpg

ÉdisonCh
10-08-2008, 00:16
Eis uma gravação realmente instigante dos quartetos "finais" de Beethoven. Nesta gravação você percebe, além das proposições formais, racionais, que se trata de música mesmo, bela, profunda, da maior qualidade.

Infelizmente não achei a foto, mas trata-se de uma gravação da CALIOPE que aquele que gosta de música de câmera e de Beethoven deve tentar comprar.
Beethoven:String Quartets 15 & 16 (Opus 132 & 133) [IMPORT]

Ludwig van Beethoven (http://www.amazon.com/exec/obidos/search-handle-url?%5Fencoding=UTF8&search-type=ss&index=music&field-artist=Ludwig%20van%20Beethoven) (Composer), Talich Quartet (http://www.amazon.com/exec/obidos/search-handle-url?%5Fencoding=UTF8&search-type=ss&index=music&field-artist=Talich%20Quartet) (Performer)
Product Details


Composer: Ludwig van Beethoven (http://www.amazon.com/s?ie=UTF8&search-alias=classical&keywords=Ludwig%20van%20Beethoven)
Performer: Talich Quartet (http://www.amazon.com/s?ie=UTF8&search-alias=classical&keywords=Talich%20Quartet)
Audio CD (July 10, 1989)
Number of Discs: 1
Format: Import (http://www.amazon.com/gp/feature.html/ref=cd_format_class?ie=UTF8&docId=570000)
Label: Calliope/Harmonia Mundi
ASIN: B000001MN5

migrando
10-08-2008, 10:09
Prezado ÉdisonCh

Seria essa a capa do CD? Aqui me parece ser a coleção.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/2125VP10Y7L._SL500_AA141_.jpg

http://www.amazon.com/Beethoven-The-Complete-String-Quartets/dp/B000001MNT/ref=sr_1_62?ie=UTF8&s=music&qid=1218373505&sr=1-62

:feliz:

Wieniawski
10-08-2008, 15:12
Aproveitando o tópico do Z sobre Schubert, quero também citar o Octeto em Fá maior, D 803, opus póstumo 166, é fantástico:

http://cover6.cduniverse.com/CDUCoverArt/Music/Large/superd_1123225.jpg

ÉdisonCh
10-08-2008, 20:29
Prezado ÉdisonCh

Seria essa a capa do CD? Aqui me parece ser a coleção.

:feliz:

Não, mas talvez sejam a mesma gravação. Encontrei na Amazon francesa (www.amazon.fr (http://www.amazon.fr)) .


http://ecx.images-amazon.com/images/I/51YG92ASGVL._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.fr/gp/product/images/B00008DHRW/sr=1-3/qid=1218410697/ref=dp_image_0/403-6026879-1538866?ie=UTF8&n=301062&s=music&qid=1218410697&sr=1-3)



http://ecx.images-amazon.com/images/I/515JDTEK45L._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.fr/gp/product/images/B000063XT4/sr=1-1/qid=1218410697/ref=dp_image_0/403-6026879-1538866?ie=UTF8&n=301062&s=music&qid=1218410697&sr=1-1)

E também não se esqueçam dos maravilhosos op. 59 e op. 74 com o quarteto Takacs. É outra gravação imperdível.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41EXM2JTMGL._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.fr/gp/product/images/B000063WRQ/sr=1-1/qid=1218410858/ref=dp_image_0/403-6026879-1538866?ie=UTF8&n=301062&s=music&qid=1218410858&sr=1-1)

Obs.: todas essas gravações estão altamente recomendadas pela Gramophone Inglesa, e eu modestamente assino em baixo: são fora de série sob quaisquer aspectos.

Holbein Menezes
11-08-2008, 10:22
Cito também Harnoncourt, Mestre Migrando (post nº 1383):

"... há dois princípios básicos...": a obra "... a composição em si, que é notada..." (indicada por meio de símbolos pelo compositor, HM) embora sua execução não faça parte dessa notação , e "... a execução que é notada... , com indicação da maneira de se tocar..." mas feita de maneira muito geral, via advérbios, gerúndios e particípios, quase sempre na língua italiana: affettuoso, agitato, moderato, un poco piu, molto, assai, legato etc. . Acontece...

... pois é, nas indicações de Mozart do modo de tocar, por exemplo, ele não levou em conta, e nem poderia levar, o instrumento; e não há boa execução sem considerar o instrumento. Além do mais, a obra é material, isto é, produto da inteligência, resultado do movimento dos neurônios; o pensamento é a matéria do cérebro, descobre a neurociência dos tempos modernos. Já a execução é emocional, depende do estado de espírito do intérprete.

Nenhum compositor nas suas notações indica a marca dos instrumentos, e ainda hoje passei a primeira parte da manhã (lembrem-se, costumo acordas às 4 da matina...) a ouvir as mais lindas peças de Mozart, suas Sonatas para piano, em especial KV 330 a 333, obras de beleza excepcional, que foram compostas, intrigantemente, entre 1779/81, período dos mais críticos na vida de Mozart. (Sobre seu estado emocional, escreveu em 16 de dezembro de 1780 carta ao pai na qual se queixava: "... se dependesse de mim... limparia bem o meu traseiro com o maior capricho. Pois, ... o príncipe e a orgulhosa nobreza tornam-se cada dia mais insuportáveis."

Ouvi as Sonatas nrs. 12 e 13 (KV 332 e 333) tocadas por Klara Würtz (em piano de cauda, moderno) e Ronald Brautigam (em pianoforte, antigo). Ora, o pianoforte antigo foi o instrumento para o qual Mozart compôs as peças (de apenas 5 oitavas e caixa com estrutura de madeira igual as dos cravos - enquanto hoje as caixas possuem estruturas de ferro e 7 oitavas!).

Pois bem, com a perfeição e precisão do fone de ouvido "high end" Sennheiser HD 595, senti enorme diferença na sonoridade de uma e outra gravações, e ambas são tecnicamente soberbas, Naxos e Brilliant Classic.

É que os instrumentos é que eram diferentes; enquanto ouvia audível e desagradável ressonância da madeira do pianoforte antigo, notadamente nas notas de mão esquerda, as notas limpas e articuladas da mão esquerda do piano de cauda davam um banho!

Com certeza Mozart aprovaria!

Holbein.

ZpínoZ
11-08-2008, 12:09
Mestre Holbein,

Em nosso passeio por São Paulo, em maio passado, no sábado pela manhã, quando saímos para comprar CDs, consersamos sobre Berlioz. Na minha avaliação preliminar (e, quem sabe, por ignorância) o compositor tinha apenas uma obra fundamental na História da Música: a Symphonie Fantastique. Você insistiu que não, e me falou da beleza de L´Enfance du Christ. Como gosto de ouvir antes para dar palpite, na hora comprei um CD.

http://g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/ciu/c8/d9/dbe6224128a0c55cb1867010._AA240_.L.jpg

Neste fim de semana, enfim, pude ouví-lo inteiro, com atenção, acompanhando do livreto do texto. E concordo, é uma composição belíssima, cheia de momentos doces e reflexivos (as ponderações de Herodes antes de ordem de exterminação dos recem nascidos, os comentários acerca da ironia de um "infiel" salvar o Salvador). Todo o andamente é sóbrio, emocional e de altíssima inspiração melódica e orquestral.

Isso muda muito muito minhas espectativas sobre Berlioz, por quem, ao longo do tempo, tinha prevenções na hora das compras.

Z, agradecido.

migrando
11-08-2008, 12:13
Amigos,

Grande amigo me disse que minha #1383 ficou incompleta, à vista do que disse Harnoncourt ao final do respectivo tópico (as orquestrações em chiaro-oscuro de Mozart) do seu livro (http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=0334&ORDEM=a).

Assim, retificando, cito novamente Harnoncourt:

“... Como já foi dito, Mozart dispunha das mais variadas configurações instrumentais. Cito abaixo algumas, obedecendo à seguinte ordem: primeiros violinos, segundos violinos, violas, violoncelos, contrabaixos.
- A menor delas, em 1787, para Don Giovanni na Ópera de Praga: 3, 3, 2, 2, 2.
- Na Ópera de Viena, em 1782, para o Rapto do serralho: 6, 6, 4, 3, 3.
- Em Milão, em 1770, para Mitridate (os 2 violoncelos foram reforçados por 4fagotes):12 ,12, 6, 2, 6.
- Em Viena, em diversos concertos beneficentes, a partir de 1781: 20, 20, 10, 8, 10.
- Em Eisenstadt e Esterháza, entre 1760 e cerca de 1770 (logo depois foram acrescentados para 4 violinos):
3, 3, 2, 2, 2.
- No King’s Theatre de Londres, em 1794 (onde também as madeiras de sopro foram dobradas): 12, 12, 6, 4, 5.

Quando se examina estes números, pode-se constatar que a verdadeira situação das orquestras, ao final do século XVIII, não condiz em absoluto com as dogmáticas opiniões que vieram a se formar sobre o assunto. Costuma-se condenar, por exemplo, os intérpretes que regem as obras de Mozart, por questão de gosto, com as madeiras dobradas e seções de cordas muito grandes, sob o pretexto de não terem estilo. No caso só pode ser julgada, quanto à sua competência, a atitude do crítico, uma vez que o seu alvo, os músicos, agem de maneira aleatória, sem se preocuparem em adquirir conhecimentos profundos. O que pode ser afirmado é que, salvo poucas exceções, as grandes configurações orquestrais eram desejadas e que, a partir de um certo número de cordas, os sopros eram dobrados; mas, possivelmente, só para determinados trechos das obras.
Se examinarmos mais de perto as circustâncias em que eram empregadas as diferentes configurações, notaremos que as dimensões do local de apresentação, bem como as condições climáticas do espaço, eram critérios decisivos na determinação do tamanho da orquestra. Não é possível afirmar genericamente que uma determinada obra tenha sido concebida para grande orquestra, enquanto outra seria para um pequeno conjunto. De fato, a Sinfonia em dó maior (K338) foi levada em Salzburgo por uma orquestra muito pequena e mais tarde apresentada em Viena, sob a regência de Mozart, por uma orquestra quatro a cinco vezes maior. ...”

“... A maior parte dos ouvintes tem uma concepção inteiramente errônea sobre as diferenças da intensidade sonora, resultantes do tamanho do conjunto orquestral. Seis violinos não soam, de modo algum, duas vezes mais do que três: apenas dez por cento a mais! Para que a intensidade sonora fosse dobrada, seria necessário um naipe de violinos com dimensões inconcebíveis. Na realidade, os acréscimos a uma orquestra produzem, em essência, resultados completamente diversos do simples reforço da intensidade sonora. Mesmo um ataque preciso de todos os componentes de um naipe, quando examinado em detalhe, jamais consegue atingir uma perfeita exatidão. Em razão do escalonamento (em um grau muito pequeno) das entradas dos diversos instrumentos, o que resulta, de fato, é um ataque sonoro muito doce e intenso, porque os timbres dos ataques individuais não se superpõem de modo exato, mas se encadeiam, assim enriquecendo consideravelmente o ataque global. Disto resulta uma impressão de plenitude sonora. Esta ínfima “inexatidão” inicial, que jamais deve ser como tal ser percebida, é mascarada quando a acústica é boa e ligeiramente ressonante, de forma que, em termos físicos, “a sonoridade do conjunto das cordas se constrói em intervalos de tempo, cada vez mais prolongados... e acentua vivamente o seu caráter e timbre. Em princípio isto explica porque as seções com numerosos instrumentos de uma orquestra produzem um brilho consideravelmente maior do que, isoladamente, cada um dos instrumentos pode conseguir.” ...”
:bD

ZpínoZ
11-08-2008, 14:30
Magnífica Mensagem Mestre Migrando.

Z

O Carteiro
11-08-2008, 21:46
Magnífica Mensagem Mestre Migrando.

Z

De fato excelente.

Gondim

migrando
12-08-2008, 08:22
Concordo plenamente com vocês, amigos ZpínoZ e Gondim. Todavia, vocês hão de convir e não se surpreender que texto assim, como outros, de excepcional qualidade, haja brotado do bico da pena de mestre como Harnoncourt.
Minha colaboração foi apenas datilográfica.
O livro mencionado e O Discurso dos Sons (http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=0134&ORDEM=T) não são matéria de leitura, mas sim de estudo.

Holbein Menezes
12-08-2008, 10:05
São dois livros do Nikolaus, Migrando; o citado por você - O discurso dos sons - e o extraordinário O diálogo Musical em o qual Harnoncourt faz inteligente análise de peças de Monteverdi, Bach e Mozart. Ambos os livros editados pela J.Z.E - Jorge Zahar Editor.

Holbein.

migrando
12-08-2008, 11:27
Prezado Holbein.

O livro O Diálogo Musical, de Harnoncourt, de onde extraí o conteúdo da #1395, foi ali mencionado através do hyperlink
seu livro , recurso que tenho utilizado com muita freqüência e que, possivelmente, tenha passado despercebido pelo amigo.

De qualquer forma, obrigado pela colaboração e aceite o meu fraternal abraço.
:tu:

Holbein Menezes
12-08-2008, 11:48
Certíssimo, Sidão, o Gidon Kremer exibe-se com a técnica apuradíssima do Paganini, e me parece que ele Kremer tem consciência disso pois posa conforte e desempenha idem; não é por acaso o uso e até o abuso por parte do Gidon dos jeitos e trejeitos dos propalados harmônicos artificiais de Paganini, com cordas dobradas e excesso de pizzicatos. É um espetáculo, sem dúvida! Talvez nem tão fiel intérprete dos autores porque ele é ele mesmo, assim como Leonard Berstein o era igualmente.

Mas gosto mais do virtuosismo sisudo do jovem Maxim Vengerov.

Holbein.

ZpínoZ
12-08-2008, 12:36
Exuberância.

Gilberto Freyre é um pernambucano arretado, autor de Casa-Grande & Senzala, um dos livros essenciais para entender a formação cultural do brasileiro. Seu português é refinado, comparável aos nossos melhores autores, fluido, divertido e agradável. Já li por aí que foi um dos nossos intelectuais mais inteligentes, Gênio da raça. Não discordo de todo.

No livro, comentando a colonização do Brasil, fala das grandes vantagens de nosso clima tropical: vegetação exuberante, florestas gigantescas, fertilidade inesgotável. Porém as desvantagens também são imensas: insetos mais vorazes, doenças e pragas mais contagiosas etc. Conclui, que, em comparação com outras latitudes, nossa missão era muito mais desafiadora.

Exuberância endêmica?

Ontem fui a Sala São Paulo ouvir a Orquestra Sinfônica de Israel, regente Dan Ettinger, e Coro da OSESP. A música era a Nona de Beethoven, portanto fácil de comparar, porque os contra-exemplos são inumeráveis. Gostei muito da apresentação.

Normalmente nas Nonas, inclusive nas da OSESP, o som é sempre imenso, majestoso, pleno de grandiosidade. A distância entre o pianíssimo e o fortíssimo, varia do silêncio aos limites do audível. Exuberante. Contudo a Orquestra de Israel optou por ser mais contida, ocupar apenas um segmento dessa grama, foi uma escolha feliz. Pianíssimos controlados, era possível perceber a riquíssima sutileza tramada por Beethoven. Os fortíssimos, comparativamente comportados, recortavam e iluminavam magnificamente os píncaros de emoções propostos pelo autor. No quarto movimento foi perfeita, quase didática, a preparação do tema que leva à explosão do Hino à Alegria. E não é fácil inovar nas Nonas.

Susbstância?

Senti falta de sutilezas na OSESP. Acho que levará tempo até domarmos nossa natureza tropical.

Z

Wieniawski
12-08-2008, 13:23
Amigos:

Tenho observado com muito interesse as menções e indicações que nossos mestres fazem dos violinistas prediletos de cada um.
Sem citar novamente os já abordados, constatei que um dos que mais aprecio jamais foi referido, talvez por não se inserir entre os grandes tais como Menuhin ou Heifetz, mas de qualquer forma me agrada muito sua técnica e, sobretudo, sua paixão ao executar seu Stradivarius; GIDON KREMER.
Ontem recebi dois DVDs em que Kremer é o solista, e devo dizer que, a despeito de minha ignorância sobre técnica e refinamento, o que vi e ouvi me encheram a alma de encanto e emoção:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51tq1k78jwL._SS500_.jpg

http://ecx.images-amazon.com/images/I/319HSj9XZSL._SS400_.jpg

São duas produções filmadas em película pela UNITEL, ambos do começo da década de 80, com som magnífico em stereo. Na obra de Vivaldi sobressai a leveza, a forma quase juvenil que toma as feições do Kremer, como se estivesse brincando com seu melhor brinquedo, e a English Chamber Orchestra o acompanha de forma sublime. Já nos concertos de Brahms, a Filarmônica de Berlin está em estado de graça, com um Bernstein inspiradíssimo no acompanhamento, sendo revelada a técnica e destreza incrível do violinista, que é fenomenal, segundo meu aviso, no Concerto para Violino e que, ao lado de Mischa Maisky, no Concerto Duplo nos oferece um dos grandes momentos que já vi em termos de música. Recomendo fortmente a quem não conhece e encareço a gentileza dos mestres que o conhecem de dizer se ele não é tão bom quanto suponho para nunca ter sido citado por alguém.

Grande abraço,

Sidão

Pode ter certeza Sidão que ele é tão bom quanto você supõe, inclusive o 3º movimento deste Brahms já vi no youtube, e realmente é um espetáculo, tanto dele como do Bernstein!

abçs

Wieniawski
12-08-2008, 13:31
Não sei se todos conhecem o violinistra francês Christian Ferras, que resolveu se retirar da lides da vida ainda muito novo. Contemporâneo de Ginette Neveu, outra sumidade (esta foi retirada da vida).

Eu compro tudo que encontro dele. Seu violino, mais que um instrumento, é uma poderosa arma irradiadora de emoções. Quase tudo ele toca no talo, no limite, no máximo. Seu Concerto de Sibelius, visto e ouvido, é uma coisa séria.

Encontrei (na Laserland) este CD duplamente interessante: é com o C.Ferras e só tem peças raras. Que, anteriormente, havia escutado pouquíssimas vezes.

http://g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/ciu/05/7f/36d390b809a0fb46b5766110._AA240_.L.jpg

Z

Z, faz tempo que tenho curiosidade em conhecer estes concertos, especialmente este do Rodrigo, o que tem a dizer sobre eles?
Valem a pena?

abçs

migrando
12-08-2008, 14:42
Alô Zpíno.

Bem lembrado nosso intelectual Gilberto Freyre. Além de Casa Grande & Senzala, dele possuo apenas mais 2 livros, que acredito serem os mais antigos da minha biblioteca(?):

- edição de 1942 – Ingleses – prefácio de José Lins do Rego;
- edição de 1948 – Ingleses no Brasil – prefácio de Octávio Tarquínio de Sousa – ambos da Livraria José
Olympio Editora.
:tu:

ZpínoZ
12-08-2008, 16:39
Sidão,

Fiquei dividido e somado, com inveja e curioso dessa Natalie Dessay gaiata. Porque excelente tenho certeza que ela é.

Z

Holbein Menezes
12-08-2008, 16:54
Ora, se este tópico é de música clássica, não é pois só erudita; porque clássica é toda música que logra atravessar o tempo...

Nota do Holbein: ANTONIO BENTO, escritor, jornalista e músico lusitano. Escreve de vez em quando para a revista AUDIO, de Portugal. Roubei-o do Jorge Gonçalves; roubei, não, tomei emprestado tal o Brasil ao FMI, com o direito de rolar a dívida indefinidamente... De agora em diante, nesta nova seção A Música,com exclusividade para audiodicas. Saboreiem. São cartas de amor. Simples, serenas, sinceras, mas sérias.

A Música.

O meu amigo Holbein disse-me que podia escrever sobre o que desejasse. Pode
haver melhor? Pode sim. Alguém que leia e retire das minhas palavras qualquer
coisa de bom.

Ontem à noite estive com amigos a ouvir um músico num bar de hotel. O seu
equipamento consistia numa pequena mesa de mistura, uma modesta caixa de
efeitos, um amplificador, uma mini hi-fi, uma viola, uma caixa de ritmos
controlada por pedais, um microfone e quatro colunas.
Tenho o maior respeito por quem leva essa vida, tocando aqui e ali, sem
grandes ambições, ganhando o suficiente para pagar a renda e a comida. É
uma ligação estreita com a música, que é o ganha-pão, que não dá para
comprar jactos Lear, nem casas de luxo por todo o mundo, mas que é um modo
de vida concreto e honesto.

De toda a gente que estava no bar, apenas uma bonita mulata e eu estaríamos
a apreciar o artista. O resto estava conversando, bebendo, talvez a gostar,
talvez desejando que a música estivesse mais baixa para poderem falar mais
à-vontade, mas demasiadamente embrenhados nos seus copos e palavras para
darem atenção.

Não que o artista fosse algo por aí além. Numa apreciação isenta, eu diria
que cumpria a sua função de um modo mínimamente satisfatório. Para piorar
as coisas para o meu lado, uma dor de cabeça que andara a ameaçar todo o
dia resolveu mesmo eclodir, e tive que deixar a boa companhia e retirar-me
para um local mais sossegado.

Tenho em casa um CD do falecido Jeff Buckley, "Live At Sin-É". É uma
gravação ao vivo num pequeno bar, com equipamento modestíssimo - guitarra
eléctrica, micro, ampli e colunas - e com uma platéia reduzida. Que magia
se desprende desde as primeiras notas! Que poder de encantar tinha esse
moderno trovador, mesmo reduzido à expressão mais básica e honesta, que é
estar ali, sem pirotecnias nem lotes de dançarinos, apenas uma voz e uma
guitarra, e emoção.

Pergunto-me o que sucederia se Buckley estivesse ali naquele bar de hotel,
a interpretar as canções do "Live At Sin-É". A magia da sua voz conseguiria
deixar as conversas suspensas, as bebidas intactas, ou as pessoas
considerariam que aquilo não era música para tal local? E a minha dor de
cabeça resistiria, ou faria a mesma aparição, e será que eu deixava a
semente do génio a tocar, e iria à mesma para um lugar mais sossegado?

Há, hoje, música por todo o lado. É um bem de consumo da sociedade
industrializada. Quer seja um artista menor num bar de hotel, quer seja a
inesquecível gravação do maior maestro, com a melhor orquestra, é como
abrir uma torneira e deixar correr. Há milhares de músicos a viverem vidas
opulentas como fruto do seu trabalho, e milhões a viverem da música.
A música como indústria trouxe os bons e os maus da indústria, mas para
músicos e ouvintes o tempo é de vacas gordas. Tão gordas de facto que o
génio se arrisca a passar despercebido no meio das luzes e cores, e o
sentimento se perde entre os milhares de CDs de uma colecção normal.

O falecido Ian Dury, respondendo uma vez a um repórter mais ousado que
classificara o seu último trabalho de medíocre, disse-lhe que até podia
ser, mas pelo menos, ele e os seus músicos não precisavam trabalhar nas
minas. Essa ligação visceral entre a música e o trabalho também está a
perder-se, as novas gerações cada vez mais atraídas pelo brilho, e menos
pelo esforço.

A música é um bem precioso, e houve tempo em que era rara e não para todos.
Bandas itinerantes corriam aldeias e vilas quando havia feiras ou festas.
Música de câmara era coisa de nobreza endinheirada. Grandes orquestras
tocavam para audiências selectas em jardins ou auditórios onde a plebe
nunca ousaria pôr o pé. Grupos de entusiastas juntavam-se e formavam bandas
de qualidade sofrível. E cantava-se no trabalho. A música era importante,
era pão para a alma.

A abundância traz o desperdício. No bar do hotel, Jeff Buckley e a sua
magia receberiam provávelmente as mesmas esparsas palmas automatizadas no
fim do acto.

O Carteiro
12-08-2008, 22:44
Rapazes.

Ouvi a VI de Mahler com Tennsted re-processada no Japão.

http://www.amazon.com/Mahler-Symphony-No-Remastered-Japan/dp/B0007INZHU/ref=pd_bxgy_m_img_a

Notem que, embora seja com a mesma Filarmônica de Londres, a versão “em tela” é a gravação ao vivo de 1991 – muito mais vigorosa e clara que a versão incluída na caixa do ciclo completo.

Se você deseja conhecer a VI de Mahler, recomendo-a enfaticamente. Se você já conhece, recomendo ainda mais. Tenho algumas versões da sinfonia, de Mitropoulos à Bernstein, passando por Scherchen, Barbirolli, Kubelik, etc. Essa de fato é espetacular – assim como a gravação e o re-processamento: poucas vezes ouvi violas e violoncelos soarem de modo tão natural quanto aqui.

Extraordinário.

Abraços,
Gondim

Holbein Menezes
13-08-2008, 06:48
É verdade, meu querido Gondim, esse Klaus é um causo... sério! Desconhecia até bem pouco a batuta desse regente magro, expressão doentia, aparência frágil mas que se "engorda", ganha uma saúde de ferro e mostra-se um gigante quando rege Mahler. Como quê, fica possuído!

E criativio em peças tão executadas quanto as sinfonias enigmáticas, e dramáticas, de Gustav Mahler, que todo maestro põe em seu repertório, com certeza pela dose de espetáculo que elas contêm e proporcionam.

Não é tão detalhista quanto Leonard Berstein - que busca as sutis nuanças, em especial o binômio fraco e forte, tutti e pianíassimo que em Mahler abundam - nem tão exageradamente coerente quanto Otto Klemperer que recria, e recria mas dentro da partitura, livre de contribuições à obra.

Klaus é ele próprio um fenômeno, seu forte sem trocadilho é o difícil tempo mahleriano uma vez que difícil é também o tempo angustioso, os longos momentos da ansiedade, a eternidade do desespero, e passar isso em música é coisa só para gênios.

Suas entradas são de uma precisão milimétrica, seu gestual nunca é pantomímico, ele não baila no estrado, comanda com o olhar vivo mas algo triste, quase a pedir. E os músicos compreendem, e atendem, e agradecem.

Você tem razão, O Carteiro, quem não "ouviu" Tennstedt em Mahler ainda não "ouviu" um Malher próprio.

Holbein.

O Carteiro
13-08-2008, 07:21
É verdade, meu querido Gondim, esse Klaus é um causo... sério! Desconhecia até bem pouco a batuta desse regente magro, expressão doentia, aparência frágil mas que se "engorda", ganha uma saúde de ferro e mostra-se um gigante quando rege Mahler. Como quê, fica possuído!

Mestre, essa observação vai ao ponto: Tennsted era maníaco depressivo – ou, usando a terminologia corrente, bi-polar. Existem alguns “causos” sobre o terror que ele podia experimentar antes de um concerto.

Sobre Bernstein, nunca gostei especificamente da VI dele. Acho “flácida”. A do Klemperer nunca ouvi, se é que existe. Ele gravou diversas vezes a n. 2 e tinha razões sentimentais para isso: o jovem Klemperer regeu os metais atrás do palco na estréia da sinfonia, quando conheceu o homem que o marcaria para sempre, o próprio Gustav Mahler.

Devia ser interessante vê-los juntos: Mahler era baixinho e Klemperer tinha mais de dois metros. Mesmo assim, dizem que Mahler parecia maior.

Estou de fato encantado com essa VI.

Beijo, Mestre.
O Carteiro

ZpínoZ
13-08-2008, 09:44
A sexta de Mahler...

É um caso muito sério. E esse SACD uma delícia, acabei de receber...

Só por curiosidade, é nesta Sinfonia que acontecem as famosas três marteladas do destino (hammer blows), representando a morte da filha, a perda do emprego e o diagnóstico da doença cardíaca.

As marteladas são um capitulo especial. Como já usara anteriormente na Kindertotenlieder o truque da martelada, significando uma grande provação da vida, e tendo morrido sua sua filha pouco tempo depois, Mahler fez uma correlação premonitória e, temeroso, por supertição, resolveu reduziu para para duas as marteladas da Sinfonia, porque estava doente do coração e não queria desafiar nada e ninguem.

Hoje existem execuções com duas, três e até, para mahlerianos mais radicais e desconfiados, sem nenhuma martelada. Neste CD são duas, obedendo a última versão de Mahler.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41ATNEB8CTL._SS500_.jpg


A Sexta é uma das minhas paixões explicitas, tenho várias gravações, impossível dizer de qual gosto mais. As vezes tenho que interromper tudo, chegar em casa, e ouví-la novamente.

Concordo com o Gondim, a versão de Bernstein é meio anfatuada, diluida. Desculpem a licença poética: nele, toda a Angústia de Mahler vira apenas "beicinho".

Holbein tem razão, o mote dessa Sinfonia efetivamente é a Angústia, talvez o sentimento mais difícil de lidar.

Lembrando Soren Kierkegaard: Angústia é quando nos persignamos em fazer o que acreditanmos ser correto, arrostando todas e quaiquer evidências contrárias, até mesmo a Razão, à revelia de todos, enfretando obstinadamente as foças que parecem conspirar contra nós.

Z

Holbein Menezes
13-08-2008, 11:47
"Lembrando Soren Kierkegaard: Angústia é quando nos persignamos em fazer o que acreditanmos, arrostando todas e quaiquer evidências contrárias, ate mesmo a Razão, enfretando obstinadamente as foças que parecem conspirar contra nós." Zpínoz.

Gondim e Z., meus queridos, e é isso que acontece na regência pelo Tennstedt da 8ª, numa soberba gravação em devedê feita ao vivo no Royal Festival Hall de Londres. Por diversas vezes, a suar muito o Klaus pressiona com a mão a testa franzida, naquele gesto muito comum nos nossos momentos de sofrimento - como a pedir socorro a Deus ou a quem seja, pelas angústias porque estamos a passar. Bem característico e bem humano; porque o frontal é a região das emoções; o frontal e o estômago, esta segundo a Bíblia ("... a boca das emoções"...).

E tal é o desgaste emocional do ex-maníaco depressivo - colega de sofrimento de Bela Bartók - que no intervalo da I para a II Partes (entre o Hymn veni Creator Spiritus e a cena do Fausto, de Goethe), Tennstedt desce do pódio e caminha cambaleando em direção à coxia...

Chocante! Vou às lágrimas.

E quando retorna rege sobre nuvens, e não sobre o pódio, um Pater Ecstatius e um Pater Profundus como que para exclusiva audição do Grande Arquiteto do Universo.

E de novo vou às lágrimas. (Diabo de velho chorão, pô!)

Holbein.

ZpínoZ
13-08-2008, 12:35
Ouvir o compositor regendo é sempre uma experiência muito interessante, óbvio, porque mais do que ninguém ele deve saber transmitir o que sentia ao criar. E a Orquestra Nacional da França está soberba. De Los Angeles é um anjo cantando.

Quando ainda era garoto e amava os Beatles e Rollling Stones tinha essa edição das completas das Bachianas em LPs. Um estojo com 5 ou 6 discos, que era um dos meus orgulhos.

Assim, minha memória oficial das Bachianas é com o Victoria de Los Angeles, a Orquestra Nacional da França e o Villa regendo. Qualquer outra é uma improvisão sobre um tema dado.

Agora tenho a gravação dessas Bachianas que o Sidão citou em CD (em outra edição), porém nunca consegui encontrar para comprar o CD com as outras restantes, que completariam a ciclo.

Z

migrando
13-08-2008, 15:08
Amigo ZpínoZ.

Disse você:
“...Assim, minha memória oficial das Bachianas é com o Victoria de Los Angeles, a Orquestra Nacional da França e o Villa regendo. Qualquer outra é uma improvisão sobre um tema dado. ...”


Seria este (http://www.amazon.fr/Villa-Lobos-par-lui-m%C3%AAme/dp/B000002SBL/ref=sr_1_4?ie=UTF8&s=music&qid=1218649469&sr=1-4), este (http://www.amazon.fr/Bachianas-Brasileiras-Nos-9/dp/B00002439N/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=music&qid=1218650023&sr=1-2) ou este (http://www.amazon.fr/Bachianas-Brasileiras/dp/B000002RZX/ref=sr_1_41?ie=UTF8&s=music&qid=1218650654&sr=1-41) o disco a que você se refere?

:D

Wieniawski
14-08-2008, 13:25
Outro violinista bem pouco citado pelo grande público é Ivry Gitlis, assim como Gidom Kremer, trata-se de um grande virtuose, inclusive comprei a um tempo atrás o DVD abaixo, motivado justamente pelo bônus que havia visto no youtube, em que ele executa um trecho do 3º movimento do concerto nº 2 de Paganini (Campanella), vendo e ouvindo esta interpretação, tive a sensação de que nem Paganini faria melhor, :bD

Já o concerto de Tchaikovski, não vou dizer que seja a melhor interpretação que já ouvi, ainda fico com o Oistrakh, mas um fato curioso é a velocidade com que ele o executa, para quem acha que Heifetz é rápido demais, precisa ver aquilo.


http://ecx.images-amazon.com/images/I/31aFtRQsjNL._SS500_.jpg

O Carteiro
14-08-2008, 17:10
Disco chegado ontem, já devidamente ouvido, repetido, repetido, repetido...........:rever1::rever1::rever1:
Que maravilha!!!!

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51PVglL3qcL._SS500_.jpg

Gandíssima interpretação.
No Les Indispensables de la musique classique da Editora Fayard, ano de 1995, consta como indicação absoluta, e é mesmo.
Sensacional !!! Adorei!!!
RECOMENDADÍSSIMO.

Sidão

Sidão, Stravinsky e Dorati são dois amigos que eu tenho. Existe também uma outra versão com a Sinfônica de Detroit e som Decca:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51F906NRKHL._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B00001P4RE/sr=8-1/qid=1218744184/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music&qid=1218744184&sr=8-1)

Não farei papel de bobo dizendo que esta é melhor que aquela. Aliás, eu não saberia dizer: ambas são versões de áudio soberbo e leituras diferentes, embora a batuta seja a mesma.

Pessoalmente tenho as duas, espetaculares - e se houvesse, teria uma terceira.

Dorati foi um grande, grande regente.

Abração,
Gondim

Holbein Menezes
14-08-2008, 18:33
O Carteiro, há a versão do "Pássaro de Fogo", e todo o resto da obra, do próprio Stravinsky regendo ele mesmo, na conhecida "Igor Stravinsky Edition" que a antiga Columbia organizou, tocada pela "Columbia Symphony Orchestra". Sei que esse negócio de o autor reger suas obras nem sempre dá no melhor - lembremos Villa-Lobos -, mas essa coleção da Columbia que a Sony comprou, é a que prefiro. Porque Stravinsky é sobretudo ritmo, em especial aquele ritmo adrenalizado russo das festas cossacas movidas a vodka, festejos que Stravinsky rememora com imensa saudade em entrevista.

O presidente da Columbia era amigo de Stravinsky, seu fã nº 1, contratou os melhores músicos dos Estados Unidos e entregou-os ao regente Robert Craft que passou anos a ensaiar o conjunto sob a supervisão e até a presença física de Stravinsky.

É uma edição soberba, tenho-a toda, presente do filho que foi Gerente da Sony. Também gosto da regência de Dorati, que impõe as peças um ritmo alucinante, mas para mim carece de autencidade, pelo menos da autencidade da verdadeira intenção do autor.

É como acontece com o Bernstein a reger suas obras. Na última gravação dele, de "West Side Story", ocorre um diálogo intrigante; o maestro da mesa de gravação dirige-se pelo microfone ao maestro Berstein, a fazer certas observações. Com aquele vozeirão de barítono Leonard responde ao maestro da mesa: "- Ora, que dizer isso a mim que compus a música?"

É a essa autenticidade a que me refiro. Como também nas vezes que o filho de Shostakovich, Maxim, rege as sinfonias do pai; ninguém consegue interpretar melhor, não é ZpínoZ?.

Holbein.

ZpínoZ
14-08-2008, 19:55
Amigo ZpínoZ.

Disse você:
“...Assim, minha memória oficial das Bachianas é com o Victoria de Los Angeles, a Orquestra Nacional da França e o Villa regendo. Qualquer outra é uma improvisão sobre um tema dado. ...”


Seria este (http://www.amazon.fr/Villa-Lobos-par-lui-m%C3%AAme/dp/B000002SBL/ref=sr_1_4?ie=UTF8&s=music&qid=1218649469&sr=1-4), este (http://www.amazon.fr/Bachianas-Brasileiras-Nos-9/dp/B00002439N/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=music&qid=1218650023&sr=1-2) ou este (http://www.amazon.fr/Bachianas-Brasileiras/dp/B000002RZX/ref=sr_1_41?ie=UTF8&s=music&qid=1218650654&sr=1-41) o disco a que você se refere?


:D

Não exatamente, mestre migrando.

Minha madeleine é outra. Uma coleção de 5/6 belíssimos LPs, num estojo, com um excelente livreto contendo todas as Bachianas Brasileiras, com este desenho de capa.

http://www.geocities.com/db27/VillaLobos.jpg

Minha loucura foi, em alguma momento de minha vida, ter decidido, atrapalhadamente, me desfazer deles.

Depois disso procurei muito encontrar em CDs. No MercadoLivre consegui comprar apenas um CD, com o mesmo desenho de capa, com as Bachianas 5, 2, 1 e 9. Exatamente a mesma gravação, com outra capa, mencionada pelo Sidão (#1416).

Não sei se sairam outros(s) CD(s) que completariam minha madeleine.

Z

cheriato
14-08-2008, 23:18
Ola amigos, se nao puderem me ajudar ninguem poderá, vcs sao verdadeiros mestres.

Minha esposa, professora de escola, quer fazer um trabalho com as criancas usando musica classica, gostaria de achar alguma música que de certa forma fosse indicada para isso. Nao sei se tem algo, sei que alguns compositores tem alguma coisa para criancas, sera que poderiam me ajudar. Se nao me engano seria uma especie de teatrinho que irao fazer, coisa de crianca. A idade a ser trabalhada se nao me engano é de 6 anos.

Querem tbm trabalhar com criancas de bercario, colocarem um classico bem calmo, e mudar para algo mais agitado. para estudar o comportamento.

Agradeceria muito se pudessem nos ajudar.

Abs.

Holbein Menezes
15-08-2008, 06:45
Para as de 6 anos sugiro "Pedro e o Lobo", de Prokofiev; ou as "Cirandas" de Villa-Lobos; ou "For Children" de Bela Bartok. Há tantas!

Para o berçario, nenhuma música melhor que as de Mozart, e, em especial, do Mozart inocente das primeiras composições. Mas também existem muitas.

Virão sugestões, pode esperar, Cheriato.

Holbein.

membroativo
15-08-2008, 08:50
Essa série Baby Einstein é muito legal. Conheço os CDs, não os DVDs. Há música de vários compositores e para várias idades.

http://i.s8.com.br/images/dvds/cover/img8/1094358_4.jpg

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51dMxYa3pUL._SS500_.jpg

abraços,

O Carteiro
15-08-2008, 13:26
Rapazes.

Para não perder o domínio www.logoseletronico.com (http://www.logoseletronico.com/), tive que reabilitar a hospedagem. Ora, se estou obrigado a ocupar espaço e pagar por ele, melhor colocar o site de volta.

O logos está de férias e não sofrerá atualizações em um futuro próximo. Mas você pode aproveitar para reler as mesmas histórias de sempre.

Abraços,
Gondim

jmartins
15-08-2008, 14:25
Pessoal, não sei se este topico é o melhor lugar para postar esta mensagem....mas estou fazendo aqui...caso os administradores achem necessário sintam-se a vontade para mudar este post para outro lugar...

DOMINGO dia Data:17 de agosto as 10horas
Osesp fará uma récita extra no Parque do Ibirapuera para apresentar Carmina Burana, de Carl Orff, com entrada franca.


ORQUESTRA SINFÔNICA
DO ESTADO DE SÃO PAULO

Carl ORFFCarmina Burana

ANTONI WITregente
Sine Bundgaardsoprano
Luciano Botelhotenor
Rodrigo Estevesbarítono
Coro da OSESPNaomi Munakataregente
Coro Infantil da OSESPTeruo Yoshidaregente


Local:Área Externa do Auditório do Ibirapuera
Data:17 de agosto (domingo)
Horário:10 horas
ENTRADA FRANCA
*Acesso ao Parque pelas Avenidas República do Líbano e IV Centenário


Abs,
João Martins

O Carteiro
15-08-2008, 15:25
O Carteiro, há a versão do "Pássaro de Fogo", e todo o resto da obra, do próprio Stravinsky regendo ele mesmo, na conhecida "Igor Stravinsky Edition" que a antiga Columbia organizou, tocada pela "Columbia Symphony Orchestra". Sei que esse negócio de o autor reger suas obras nem sempre dá no melhor - lembremos Villa-Lobos -, mas essa coleção da Columbia que a Sony comprou, é a que prefiro. Porque Stravinsky é sobretudo ritmo, em especial aquele ritmo adrenalizado russo das festas cossacas movidas a vodka, festejos que Stravinsky rememora com imensa saudade em entrevista.

O presidente da Columbia era amigo de Stravinsky, seu fã nº 1, contratou os melhores músicos dos Estados Unidos e entregou-os ao regente Robert Craft que passou anos a ensaiar o conjunto sob a supervisão e até a presença física de Stravinsky.

É uma edição soberba, tenho-a toda, presente do filho que foi Gerente da Sony. Também gosto da regência de Dorati, que impõe as peças um ritmo alucinante, mas para mim carece de autencidade, pelo menos da autencidade da verdadeira intenção do autor.

É como acontece com o Bernstein a reger suas obras. Na última gravação dele, de "West Side Story", ocorre um diálogo intrigante; o maestro da mesa de gravação dirige-se pelo microfone ao maestro Berstein, a fazer certas observações. Com aquele vozeirão de barítono Leonard responde ao maestro da mesa: "- Ora, que dizer isso a mim que compus a música?"

É a essa autenticidade a que me refiro. Como também nas vezes que o filho de Shostakovich, Maxim, rege as sinfonias do pai; ninguém consegue interpretar melhor, não é ZpínoZ?.

Holbein.

Mestrão, tenho as gravações com Stravinsky regendo na mesma edição da Sony. O Pássaro de fogo eu também achei espetacular: muita clareza e peso, coisas que não costumam andar juntas.

Contudo, particularmente eu não teceria uma comparação direta entre a versão do Stravinsky e a de Dorati. A meu ver, a do Stravinsky se aproxima mais de outra versão célebre, a do Ansermet com Suisse Romande de 1955, que parece ter sido gravada ontem de manhã pelo maior engenheiro de som do mundo com o melhor equipamento. Ambas têm a mesma opulência e o mesmo tipo de sonoridade grandiosa e brilhante.

Também aqui eu não me arrisco a dizer qual a melhor: acho todas muito boas, e cada qual ao seu próprio modo atinge seu Everest. Aqui entre nós, tenho as quatro e mais um outro tanto, adoro O Pássaro de Fogo. Aliás, tenho uma gravação com Celibidache de 1974 (infelizmente, só uma das suítes) que também é de fazer a gente subir pelas paredes.

Mas, com base puramente em gosto pessoal, prefiro as duas gravações do Dorati e a versão do Ansermet.

Mas você tocou no nervo exposto da questão (aliás, você sempre sabe cutucar o ponto em que as questões se movem e as discussões enriquecem). Pensei o seguinte com os meus botões: O Pássaro de fogo é uma partitura, não é uma gravação. Se fosse uma gravação não resistiria ao tempo (mesmo com aquele veludo todo da Columbia). O mesmo pode-se dizer do Bernstein: está na partitura? Foi publicada? Então - num certo sentido - não é mais dele.

Na estréia do Otello, Verdi em pessoa disse a um violoncelista:

- Toque mais alto.

O violoncelista ficou p. e respondeu:

- Se o senhor queria mais alto, não devia ter escrito “piano”.

E Verdi saiu resmungando. O violoncelista era Arturo Toscanini.

Na primeira vez em que Karajan regeu a Elektra, os músicos da Ópera da Ópera de Viena (que é, justamente, a nossa amada Filarmônica de Viena) insistiram mui delicadamente para que Strauss fosse convidado ao ensaio geral. Karajan disse que foi ele quem o mandou chamar, mas não é bem assim. Havia uma certa pressão para abreviar a data do convite e Karajan nunca escondeu que estava apavorado com a idéia - postergando-a ao máximo -, pois antes de se tornar compositor Strauss foi um grandissíssimo regente. Mais tarde, autor do que é considerado o melhor tratado de regência de escola alemã.

Pois bem, Strauss foi ao ensaio, foi simpático e depois foi jantar com Karajan. Não disse nada significativo. No fim da noite, Karajan tomou coragem e perguntou:

- O senhor gostaria de fazer alguma observação?

Strauss disse que não achava direito (opa!) e que tinha realmente gostado. Karajan insistiu e Strauss disse uma frase histórica:

- Agite mais a batuta.

Strauss queria dizer que tudo estava impecável, perfeito demais para uma música que pretende uma “orgia de sangue e trevas”. Isso de fato o marcou, pois a gravação ao vivo da Elektra de 1964 é mais selvagem que a do Solti, e não tem nada a ver com aquela “sonoridade Karajan” de perfeição inflexível (alô, Sidão, essa Elektra é o bicho).

http://www.amazon.com/Strauss-Elektra/dp/B0000059CR/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&s=music&qid=1218825324&sr=8-1

Don Verdi recuou de um confronto contra um violoncelista insignificante (pois Toscanini era ainda um rapazinho) em nome do “documento”, a partitura. Karajan foi moldado pelo encontro com o autor de uma de peças que ajudou a consagrá-lo.

Tenho certeza de que não estou sendo claro, mas a minha conclusão pessoal é de que as grandes versões têm essa qualidade: ao mesmo tempo em que são fiéis às intenções do compositor, têm características inerentes às qualidades do regente e da orquestra. Ainda que Stravinsky fosse um intérprete excepcional de Stravinsky (como de fato o foi), não pode esgotar o potencial harmônico e expressivo da partitura.

Passam os intérpretes, passam os ouvintes, mas a música permanece: um grande regente pode ser – simultaneamente – fiel ao documento, pessoal, moderno e anacrônico.

Estou convicto de que o anacronismo é uma das condições essenciais ao poder de comunicação e permanência da obra de arte (vide um grande anacrônico em seu tempo, Willian Shakespeare).

Beijos, Mestre.
O Carteiro

O Carteiro
15-08-2008, 15:29
Pessoal, não sei se este topico é o melhor lugar para postar esta mensagem....mas estou fazendo aqui...caso os administradores achem necessário sintam-se a vontade para mudar este post para outro lugar...

DOMINGO dia Data:17 de agosto as 10horas
Osesp fará uma récita extra no Parque do Ibirapuera para apresentar Carmina Burana, de Carl Orff, com entrada franca.


ORQUESTRA SINFÔNICA
DO ESTADO DE SÃO PAULO

Carl ORFFCarmina Burana

ANTONI WITregente
Sine Bundgaardsoprano
Luciano Botelhotenor
Rodrigo Estevesbarítono
Coro da OSESPNaomi Munakataregente
Coro Infantil da OSESPTeruo Yoshidaregente


Local:Área Externa do Auditório do Ibirapuera
Data:17 de agosto (domingo)
Horário:10 horas
ENTRADA FRANCA
*Acesso ao Parque pelas Avenidas República do Líbano e IV Centenário


Abs,
João Martins

Martins, acho que o lugar do post é aqui mesmo, velho.

Putz, que inveja de vocês aí em São Paulo: Antoni Wit é um grande intérprete de Mahler dos dias atuais. Isso promete ser um concerto...

Abraços,
Gondim

Holbein Menezes
15-08-2008, 16:11
Quanto ao "post" 1429, passei ao O Carteiro a seguinte mensagem em pevetê, que torno pública, volto a assinar embaixo, dou fé e juramento:

Agora eu tenho uma razão para continuar vivo! Voltou o logoseletronico!

Holbein Menezes.

Holbein Menezes
15-08-2008, 17:40
Aceito em parte sua tese, meu querido Gondim, que é parte da minha tese geral: quem faz o livro é o autor mas quem o transforma em obra de arte são as leituras. Mas a leitura só transforma um livro em obra de arte se o leitor permanecer fiel a idéia do autor; e para sê-lo há que conhecer o autor e as circunstâncias em que concebeu e escreveu o livro.

Veja o caso de um livro bastante lido por mim e muitíssimo mais conhecido e estudado por você, que é teólogo: a Bíblia. Ora, a leitura que o locutor Cid Moreira faz de algumas partes desse extraordinário livro transforma tais partes cânticas numa baboseira melodramática de fazer chorarmos de raiva... aos crentes sisudos. Salomão com certeza se terá virado em seu túmulo, revoltado. Logo ele Salomão o Rei que "abateu" ele sozinho mais de mil lebres impúberes de seu plantel real...

Fryderyk Chopin é a vítima maior dos ledores. Porquanto ele foi um patriota polonês revolucionário exilado em França - estão aí as "Polonaise" que são macho pacas! Mas a melifuidade a beirar a efeminação com que alguns "lêem" os lindos "Noturnos" levou a que um escultor esculpisse estátua de Chopin em modos adamados, e um ignorante Gestor mandasse plantá-la na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, de tantas tradições heróicas e másculas!

Ao contrário, O Carteiro, quem fica é o livro, a escritura, partituras e originais das obras de arte; os espectadores passamos, os artíficies moldureiros vão-se, os críticos musicólogos, morrem, declamadores profissio9nais esquecem-se-lhes os nomes mui cedo.

Compare. O sério e responsável maestro pesquisador John Eliot Gardiner passou meses coletando fragmentos da partitura do oratório "Vespro della Beata Vergine" (1610), cujo original perdera-se na poeira devoradora do tempo, e só quando recebeu licença dos responsáveis pelos arquivos milenares da Catedral de São Marcos, só depois de estudar a cópia da partitura ali guardada - cópia copiada sabe-se lá com quantas imperfeições e erros - só no cômputo dos muitos dados contextuais colhidos por ele, Gardiner regeu o oratório ali mesmo na Catedral de São Marços, gravação que ficará para a história como a peça de Monteverdi.

Hebert von Karajan só é lembrado por nós seus contemporâneos - quem sabe por via do mecanismo de nossas projeções identificativas e ideativas, prenhes de inveja - mas daqui a um século Arturo Toscanini será ainda lembrado, Bruno Walter, idem, esse ou aquele, talvez mas entre estes não estará o dispótico Karajan.

Essas são minhas preces.

Holbein.

ZpínoZ
15-08-2008, 17:48
ORQUESTRA SINFÔNICA
DO ESTADO DE SÃO PAULO

Carl ORFF - Carmina Burana

ANTONI WIT - regente
Sine Bundgaard - soprano
Luciano Botelho - tenor
Rodrigo Esteves - barítono
Coro da OSESP - Naomi Munakata - regente
Coro Infantil da OSESP - Teruo Yoshida - regente

Ontem assisti esta Carmina Burana na Sala São Paulo. Foi belíssima, empolgante.

No final aconteceu uma situação inusitada, os aplausos duraram uns 30 minutos. Todo mundo: o público, a orquestra, o coro, os cantores se aplaudiam mutuamente. Eu olhava, tentava entender, e constatava em todos uma espécie de transe, como se tivessem co-participando de numa celebração. Em todos os rostos, olhares, no riso das pessoas, um sentimento que somente a arte (eta velho Schopenhauer) pode propiciar: o júbilo. Porém o júbilo diferenciado, o júbilo compartilhado. Um gol da seleção brasileira que une a todos.

Logicamente existem explicações para esse encatamento bancante que tomou conta de todos. Carmina Burana é imensamente popular, o pessoal já conhece a música, tem centenas de gravações, para todos os gostos. A peça é grandiloquênte, portanto se ajusta maravilhosamente à capacidade, à ênfase e ao tom particular da OSESP (vide o tópico sobre a exuberância #1434).

Gostei muito da voz e da interpretação do barítono.

Z

ZpínoZ
15-08-2008, 18:04
Salomão com certeza se terá virado em seu túmulo, revoltado. Logo ele Salomão o Rei que "abateu" ele sozinho mais de mil lebres impúberes de seu plantel real...

Impúberes???

A imagem é avassaladoramente bela, mas só me lembro das pombas gêmeas salomônicas....

Z

Holbein Menezes
15-08-2008, 20:08
Eta Z. filósofo! Também com duas "pombas" abater mil "lebres" não chega a ser um fenômeno... Mas tenha "lebres" no sentido figurado criado pelo Carlos Imperial.

Holbein.

cheriato
15-08-2008, 20:29
Para as de 6 anos sugiro "Pedro e o Lobo", de Prokofiev; ou as "Cirandas" de Villa-Lobos; ou "For Children" de Bela Bartok. Há tantas!

Para o berçario, nenhuma música melhor que as de Mozart, e, em especial, do Mozart inocente das primeiras composições. Mas também existem muitas.

Virão sugestões, pode esperar, Cheriato.

Holbein.

Muito obrigado pelas indicacoes. vou ver se as tenho aqui.

Carlos.Simoes
15-08-2008, 20:42
Quanto ao "post" 1429, passei ao O Carteiro a seguinte mensagem em pevetê, que torno pública, volto a assinar embaixo, dou fé e juramento:

Agora eu tenho uma razão para continuar vivo! Voltou o logoseletronico!

Holbein Menezes.

Mestre Holbein,

¨Assim você me lembra um filme em que um centurião romano foi castigado com a vida eterna - até que o mundo acabasse - porque bateu na face de Jesus. Ele continuava com a mesma forma física, mas após tanto tempo, já não aguentava mais viver. Já tinha passado por várias profissões, por último, tinha virado padre. Tomou conhecimento das profecias que antecederiam o fim do mundo e vibrava com a confirmação de cada uma delas. A última, título do filme (A Sétima Profecia), era que iria nascer uma criança morta, sem espírito...
¨Espero que aconteça com você o que aconteceu com o centurião no final do filme, continuou vivo, pois a última profecia não se realizou.

Forte abraço.

Carlos

ZpínoZ
16-08-2008, 16:46
Paganini é um artista interessante, a história de sua vida é repleta de lances inesperados, verídicos e inventados. Sua contribuição para a consolidação do conceito de “virtuose” não é pequena. Suas manias, idiossincrasias pessoais são sempre curiosas. Seu amor ao violino, instrumento histórico, é marcante. Basta lembrar que ele, depois de muito trabalho, conseguiu juntar o Quarteto Paganini: dois violinos, uma viola e um violoncelo, todos Stradivarius, hoje utilizados pelo Tokyo String Quartet com sobriedade e competência.

Tudo isso, somado à minha apreciação exagerada pelos Concertos para Violino em geral, me compeliu a juntar algumas gravações do gênio italiano.

Primeiro uma completa dos Concertos com o Salvatore Accardo: os Concertos 1 e 2 provem da mesma gravação indicada pelo Gondim, porém em outra edição.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51JKT33Y4ML._SL500_AA240_.jpg

Agora uma indicação fora do esquadro, gosto muito de Ilya Kaler que grava extensivamente com a Naxos.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51EfImg-MNL._SL500_AA240_.jpg

Se não me falha a memória, infiel e falaz, neste nosso tópico pouco se tratou dos 24 Caprices de Paganini. Uma obra seminal, que, além de suas imensas qualidades intrínsecas, ainda inspirou dezenas de outras obras primas (sobretudo o Caprice 24). Desafios para qualquer violinista. Num vídeo do Ruggiero Ricci (não encontrei foto), sempre que assisto, aumenta meu respeito e reverência pelo violino e pelos violinistas. Cada Caprice é um estudo, uma ilustração completa e um caso limite de uma determinada técnica.

Fiquei surpreso com a alta conceituação, nos fóruns internacionais de adictos do violino, da gravação com o Ilya Kaler dos 24 Caprices pela Naxos.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/518DyrOJ66L._SL500_AA240_.jpg

Z

ZpínoZ
16-08-2008, 17:22
http://g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/ciu/05/7f/36d390b809a0fb46b5766110._AA240_.L.jpg

Z, faz tempo que tenho curiosidade em conhecer estes concertos, especialmente este do Rodrigo, o que tem a dizer sobre eles?
Valem a pena?

abçs

Sou mineiro de berço, logo dou sempre resposta, quae sera tamen.

Uma das coisas que aprecio em Joaquim Rodrigo, em especial nas suas obras para instrumentos solo, é o respeito sóbrio com que ele preserva e salienta as características intrínsecas do instrumento. Parece que ele compensava suas outras carências ouvindo melhor cada uma dos instrumentos.

Nesse sentido o Concerto de Estio tem magníficos trechos, em que, num truísmo tosco e grosso, ouvimos a alma do violino.

Muito melhor que isso, nesta gravação, tem ainda o Christian Ferras que também é truista, exagera e faz questão de mostrar em detalhes as fimbrias dessa alma.

Z, o fã de carteirinha

ZpínoZ
17-08-2008, 12:11
Sobre Wagner, a propósito de Tristão e Isolda.

“É o mago que transformou em sons audíveis o Universo assim como teria sido antes que Deus o criasse; ou depois que Deus o destruísse. Não foi possível dizer tanto senão às ultimas fronteiras do sistema tonal Bach-Remeau. Na verdade, este sistema, ampliado pelas liberdades modulatórias de Beethoven, já fora cada vez mais sutilizado pelos ‘modernismos’ harmônicos de Schubert, Chopin, Schumann. No Prelúdio do primeiro ato de Tristão e Isolda, a música ocidental entrou naquilo que Ernest Kurt chamou de ‘crise da harmonia romântica’. 1859 é uma data tão decisiva na história da música como os anos de Orfeo de Monteverde, do Cravo Bem Temperado, dos Quartetos op. 20 de Haydn.”
>>> (Uma Nova História da Música – Otto Maria Carpeaux - Alhambra, 4. Edição, 1977, pag. 218)

Um belíssimo trecho, de muito fôlego e de larga amplitude.

O perigoso de pensar é que a gente pode errar, mas vá lá. Às vezes Wagner parece uma daquelas excrescências que o gênero humano se permite, como a Grande Muralha, o Taj Mahal, as Pirâmides, a Capela Sistina; esses desafios desmedidos que para serem perpetrados necessitam do concurso de um artista e de um monarca, ambos meio ensandecidos e ébrios de ousadia. São píncaros e alturas inexcedíveis, limites do espanto e da perplexidade, contudo inumanamente belos e sublimes.

Z

migrando
17-08-2008, 17:34
Alô ZpínoZ.

Violino e violinistas são seu forte, segundo confessado por você. A indicação que faço com certeza não lhe será de proveito, mas àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir, procurem discos (http://www.amazon.com/s/ref=nb_ss_m?url=search-alias%3Dpopular&field-keywords=Oscar+Shumsky&x=16&y=18) deste prestigiado violinista, Oscar Shumsky (http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=%22Oscar+Shumsky%22&meta), criança prodígio e aluno de Leopold Auer e Zimbalist.
Pouco afeito a holofotes, cedo retirou-se à cátedra, ficando por 30 anos longe do palco.
“... THE AMERICAN violinist Oscar Shumsky was the last surviving pupil of the legendary Leopold Auer, who trained some of the greatest names of the 20th century at the St Petersburg Conservatoire, including Jascha Heifetz, Mischa Elman and Nathan Milstein. Shumsky's playing was a perfect example of the Auer tradition; impeccable musicianship, a glorious mellow tone and, above all, the romantic style which captivated audiences everywhere. ...”

ZpínoZ
18-08-2008, 11:46
Violino e violinistas são seu forte, segundo confessado por você.

Por favor me perdoe, se cometi, esse deslize pretencioso. No máxino violino e violinistas são meus fortes interesses.


who trained some of the greatest names of the 20th century at the St Petersburg Conservatoire, including Jascha Heifetz, Mischa Elman and Nathan Milstein.

Isso é mais ou menos como apontar um presuntivo treinador de Pelé, Didi e Garrincha.

Z

Wieniawski
18-08-2008, 13:09
Paganini é um artista interessante, a história de sua vida é repleta de lances inesperados, verídicos e inventados. Sua contribuição para a consolidação do conceito de “virtuose” não é pequena. Suas manias, idiossincrasias pessoais são sempre curiosas. Seu amor ao violino, instrumento histórico, é marcante. Basta lembrar que ele, depois de muito trabalho, conseguiu juntar o Quarteto Paganini: dois violinos, uma viola e um violoncelo, todos Stradivarius, hoje utilizados pelo Tokyo String Quartet com sobriedade e competência.

Tudo isso, somado à minha apreciação exagerada pelos Concertos para Violino em geral, me compeliu a juntar algumas gravações do gênio italiano.

Primeiro uma completa dos Concertos com o Salvatore Accardo: os Concertos 1 e 2 provem da mesma gravação indicada pelo Gondim, porém em outra edição.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51JKT33Y4ML._SL500_AA240_.jpg

Agora uma indicação fora do esquadro, gosto muito de Ilya Kaler que grava extensivamente com a Naxos.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51EfImg-MNL._SL500_AA240_.jpg

Se não me falha a memória, infiel e falaz, neste nosso tópico pouco se tratou dos 24 Caprices de Paganini. Uma obra seminal, que, além de suas imensas qualidades intrínsecas, ainda inspirou dezenas de outras obras primas (sobretudo o Caprice 24). Desafios para qualquer violinista. Num vídeo do Ruggiero Ricci (não encontrei foto), sempre que assisto, aumenta meu respeito e reverência pelo violino e pelos violinistas. Cada Caprice é um estudo, uma ilustração completa e um caso limite de uma determinada técnica.

Fiquei surpreso com a alta conceituação, nos fóruns internacionais de adictos do violino, da gravação com o Ilya Kaler dos 24 Caprices pela Naxos.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/518DyrOJ66L._SL500_AA240_.jpg

Z

Z, gosto muito do Kaler nos caprichos de Paganini, e também nas menos citadas sonatas de Ysaÿe para violino solo. Estas sonatas embora muito menos gravadas do que os caprichos, são interessantes também:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51WQmAUtJ0L._SS500_.jpg

Abçs

Wieniawski

ZpínoZ
19-08-2008, 10:12
Estou triste.

Como todos devem saber, domingo passado (17/08), o Teatro de Cultura Artística pegou fogo e desgraçadamente queimou-se inteiro. Do meu apartamento ouvi os bombeiros e fui até o terraço, de onde pude ver o vermelhão das chamas. Graças às benevolentes musas da cultura salvou-se, contudo, o imenso painel de Di Cavalcanti que enfeita e valoriza a fachada.

Estava programada para segunda feira, 18/08, a Orquestra Filarmônica de Liége, regente Pascal Rophé, com um programa totalmente francês: César Frank, Le Chasseur Maudit; Berlioz, Les Nuits d'Été; Debussy, La Mer. Com a destruição do Teatro a apresentação foi transferida para o Teatro Municipal.

Todas as três peças foram lindíssimas, porém, quero destacar a segunda, Berlioz, magnificamente cantada pela mezzosoprano Susan Grahan, de forma dulcíssima, todavia cheia de energia e sentimento. Também, Debussy foi estupendo, a orquestra evidenciou toda a delicadeza e todas as intenções do autor.

Mestre Holbein, por casualidade sentei ao lado e fui apresentado ao Jacob Gorender, grande intelectual e antiqüíssimo dirigente do PCB. Foi uma honra certamente. Conheceu?

Z

Holbein Menezes
19-08-2008, 12:27
Meu querido Z, se eu conheci Jacob Gorender?

Ora, conheci da existência do nosso Dimitri Shostakovich justamente por intermédio de Gorender; só que na clandestinidade política. Eu e mais 30 camaradas fazíamos um curso de formação em economia marxista num "aparelho" do Partido situado no Estado do Rio, e Gorender era o professor da matéria. Por obra do acaso, ou dos aperreios da clandestinidade ele e eu tínhamos camas de lona (campanha) uma ao lado da outra. Certa noite, antes de pegar no sono, Gorender a cochichar dirigiu-se a mim.

- Soube que você gosta de música erudita, companheiro.
- Gosto, sim - respondi.
- De qual época, antiga ou moderna?
- Todas, mas dou preferência pela música contemporânea.
- Conhece alguma coisa do compositor soviético, Dimitri Shostakovich?
- Não.
- Pois procure conhecer; é o grande compositor da metade do Século XX.

Quando saí do "aparelho", e atravessei de barcas a Baia de Guanabara, no dia seguinte fui às Lojas Palermo, no Largo da Carioca, e comprei três discos "long playing" daquele que viria a ser meu compositor predileto, ele e Bela Bartok.

Quer dizer, não houve só torturas na ditadura militar, ocorreram também momentos de grande prazer, e um que experimentei foi ter conhecido Jacob Gorender.

Holbein.

Viver é fazer história. Holbein.

O Carteiro
19-08-2008, 21:28
Galera, olha a pechincha: 33 CDs Decca por US$ 55,97. Em estoque na Amazon:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/31-flS6c96L._SL500_AA180_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B00159679S/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music)

http://www.amazon.com/Wagner-Great-Operas-Bayreuth-Festival/dp/B00159679S/ref=pd_sim_m_6

Abs,
Gondim

MARCUS BRAGA
19-08-2008, 21:58
Galera, olha a pechincha: 33 CDs Decca por US$ 55,97. Em estoque na Amazon:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/31-flS6c96L._SL500_AA180_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B00159679S/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music)

http://www.amazon.com/Wagner-Great-Operas-Bayreuth-Festival/dp/B00159679S/ref=pd_sim_m_6

Abs,
Gondim


como pessoa o Wagner nao valia nada,


um tremendo mau carater:D:D


Todas suas operas foram baseadas na mitologia alemã,

vai ver por isso os nazistas gostavam tanto;);)


:concordo::concordo::concordo:

MARCUS BRAGA
19-08-2008, 22:23
Estou cada vez mais encantado com as gravaçoes da Mercury, na sua grande maioria apresentam um palco maravilhoso.

Sao gravaçoes dos anos 50 e 60, captadas com somente 3 microfones, e dao uma aula de como se deve tratar as gravaçoes.

As camadas hibrydas dos SACDs nao deixam nada a desejar, acho ate dificil em um teste cego perceber diferenças, que na maioria sao sutis.


um pouco da historia dessa gravadora:


http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/001-2.jpg


http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/002-1.jpg


http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/003.jpg

http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/004.jpg


http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/005.jpg


http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/006.jpg


http://i227.photobucket.com/albums/dd220/211marcus45/007.jpg



:legal::legal::aplauso::aplauso:

Redlaw
20-08-2008, 08:50
Galera, olha a pechincha: 33 CDs Decca por US$ 55,97...

Gondim, beleza de dica.

Segue outra dica de minha lavra, caixinha com 13 CD´s:

Mozart - Complete Sacred Works / Harnoncourt [BOX SET]

Simplesmente sensacional :rever1::rever1::rever1:.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41C4ZMNMR0L._SS500_.jpg

[ ]'s Walder.

Holbein Menezes
20-08-2008, 10:55
Amigos,

quem mandar buscar o album "Complete Sacred Works", de Mozart, com Harnoncourt, compre dois albuns, um para mim. Quem for tão gentil ao ponto deste enorme favor, por favor entenda-se comigo em pevetê, ho.menezes@uol.com.br

Pudera, "sou louco por ti", Mozart! E fissurado na regência do Nikolaus.

Muito obrigado.

Holbein.

Redlaw
20-08-2008, 11:10
...quem mandar buscar o album "Complete Sacred Works", de Mozart, com Harnoncourt, compre dois albuns, um para mim...

Mestre, deixa comigo, mas sem pressa. Estou numa fase de expansão de minha empresa, aliás micro empresa, e estou sem muito tempo, tomado por fornecedores, pedreiros, pintores, etc.

Assim que providenciar, entro em contato.

[ ]'s Walder.

Holbein Menezes
20-08-2008, 14:47
Meu garoto, ninguém mais que eu sofreu a decepção de ver suas utopias de rapaz espatifadas pelo caráter sanguinário de Stalin, justo aquele que por mais de quinze anos tive como Deus da Esperança. Até escrevi um romance exorcista a que dei o título contrapontistico de Os subterrâneos do faz-de-conta - que uns poucos cá do HTForum já leram - em oposição a cantares parlapatões de heróicos feitos daqui e dalhures.

Não se sinta, pois, culpado quanto a mim. Mesmo porque, Sydney, nem eu próprio sinto-me culpado ou envergonhado, nem arrependido dos riscos de vida que corri eu em pessoa, senão dos perigos que levei a minha família que nada tinha a ver com a "doença infantil" de querer mudar o mundo.

Um abraço fraternal, e meus parabéns pela preciosa participação sua neste tópico sobre música erudita; porquanto, não fossem você e outros talentos, quem poderia esperar que um tópico sobre música clássica, no hábitat próprio da eletrônica do som, alcançasse trinta mil visitações!

Holbein.

migrando
20-08-2008, 15:49
Prezado Holbein.

Disse você na #1457: (http://www.htforum.com/vb/showthread.php?t=26527&page=98) “... E fissurado na regência do Nikolaus. ...”

Parece-me que temos a mesma admiração por Harnoncourt, pois anos atrás comprei as Cantatas Sacras de Bach. São 10 álbuns da Teldec, com 60 CDs. Discos, a meu ver, primorosos.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/31AHDUOnn3L._SS400_.jpg

Holbein Menezes
20-08-2008, 17:30
Sidão,

o livro dorme "ineditado", nos escaninhos esconsos das minhas prateleiras empoeiradas, o pesadelo dos injustos. Mas se você der-me seu endereço em mensagem privada, com muito gosto remeto-lhe um exemplar xerocado.

Obrigado por sua mensagem.

Holbein.

DVN
21-08-2008, 18:52
Amigos:

Recebi a 2ª Sinfonia de Mahler, sob regência de Otto Klemperer, à frente da Philharmonia Chorus and Orchestra, com as solistas Schawarzkopf e Rössl-Majdan. Trata-se de gravação feita originariamente em 1963, remasterizada e lança em cd em 2000.
Sem querer parecer patético, fui às lágrimas com o que ouvi.
Beleza, sentimento, introspecção, mas tb alegria, leveza, esperança na Ressurreição.
Quanto há de lindo nessa partitura!!!
E a gravação é uma das mais perfeitas em termos de som e ambiência que já ouvi.
Recomendo fortemente. Como somos afortunados por podermos, através da música, nos aproximarmos de Deus e dos mistérios da vida e da morte.

Grande Klemperer. Grandes solistas. Enorme Orquestra.

TITAN MAHLER.




http://g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/ciu/0c/db/2f0253a09da00162e78b4110.L.jpg



http://ecx.images-amazon.com/images/I/416SSW4SZQL._SS500_.jpg


Abraços fraternais em todos

Sidão
Sidney, se você gostou do CD de Klemperer com Mahler 2nd, então eu gostaria de sugerir duas gravações desta mesma sinfonia:

1) A primeira sugestão é a outra gravação que Klemperer fez em som estereo, ao vivo, com a soloista Janet Baker. É tão boa quanto a que você citou, porém com toda a atmosfera de uma apresentação ao vivo, e o vocal de Janet Baker é incrível. Esta gravação é da coleção Klemperer Legacy. Segue link:
http://www.amazon.com/gp/offer-listing/B00000AF4T/ref=dp_olp_2?ie=UTF8&qid=1219354620&sr=8-3

2) A outra gravação é um magnifico DVD gravado por Claudio Abbado, muito bom DVD mesmo:
http://www.amazon.com/gp/product/B000A16SIM/sr=1-2/qid=1219355446/ref=olp_product_details?ie=UTF8&me=&qid=1219355446&sr=1-2&seller=

abraço,
DB

DVN
21-08-2008, 19:02
Sidney, só completando, este DVD que mencionei é na minha opinião a melhor gravação moderna (quero dizer recente) desta sinfonia.
abraço, DB

Redlaw
22-08-2008, 08:58
Pessoal, chegou o DVD do filme sobre a primeira apresentação da Eroica. Excelente, recomendadíssimo.

Sidão, numa cena inicial, lembrou o outro filme, Segredo de Beethoven: na cena Beethoven está se lavando, chega o aluno Ries e diz que o pessoal que mora no andar debaixo está reclamando da água que escorre. Beethoven responde com o seu humor costumeiro, em ambos os filmes.

Tanto o Sidão quanto eu abrimos um tópico sobre o filme:

Segredo de Beethoven (http://htforum.com/vb/showthread.php?t=57004)

Segredo de Beethoven (http://htforum.com/vb/showthread.php?t=53216)



...assunto é a Eroica, que conta um pouco da história dessa sinfonia, de sua primeira apresentação: "A data é lembrada como o dia que mudou a música para sempre".

"
Eroica

Beethoven costumava descansar e buscar inspiração para suas obras no vilarejo de Heiligenstadt, distante de Viena cerca de hora e meia de viagem. Conforme Ferdinand Ries, seu aluno e futuro biógrafo, este foi o local onde o compositor escreveu sua terceira sinfonia, no ano de 1803.

Originalmente ela seria dedicada a Napoleão. Na folha de rosto constava o nome da obra, Buonaparte, seguido pelo nome do compositor grafado em italiano, Luigi Beethoven. Ao ser informado que Napoleão havia sido coroado Imperador da França, Beethoven indignou-se com este gesto e trocou o nome de sua obra para Sinfonia Eroica. Como subtítulo ele escreveu: Per festeggiare il sovvenire d’um gran’ uomo.

Na época, os principais mecenas do músico eram Andréas Rassumovsky, embaixador da Rússia em Viena e o Príncipe Franz Joseph Lobkovitz. Ambos compartilharam as dedicatórias escritas por Beethoven nos originais da Quinta e da Sexta Sinfonias.

Foi no Palácio Lobkovitz, em nove de junho de 1804, que ocorreu a primeira audição da Sinfonia Eroica, perante um seleto grupo de convidados. A surdez ainda não havia comprometido totalmente a audição de Beethoven e este podia interagir com a orquestra e os convidados.

Os anfitriões, Franz Joseph Max e sua esposa Marie Lobkowitz, receberam para o evento o Conde Dietrichstein, as condessas Therese von Brunsvik e Josephine von Brunsvik Deym, o compositor Joseph Haydn e Ferdinand Ries.

O velho mestre de Beethoven chegou atrasado e assistiu apenas a execução do último movimento da obra. Antes do início do Finale (Allegro molto; Poco andante; Presto) ele perguntou ao autor:

- Temos um tema?

Beethoven respondeu:

- Heroísmo.

As declarações de Haydn para o príncipe Lobkovitz, após a apresentação, resumem o impacto que a obra causou entre os presentes.

- A sinfonia é muito longa, mas Beethoven fez o que nenhum outro compositor tentou. Ele se colocou no centro de sua obra o que nos permite ver sua alma. Tudo mudou a partir de hoje.

O príncipe e a esposa ficaram tão fascinados pela sinfonia e decidiram pagar uma alta soma a Beethoven para ficar por alguns meses como proprietários da partitura. Devido a isso, o autor só obteve a posse de seus direitos após seis meses. A estréia pública da Eroica ocorreu em Viena, no mês de abril de 1805, no Theater an der Wien.

Conforme Maynard Salomon, Beethoven foi o primeiro a fundir completamente a temática tempestuosa e impregnada de conflitos do estilo heróico emergente com o princípio sonata, inaugurando assim uma revolução na história da música. A grandiosidade da terceira sinfonia marca a passagem de Beethoven para composições de uma ambição sem precedentes.

As características inovadoras da Eroica são frequentemente citadas. O primeiro movimento alcança quase 700 compassos e os instrumentos de sopro são empregados para fins mais expressivos que colorísticos. Beethoven utiliza dissonâncias, uma série de variações no Finale e uma Marcha Fúnebre no movimento Adágio assai. Pela primeira vez em uma orquestração sinfônica foram usadas três trompas francesas.

Recomendo aos leitores assistir ao filme Eroica, uma primorosa produção da BBC. O enredo nos mostra o que aconteceu no Palácio Lobkowitz, no dia da primeira apresentação desta sinfonia. A data é lembrada como o dia que mudou a música para sempre. Ao assistir o filme os leitores sentirão o impacto que esta obra causou no público presente, inclusive nos próprios músicos e especialmente em Haydn. A Sinfonia Nº. 3, Opus 55 -Eroica- é dirigida por Sir John Eliot Gardiner, frente à Orchestre Revolutionnare et Romantique. O filme da BBC lançado pela Opus Arte foi o vencedor do Prix D’Italia".

Este DVD está à venda na Amazon (http://www.amazon.com/Beethoven-Gardiner-Orchestre-Revolutionnaire-Romantique/dp/B000936H7S/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=dvd&qid=1211636491&sr=8-2)....


http://ecx.images-amazon.com/images/I/51TV4CPXDPL._SS500_.jpg

...

[ ]'s Walder.

DVN
22-08-2008, 11:23
RedLaw,
sobre o filme EROICA, só completando, a cena sobre a reclamação dos moradores do andar de baixo, com relação a agua derramada durante o "banho" de Beethoven, não é simplesmente copiada do outro filme (O segredo de Beethoven). Este é um dado biografico de acordo com descrição de Anton Schindler (livro: Beethoven as I knew him).

Eu concordo com RedLaw, tenho este DVD desde o ano passado e acho realmente excelente. Quero ver quem não sinta vontade de chorar durante o segundo movimento no filme (Marcia Funebre)... quem assistir, preste atenção na comoção geral de todos, desde o principe até os criados. É incrível a cena !!!!!

Recomendo também!

abraço,
DB

DVN
22-08-2008, 11:49
DICA:

Para quem gostou dos filmes "Eroica", "O segredo de Beethoven" e "Minha Amada Imortal", existe também uma video biografia, que na verdade mais parece um filme mesmo, com excelente atores, filmado em Praga (Rep.Checa), que mostra toda a vida de Beethoven desde a infancia até apos a premiere da nona sinfonia. Este excelente filme/biografia foi produzido também pela BBC e chama-se "The genius of Beethoven".

Esta produção tem 3 horas de duração, e é dividida em 3 partes, cada uma encenando uma diferente fase da vida de Beethoven.

Recomendadíssimo!!!!
(desculpe se esta produção já tiver sido mencionada antes neste forum)

abraço,
DVN

Holbein Menezes
22-08-2008, 17:37
Da mesma maneira como acontece com Georges Bizet, que é mais conhecido pela ópera "Carmen" e Maurice Ravel, pelo balé "Boléro", Carl Orff foi popularizado pela cantata "Carmina Burana". Que quer significar "canções de Beuren" devido ao mosteiro dos beneditinos em Beuren, onde foram achados os manuscritos poéticos do Século XIII.

Aliás, como o Sidão sabe como ninguém, trata-se da primeira peça da triologia com título geral de "Trionfi", da qual fazem parte também "Catulli Carmina" e "Il trionfo d'Afrodite". (Quem já ouviu essas duas últimas, ganha um doce.)

É tão popular a cantata "Carmina Burana" que, 1990, já existiam em disco digital nada menos que 15 gravações. Tenho dessas algumas e ontem à tarde ouvi a produção do Seiji Ozawa, com a Filarmônica de Berlim e o estupendo coro japonês Shin-Yu Kai.

Não é a interpretação que mais gosto mas é sem dúvida o espetáculo que mais me deslumbra, e soberba captação do som. Todo o naipe de percussão, que é pródigo - tímpanos, bombo, címbalos, carrilhões, e até as castanholas - seus sons são captados com incrível nitidez e perfeita articulação.

E isso conta!

De quebra, o DVD contém a IX de Beethoven, também pelo Ozawa, gravação japonesa de altíssima qualidade, com o conjunto orquestral japonês, Saito Kinen Orchestra, coral dos Cantores da Ópera de Tóquio, e quarteto de vozes do além-mar, a soprano Anne Schwanevilms, a contralto Barbara Dever, o tenor Paul Groves e o baixo Franz Hawlata.

Num sonho impossível, se eu fosse reger a Carmina Burana regi-a tal como Seiji Ozawa, isto é, como espetáculo em o qual o ritmo predominaria sobre os textos das canções (de resto, banais), os contrastes das intensidades das vozes corais - sussurros, pianíssimos e crescendos - nada teriam que ver com a letra das canções mas sim com o impacto que causa no público espectador.

Também em Beethoven, no Adagio molto e cantabile, eu teria agido como agiu Ozawa, ou seja, menos cantabile - a la Bernstein - e mais preparação para o clímax da Ode da Alegria. (Aliás, espanta-me ver músicos japoneses cuja escola tonal difere tanto da escola grego-romana, dominarem os instrumentos ocidentais com tanta perfeição!)

Mas isso é uma preferência, como diz ÉdisonCH.

Holbein.

O Carteiro
22-08-2008, 18:01
Rapazes, tem um artigo lá no logos-in-vitro sobre Carmina Burana:

http://www.logoseletronico.com/audicoes/orff.htm

A gravação recomendada ainda é a minha favorita. Não é tão bem gravada quanto a gravação recomendada pelo nosso caro Sidão (cujo som em CD conheço bastante bem), mas tem som superior à média da DG - até porque é de 1968:


CARMINA BURANA
Gundula Janowitz, Gerhard Stolze, Dietrich Fischer-Dieskau
Orchester des Deutschen Opernhauses Berlin
Eugen Jochum
Deutsche Grammophon, 1968

http://www.logoseletronico.com/audicoes/images/orff/record.jpg

Abraços,
Gondim

O Carteiro
22-08-2008, 18:05
Mestre Holbein:

Tenho o DVD que vc mencionou e penso da mesma forma. Gosto demais da forma como o Ozawa enfrenta a partitura, num modo absolutamente teatral, muito eficiente, e realmente a captação dos naipes orquestrais foi coisa de gênio.

Para quem não conhece, é este aqui:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/516EXZDQACL._SS500_.jpg

Mestres Gondim e Z que me perdoem, mas o Ozawa estava bem demais nas duas noites, tanto em Orff como em Beethoven e, neste, a Orquestra é sui generis, parecendo mesmo que formada para um Festival, com um apanhado de músicos de fora, mas bastante boa, efetiva, elogiável. Coro fantástico, solistas muito bons.
Grande abraço em todos.

Sidão

Sidão, a gravação da Carmina com Ozawa é de fato um espetáculo. Com Thomas Allen, melhor ainda. Mas a IX.... :martelo:

Abraços carinhosos, fraternos e saudosos,
Gondim

ZpínoZ
22-08-2008, 20:14
Depois desses explendorosos comentários do Sidão, detalhando o elenco da Salomé da Sala São Paulo do dia 28/08, me senti elevado e enlevado de ser um feliz proprietário de ingressos na fíleira "S", centro.

Como, além daquele da Lady "Z", tenho mais dois ingressos sobrando, já providenciei os melhores acompanhantes possíveis para a plena fluição desse espetáculo.

Meu medo é que, fascinado pela beleza da música e libreto, seja um companheiro distraido demais.

Z

ZpínoZ
22-08-2008, 21:06
Num sonho impossível, se eu fosse reger a Carmina Burana regi-a tal como Seiji Ozawa, isto é, como espetáculo em o qual o ritmo predominaria sobre os textos das canções (de resto, banais), os contrastes das intensidades das vozes corais - sussurros, pianíssimos e crescendos - nada teriam que ver com a letra das canções mas sim com o impacto que causa no público espectador.Holbein.

Mestre Holbein,

Sábio sabido e sabiá arataca, só aceito o "banais" neste texto com o sentido do Aurélio de "corrente e corriqueiro", significando fácil de detectar na semântica profunda da língua.

Como os antigos versos gregos de Safo; ou os versos chineses do "Livro das Cantares"; ou os versos provençais de Daniel Artaud (segundo Dante, il maglior fabro); ou as primeiras canções da amiga e do maldizer dos trovadores portugueses, a aparente simplicidade dos versos de Carmina Burana é uma falácia, um engodo. Julgamos fáceis, banais, porque o que havia, nestes versos tão disseminados, de fundamentalmente poético (a poesia pura deles) foi incorporado pelos nexos formadores da língua e da cultura ocidental.

Assim o que parece banal nestes versos é o que eles têm em comum com o íntimo espírito da língua.

Observe a adjetivação fresca, a riqueza e a imediatez das imagens. O que vemos de corriqueiro, de banal neste tecido do imaginário lingüístico, é assim tão familiar e comum, porque foram versos desse tipo que colocaram tudo isso lá.

Uma citação do meu poeta predileto, falando das agruras para recuperar essa frescura simples dos tempos antigos, quando a língua era mais virgem de significados.

O encantamento dos versos
(como num lance de dados)
nasce dos parentescos fortuitos
que as palavras guardam entre si,
a revelia do bobo que se diz poeta.

Z

Holbein Menezes
23-08-2008, 10:22
Estendo as mãos à palmatória, Z-e-Z e Gondim, banais algumas canções da Carmina Burana uma ova!

O que quis dizer com banais referia-se ao propalado teor erótico das canções; esquecido de que naquele tempo, um pé à mostra era uma provocação que levaria à exibicionista a perder o dito cujo.

Nesse sentido.

Eta "mulambo da língua".

Agora, o texto do Ricardo Gondim em www.logoseletronico.com/audicoes/orff.htm (http://www.logoseletronico.com/audicoes/orff.htm)
é um dos melhores que o Ricardo escreveu para o logos: erudito, a esbanjar cultura, informativo quanto à origem da obra, crítico, e, acima de tudo bem escrito; um dos quais morro de inveja quando leio... por não ter sido escrito por mim. Mas cadê competência?

Holbein.

O Carteiro
23-08-2008, 11:37
Gondim, fratello mio:

Adorei o artigo que escreveste sobra a Carmina Burana.
Aliás, é chover no molhado dizer que seus artigos são de excepcional qualidade.
Perdoe-me pela menção elogiosa à IX regida pelo Ozawa, mas não tenho o mesmo apuro técnico e conhecimento profundo de música como os seus. Foi mais um pecadilho venial meu.
Quando tornarás às plagas desta Paulicéia desvairada?
Grande e fraternal abraço,

Sidão

Sidão, buoni amici, minha implicância com a IX do Ozawa é mera questão de gosto pessoal. Aliás, o inverso também é válido: a defesa supostamente técnica que a gente costuma empreender em defesa de certas interpretações é mera desculpa para paixonite.

Estarei preso à universidade até o início de dezembro. Mas depois, se Deus quiser, dou um pulo em Sampa.

Ainda sonho com o Prima Mano, o vinho mais surpreendente que experimentei: perfume de tabaco do melhor, toques de ameixa e notas de mirtilo.

Não é vinho, é sinfonia.

Abraços,
Gondim

O Carteiro
23-08-2008, 11:55
[...] O que quis dizer com banais referia-se ao propalado teor erótico das canções; esquecido de que naquele tempo, um pé à mostra era uma provocação que levaria à exibicionista a perder o dito cujo.[...]


Alguns dos poemas são muito divertidos:

Swaz nie gat umbe (Aquelas que ali giram à roda, são todas donzelas, querem passar sem homem todo o verão);

Ego sum abbas (Sou o abade cucaniense, meu concílio é com os bebebdores...);

Si per cum puellula (Se um menino e uma menina se encontram num quarto... o casamento é feliz.);

Orff soube traduzir bem as nuances que o divertiram, encantaram e comoveram nos poemas. É por isso que prefiro a versão do Jochum: as nuances estão todas lá.

Aliás, a versão do Jochum serviu de base para um filme, um videoclipe completo do Carmina. Só assisti uma vez, há uns 25 anos, nos Concertos para a juventude. Tenho a nítida lembrança de imagens de forte colorido, de monges sorridentes e alemãs lindas e opulentas – e de um moinho que permeia o filme inteiro como signo da roda da fortuna.

Alguém conhece?

Beijos, Mestrão.
O Carteiro

Holbein Menezes
23-08-2008, 15:06
Já andava a observar que as divas do Século XXI são esbeltas, altas e lindas; contrário das divas de meu tempo, captaneadas pelas exuberantes Montserrat Caballé e Leontyne Price.

Valeu a pena ter atravessado o Século!

E, pela mostra da capa do DVD e excelentes comentários do Sidão, o devedê é o bicho! Por isso, tô neles.

Holbein.

membroativo
23-08-2008, 15:10
Pelas idéias e emoções retratadas pelo Sidão, não poderia deixar passar essa. O meu já foi pedido, e em poucos dias poderei desfrutar os cantos dessas novas-velhas divas.

Obrigado, Sidão.

abraços

DVN
23-08-2008, 15:19
CRITICA CONTRA UMA PROPAGANDA DE TV, PELO PESSIMO USO DE MUSICA CLASSICA:

O conjunto de propagandas da Justiça Eleitoral 2008 é muito criativo (abelha no ouvido, andando em circulos, cometa, trem, etc). Mas tenho uma ressalva importante quanto a uma das propagandas: Os criadores contribuem para a ignorância do povo na propaganda onde consta um rapaz que se emociona com o toque do celular, supostamente uma escolha errada com a qual ele será obrigado a conviver e ouvir durante 4 anos. A mensagem com a musica de fundo ainda diz "principalmente quandos as coisas não vão bem". Só que eles erraram feio, pois ao invés de escolher uma música "trash" (uma música abominável, lixo) ao invés disso eles escolheram uma música que é simplesmente de um dos maiores compositores do mundo de todos os tempos, Ludwig Van BEETHOVEN. Tudo bem que uma decisão infeliz de nossos políticos a cerca de 20 anos atrás resultou nesta música sendo irritantemente utilizada em todos os caminhões de entrega de gás no Brasil, o que tornou a música insuportável para muita gente. Mas o fato é que esta música, quando tocada corretamente em um piano, é uma música boa (Beethoven "Pour Elise"). Não se pode sugerir um dos maiores compositores de todos os tempos como sendo "música trash". Demonstraram ignorância, e contribuem para a ignorância do povo brasileiro. Bola fora da Justiça Eleitoral. Alguém concorda/discorda?

cheriato
23-08-2008, 15:22
Vi em um site de venda 2 versoes vendidas desta mesma opera. Carmina Burana. Na indicacao do Sidao.
OBs.
http://www.cdpoint.com.br/index.aspx?banner=113&upc=04400743060&origem=B&tipoprod=2&pais=1

Codificação Regional (Área):
0 - Não codificado regionalmente.

Label:
PHILIPS
</SPAN>
Número de Catálogo:
000250409

Categoria:
Música Clássica

Data de Lançamento:
15/06/2004

Código de Barras:
04400743060


Codificação Regional (Área):
0 - Não codificado regionalmente.

Label:
PHV

Número de Catálogo:
000250409

Categoria:
MUSICA CLASSICA

Data de Lançamento:
12/12/2002

Código de Barras:
044007430606


Esta ultima versao eh mais cara que a primeira, alguem saberia dizer o que muda entre elas?
</SPAN>

cheriato
23-08-2008, 16:03
Chierato:

Ficou faltando um link pra gente poder responder algo.
Grande abraço.
Sidão

Sidao acho que marquei aqui hehe.

http://www.cdpoint.com.br/WebForms/CDNDetalhes.aspx?pStrUPC=044007430606&pIntPais=1&pIntTipoProd=2&pStrOrigem=L&pIndTexto=1



http://www.cdpoint.com.br/WebForms/CDNDetalhes.aspx?pStrUPC=04400743060&pIntPais=1&pIntTipoProd=2&pStrOrigem=B&pIndTexto=1

Eu vi que um foi lancado em 2002 e o outro em 2004, mas sera que muda algo na gravacao? o de 2004 deve ser uma reedicao do anterior?

Abs.

DVN
23-08-2008, 16:14
Claro que erraram. Beethoven não deve ser associado, primeiramente, a políticos corruptos ou incompetentes. E a idéia de usar algo dele, como FÜR ELISE, é absolutamente equivocada. Eles bem que podiam ter posto algo de axé, mas infelizmente isso é ppopular, então algum gênio de plantão pensou que colocando música erudita ficaria mais fácil para passar a idéia, especialmente pq, na mentalidade dessas pessoas obtusas, música clássica está ligada a sectarismo social, ou seja, só as camadas mais abastadas curte, enquanto que os pobres, a imensa maioria, está associada a música da pior qualidade.
Que coisa lamentável.

Sidão
Sidão,
Interpretou bem a intenção deles.
Não pude deixar de expressar minha opinião no site do responsável pela propaganda, o Superior Tribunal Eloitoral (TSE). Enviei para eles através do e-mail que consta no rodapé desta página abaixo:

http://tse.montana.inf.br/

abraço,
Devanei

Holbein Menezes
23-08-2008, 17:31
Andou acertado, Devanei, trazer para cá a afronta do tse, que se minusculiza quando permite ignorâncias desse jaez. Aliás, é ainda a tônica do Brasil varonil salve salve, considerar música erudita produto supérfluo. Já é barbaridade considerar a música, "produto", como o faz a receita federal também em minúsculo pela miopia cultural; receita federal que taxa discos de música clássica enquanto concede alíquota zero para revista pornô, tipo "playboy"...

NÃO, não leram errado. Este velho que vos dirige a palavra escreveu nunca menos de dez carta aos muitos ministros da fazenda, desde os velhos e ditatoriais tempos do Delfim Neto. A todos, para chamar atenção para essa burrice da burocracia tupiniquim. Dos dez, aliás, só dois se dignaram responder, o finado Ministro Funaro e o político "defunto", Ministro Paloci; e os dois, apenas informaram-me que mandaram "estudar o assunto"...

O único Ministro da Fazenda que tomou providências práticas, e, por Portaria fez subir o limite de isenção para importações pessoais para mil dólares, foi o CIRO GOMES!!

Limite de mil dólares logo rebaixado para míseros 50 tão logo o "douto" Ministro Malan tomou posse, em substituição ao Ciro.

Até quando, Senhor?

Holbein.

Dmaumau
23-08-2008, 17:38
Sidão,

Pede logo essa caixa e me convida também vai...

;)


Irmão Gondim:

É só dar um jeito de vir que compro uma caixa de Prima Mano.
E tenho coisas interessantíssimas e novas pra assistirmos e comentarmos.
Grande abraço em todos aí.

Sidão

Dmaumau
23-08-2008, 17:49
Meninos:

Vi ontem, entre sorrisos, lágrimas de alegria e um sentimento de muito agradecimento, ao melhor Concerto de ópera que vi em muitos anos, me arriscando a dizer que, talvez, seja mesmo o melhor que já vi em minha vida.



OPERA GALA BADEN-BADEN
SWR SINFONIORCHESTER BADEN-BADEN UND FREIBURG
Reg. MARCO ARMILIATO

ANNA NETREBKO - soprano
ELINA GARANCA - Mezzosoprano
RAMON VARGAS - tenor
LUDOVIC TÉZIER - barítono

Pra conhecer : http://www.classicsandjazz.co.uk/tssite/homepage.do;jsessionid=BB8D57D09DB04B3376BCD15BF8F 70F4B?ruleset=release&id=51679923

:legal:

Holbein Menezes
24-08-2008, 08:38
Uma das definições para Estatística encontra-se no AURÉLIO; diz: "Representação e explicação sistemática, por observações quantitativas de massa, dos acontecimentos e das leis da vida social que deles se podem deduzir."

Em dois tópicos deste Fórum, um de audiófilos e outro de musicistas, Palco sonoro aquele e Música Clássica este, a estatística é a seguinte:

Palco Sonoro:
Cirado em 20.09.2006
Respostas: 1.486
Visitas: 44.940
Páginas: 100

Música Clássica:
Criado em 24.03.2006
Respostas: 1.496
Visitas: 30.379
Páginas: 100

Minha intuição me diz - uma vez que jamais estudei estatística em tempo algum, nem comigo mesmo que foi meu método principal de aprender - que ainda somos mais audiófilos do que musicistas, porque os assuntos da reprodução do som são mais buscados do que as matérias sobre música.

Ainda que se possa considerar que o tópico "Palco Sonoro" marcha para a inatividade enquanto "Música Clássica" não desacelerou.

Estatística à parte, talvez possamos pensar, ou esperançar que tenhamos aprendido mais com o "Música Clássica" do que com o "Palco Sonoro".

Sei não...

Quem se atreve a analisar tais dados?

Holbein.

Holbein Menezes
24-08-2008, 12:15
"Piranhístico" pode ser neologismo mas que é pertinente e próprio, lá isso é.

Boa, Sidão!

Holbein.

ZpínoZ
24-08-2008, 19:19
Irmão Gondim:

É só dar um jeito de vir que compro uma caixa de Prima Mano.
E tenho coisas interessantíssimas e novas pra assistirmos e comentarmos.
Grande abraço em todos aí.

Sidão

Uma caixa inteira?

Acho que dá para pensar em se cotidizar e pagar a passagem.

Z

Holbein Menezes
25-08-2008, 06:41
Pô, Z....Z, até eu cá desta distância sem tamanho, não estivesse na árdua mas gloriosa batalha do "ninho próprio" pegaria avião e com Hermosa iríamos conhecer essa figura invulgar do Sidney Romano, o nosso douto "connoisseur" de óperas e vinhos, o grande Sidão.

Mas um dia chegaremos aí, podem esperar. Esse "Prima Mano" não nos escapa. Sabe, Z....Z, a nossa Hermosa tornou-se uma exigente e devotada "degustadora" de vinho? Todos os dias tomanos um cálice para fazer baixar a temperatura... Aí no Sul seria para esquentar...

Holbein.

ZpínoZ
25-08-2008, 09:39
“O coração têm razões que a própria razão desconhece” Blaise Pascal.

Meu mestre, meu mestre, se eu fosse apostar em alguma coisa na vida, apostaria da sutil sabedoria do coração de Hermosa.

Frágil guerreira temerária
que navegou para o Sul,
arrostando sinuosos inimigos,
para, com dengos e graças impressentidas,
resgatar um velho quebra-gelo enfezado
encalhado na casa de areias cantantes
da temperada Ilha do Desterro.

Z

Redlaw
25-08-2008, 10:22
...melhor Concerto de ópera que vi em muitos anos, me arriscando a dizer que, talvez, seja mesmo o melhor que já vi em minha vida...OPERA GALA BADEN-BADEN
SWR SINFONIORCHESTER BADEN-BADEN UND FREIBURG
Reg. MARCO ARMILIATO

ANNA NETREBKO - soprano
ELINA GARANCA - Mezzosoprano
RAMON VARGAS - tenor
LUDOVIC TÉZIER - barítono

...

Sidão, beleza de dica. Compra certa. Ainda mais que foi lançado em alta definição (ainda não encontrei para vender), com áudio estéreo PCM e surround PCM 5.1 / DTS-HD 5.1.

Vejam o endereço da Deutsche Grammophon: The Opera Gala Blu-Ray (http://www2.deutschegrammophon.com/cat/result?COMP_ID=&sort=newest_rec&ALBUM_TYPE=PHYSICAL&SearchString=THE+OPERA+GALA+&IN_SERIES=&ART_ID=&IN_XXAWARDS=&PRODUCT_NR=0734490&start=0&IN_XXSERIES=&IN_XXPQ=&MOZART_22=0&GENRE=&per_page=10).

[ ]'s Walder.

Holbein Menezes
26-08-2008, 05:31
A propósito de uma mensagem do Ricardinho Pontez, pus ontem o "post" abaixo no sub-fórum "Colunas". Mas seu lugar é aqui:

"O Rei está nú!", gritou a criança da fábula ; "As caixas estão lá e o som sai delas!" informou TITI ao pai audiota. Só crianças falam a verdade, ou adultos neuróticos. Porque a vida vivida é um longo e sofrido aprendizado da arte do faz-de-conta, sem o quê não teríamos chegado à vida adulta. A mentira da biologia dá a isso o nome de "adaptação"...

Que você se apiede de mim, meu santo padim pade ciço!

Fui ouvir hoje de manhã, pelo fiel viés de o "o rei está nu" mais conhecido como fone-de-ouvido, fui ouvir "Tistão e Isolda", considerada a obra-mestra de Wagner (para meu critério arataca, é "Parsifal").

Possuo dois devedês dessa peça, um com (com licença da má palavra) Zubin Mehta, com a Bayerische Staatsorchester, Jon Fredric West no papel de Tristão, e Waltraud Meier, em Isolda; o outro DVD, com a competência wagneriana de Karl Böhm a reger a Orchestre National da RTF, e Brigit Nilsson em Isolda e Jon Vickers em Tristão.

O primeiro DVD é da "Image-Rm Associates", e o segundo é da competente "Kultur" mas os dois, em matéria de som - e não há música em conserva sem um áudio de primeira qualidade -, no aspecto de captação do som dos intrumentos são duas excelentíssimas mer... cadorias!

Quem me indica a melhor gravação de "Tristão"? Você, Sidão?

Aguardo."

Holbein.

Holbein Menezes
26-08-2008, 15:21
Obrigadão, Sidney, pela indicação de Tistão e Isolda. Vou tentar comprar na Amozon.com.

Quanto à Salome ao vivo, só fico curioso para saber como será o final da dança dos sete véus. Porque das versões que conheço só Maria Ewing consente ficar peladona, peladona, e permite-se expor seu belíssimo corpo alguns preciosos segundos além... num nu frontal explícito, como requer a história. Aliás, o caso da Maria Ewing, trata-se de legítima generosidade da Natureza dar àquela cara tão feia corpo tão escultural; ainda que também voz pequena.

Hoje de manhã assisti aos dois primeiros atos do Parsifal, na versão do extraordinário filme de Hans-Jürgen Syberberg; logo mais, terminarei o Ato 3. E cada vez que assisto Parsifal fico com a impressão de que música e cena teatral da Celebração da Santa Ceia é o ponto mais alto da arte operística. Nem Mozart conseguiu teatralidade semelhante no final de Don Giovanni.

E até agora não ouvi ninguém falar da ópera de Claude Debussy, Pelléas et Mélisande; desde que não seja a versão do "... von Karajan".

Holbein.

Holbein Menezes
26-08-2008, 21:34
Sidão.

Que show de conhecimento e memória! Parabéns!

Que os que não gostam da música lírica pensem: seriam capazes de citar ao menos a metade que o Sidney citou, de cenas, trechos, motivos, temas, de outros tipos de música? jazz, sinfônico, folclórico etc?

Holbein.

O Carteiro
27-08-2008, 11:20
Irmão Gondim:

É só dar um jeito de vir que compro uma caixa de Prima Mano.
E tenho coisas interessantíssimas e novas pra assistirmos e comentarmos.
Grande abraço em todos aí.

Sidão

Valeu, Sidão, eu levo glicose :rever1:.

Gondim

O Carteiro
27-08-2008, 11:22
Uma caixa inteira?

Acho que dá para pensar em se cotidizar e pagar a passagem.

Z

Esgotar a caixa será um trabalho sujo, mas alguém terá de fazê-lo: contem comigo, rapazes.

Abraços,
Gondim

O Carteiro
27-08-2008, 11:34
[...] Hoje de manhã assisti aos dois primeiros atos do Parsifal, na versão do extraordinário filme de Hans-Jürgen Syberberg; logo mais, terminarei o Ato 3. E cada vez que assisto Parsifal fico com a impressão de que música e cena teatral da Celebração da Santa Ceia é o ponto mais alto da arte operística. Nem Mozart conseguiu teatralidade semelhante no final de Don Giovanni.

E até agora não ouvi ninguém falar da ópera de Claude Debussy, Pelléas et Mélisande; desde que não seja a versão do "... von Karajan".

Holbein.

O leão vai rugir, mas vou dizer assim mesmo: pessoalmente, em termos musicais não conheço Parsifal melhor que o do Karajan. O som é complicado, é possível que tenha sido a primeira gravação digital comercial de ópera. Mas é muito claro e muito bonito. A compreensão que o Karajan demonstra das harmonias dessa música "estática" até agora é inigualável.

Em DVD, sou fã do Syberberg (e dos outros filmes dele também).

Quanto ao Pelléas, ficaria com o DVD do Boulez. Show de tudo. Das vozes no palco à captação das imagens.

Beijos,
O Carteiro

O Carteiro
27-08-2008, 11:36
[...]Quanto aos momentos maiores da história da ópera, se me permitir, quero citar alguns:...[...]

Sidão, essa foi a primeira postagem em forma de concerto. Fantástico.

Gondim

ZpínoZ
27-08-2008, 12:21
Bondade sua Gondim.
Só falta sua presença aqui entre nós para executarmos aquele abjeto, sujo e dantesco trabalho, de secarmos uma caixa de Prima Mano.

Quero confessar aos amigos que esse trabalho abjeto, sujo, dantesco e, digo eu, horrorífico, tanto por causa do objeto a ser eliminado, quanto pela horda de presuntivos eliminadores, dá imenso prazer ao lado negro de minh´alma.

Contudo, só participarei desse assalto porque a penitência será a música angelical com que o Sidão, costumeiramente, nos fascina e nos desencaminha.

E, lembrando Agostinho de Hipona, arrevezadamente citado: que Deus nos livre desses pecados. Mas não agora, só depois de tê-los cometido.

Z (somente as vezes no ar)

PS: Mestre Holbein: obrigado pelos catálogos, indiretamente, por causa deles ficarei mais uma noite em Viena.

Holbein Menezes
27-08-2008, 16:49
Ora, por causa de uns programas de música erudita que o Dr. George Magalhães trouxe para mim - talvez para aguçar minha inveja de resto nunca desestimulada - nosso Z....Z poeta e sofredor, a quem transferi o ônus daquele pecado capital, vai fazer o ingente sacrifício de passa mais uma noite em... Viena!

Rezemos por ele! Amém!

Holbein.

Holbein Menezes
27-08-2008, 21:52
"... da música dita erudita bestamente por alguns nobres de nariz em pé. Sidão."

Talvez seja questão de semântica, Sidney, eu a buscar a significação exata das palavras e das definições.

Porquanto aceito que música erudita quer significar o tipo de música cujas regras de composição seguem a escola grego-romana de composição musical.

Porquanto aceito a definição de que toda música, inclusive as da escola grego-romana, pode se tornar clássica desde que ultrapasse seu tempo.

Com essa compreensão, "Feitiço da Vila", de Noel, é um clássico enquanto as Sinfonias nº 1, nº 2, nº 3 e nº 4, de um tal de Thomas Arne (1710-1778), não é! Ainda que tenha seguido as regras de composição grego-romanas.

Engraçado isso, não é?

Holbein.

ZpínoZ
27-08-2008, 23:44
O Fortuna, velut luna statu variabilis...

Nas últimas semanas, neste tópico, assistimos a reconversão do Holbein ao fone de ouvido e às Sinfonias, também o Sidão quebrar sucessivos recordes de Música Lírica. Assim peço vênia para sair das grandes salas e retornar para a Música de Câmara, mais intimista, que se acomoda melhor na minha sala humilde.

Nos Quartetos de Cordas de Schoenberg era um ouvinte ”pessoamente” desassossegado. Escutava a única completa que tinha (New Vienna String Quartet) mesmo sabendo que ela não estava entre as melhores. Todas as criticas jamais a levavam além do satisfatório. Exceto pelo preço, ninguém a recomendava.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41NKVGZYKPL._SL500_AA240_.jpg

Meu desejo explícito era conseguir a versão raríssima e muito bem conceituada com o Lasalle Quartet, dita a mais séria, comprometida, fiel e vibrante gravação das obras para String Quartet da Second Viennese School. Entretanto a edição está esgotada, indisponível nas lojas que freqüento na Internet. Somente encontrada, de segunda mão, por preços altíssimos (hoje US$ 68,85 para os USA ou US$ 150,00 para o Brasil). Semanas atrás, por sorte, encontrei uma oferta barata e acessível na Amazon inglesa.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/612JNBFHH2L._SL500_AA240_.jpg


Um estojo deselegante contendo 4 CDs com as obras completas de Schoenberg, Berg e Webern para Quartetos de Cordas. E, subidamente importante, acompanhado de um magnífico livreto, bilíngüe (alemão / inglês), 340 páginas fartamente ilustradas e plenas de comentários e análises da Música de Câmara da Segunda Escola de Viena. Por Ursula von Rauchhaupt, de Hamburg, terra dos mais regrados alemães.

Eu já sabia e curtia essa coleção cuidadosamente editada, mas mesmo assim me surpreendi com a extrema qualidade e profissionalimo do CD e mais ainda do texto.

O mais valioso, porém, foi o salto de qualidade da interpretação. Ficaram evidentes todos os nexos intrínsecos da Música, antes esmaecidos. É impressionante a contenção, o despojamento, a limpeza técnica, o conhecimento da partitura evidenciados pelo Lasalle. A comparação entre as gravações é brutal e incongruente, um primeiro ensaio (com New Vienna) contra uma centésima récita.

Se me aguentarem voltarei ao assunto, depois de ter lido o avantajado encarte.

Z

Holbein Menezes
28-08-2008, 06:17
Z....Z e eu temos muitas identificações, e "uma das manias que temos" uma é poetar a vida; ele, poeta confesso e explícito, publicado; eu, enrustido e encabulado, engavetado.

Das nossas identificações que as tornamos públicas e notórias duas são, colecionar quartetos de cordas e ler romances policiais; não sei se ele "apreceia" o banguebangue, como eu...

Com a peculiaridade de que garimpamos autores "nunca dantes navegáveis", tipo Richard Wagner, Anton Bruckner, Pyotr Tchaikovsky, Alberto Nepomuceno, sim! o cearense crescido em Recife e educado musicalmente na Europa... inda assim, louvado seja meu santo padim pade ciço(!), a fazer uma música romântica de altíssima qualidade, e até óperas (ouviu Sidão?) intituladas, Artemis, Abul mas suas obras de maior popularidade são a Suíte Brasileira e o Batuque, este cujo final é muito executado nos teatros municipais do Rio e São Paulo.

Pois bem, os seus três quartetos de cordas... sei não, em termos de qualidade de composição dão uma surra no boêmio Villa; Villa, de resto, sempre apressado a indicar um compositor viajante: levanta a pelota mas não sustenta o jogo; seus quartetos seriam melhor aceitos como estudos...

Mas era para falar dos quartetos de Arnold Schöenberg... Ora, como minha coleção é pelo conjunto Arditti String Quartet e a não saber de sua qualidade de execução, volto a palavra para o querido Z....Z.

Holbein.

Holbein Menezes
28-08-2008, 12:08
Meus fraternos amigos.

Não fosse pela música - e já seria mais que suficiente - seria pelo culto ao "nectar dos deuses", o santo vinho de cada dia; que Sidney e eu tomâmo-lo TODOS OS DIAS; sectários cumpridores do decreto divino: "Fazei isso em memória de mim!". Ainda agora, quando escrevo estas maltraçadas linhas, um cálice rubro queda-se a meu lado, escravo e obediente. Amém.

Em comemoração, aliás - e todos os dias Hermosa e eu temos alguma coisa a comemorar, e fazemos tintim em honra disso - em comemoração, hoje, pela feliz e profícua garimpagem a uma discoteca cujo dono está a se desfazer dela.

Do seu gosto, Sidão, e em sua homenagem comprei AIDA, aquela antiga gravação em disco leiser, do ainda "garoto" Luciano Pavarotti na plenitude de sua voz "effortless", a lembrar o tenor que assombrou o mundo com o Dó-7 (ou foi 9, hein, Sidão?) da "La Fille du Régiment", de Donizetti. AIDA, note bem, sob a regência "estratosférica" de Lorin Maazel.

E para gáudio do Z....Z, comprei cinco cedês, dos nossos autores prediletos, Paul Hindemith e Dimitry Shostakovich, mas suas músicas de câmara (Hindemith: quinteto, septeto e octeto para clarinete; Shostakovich: Requiem para cordas (Opus 114bis - uma de suas últimas composições), sinfonias para quarteto de cordas, Opus 110 bis e 118 bis etc).

No total, 9 CDs e um DVD, por... pois é, por 200 reais! Todas gravações importadas!

Foi por isso que voltei pro Norte, bichinhos, para garimpar preciosidades nesta terra de cegos!

O "super magister dixit", Holbein, conhecido no Ceará como "Óbem" - ó espichado e bem aberto.

ZpínoZ
28-08-2008, 13:08
Pois bem, os seus três quartetos de cordas... sei não, em termos de qualidade de composição dão uma surra no boêmio Villa; Villa, de resto, sempre apressado a indicar um compositor viajante: levanta a pelota mas não sustenta o jogo; seus quartetos seriam melhor aceitos como estudos...
Aí faço como Juiz do Supremo, para declarar meu voto definitivo, peço vistas do processo por prazo indeterminado.

Preliminarmente adianto, contudo, que, ao meu aviso, os quartetos de Nepomuceno são apenas bons trabalhos escolares. Navegam sobranceiros no mainstrean do romantismo. E, mesmo procurando, nunca encontrei nenhuma cor mais brasilianista neles. Exceto talvez uns certos "pianismos" nos violinos (será que dá pra entender isso?)

Villa tem todos os defeitos apontados no seu post, porém 4 ou 5 quartetos dele são de primeira. Um ou outro movimento dá para fazer semifinal com Bartok. Uma coisa tem, todavia, nele que me encanta, o cheiro e o dengo brasilianista, e os temas recorrentes de nossa riquíssima música do fim do século XIX.

Três comentários aleatórios, mas não completamente avulsos:

1. Existem poucos estudos definitivos sobre a música carioca do fim do século XIX, onde cada vez mais se descobrem riquezas inexploradas. Ou será que o Choro, o Samba, a Bossa Nova nasceram de geração espontânea? É preciso olhar melhor o que fervia no calderão popular do Rio de Janeiro de então.

2. Outro dia vi uma coleção dos contos completos do Machado de Assis classificada por temas, um dos volumes era sobre "Música". Fiquei curioso, só não comprei pela fidelidade inabalável à minha edição encadernada em coro de porco, já anotada.

3. Esses dias atrás peguei um velho taxista, estava ouvindo Villa, Cirandas. Tocou o tema "Eu fui no Itororó". O motorista me disse que sabia onde era o tal do Itororó, o avó dele havia diversas vezes ido com ele até o local. Como era caminho pedi para me mostrar. Me levou numa fonte, quase seca, dentro de uma oficina mecânica lá no "Bexiga", perto da quadra da Vai-Vai. É uma lenda urbana?

Z

ZpínoZ
29-08-2008, 20:40
Do que o Sidão magistralmente falou da música e das vozes, concordo com tudo. Sobre isso me calo, nada mais falo. Quero, porém, ressaltar a poesia absoluta e a prosódia exata dessa ópera.

Me explico. Na primeira vez que assisti, para além da música, fiquei encantado com o texto, com a poesia que a embala, carrega e valoriza. Correndo fui conferir no texto original de Oscar Wilde. Um escritor magnífico, daqueles poucos que faço questão de ter as obras completas. Cuja condenação e prisão por homossexualidade empanou muito seu brilho e fama.

Já estava tudo lá, a coruscante e precisa poesia, o vocabulário seleto e reinventado. Dizem que o maior trabalho de Strauss foi cortar. E cortou bem, preservou os melhores trechos poéticos.

Poderia citar centenas de belíssimas idéias poéticas, mas o post ficaria do tamanho do livreto. Por exemplo, logo no início tem uma construção primorosa: “Nunca a vi tão pálida. Parece o reflexo de uma rosa branca em um espelho de prata.” Só quem não tem poesia na alma fica abúlico. Ou quando ele transfigura a pele, o cabelo e a boca de Jokanaan, construído e desconstruindo metáforas com as três cores: branco, preto e vermelho. Uma outra dimensão se abre na ópera.

Depois tem o ritmo dos versos e a prosódia, intrinsecamente bíblicos. Wilde utiliza largamente os espichados versos e as imagens e expressões poéticas típicas da Bíblia. Prosódia alongada, propícia ao entendimento. Porém renovando e reelaborando todas as idéias. Acho que só Paul Claudel faz alguma coisa parecida.

Assistir essa obra é sempre um momento limite. A conjunção da história tensa, da música ousada e da poesia entranhadamente bíblica. A arte feita aríete, rompe nossas defesas. Ninguém fica inume, indiferente. Toda vez, sem falha, repetidamente, maravilhosamente.

Isso sem falar da companhia - Sidão, Eliza e Edson - melhor não haveria.

Z (ainda fascinado)

Holbein Menezes
30-08-2008, 05:31
Amigos musicistas,

A experiência que tiveram Sidão e Z....Z na noite do dia 28 último na Sala São Paulo, a tirar pelos comentários dos dois, foi fascinante, um tanto, mas frustrante o tanto maior. Porque arrumar-se para ir a um concerto de vozes e orquestra - e arrumar-se aqui tem mais o sentido interior do que exterior - e não conseguir ouvir as vozes na sua plenitude (e por vezes nem na sua decrepitude...), é como comer tamarina, um azedo doce que só faz bem ao corpo.

Animado pela nova Fortaleza que encontrei após 51 anos de ausência - uma megalópole de dois milhões e meio de gente e um mundão de arranha-céus -, fui a dois concertos, um deles numa sala chamada Oboé; frustrantes, para ser gentil; em ambos lá estava a amplificação eletrônica tipo PA da pior qualidade; nunca mais!

É como arranjos e transcrições de obras clássicas, quase sempre perdem-se as características originais e se não criam novas.

A propósito, dos nove discos que comprei do ex-dono de uma loja de discos, um deles são de arranjos para orquestra de câmara de quartetos de Shostakovich; arranjos a que se deu, mui apropriadamente, o nome genérico de "Requiem"; porque foram escolhidos os quartetos fúnebres do grande compositor russo, nrs. 5, 10 e 15.

A orquestra de Câmara Kremlin sob a regência de Misha Rachlevsky toca comovente; o acréscimo de um contrabaixo, em especial, deu o tom lúgrube das obras já de si lúgrubes. Valeu!

Assim como valem as transcrições para piano feitas por Glenn Gould de músicas de J.S.Bach, originalmente feitas para cravo; mas as transcrições, também para piano, do "Cravo bem-temperado", e executadas por quatro pianistas jovens e modernos em pianos modernos, é uma lástima. Disparado, prefiro a gravação da "Brilliant", da coleção das Obras Completas, tocados os 48 Prelúdios e Fugas pelo Leon Berben, a usar cravo.

Lembro-me de que na década de 70 do Século passado apareceu no Brasil uma gravação russa - Melodya - com o arranjo da "Carmen" de Bizet feita pelo compositor russo Rodion Shchedrin; foi a primeira gravação "surround" que ouvi na vida, e fez sucesso! todos os audiotas tínhamos o disco e exibíamos seu som para exibir o nosso...

Bons tempos!

Holbein.

Holbein Menezes
30-08-2008, 07:18
Postei lá em "Colunas" os comentários abaixo, que julgo pertinentes; talvez um "achado"; quando nada, forma inédita de pensar o assunto energia elétrica. Da qual os audiófilos falam como se fora um fenômeno uno e indivisível, ou seja, manifestação que se realiza de forma semelhante em todos os elos do nosso sistema de reprodução, quase prática literal do "liga-desliga", do "acende-apaga", nada mais que isso; e parece que não é assim. Lá em "Colunas" não houve comentário algum; também o sub-fórum está mais para monólogo do que para drama, quiçá comédia.

Posto-os aqui; aqui "sou amigo do Rei" e tenho os leitores que escolherei.

Holbein.

Desde que estou nessa de alta-fidelidade - e faz tempo, como vocês sabem; muito tempo! - tenho lido e escutado que a parte mais crítica de um sistema de amplificação do som musical em conserva reside na fonte do sinal. Com essas três palavras, a indicar que, à parte o lado da conserva, isto é, os discos sobre os quais quase nada podemos fazer pois são o que são, à parte isso os antigos costumavam indicar que a segunda geratriz do sinal, ou seja, cápsula fonomagnética e cabeça de gravador e canhão de leiser são o elo essencial para lograr-se ter, mais à frente, uma reprodução em alta-fidelidade.

Os antigos cuidavam com extremo esmero da instalação da cápsula fonocaptora, e da eletricidade que alimentava os aparelhos pré-pré e pré-amplificadores; e, quando possível, os serviam com eletricidade pura de bateria; quando nada, para os filamentos das válvulas.

Essa prática a mim me parece que porta a lógica do bom-senso: pois, se um sinal da ordem de milivolts está contaminado com distorções (impurezas) próprias da eletricidade da rede pública, e esse sinal logo ali na frente é amplificado, digamos 100 vezes ou mais, as distorções proveniente da alimentação da rede pública serão também amplificadas cem vezes ou mais. Não dá outra.

Daí porque o antigos cuidavam com tanto requinte da eletricidade relativa à fonte do sinal. Mesmo porque, se se conseguia nesse estágio limpar um tanto a sujeira da rede pública, essa sujeira não ia adiante, não seria amplificada 100 vezes ou mais!

O que me levou a pensar que o busílis da alimentação dos aparelhos eletrônicos de um sistema para a reprodução do som musical não reside na alimentação em geral de todos os apparatus mas numa dada alimentação, em particular; isto é, no componente imediatamente responsável pela segunda geratriz do sinal.

É preciso ter presente o seguinte fato: que estabilizadores, filtros de qualquer tipo, cabos e companhia agem sobre o sinalapós a fase de segunda geratriz, ou seja, entre ledor e pré-amplificador, entre pré e amplificador; e como não há dispositivo de recondicionamento da energia elétrica, neutro, quando posto esse dispositivo em estágios que não o da geratriz do sinal, agem inevitavelmente sobre os harmônicos do sinal, castrando-os. Porque, repito, não há dispositivo de limpeza da eletricidade, neutro, ou completamente neutro. Não há.

Com essas idéias na cabeça, encetei a seguinte experiência: pus o meu "no-break" responsavel pela alimentação dos ledores, Denon e Pioneer, e somente deles, no modo de operação a bateria, e o outro, em modo da rede. Fui ouvir.

Resultado: 1) se eu ponho as duas unidades "no-break" em modo de rede, o som resultante com fone-de-ouvido "high-end" mantém, embora diminuída, a coloração proveniente da rede (certa estridência, por exemplo, nas vozes soprano; 2) se ponho os dois "no-break" no modo de bateria, a coloração desaparece mas o som perde dinâmina e algum brilho; 3) mas se boto em modo de bateria apenas o "no-break" responsável pela alimentação dos ledores - e o outro fica no modo de rede a alimentar pré e amplificador, a coloração gerada pela eletricidade da rede pública desaparece ou atenua (porque às vezes está conservada nos discos) e o som reproduzido não perde dinâmica nem se registra capação de harmônicos.

Será que posso gritar EUREKA!?

Com a palavra os entendidos.

ZpínoZ
31-08-2008, 12:42
Acho que estou me tornando um viciado em Toscanini. Tudo que compro com ele regendo me agrada sobremaneira. E são coisas diferentes e diversificadas.

Quando estava fazendo meu Festival Pessoal César Franck (#595), fiquei apaixonado pela regência do Mestro. César Franck – Psiqué, Éolides, Redemption, Symphonie em ré – NBC Symphony Orchestra – Arturo Toscanini - 02/03/47, New York) - ARKADIA.

Meses atrás me concentrei nas aberturas sinfônicas de Wagner, outra vez, entre tantos regentes, me encantei com Il maestro.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/513rNMLhU3L._SL500_AA240_.jpg

Sexta feira, depois do almoço, encontrei num sebo no centro de SP um Cdzinho vagabundo, de R$ 10,00, porém com regência do monstro. “Fisrt Cycle of Beethoven´s complete symphonies”, Sinfonias 3 e 5 - gravadas em 1939 pela NBC Symphony Orchestra.

Aí é brincadeira, devo ter umas 5 completas de Beethoven, e de repente ainda me surpreendo com novidades, descobertas em músicas largamente conhecidas e repetidamente ouvidas.

Acho deslumbrante o sentido que Toscanini tem da dinâmica da música, da intenção do autor, da idiossincrasia mais íntima da obra. Parece que ele subsume e transcende a sabedoria do compositor para mostrar coisas que nem o autor sabia que sabia. Sempre é um aprendizado, um novo paradigma ouvi-lo.

Acho que os audiófilos mais puristas e exigentes não se interessam pelas gravações de Toscanini, mais no meu caso, que gosto da música enquanto realização e desafio intelectual, já estou procurando uma integral.

Será que Toscanini gravou algum Mahler?

Z

ZpínoZ
31-08-2008, 13:49
A experiência que tiveram Sidão e Z....Z na noite do dia 28 último na Sala São Paulo, a tirar pelos comentários dos dois, foi fascinante, um tanto, mas frustrante o tanto maior. Porque arrumar-se para ir a um concerto de vozes e orquestra - e arrumar-se aqui tem mais o sentido interior do que exterior - e não conseguir ouvir as vozes na sua plenitude (e por vezes nem na sua decrepitude...), é como comer tamarina, um azedo doce que só faz bem ao corpo.

Mestre Holbein,

Me permita retomar suas idéias com um pouco de alteridade. E para ficar na metáfora das frutas...

Para quem tem fome, numa maça meio azeda, vale muito mais pelo que ela tem de maça, do que pelo que tem de azeda.

Assim também no espetáculo que assistimos, a experiência presencial, de ouvir Salomé ao vivo, com tarimbados cantores, num espaço excelente, (ao meu aviso) se sobrepõe infinitamente aos poucos e localizados percalsos e senões apontados pelo Sidão. Porque a perfeição no modo mais que perfeito onde existe?

Tivemos alguns momentos sublimes que valeram a noite: os quase dez minutos da Dança de Salomé, de música apenas sinfônica foram mágicos, dos melhores; a discussão dos judeus, um trecho perigoso onde Strauss desafia a tonadidade clássica foi excelente, a dissenção dos rabinos e a dissonância da música se somaram magnificamente; no final, quando Salomé beija, enfim, a boca da cabeça decapitada foi lindo e bem proporcionado.

O resto, as criticas, são manias incontinentes de musícistas. Mas sou suspeito, sempre que posso prefiro ter suco da própria fruta, do que das caixinhas "del valle".

Em tempo, voltando a prosódia e poesia de meu post acima. Na gravação de Salomé com a Catherine Malfitano - Orquestra Opera Hause, Convent Garden - London, regente Christoph von Dohnányi, é impressinante o que fazem com os nomes próprios: Salomé, Narraboth, Jochanann, Tetrarca... Intencionalmente, a pronúncia e a dicção os transformam em quase leitmotivs musicais. Uma coisa presente no texto de Oscar Wilde e que só vi recuperado e evidenciado neste montagem.

Z

ZpínoZ
31-08-2008, 14:56
Iniciemos por uma ópera buffa, ou se quiserem, cômica:

LA FILLE DU RÈGIMENT
Gaetano Donizetti
Royal Opera House - Covent Garden

http://ecx.images-amazon.com/images/I/513gmUn8%2B%2BL._SS500_.jpg

Nesta divertidíssima ópera donizettiana temos a confirmação dessa voz de anjo, que me perdoe Renata Tebaldi, por tomar o apelido que lhe foi dado por Toscanini, que é a Natalie Dessay.
Já éramos sabedores da sua inestimável arte canora, possuidora que é de técnica excepcional de respiração, consentindo-lhe dominar, como poucas, as dificílimas problemáticas do canto de coloratura (modo de cantar ornamentado, virtuoso, em que o cantor se esmera em apresentar todo seu arsenal de trilos, escalas e outros efeitos perigossímos sem deter técnica e voz).
Sabíamos, outrossim, da sua enorme capacidade interpretativa e de seus pendores magníficos como atriz, e ela é um animal de palco.
Mas eu jamais podia imaginar que, numa comédia tão refinada quanto uma ópera como a La Fille de Règiment, pudesse ela apresentar uma gaiatice própria de uma menina criada por militares, uma mocinha valente, petulante até, mas tímida, que jamais conheceu o amor. O que ela nos faz rir com suas intervenções e o que nos faz sonhar com sua voz angelical não é coisa desse mundo. Eu particularmente me admiro de como uma mulher tão pequenina consegue dominar assim um palco e, com mais enfoque, como ela consegue encher o teatro com sua voz potente, de agudos luminosíssimos, sem perder os harmônicos nas notas mais graves. É de entusiasmar. E vai ter facilidade com agudos assim lá onde a Madre que o Gondim conhece já referiu..............rs
E encontra em Juán Diego Florez um parceiro à altura, capaz de representar muito bem e, na famosa ária Ah, mes amis, quel jour de fête, emitir os nove dós de peito de forma não menos que estelar. E o Sulpice de Alessandro Corbelli o faz um mestre da palavra cantada, um ator de recursos infinitos e um artista de bom gosto incomparável, mesmo quando se lhe exigem certos maneirismos próprios de um sargentão de regimento. O elenco todo de apoio é fenomenal e a montagem de extrema simplicidade e funcionalidade. O maestro Bruno Campanella controla muito bem a irregular Orquestra do Covent Garden, fazendo com que ela soe a contento e em alguns momentos até com elevada inspiração.
Um doce de ópera, com uma Natalie Dessay de fazer história.

Sidão obrigado pela dica, recebi e assisti duas vezes seguidas. Acho que consegui ficar ainda mais fã da Dessay do que já era.

Sobre a voz não preciso falar mais nada, o Mestre de nossa Schola Cantorum disse quase tudo. Mas sobre divino desepenho do anjo ainda restam elogios a fazer.

Como na filmagem do espetáculo o "plano americano", isto é, da cintura para cima, é usado e abusado, podemos constatar detalhadamente e em minúcias as capacidades interpretativas da moça. Seu rosto é quase um display, um letreiro, expressa exatamente e com todas as nuances o momento dramático/cômico da ópera.

A masterclass é no início do segundo ato, quando esta insatisfeita com a vida de marquesa que esta sendo obrigada a levar, e com saudades do regimento e do seu amor.

É assistir e aprender, tomando cuidado para não babar.

Z

O Carteiro
31-08-2008, 20:00
[...] Acho deslumbrante o sentido que Toscanini tem da dinâmica da música, da intenção do autor, da idiossincrasia mais íntima da obra. Parece que ele subsume e transcende a sabedoria do compositor para mostrar coisas que nem o autor sabia que sabia. Sempre é um aprendizado, um novo paradigma ouvi-lo.

Z, meu bom, você fez uma ótima descrição de... Furtwängler. :)Acho que Toscanini não teria apreciado os elementos de subjetividade que você encontrou na regência dele.

Uma vez um repórter perguntou o que o maestro "via diante de si" quando regia a Heróica. Toscanini respondeu: - Allegro con brio.

Tenho este ciclo de 1939 e também o da década de 50. Acho o de 39 superior, especialmente a III, a V e a IX.

Até onde eu sei Toscanini não gostava do seu rival Gustav Mahler, a quem inclusive eclipsou como regente convidado do MET na temporada de (salvo engano) 1908.

Para o gosto do público e da crítica norte-americana, Toscanini era um regente muito melhor.

Abraços,
Gondim

Holbein Menezes
01-09-2008, 07:50
Z....Z e O Carteiro.

A única coisa velha da qual não desgosto... sou eu; e assim mesmo porque não posso me largar de mim... Talvez por isso mantenha idéias sempre "revolucionárias", quem sabe para me esquecer do velho que sou.

Não sei como se pode "beber" nuanças de interpretação, sutilidades subjetivas de tonalidade ou a sonoridade de uma obra... se o som que manifesta a sonoridade é ruim. Não sei.

Não creio que seja por acaso que a execução de uma obra em público ganhou o nome de "concerto"; e não deve ter sido só pela "consonância de instrumentos". O Professor Universitário que se esconde atrás do pseudônimo O Carteiro sabe que "concerto" é também "combinação e ajuste", e um som ruim de um disco ruim de um tempo eletrotecnicamente ruim, se é "combinação e ajuste" entre entes, o é com o Diabo e não com Deus. Com certeza!

Pelo amor de meus filhinhos!

Essa gente antiga de um tempo antigo e atrasado em termos técnicos, essa gente não está em minha discoteca. Portanto, não sei se o Beethoven do Furtwängler ou do Toscanini é o própria ou não, sei que a interpretação do Gardiner, para a Archiv, com a Orchestre Révolutionnaire et Romantique, com instrumentos originais do tempo de Beethoven, dessa eu gosto, e gosto muito pela oportunidade de poder captar nuanças e sutilidades de interpretação. Em especial agora, com o fone-de-ouvido HD 595, da Sennheiser.

Os tempos atuais são ainda deploráveis mas os tempos de antanho eram muito mais. Quem os viveu, como vivi, sabe do que estou a falar.

Holbein.

ZpínoZ
01-09-2008, 09:23
A única coisa velha da qual não desgosto... sou eu; e assim mesmo porque não posso me largar de mim...

O mestre Holbein as vezes é o próprio Pessoa, em pessoa (ou vice-versa).

Z

ZpínoZ
01-09-2008, 10:17
Z, meu bom, você fez uma ótima descrição de... Furtwängler. :)Acho que Toscanini não teria apreciado os elementos de subjetividade que você encontrou na regência dele.

O ser-para-si e o ser-para-os-outros, conforme ensinou Sartre, raramente coincidem.

Ai um pouco de Filosofia: e quanto coincidem é porque o ser-para-si, patologicamente, abdicou de seu projeto próprio e deixou se levar por um projeto alheio, passou a existir apenas para o outro.

Mas Sartre esta fora de moda.

Furtwängler tem um pouco da dureza Brahmsiana que às vezes me desagrada um pouco. E, Gondim, temerariamente avançando nos seus domínios, me parece que o alemão impõe a sua visão da obra, enquanto o italiano ajuda a passar a visão do compositor.

Z

O Carteiro
01-09-2008, 19:08
O ser-para-si e o ser-para-os-outros, conforme ensinou Sartre, raramente coincidem.

Ai um pouco de Filosofia: e quanto coincidem é porque o ser-para-si, patologicamente, abdicou de seu projeto próprio e deixou se levar por um projeto alheio, passou a existir apenas para o outro.

Mas Sartre esta fora de moda.

Furtwängler tem um pouco da dureza Brahmsiana que às vezes me desagrada um pouco. E, Gondim, temerariamente avançando nos seus domínios, me parece que o alemão impõe a sua visão da obra, enquanto o italiano ajuda a passar a visão do compositor.

Z

Sartre é muito interessante, mas prefiro Freud sem qualquer tipo de ajuda. Até porque Freud era menos prolixo. O fato é que projetamos muito de nós mesmos naquilo que reconhecemos como igual a nós ou semelhante a nós. Creio que a douta subjetividade que Z encontra em Toscanini seja mais o espelho da douta profundidade do caríssimo e fraterno Z. Toscanini era um homem muito, muito simples (e não estou minimizando a figura do maestro, ao contrário, Toscanini é disparado o meu regente favorito).

Eu concordo com você em relação a Furtwängler. Mas estamos na contra-mão dos viuvos do grande maestro alemão. Para eles, a noção de subjetividade de Furtwängler não é personalista, mas a tentativa de encontrar o Pathos da obra em si.

Toscanini - no meu entendimento - não buscava a "visão" do compositor num sentido "interpretativo". O que ele mais temia era trair a partitura, sem especular se a submissão às fusas e colcheias poderia representar em algum momento uma perda de sentido. Afinal, a distância entre uma partitura e a materialização da música no tempo e no espaço é infinita.

Corroborando a tese da transferência do Dr. Freud, repare que no post anterior você fala da dinâmica do Toscanini. Ouça novamente com mais objetividade (resista ao arrebatamento inerente ao incêndio no podium que é Toscanini regendo) e você vai perceber que essa dinâmica é mais estreita do que parece (um dos pontos da crítica dos furtwänglerianos à Toscanini, que está em direta oposição ao senhor da Filarmônica de Berlim). Piano em Toscanini já é mezzo forte.

Ouça La Mer com ele e o que estou tentando dizer ficará mais claro. Aliás, Toscanini foi mais famoso em seu tempo como intérprete de La Mer do que como beethoveniano. A regência que ele faz nesta peça é completamente diferente de todas as outras. Não há pintura, não há impressionismo, a suavidade é rústica. Em compensação, cada nota é articulada como se fosse um solo. Impressionante. Alguém poderia dizer que Toscanini descobriu em sua visão que o impressionismo de Debussy não significa "tons pastéis". Mas é o contrário, não há expressão de sentimento nem pintura - e também não há La Mer mais impressionante e esmagador, ainda que não possa ser classificado exatamente como "belo".

Bem vindo ao clube: agora que você descobriu Toscanini, não vai ter volta, Z. Você vai rever um monte de conceitos. Inclusive o dessa prostituta, essa tal audiofilia.

Abraços,
Gondim

O Carteiro
01-09-2008, 23:18
[...]Não sei como se pode "beber" nuanças de interpretação, sutilidades subjetivas de tonalidade ou a sonoridade de uma obra... se o som que manifesta a sonoridade é ruim. Não sei.

Aí é que está. Música é som, claro, mas o quesito “sonoridade” - entendido como elemento estético dos sons – não lhe é essencial.

Exemplo: Karl Böhm.

Böhm com Viena tinha um som, com Berlim, outro, com Bayreuth, idem, com Dresde, um quarto, etc.

Ele nunca se preocupava em fazer metais e cordas soarem desta ou daquela maneira (a exemplo do Karajan, que tentava impor às orquestras com que tocava – em geral, com grande sucesso – aquela sonoridade de veludo sem dobras ou manchas).

Em compensação, ai do músico de orquestra que não se submetesse às exigências do Böhm em dinâmica, ataque, articulação, etc.

Na minha humilde opinião, o “Anel” do Böhm é musical e dramaticamente insuperável – mesmo com aquela sonoridade de banda de regimento.

Quem dera tivesse o som do Anel do Solti. Mas não tem. Fazer o quê? Não vou abrir mão daquele raio X que ele fez da partitura. No prelúdio do Ouro do Reno um fagote aparece 3 vezes tocando uma única nota no meio daquele pedal imenso dos contrabaixos.

Levando a questão para o quesito "sonoridade comprometida pelo tempo/tecnologia", não permito que a questão me separe de uma grande interpretação. Porque, se apesar dos limites técnicos a interpretação pode ser reconhecida como grande, é porque de fato o é.

Isso é uma virtude? Não. É um ponto de vista. O que eu busco na música - a compreensão estrutural - é algo que está além da tal "sonoridade" - e que não é determinado por ela.

Não significa que eu não saiba apreciar uma boa gravação num bom sistema. Ao contrário, sou louco por texturas e timbres, e tenho gravações primorosas de obras que aprecio. Vejam as gravações da Mercury, por exemplo: são lindas, e têm Dorati, Starker e Paul Paray (conhecem Paul Paray? Gênio; podem comprar qualquer coisa com ele porque vão gostar). Quem não gosta de um CD da London? Da Chandos? E da própria Brilliant, que tem som e um excelente acervo.

Em resumo, para mim, abrir mão de elementos audiotécnicos em nome de uma boa performance não é sacrifício nenhum. Mas não dou à isso nenhum adjetivo, é só uma característica episódica, anedótica, singular, que por acaso ocorre comigo.

Por outro lado, recuso inteiramente a mediocridade por mais bem gravada e cintilante que seja. Esses CDs da Telarc com Erich Kunzel e R. Shaw não entram aqui em casa. Uma vez, em nosso amado Forum, li o texto de um puro-audiófilo elevando ao Everest a gravação do Gilbert Kaplan da II de Mahler com Viena. Coitado: não entende de música, não entende de Mahler, não sabe o que está falando e com certeza não sabe sequer o que está escutando. Mas como o som é bonito... Esse camarada ouve o quê? Música? Não, não ouve música, ouve o sistema. Na minha opinião é um infeliz, escravo dos seus brinquedos.

Isso eu não quero ser.

Beijos, beijos e muitos beijos.
Ricardo

Holbein Menezes
02-09-2008, 06:38
Afinado e desafinado, qual é mais música? O som oriental e o som ocidental, qual o que transmite mais emoção?

Harnoncourt, em seu livro O Discurso dos sons, pergunta sem perguntar: "... renunciar às nuanças e sutilezas de timbres para adquirir a igualdade perfeita no plano da dinâmica e da afinação dos semitons utilizáveis, abrir mão da afinação específica de cada uma das tonalidades..."?

E, pelo menos para mim, não há nem pode haver captação de "nuanças e sutilezas de timbres" nem captação da "afinação específica" por via de um som ruim; não pode. Furtwängler, Toscanini, Bruno Walter infelizmente são do tempo do som musical em conserva de péssima qualidade de captação. Não consigo ouvi-los.

Não sou mais audiófilo para me deliciar de ruídos branco, rosa e quais sejam; estou musicista; mas não sou músico, sou ouvinte. Também não sou compositor. Mesmo porque ser compositor é sofrer no paraíso... Benjamin Britten estava no camarote do Teatro Municipal, convidado que fora para assistir a execução pela primeira vez no Brasil de uma obra sua. Dez minutos depois do início da récita, olhei para o camarote e lá não estava o Britten. No dia seguinte li nos jornais que o Compositor havia saído do teatro tão aborrecido com o desempenho da orquestra que tomou o avião da meia-noite de volta para a Inglaterra...

Mozart era mais tolerante; escreveu uma vez ao pai a propósito da inauguração de uma de suas sinfonias: "No ensaio tive muito medo, pois, em toda minha vida, nunca ouvi nada pior..." Nada pior numa composição de Mozart, pode?

Até pode; porque Mozart não teve a desdita de ouvir uma sinfonia sua gravada pelo Bruno Walter em disco de 78 rotações...

Vôte, bichinho!

Beijos aratacas, meu querido.

Holbein.

migrando
02-09-2008, 12:18
Prezado Sidão (perdoe-me pelo vocativo).

Pelo visto, você também, há tempos, foi acometido da Síndrome de Stendhal, aqui já comentada, entre outras, nas
mensagens #703 e 733 (http://www.htforum.com/vb/showthread.php?t=23339&highlight=S%EDndrome+Stendhal&page=47) do referido tópico.
Doença sem cura, pois acabo de receber da Amazon, as coleções das obras de Brahms e Beethoven, sem a cobrança de nenhum imposto! Custo a acreditar que o fato tenha acontecido.

:feliz:

O Carteiro
02-09-2008, 13:15
[...] E, pelo menos para mim, não há nem pode haver captação de "nuanças e sutilezas de timbres" nem captação da "afinação específica" por via de um som ruim; não pode. Furtwängler, Toscanini, Bruno Walter infelizmente são do tempo do som musical em conserva de péssima qualidade de captação. Não consigo ouvi-los. [...]

Bruno Walter gravou as 9 sinfonias com a Orquestra Sinfônica Columbia (no caso, não era o conjunto montado para Stravinsky, mas a Filarmônica de Los Angeles com outro nome). É Bruno Walter com som Columbia. Muito bom. A Eroica e a Pastoral são espetaculares. Você vai gostar.

Beijos,
RG

O Carteiro
02-09-2008, 13:17
Gondin, Z e Holbein:

Só pra dar uma coçadinha nos bolsos alheios, comunico que comprei todos os DVDs com as gravações dos telecasts do Toscanini à frente da NBC Orchestra.
Devem chegar até o fim do mês.
Chato né?..................:ataque::ataque::ataque::ataq ue:

Sidão

Sidão, se você queria causar inveja, conseguiu. Se queria me impressionar, conseguiu também.

Caraca, homem, que bacana! Como diria aquela minha amiga que é Madre Superiora, PQP!

Abçs,
Gondim

ZpínoZ
02-09-2008, 13:49
Gondin, Z e Holbein:

Só pra dar uma coçadinha nos bolsos alheios, comunico que comprei todos os DVDs com as gravações dos telecasts do Toscanini à frente da NBC Orchestra.
Devem chegar até o fim do mês.
Chato né?..................:ataque::ataque::ataque::ataq ue:

Sidão

Sidão,

Você vai nos ajudar dando mais informações acerca de sua compra, ou vai fazer como o dragão Fafner que fica entesourando preciosidades?

Z

Holbein Menezes
02-09-2008, 14:33
Z....Z,

se é para lograr-se ter aquele som atordoadamente sonoro das gravações da London, com Solti, do despertar do dragão às vésperas de ser morto por Siegfried, e, ainda, o privilégio de antes saborear um Primo Mano,

deite-se sobre suas preciosidades, Sidão. Deite-se!

Holbein.

Redlaw
02-09-2008, 17:17
Numa mensagem anterior eu levantei a bola do jovem e promissor regente venezuelano Gustavo Dudamel. Agora chegou a vez de outro jovem regente, só que desta vez brasileiro, Leandro Carvalho.

http://www.circuitomt.com.br/materia/foto/1496/5kttxo/leandro.jpg?1212994124

O maestro Leandro Carvalho foi apontado como um dos dez artistas de maior importância na música clássica da década. O responsável pela indicação foi o Anuário Viva Música 2008 (http://www.vivamusica.com.br/np_anuario200805.php), periódico editado anualmente pela revista de mesmo nome, especializado em música clássica. Entre os agraciados estão:

- Alex Klein, oboísta e regente (ganhador de um prêmio Grammy em 2002);
- Antonio Meneses, violoncelista;
- Edino Krieger, compositor;
- Isaac Karabtchevsky, regente;
- Fernando Portari, tenor;
- John Neschling, regente;
- Leandro Carvalho, regente;
- Luiz Fernando Malheiro, regente;
- Nelson Freire, pianista;
- Roberto Minczuk. regente.

Aos 32 anos, Leandro é o mais jovem músico na lista que conta com artistas de carreiras já consolidadas e bem conhecidas do público e da mídia, e o único a residir e a desenvolver suas atividades fora dos grandes centros.

A carreira do Leandro se inicia em 1997, quando grava e lança o disco João Pernambuco – O Poeta do Violão.

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI02176.JPG

No lançamento do disco vai até Recife e recebe o convite do Ariano Suassuna para trabalhar em Recife. Aos 22 anos começa a fazer mestrado em História Social, sob a orientação do Ariano. Foi a oportunidade de conhecer o Brasil e sua música, por quase três anos em Recife. Em 1999 gravou três discos como violonista, sendo dois com os dois maiores violonistas do Brasil, Baden Powel e Turíbio Santos.

Um duo com Baden Powel, somente com músicas de João Pernambuco.

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI02392.JPG

Outro duo, desta vez com Turíbio Santos, que foi seu professor na adolescência.

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI03228.JPG

O terceiro disco foi Descobrindo João Pernambuco, com mais de 50 músicas.

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI02517.JPG

Outros discos de Leandro Carvalho.

Disco de 2002

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI04244.JPG

Disco de 2003

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI04495.JPG

Disco de 2004

http://discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI04691.JPG


Depois da intensa convivência musical em Pernambuco, quando participou de diversos grupos, redirecionou totalmente sua carreira no ano de 2000. Decidiu ir para a Holanda estudar regência, em Utrecht. Em janeiro de 2003 retornou ao Brasil, e foi ao Mato Grosso descansar, onde um tio e o seu pai moravam. Neste mesmo ano começou a negociar a formação da Orquestra do Estado de Mato Grosso (http://www.orquestra.mt.gov.br/). Em 2005 a orquestra foi criada. A orquestra tem um contrato de gestão com o governo estadual, e a sua sustentabilidade financeira é garantida.

A orquestra tem alguns músicos europeus. O spalla é escocês, um violoncelista é inglês, uma música que toca viola é norueguesa e um contra-baixista é búlgaro.

http://www.orquestra.mt.gov.br/admin/fotos/header_001.jpg


O Leandro diz que o seu principal acerto na última década foi optar pela regência, e abandonar uma sólida carreira de instrumentista, com nove discos e diversos concertos no Brasil e exterior.

Leandro considera que o maior marco musical nesta última década foi a consolidação da Osesp pelo maestro John Neschling, que passou a ser padrão de qualidade e referência para o público.

Mas vamos ao prato principal, a apresentação do DVD Orquestra do Estado de Mato Grosso, com Roberto Corrêa (http://www.robertocorrea.com.br/principal.htm). O DVD pode ser comprado na Delira Música (http://www.deliramusica.com/delira_detalhe_produto.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=149), por um preço módico. A qualidade do DVD é excelente, com áudio PCM 2.0 e DD 5.1, e apesar das imagens serem 4x3, a qualidade das mesmas é de primeira.

http://www.deliramusica.com/images_delira/tocabrasil_CD.jpg

O repertório do DVD começa com as Bachianas Brasileiras n.9 – HeitorVilla-Lobos, passa por Astor Piazzolla e chega até a Milton Nascimento.

Eu já tive a oportunidade de assistir à orquestra por duas vezes aqui na minha cidade. Vocês não imaginam o impacto da apresentação da orquestra sobre a assistência, que são pessoas comuns, não afeitas à música clássica. Acredito que este direcionamento que o maestro Leandro Carvalho está dando à orquestra é totalmente acertado, ao interpretar compositores populares, junto com os grandes da música clássica mundial. Não tem como não agradar ao público em geral.

O trabalho da Orquestra está estruturado com foco na democratização do acesso à cultura, porém sem que este direcionamento signifique perda da qualidade técnica e artística ou da seleção de um repertório interessante e significativo no universo musical universal. A programação artística, de acordo com Leandro "busca um repertório criativo, que apresente para as pessoas novos compositores e fomente o encontro do universo da música clássica, principalmente aquela de tradição européia, com a "cultura popular" brasileira e, também, sul-americana".

Bom, já escrevi demais, e fica a minha recomendação para a compra do DVD, que é uma gravação extraordinária.

Atenção Holbein, a orquestra vai se apresentar em Fortaleza, no Teatro José de Alencar, no dia 22/10/2008. É imperdível.

[ ]’s Walder.

Hertz
03-09-2008, 21:56
Desejo adquirir a 8ª sinfonia de Mahler em DVD.
Pesquisando em lojas brasileiras encontrei duas opções:
1 - Sinfonias 1 e 8 com Klaus Tennstedt e a Filarmônica de Londres em gravação de 1991;
2 – Sinfonias 7 e 8 com Leonard Bernstein com a Filarmônica de Viena em gravação de 1975.
Gostaria da ajuda deste fórum para escolher uma das duas opções.
Além da qualidade artística, daria ênfase à técnica da gravação (áudio e vídeo).
Presumo, pela data da gravação, que a de Tennstedt possua melhor qualidade de áudio e vídeo. Mas Bernstein era um magnífico regente e foi muito importante para a difusão da obra de Mahler.
Cláudio Abbado tem um CD com a 8ª e a Filarmônica de Berlin, mas não encontrei em DVD.
Enfim qual comprar?
Agradeço antecipadamente a ajuda.

Holbein Menezes
04-09-2008, 07:47
... que o Sidão tenha degustado em jejum uma garrafa inteira de Prima Mano... antes de produzir sua última mensagem.

Porque só quem já fez essa experiência - e fizêmo-la Oscar Guglielmone e eu lá na sua Adega Medieval, no Viamão (quando ele era vivo) - fica em condições de produzir um texto tão criativo quão poético, e de quebra, filosófico, como o que Sidney Romano fez! Magnífico!

Talvez a única coisa desgostosa deste tópico é descobrir criadores de textos melhores do que somos, ou pensamos que somos.

Diabo!

Holbein.

ZpínoZ
04-09-2008, 09:25
Presumo, pela data da gravação, que a de Tennstedt possua melhor qualidade de áudio e vídeo. Mas Bernstein era um magnífico regente e foi muito importante para a difusão da obra de Mahler.
Cláudio Abbado tem um CD com a 8ª e a Filarmônica de Berlin, mas não encontrei em DVD.

São dilemas, trilemas como estes que fazem de nós colecionadores.

Eu, por minha conta e risco, prefiro Bernstein. Sua Oitava é poderosa.

Z

O Carteiro
04-09-2008, 10:29
Meninos, em pouco menos de 50a de idade, já tive oportunidade de ver acontecer coisas e presenciar fatos excepcionais.[...]

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41uN9odX-WL._SS400_.jpg



Lindo texto, Sidão. Lindo, lindo, lindo. Verdaeira sinfonia.

Me comoveu especialmente, pois Toscanini, para mim, é signo de muitas coisas que transcendem a música. Não foi só um regente estupendo, mas um homem simples e extraordinário, de caráter autêntico, de integridade artística e moral. Meu ídolo cultivado. E O Regente dA Sinfonia - a IX.

Te saluto, mio fratello.
Gondim

O Carteiro
04-09-2008, 10:32
Desejo adquirir a 8ª sinfonia de Mahler em DVD.
Pesquisando em lojas brasileiras encontrei duas opções:
1 - Sinfonias 1 e 8 com Klaus Tennstedt e a Filarmônica de Londres em gravação de 1991;
2 – Sinfonias 7 e 8 com Leonard Bernstein com a Filarmônica de Viena em gravação de 1975.
Gostaria da ajuda deste fórum para escolher uma das duas opções.
Além da qualidade artística, daria ênfase à técnica da gravação (áudio e vídeo).
Presumo, pela data da gravação, que a de Tennstedt possua melhor qualidade de áudio e vídeo. Mas Bernstein era um magnífico regente e foi muito importante para a difusão da obra de Mahler.
Cláudio Abbado tem um CD com a 8ª e a Filarmônica de Berlin, mas não encontrei em DVD.
Enfim qual comprar?
Agradeço antecipadamente a ajuda.


Hertz, a VIII de Mahler com Bernstein e Viena não é uma performance, é uma celebração.

Ninguem assiste sem chorar. No final, clamando por Fausto, coros, cantores, músicos e regente clamam pela redenção de toda a humanidade.

E somos todos perdoados.

Abraços,
Gondim

O Carteiro
04-09-2008, 10:40
[...]Talvez a única coisa desgostosa deste tópico é descobrir criadores de textos melhores do que somos, ou pensamos que somos.

Diabo!

Holbein.

Eita que até a modéstia desse cabra é leonina.

Valha-me, meu santo Padim Padiciço!

Beijos,
Gondim (que é nome de pau-de-arara)

Hertz
04-09-2008, 12:03
Agradeço as indicações e vou adquirir a gravação de Bernstein.
Já acompanho este tópico há algum tempo e rendo minhas homenagens aos participantes pelo excelente conteúdo.

migrando
04-09-2008, 12:37
Mahler e Bernstein:

http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=142 (http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=142)

http://www.amazon.com/Mahler-Symphonies-Bernstein-Philharmoniker- Philharmonic/dp/B000BDIY3G/sr=1-3/qid=1171563840/ref=pd_bbs_sr_3/105-1928682-7682816?ie=UTF8&s=dvd (http://www.amazon.com/Mahler-Symphonies-Bernstein-Philharmoniker- Philharmonic/dp/B000BDIY3G/sr=1-3/qid=1171563840/ref=pd_bbs_sr_3/105-1928682-7682816?ie=UTF8&s=dvd)

Álbum que adquiri tempos atrás.

ZpínoZ
04-09-2008, 14:31
Mahler e Bernstein:

http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=142 (http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=142)

Mestre migrando,

Muito boa sua indicação de artigo, e mais ainda o extraordinário texto do Lauro. Melhor só a pessoa dele. Quando, na Sala São Paulo, as vezes, vou tirar alguma dúvida técnica, sua gentileza, clareza, conhecimento e grandeza d´alma são sempre admiráveis.

Mahler, migrando, deve ser sobremodo interessante para você, de berço austríaco.

Z

Holbein Menezes
05-09-2008, 05:54
Crianças,

por favor, não tomem o qualificativo - "leonina" - empregado pelo meu querido O Carteiro a respeito do que ele entende como minha modéstia, pelos significados 2 e 3 do AURÉLIO!

Tomem como prescrição, necessária reposição vitamínica para o quase nonagenário que um dia foi leônico.

Hoje, sem dentes e de juba caída, não mordo nem meto medo; porque já estou candidato a cordeiro do Senhor...

Holbein, saudoso dos bons e velhos tempos.

ZpínoZ
05-09-2008, 12:15
Ontem, na Sala São Paulo, tive o prazer de ouvir o Primeiro Concerto para Violoncelo de Shostakovich (opus 107), que conheço e curto faz muito tempo. E como os companheiros sabem que não desgosto do russo ;), acabei ajuntado diversas gravações do Concerto, inclusive a primeira mundial com o Rostropovich, a quem foi dedicado.

http://g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/ciu/7a/28/f20b225b9da07f170ae22110._AA240_.L.jpg

A OSESP foi regida por Neeme Järvi, com Jian Wang como solista, ambos extremamente competentes e à vontade com a obra.

Porém o que mais me impressionou foi o brilhante desempenho do chinês na longa cadenza do terceiro movimento. Efetivamente o movimento inteiro é uma cadenza, gentileza e homenagem de Shost ao amigo Rostropovith. A perfomance do cellista foi deslumbrante, melhorada mais ainda por um Amati do século XVII.

Fiquei fascinado, corri para casa para ouvir outros terceiros movimentos. Recomendo o exercício, é um privilégio poder se auto-proporcionar este encantamento, ver os solistas surfarem nesta onda.

Z

O Carteiro
05-09-2008, 13:00
Ontem, na Sala São Paulo, tive o prazer de ouvir o Primeiro Concerto para Violoncelo de Shostakovich (opus 107), que conheço e curto faz muito tempo. E como os companheiros sabem que não desgosto do russo ;), acabei ajuntado diversas gravações do Concerto, inclusive a primeira mundial com o Rostropovich, a quem foi dedicado.

http://g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/ciu/7a/28/f20b225b9da07f170ae22110._AA240_.L.jpg

A OSESP foi regida por Neeme Järvi, com Jian Wang como solista, ambos extremamente competentes e à vontade com a obra.

Porém o que mais me impressionou foi o brilhante desempenho do chinês na longa cadenza do terceiro movimento. Efetivamente o movimento inteiro é uma cadenza, gentileza e homenagem de Shost ao amigo Rostropovith. A perfomance do cellista foi deslumbrante, melhorada mais ainda por um Amati do século XVII.

Fiquei fascinado, corri para casa para ouvir outros terceiros movimentos. Recomendo o exercício, é um privilégio poder se auto-proporcionar este encantamento, ver os solistas surfarem nesta onda.

Z

Z, e que tal o Jarvi? Em gravações o cara é muito bom.

Gondim

Isaac Boy
05-09-2008, 15:22
Pessoal,

Tenho frequentado pouco esse tópico. Mas passei apenas para deixar um relato de momentos muito felizes.

O tema aqui em Minas é Jazz. Começa hoje um festival de Jazz em BH e logo em seguida há o (já se tornando) tradicional festival em Ouro Preto.

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (upgrade da antiga Sinfônica) tem se apresentado brilhantemente, e, ontem, pegando carona na "influência do Jazz" apresentou peças jazzisticas em seu concerto no Palácio das Artes.

Com a regência do maestro titular Fabio Mechetti (que ouvi pela primeira vez) e tendo como solista o pianista José Feghali, foram executadas as peças:

Darius Milhaud - A Criação do Mundo
Maurice Ravel - Concerto em Sol para piano e orquestra
George Gershwin - Rapsódia em Blue
George Gershwin - Um Americano em Paris

O programa foi absolutamente sensacional, com execução primorosa, arrancando aplausos entusiasmados da platéia.

Como a Rapsódia em Blue é uma das minhas peças favoritas e que vi/ouvi ao vivo pela primeira vez, só por ela já valeu o ingresso e fui levado ao orgasmo auditivo. :festa:

A Criação do Mundo é uma peça muito interessante, de formação reduzida, com, acredito 19 músicos, sem instrumentos dobrados... Muito agradável de ouvir e deve ser uma peça que toca muito bem "em conserva". :legal:

ZpínoZ
05-09-2008, 15:43
Bom, para falar do Neeme Järvi, aí é preciso incluir o programa todo: na primeira parte, além do Shost, teve Georges Enesco, Rapsódia romena em Ré maior, Op.11 nº 2, e, depois do intervalo, Antonín Dvorák, Danças Eslavas, Op.46. Sua regência é branda, não invasiva, carinhosa e, no fim das contas, reveladora.

Alguns comentários.

Na peça da Enesco, quase no fim, acontece um longo trecho em que a viola prepondera. O maestro teve a iniciativa de ir até a violista e, praticamente, regê-la individualmente. Acabada a peça, depois da primeira onda de palmas, trouxe a moça pela mão até o tablado para que todos pudessem aplaudi-la.

No concerto do Shost, no quarto movimento, o tema principal (a assinatura do russo) é brilhantemente sustentado, o tempo todo, pela trompa, quase um segundo solista. Depois da onda de aplausos ao Cellista, Järvi fez questão de buscar o trompista, trazê-lo à plataforma e puxar as homenagens.

A última peça, as Danças Eslavas, todos sabem, foi encomendada a Dvorák para aproveitar a maré levantada pelas Danças Húngaras de Brahms. Compostas originalmente para piano, dado o sucesso, transcritas para versão sinfônica. Venderam escandalosamente. Indubitavelmente Dvorák é um compositor competente, um profissional da música como poucos, feito Bach, faz seu trabalho primoroso sem grandes espalhafatos: O Quarteto de Cordas n. 10, A Sinfonia n. 9 estão entre os grandes do gênero, Seu Stabat Mater, em minha desimportante opinião, está entre os três melhores ja escritos.

Para terem uma idéia do impacto de sua regência, conheço essas séries de danças há muito tempo, contudo o que ouvi foi tão bonito, que passei a mim mesmo uma lição de casa: entender melhor todas essas danças que existem por ai.

A condução de Järvi é elegante, calma, sobria e permanentemente focada. Parece reger cada músico pessoalmente. Espantoso. Nunca se sobrepõe, nunca atropela a orquestra, como se “pedisse educadamente” que ela revele o que tem de melhor, de mais valioso. Um trabalho de cooparticipação, de parceria. Tanto que à terceira chamada ao palco ontem, se dirigiu a cada um dos músicos que se destacaram, na seu própria estante, e os cumprimentou efusivamente.

Não é preciso dizer quem mais ovacionou o maestro.

Z

O Carteiro
05-09-2008, 16:44
Bom, para falar do Neeme Järvi, aí é preciso incluir o programa todo: na primeira parte, além do Shost, teve Georges Enesco, Rapsódia romena em Ré maior, Op.11 nº 2, e, depois do intervalo, Antonín Dvorák, Danças Eslavas, Op.46. Sua regência é branda, não invasiva, carinhosa e, no fim das contas, reveladora.

Alguns comentários.

Na peça da Enesco, quase no fim, acontece um longo trecho em que a viola prepondera. O maestro teve a iniciativa de ir até a violista e, praticamente, regê-la individualmente. Acabada a peça, depois da primeira onda de palmas, trouxe a moça pela mão até o tablado para que todos pudessem aplaudi-la.

No concerto do Shost, no quarto movimento, o tema principal (a assinatura do russo) é brilhantemente sustentado, o tempo todo, pela trompa, quase um segundo solista. Depois da onda de aplausos ao Cellista, Järvi fez questão de buscar o trompista, trazê-lo à plataforma e puxar as homenagens.

A última peça, as Danças Eslavas, todos sabem, foi encomendada a Dvorák para aproveitar a maré levantada pelas Danças Húngaras de Brahms. Compostas originalmente para piano, dado o sucesso, transcritas para versão sinfônica. Venderam escandalosamente. Indubitavelmente Dvorák é um compositor competente, um profissional da música como poucos, feito Bach, faz seu trabalho primoroso sem grandes espalhafatos: O Quarteto de Cordas n. 10, A Sinfonia n. 9 estão entre os grandes do gênero, Seu Stabat Mater, em minha desimportante opinião, está entre os três melhores ja escritos.

Para terem uma idéia do impacto de sua regência, conheço essas séries de danças há muito tempo, contudo o que ouvi foi tão bonito, que passei a mim mesmo uma lição de casa: entender melhor todas essas danças que existem por ai.

A condução de Järvi é elegante, calma, sobria e permanentemente focada. Parece reger cada músico pessoalmente. Espantoso. Nunca se sobrepõe, nunca atropela a orquestra, como se “pedisse educadamente” que ela revele o que tem de melhor, de mais valioso. Um trabalho de cooparticipação, de parceria. Tanto que à terceira chamada ao palco ontem, se dirigiu a cada um dos músicos que se destacaram, na seu própria estante, e os cumprimentou efusivamente.

Não é preciso dizer quem mais ovacionou o maestro.

Z


Sou fã das Danças Eslavas (op. 46 e op. 72). Elas têm um fato curioso: são baseadas nas Danças Húngaras de Brahms, que por sua vez utilizam temas folclóricos (Dvorak chegou a orquestrar algumas como cortesia para com Brahms). Mas - por incrível que pareça - seus temas não são folclóricos, são originais, foram criados por Dvorak.

O que você contou sobre Jarvi não me surpreende nem um pouco. É um ótimo regente. Queria ter estado lá. Jarvi, Gergiev e Jansons são dos poucos maestros atuais que têm alguma coisa a dizer. Eles têm brilho próprio.

E continuo de olho no menino Dudamel.

Abraços,
Gondim

Holbein Menezes
05-09-2008, 21:37
Durante quatro anos escrevi sobre música cerca de 135 páginas para um programa semanal do Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil. Estou a reler esses textos. Um deles achei bastante informativo, e reproduzo-o abaixo; se gostarem, voltarei (Holbein):

Explico melhor: algumas composições de Beethoven para piano (assim como todas as de Mozart) não foram produzidas para os pianos de hoje. Foram feitas tendo em vista um instrumento que se denominava pianoforte, sucessor do cravo. São as seguintes as diferenças entre os dois tipos de pianos: o pianoforte possui menos teclas, e por isso só cobre uma escala de 5 oitavas, suas cordas são espiraladas de forma dupla, e o piano, que ainda usa caixa de cravo, pesa apenas 80 quilos; o grand piano possui maior números de teclas, por isso cobre uma escala de 6 oitavas, possui cordas espiraladas triple e pesa o dobro daquele peso, ou mais. Dentro da própria categoria de grand pianos existem diferenças. Conhecem-se muitas marcas de grand pianos, mas as mais afamadas são: Becstein, Bosendorfer Imperial, Fazioli F308 (o número 308 refere-se aos 3 metros e 8 centímetros do seu comprimento, e é o maior piano de concerto do mundo), Steinway D e Yamaha. Entretanto, somente os pianistas, os maestros, os afinadores de piano e alguns técnicos em gravação conseguem estabelecer diferenças de sonoridade entre tais marcas. (Explico uma palavra que foi escrita linhas acima, refiro-me ao termo oitava. Uma oitava é o intervalo, na escala musical, ascendente (dó,ré,mi,fá,sol,lá,si) e descendente (si,lá,sol,fá,mi,re,dó), entre duas notas do mesmo nome, ou seja, entre dois dó, dois fá, dois si etc. No grand piano, a primeira tecla da esquerda é um lá, a oitava tecla seguinte é também um lá, daí dizer-se oitava.

migrando
06-09-2008, 19:12
Prezado Sidão.

Anos atrás ganhei um CD com Guido Cantelli, à frente da New York Philharmonic Orchestra:
- F.Mendelssohn - Concerto per violino op. 64, com Jascha Heifetz e
- Luigi Cherubini – Sinfonia in Re maggiore
- gravações realizadas em 14 e 21.3.1954
- selo CLAQUE.

Essa gravação do concerto de Mendelsohn é mais uma que não consta da “Discografia Completa” do violinista, publicada como suplemento ao nº 409 da Diapason.
:feliz:

ag-silva
07-09-2008, 11:09
Gostaria de deixar aqui uma modesta indicação dessa jovem violinista.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51WP7m7L97L._SS400_.jpg

ag-silva
07-09-2008, 11:42
Grande mestre Sidão :rever1:

Já virei fã dessa "menina" a bastante tempo :concordo: Outros dois CDs emocionantes são esses aqui, aliais muito elogiados também pela crítica :legal:

http://ecx.images-amazon.com/images/I/41AK187E54L._SS400_.jpg

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51EE09HRQSL._SS400_.jpg

ZpínoZ
07-09-2008, 14:56
É um pouco assim...

Com a facilidade das compras na Internet e com os preços abusivos e mal educados (suicidas?) que nos cobram as lojas, porque ainda entramos nesses famigerados e aviltantes covis? Minha resposta, eminentemente pessoal, é por que gosto de preservar a aleatoriedade, a possibilidade de descobrir novidades. Ou distorcendo Mallarmé: num lance de dados é impossível abolir o acaso. Numa dessas transgressões auto-permitidas encontrei um CD magnífico, imperdível, irrecusável.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/21rMLb5y9fL._SS500_.jpg
O Quatuor pour la Fin Du Temps, apesar do nome, não é um Quarteto de Cordas, uma das formas canônicas da Música de Câmara. Contudo se tivesse que escolher uma nova formação, ou seja, um “upgrade” no arranjo clássico haydniano (como se atualizando o pentatlo olímpico), provavelmente optaria por essa formação: violino, violoncelo, clarinete e piano. Considerando os timbres e o espectro das vozes, este ensamble é um forte candidato a padrão, uma soma de vantagens.

Os participantes desse novo Quarteto também são bons: Luben Yordanboff, violino; Albert Tetard, violoncelo; Claude Desurmont, clarinete e Daniel Barenboim, piano. Mesmo correndo o risco de ser óbvio e fugindo da valoração dele enquanto maestro, talvez seja importante chamar atenção para a importância contextual do argentino na música pós 1950, praticamente passou por todas as confluências mais importantes.

O último ponto a destacar é a mudança de tom, a metamorfose por que passaram todas as artes, durante e, depois da Segunda Guerra. Até a 1940 uma alegria despreocupada e uma ingenuidade temerária, juvenil e contagiante impregnava a Música e as artes, como se querendo celebrar a alegria e desafiar as formas clássicas. Depois foram introduzidos o medo, o desencanto e a reflexão permanente, quase patológica, no fazer artístico. Alguma coisa de cínico, de fatalidade inescrutável invadiu as atividades criadoras.

O Quartour pour la Fin du Temps de Messiaen foi composto em 1940, durante sua detenção em Görlitz, Silesia. Foi estreado, parcamente, por ele e seus amigos de prisão. Portanto a obra evidencia um daqueles momentos limites, em que deixamos as teorias e a erudição para trás, em que o essencial, o imprescindível passa a ser natural, possível e, quiçá, obrigatório.

Uma das definições de Poesia é o máximo de efeito com um mínimo de texto. Essa diretriz poderia ser aplicada à esta peça de Messian. É quase palpável, evidencia que alguma coisa de fundamental esta sendo dita. O máximo e o mínimo, absurdamente, tendendo à coincidência.

Z

Holbein Menezes
08-09-2008, 10:12
O esplêndido DVD da Image, com a "Canção da Terra" de Mahler, encenada (transcrição para melodrama por nada mais nada menos que Arnold Shöenberg), e tocada pela pequeno conjunto "The Bass-Normandy Orchestra Ensemble" dirigido pelo maestro Georges Bessonnet, esse disco devedê é uma obra de arte. E começa com o feliz achado que abaixo reproduzo em inglês:

"When music is for the Eyes to See".

Nosso querido Z....Z, porque poeta, confessa que não gosta de ouvir música de olhos fechados... Ora, ouvir estrelas...

De outros musicistas, ao contrário, tenho lido declarações de que a imagem ("to see") atrapalha-lhes a percepção posto que os desconcentra.

Esquecem-se esses musicistas de que a música só ouvida, em que pese ser o modo principal e mais comum de ouvir-se música nos tempos modernos, é corruptela da finalidade musical da esmagadora maioria das obras musicais que ouvimos no dia-a-dia; as quais foram concebidas para ser vistas e ouvidas ("for the Eyes do See").

É como o telefone celular cujo derradeiro moicano parece ser eu... Porque o último caubói só podia ser aquele de chapéu de vaqueiro que estava na sala de espera do aeroporto de Congonhas ao tempo da crise aérea tupiniquim, vestindo camisa estampada e calça de brim, calça sustentada por um largo cinturão de caubói, sem coldres nem revólveres mas cuja canana em torno da barriga proeminente, em vez de balas e cartuchos portava celulares; contei: 18!!! E a "habilidade" do Jesse James desses tempos cibernéticos conseguia detetar (incrível proeza!) qual celular estava a tocar a cada instante, e eram todos!

A mim me parece que a música só escutada, e escutada de olhos fechados torna-se prazerosa, e até mui prazerosa porque no processo de interiorização de sons e tons criamos o ambiente gratificante da parceria... em fantasia tornamo-nos co-autores senão da partitura, das "intenções" do autor, seguramente. Esse desvio de percepção é compensado pela ilusão não consciente da co-autoria. Ao vivo, quem comete esse desvio são maestros e músicos; uma vez que os espectadores só ouvimos o que vemos.

A audição via fone-de-ouvido, porque enseja a captação de ínfimos detalhes, sutis nuanças importantes de importantes significados sonoros, leva o ouvinte à situação do maestro diante da partitura: a registrar ("for the Eyes") a "presença" ("to see") de instrumentos que a problemática audição "bisonofletida" perde no limbo da ubíqua acústica dos ambientes domésticos, ou mascara nas tantas distorções dos alto-falantes e seus necessários invólucros, as caixas!

Porque nenhum som musical gravado é o som ouvido através das caixas; nenhum! O som das caixas é sempre o formante resultante da interação entre qualidade da madeira, volume da caixa, posicionamento desta, e, também, da interação com a física revérbera e ressonante da sala. Fenômenos que não acontecem com o sistema fone-de-ouvido, pelo que este se situa mais próximo dos sinais gravados (não dos sinais captados pelos microfones, nem dos gerados pela orquestra).

Tudo isso em defesa da minha última mania...

Holbein.

Ricardo W. Pereira
08-09-2008, 11:42
Porque nenhum som musical gravado é o som ouvido através das caixas; nenhum! O som das caixas é sempre o formante resultante da interação entre qualidade da madeira, volume da caixa, posicionamento desta, e, também, da interação com a física revérbera e ressonante da sala. Fenômenos que não acontecem com o sistema fone-de-ouvido, pelo que este se situa mais próximo dos sinais gravados (não dos sinais captados pelos microfones, nem dos gerados pela orquestra).

Tudo isso em defesa da minha última mania...

Holbein.

Holbein,

Sabes que lhe respeito, muito.
MAS:
Tambem o som dos headphones, de qq tipo, marca, preço, desempenho está sujeito aos mesmos efeitos dos materiais/meios envolvidos na propagação dos sons, como ocorre nas cxs acústicas (ou em qq artefato que gere ou emita sons).
Por que o som emanado deles não vai direto ao centro auditivo do cérebro apenas pelos pavilhões auriculares...
Os ossos da sua cabeça tem espessuras e densidades diferentes dos de qq outra pessoa.
A sua carne tem densidade e massa diferente das de qq outra pessoa.
A sua massa cerebral tambem é diferente.
O tubos ressonantes dos canais dos seus ouvidos são diferentes dos de quaisquer outras pessoas (e diferentes entre sí, 2 ambientes diferentes para o mesmo equipo...)
Canal left numa "sala" e canal right numa outra.

Concordo absolutamente que a audição através de fones de ouvido de ótima qualidade (e acima...) é experiencia inebriante, inigualável pela enorme maioria das cxs acústicas (se é que existe alguma que "derrote" estes fones...) mas pelo exposto acima pode-se concluir que este desempenho fantástico está sujeito aos mesmos princípios que qq outro emissor de sons/vibrações experimenta no seu mister.
E portanto é percebido de modo distinto por cada indivíduo.

Um abraço,
Ricardo

Holbein Menezes
08-09-2008, 13:04
É verdade Ricardo Pereira, o som do fone-de-ouvido possui seu dele peculiar formante, e o formante, muitas vezes confundido com timbre, é que marca o caráter do som de um dado instrumento, seja este de produção ou de reprodução. (Timbre é o comportamento do espectro harmônico de um tom, e é sempre o mesmo e sempre igual em cada tipo de instrumento, ao emitir um dado tom).

A depender do sistema eletromecânico do headphone, todos possuem formantes diferentes entre si: um Sennheiser tem um formante característico, o AKG, outro, o Beyer Dynamic, o Grado, o Koss etc.

Acontece que os formantes dos fones-de-ouvido ficam mais próximos dos formantes dos instrumentos de música originais na medida em que herdam as peculiaridades somente dos materias dos quais são fabricados e não desses e das idiossincrasias acústicas das caixas e dos ambientes domésticos. Há, portanto, um enorme ganho em qualidade sonora.

E quanto às características auditivas de cada um, que são sem dúvida pessoais e intransferíveis, ora, cada um ouve na conformidade delas e o som percebido de cada um é o som de nosso particular aparelho auditivo descodificado nos escaninhos dos nossos particulares cérebros... de cada indivíduo, é claro!

O que importa, portanto, não é essa diversidade de captação em si mas a captação eletromecânica que melhor se ajuste a cada um de nossos sistemas peculiares de percepção. Mas sem outros acréscimos.

E não conheço modo de captação que acrescente mais idiossincrasias à reprodução do que salas e alto-falantes!

Além, o que é importantíssimo! o custo e a praticidade! Em conseqüência do que, por exemplo, pude pôr à venda meu amplificador Audiopax (que não custa barato posto que soberbo), minhas caixas Martin Logan (idem, idem), e usufruir o som direto da saída do extraordinário pré-amplificador valvulado LS3irw, de sua lavra, Ricardo. Apenas leitura e pré-amplificação e um par de cabos interconnect; nada mais! Ainda que meu sonho nirvânico é ouvir meu fone-de-ouvido por intermédio de um par de monobloco B 300 do Rui Fernando... Mas o Gordo anda assoberbado!

Foi um prazer ler você, a quem respeito muito.

Holbein.

Ricardo W. Pereira
08-09-2008, 14:00
Holbein,

Acho que é um tiro de canhão prá matar pardal um amplificador de potencia com triodos 300B para tocar um fone de ouvido.
Headphones não necessitam mais do que miliwatts para chegarem num máximo de pressão sonora...
E isso vc tem de sobra no seu preamplificador.
Cuidado com seus ouvidos.

Um abraço,
Ricardo

ZpínoZ
08-09-2008, 14:36
Sidão,

Esta é a escalação com que fui premiado para o meu Holandês Voador em Viena.

http://www.staatsoper.at/Content.Node2/home/spielplan/besetzung/ev523066.php

Você conhece os cantores?

Z

O Carteiro
08-09-2008, 19:01
Sidão,

Esta é a escalação com que fui premiado para o meu Holandês Voador em Viena.

http://www.staatsoper.at/Content.Node2/home/spielplan/besetzung/ev523066.php

Você conhece os cantores?

Z

Não conheço ninguém, mas conheço a orquestra: é a Filarmônica de Viena.

Um dos segredos da excelência da Filarmônica de Viena é o fato dela ocupar o fosso da Ópera, onde os músicos aprendem a ouvir os cantores e também uns aos outros.

Mas é a mesmíssima orquestra.

Abraços,
Gondim

ZpínoZ
08-09-2008, 20:33
Gondim,

Concordo, mas em termos. São músicos da igual qualidade, contudo, rigorosamente, não a é a mesmíssima orquestra. Entre 14 e 24/09 a Vienna Philharmoniker estará em turnê pelo Japão e no dia 19/09, no meio do tour, acontecera uma récita do Holandês Voador.

http://www.wienerphilharmoniker.at/index.php?set_language=en&cccpage=concerts_tour (http://www.wienerphilharmoniker.at/index.php?set_language=en&cccpage=concerts_tour)

Durante minha estada, somente no dia 27/09 haverá um espetáculo em Viena, mas um Subscription Concert. Desses é difícil conseguir ingressos. Apenas por curiosidade, o prazo previsto de espera para subscrições, sábados e domingos, é de 13 anos. Nos outros dias 5.

Obviamente é de conhecimento geral que os músicos tocam em várias orquestras ao mesmo tempo, e não sabemos exatamente qual a política para estas viagens. Todavia, infelizmente, acho que não vou ter o prazer de ouvir a “original” Filarmônica de Viena.

Quando ao mestro e cantores do Holandês, fiz uma pesquisa e acho que não vou me decepcionar.

Z

O Carteiro
08-09-2008, 23:21
Gondim,

Concordo, mas em termos. São músicos da igual qualidade, contudo, rigorosamente, não a é a mesmíssima orquestra. Entre 14 e 24/09 a Vienna Philharmoniker estará em turnê pelo Japão e no dia 19/09, no meio do tour, acontecera uma récita do Holandês Voador.

http://www.wienerphilharmoniker.at/index.php?set_language=en&cccpage=concerts_tour (http://www.wienerphilharmoniker.at/index.php?set_language=en&cccpage=concerts_tour)

Durante minha estada, somente no dia 27/09 haverá um espetáculo em Viena, mas um Subscription Concert. Desses é difícil conseguir ingressos. Apenas por curiosidade, o prazo previsto de espera para subscrições, sábados e domingos, é de 13 anos. Nos outros dias 5.

Obviamente é de conhecimento geral que os músicos tocam em várias orquestras ao mesmo tempo, e não sabemos exatamente qual a política para estas viagens. Todavia, infelizmente, acho que não vou ter o prazer de ouvir a “original” Filarmônica de Viena.

Quando ao mestro e cantores do Holandês, fiz uma pesquisa e acho que não vou me decepcionar.

Z

É rigorosamente a mesma orquestra: cada estante tem cerca de três músicos que se alternam em escalas programadas. A orquestra toca na ópera também para tornar a Filarmônica viável.

O tempo de espera de 13 anos é uma tese. Na prática, é infinito, pois as famílias austríacas tradicionais subscrevem a orquestra desde a sua fundação – e os ingressos são para assinantes.

Contudo, quando não podem comparecer a um concerto ou simplesmente não querem ir, as famílias liberam os ingressos para a venda. E isso às vezes acontece subitamente.

Dificilmente os ingressos liberados vão para o “cambio negro”. A orquestra é quem administra a compra.

Ou seja: dá pra conversar.

Abraços,
Gondim

O Carteiro
08-09-2008, 23:24
Alô, Sidão.

Esse disco é aquisição recente. Espetacular.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51KWC1YH78L._SS400_.jpg


http://www.amazon.com/Guido-Cantelli-conducts-Wagner-Brahms/dp/B000003XHV/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&s=music&qid=1220925701&sr=8-1

Uma das versões da Primeira Sinfonia de Brahms mais arrebatas que já ouvi. Dá pra ouvir o que Toscanini viu nesse rapaz.

Abraços,
Gondim

lifesound
09-09-2008, 12:51
Realmente a interpretação da 5a. nesse DVD é glamurosa.

membroativo
09-09-2008, 12:59
Caríssimos,
Por falar em ciclos completos, está previsto para este mês, pela Deutsche Grammophon:

http://img.hmv.co.jp/image/jacket/190/27/6/7/186.jpg


LUDWIG VAN BEETHOVEN

9 Symphonien
Ouvertüren · Overtures
Streichquartett · String Quartet No. 14 op. 131
(Fassung für Streichorchester · Transcription for String Orchestra)
Missa solemnis
Choral Fantasy · The Creatures of Prometheus

Moser · Jones · Schwarz · Kollo · Moll · Francesch
Hilversum Radio Chorus · Konzertvereinigung Wiener
Staatsopernchor · Royal Concertgebouw Orchestra
Wiener Philharmoniker · Leonard Bernstein

7 DVD-VIDEO NTSC 073 4500 |G|H 7|
STEREO: PCM / SURROUND: DTS 5.1 · Picture Format: 4:3
A production of UNITEL, Munich

Release: Sep. 2008
7 DVD-Videos http://www2.deutschegrammophon.com/cat/result?COMP_ID=BEELU&sort=newest_rec&ALBUM_TYPE=DVD&SearchString=&IN_SERIES=&ART_ID=BERLE&IN_XXAWARDS=&PRODUCT_NR=0734500&start=0&IN_XXSERIES=&IN_XXPQ=&MOZART_22=0&GENRE=&per_page=10

abraços,
Mauricio

O Carteiro
10-09-2008, 09:02
[...] Se me permite uma indicação, meio marota, porque ainda não ouvi, mas contanto com o gabarito do Maestro e da Orquestra, será lançada a integral das Sinfonias de Beethoven com o Herbert Blomstedt regendo a Staatskapelle Dresden, no dia 14/10, a qual já adquiri.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/31g9TK%2BWKlL._SS400_.jpg
[...]


Nunca ouvi Blomstedt regendo Beethoven. Vou conferir. Muito obrigado.

Abraços,
Gondim

DVN
10-09-2008, 19:28
Sidão,

Se me permite, a Brilliant Classics pelo menos deste 2006 tem um ciclo de sinfonias de Beethoven de Blomstedt, licenciado da Berlin Classics, com a mesma orchestra. Presumo que seja a mesma gravação? Eu tenho este ciclo de Sinfonias e considero de primeiríssima linha, tando em termos de performance quanto em qualidade de som.
As sinfonias número 1 e 2 são o ponto fraco da coleção, muito pesadas nas mão de Blomstedt. A sinfonia número 9 é excelente aqui. Agora na minha modesta opinião os pontos fortes são as sinfonias numero 4 e 6. Eu prefiro esta gravação da Pastoral do que a consagrada gravação de Bohm (DG/Originals). E quanto a sinfonia número 4, Blomstedt conseguiu na minha (modesta) opinião fazer a melhor gravação que já ouvi desta sinfonia. Aqui a sinfonia número 4 não é apenas um trabalho entre as gigantes 3 e 5. Aqui a número 4 é tratada como uma grande sinfonia que de fato é. Fica aqui minha recomendação: Blomstedt/Beethoven/Sinfonia n.4

Abraço.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51E5QVQF39L._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B0002YCW2I/sr=8-1/qid=1221085086/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music&qid=1221085086&sr=8-1)
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Grande dica Gondin. Será objeto de compra, sem dúvida.
Se me permite uma indicação, meio marota, porque ainda não ouvi, mas contanto com o gabarito do Maestro e da Orquestra, será lançada a integral das Sinfonias de Beethoven com o Herbert Blomstedt regendo a Staatskapelle Dresden, no dia 14/10, a qual já adquiri.
http://ecx.images-amazon.com/images/I/31g9TK%2BWKlL._SS400_.jpg


Grande abraço,

Sidão

O Carteiro
10-09-2008, 22:36
[...] E quanto a sinfonia número 4, Blomstedt conseguiu na minha (modesta) opinião fazer a melhor gravação que já ouvi desta sinfonia. Aqui a sinfonia número 4 não é apenas um trabalho entre as gigantes 3 e 5. Aqui a número 4 é tratada como uma grande sinfonia que de fato é. Fica aqui minha recomendação: Blomstedt/Beethoven/Sinfonia n.4

Abraço.

http://ecx.images-amazon.com/images/I/51E5QVQF39L._SL500_AA240_.jpg (http://www.amazon.com/gp/product/images/B0002YCW2I/sr=8-1/qid=1221085086/ref=dp_image_0?ie=UTF8&n=5174&s=music&qid=1221085086&sr=8-1)
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Caro DVN.

Durante muito tempo também achei que a IV era a sinfonia entre a V e a VI. Quem mudou isso foi Josef Krips. Foi ele quem me fez “escutar” essa sinfonia pela primeira vez.

Quando ouvi a do Kleiber, não tive surpresas. Mas continuo gostando mais da versão do Krips.

Não conheço o ciclo do Blomstedt. Mas se ele me causar um terço da surpresa que foi o ciclo do Otmar Suitner, vai me fazer muito feliz.

Gosto muito da Pastoral do Böhm. Mas prefiro sem hesitações a do André Cluytens. Ouvirei a do Blomstedt com grande interesse.

Um abraço,
Gondim

ZpínoZ
11-09-2008, 21:59
Gostaria de falar um pouco sobre o sistema do edsonbrandao - um ninho de McIntoshs com vários Mactoshões – que tive oportunidade de ouvir na última terça-feira.

Fonte: McIntosh MDC 201
Pré: McIntosh C100
Power: Mcintosh MC 402
Caixas: Sonus Faber Cremona
(dos cabos não falo porque mudam a toda hora)

Também faço questão de postar o depoimento no tópico de Música Clássica por causa de um desvio de conduta muito peculiar e inusitado que observei no proprietário desse excelente setup. O Edson não esta procurando montar um sistema perfeito, nem chegar ao topo do pinheiro; nem busca um som seco, macio, brilhante, transcendental, nada disso. O que ele busca é a sonoridade de uma orquestra específica. Seu Graal é uma sonoridade mágica, fugidia que se lhe escapole entre os cabos. Lenta, quente, detalhada, com um andamento sóbrio e uma dinâmica bailarina, que dispara e se detém sem jamais perder a elegância. Mantendo o ritmo preciso e próprio dos poucos e raros. A impressão é que ele troca cabos, como um maestro troca músicos da orquestra, convencido de que o próximo virtuose dará aquele plus inalcançável, equilibrando e resolvendo a orquestra toda.

Não é um desafio banal, fácil de se impor. Há que ter muitas certezas, ver as luzes entre as neblinas do imediato, avançar, apesar da falta de entendimento alheio.

O som, entretanto, ele sabe, está maravilhoso, ouvimos durante a noite toda com enorme prazer. Houve um Adagietto com o Dudamel (o Sidão comentou acima) impunemente inqualificavel de bonito.

Tinha uma Oitava de Mahler, que não ouvi mas que vou comprar...

http://ecx.images-amazon.com/images/I/417W152TDTL._SL500_AA240_.jpg

Tudo isso bebendo dois vinhos, se o Edson quiser dizer quais, que diga, eu não quero causar inveja. Só adianto que o segundo tinha uns 95 pontos pelo Robert Parker.

Z

Holbein Menezes
12-09-2008, 08:17
"O que ele busca é sonoridade de uma orquestra específica. Seu Graal é uma sonoridade mágica, fugidia que se lhe escapole entre os cabos. Lenta, quente, detalhada, com um andamento sóbrio e uma dinâmica bailarina, que dispara e se detém sem jamais perder a elegância. Mantendo o ritmo preciso e próprio dos poucos e raros. A impressão é que ele troca cabos, como um maestro troca músicos da orquestra, convencido de que o próximo virtuose dará aquele plus inalcançável, equilibrando e revolvendo a orquestra toda. ZpínoZ."

"O que ele busca é sonoridade de uma orquestra específica". Até que não almeja muito, o nosso Brandão: apenas uma orquestra especial para tê-la dentro de casa a sua dele disposição...; e que essa orquestra logre alcançar a sonoridade (?!?), quem sabe, dos mui "decantados" conjuntos celestiais que se destinam tocar para ouvidos divinos...; mas talvez não seja só isso, porque o Brandão, segundo o poeta-filósofo ZpínoZ, quer algo específico, para o gosto específico dele, o humano e tarráqueo Edson Brandão - e de uns poucos felizardos degustadores do vinho do Meretíssimo Juiz, possivelmente de buquê e paladar semelhantes ao que Jesus serviu durante a Última Ceia... "tomai, este é meu sângue; fazei isto em memória de mim".

Até onde pode nos levar a liberdade poética!

Até aos "Cânticos" pagãos do ZpínoZ: "A impressão é que ele troca cabos, como um maestro troca músicos da orquestra, convencido de que o próximo virtuose dará aquele plus inalcançável, equilibrando e revolvendo a orquestra toda."

Como se cabos fossem cordas feitas de tripa de macacos criados em brancas estepes nuveadas de algum Zoo Celestial, que no antanho distante vibravam e soavam diferentes das cordas de aço ou de náilon dos tempos modernas; independente de serem feridas por um virtuose europeu ou por um rabequeiro-cantador em feira livre do Juazeiro de meu santo padim pade ciço. .

Mas não tomem estas maltraçadas, um e outro, ambos diletos e queridos amigos, Douglas e Brandão, não as tomem como desestímulo ao desiderato do musicista jurisconsulto; mesmo porque a mim arataca me falece autoridade moral para afirmar que o impossivel é... impossível. Só o é para os conformistas, que não fazem; para os negligentes, que não aprenderam fazer; para os "pobres de espírito", que não se dispõem realizar.

Ora, Brandão, tô tão a seu lado e-não-abro que, se desejar mais um doido para ajudar você alcançar "aquele plus inalcançável", de que o poeta ZpínoZ fala, é só mandar duas passagens, para Hermosa e para mim, e nos oferecer um hotelzinho de duas estrelas para as "grandes" estrelas que somos.

Um abraço do

Holbein.

Holbein Menezes
12-09-2008, 15:23
Bobo? Bobo uma ova! Quase toma a bela e sedutora Kundry de seu apaixonado oculto, o Gurnemaz; deu até uma chupadinha num dos belos peitos da Kundry, mas mesmo assim não foi na dela; ao contrário, seguiu em frente por saber o que queria, e tomou a Lança Sagrada (o Falo Avantajado) do feiticeiro Klingsor e... não a devolveu a Amfortas; ficou com ela e tornou-se o Rei. Ora, em terra de falos pequenos, um Avantajado é Rei!

Onde o bobo?

Bobos somos nós que nos deixamos "enfeitiçar" por finos falos coloridos ainda que de grossas pontas... a que damos o nome de cabo de força... E tal Parsifal, que aprendeu com Siegfried e seu Falo-Espada, nos sentimos reis...

Reis Insatisfeitos, que não deixa de ser um título.

Holbein.

Holbein Menezes
12-09-2008, 17:59
Pode você estar seguro, Edison, na próxima vez em que formos a São Paulo - e deverá ser na primavera do ano que vem -, nem você nem o Sidney escaparão de nossa visita; e visita de nordestino, sabe como é que é, é com mala, cuia, rede de tucum e cachorro..., além do papagaio; madrugamos que nem o Sol e nos deitamos cedo como as galinhas.

Levaremos carne-do-sol, queijo de coalho, manteiga de garrafa, cajuina e rapadura de coco. Além do feijão-de-corda para Hermosa preparar o legítimo baião-de-dois.

Será um dia com o Douglas e Naomi, outro com o Fernando Andrette e a Rose, um com o Rui Fernando e a Márcia, outro com o Sidney e a noiva Eliza, e, por fim mas não por último, um dia especial com você e respectiva cara-metade.

Quem viver, verá!

Holbein.

Renato_CWB
13-09-2008, 20:26
Prezados mestres, me permito uma intromissão na discussão, pois gostaria de conhecer a opinião dos senhores sobre o pianista Rudolf Serkin (http://en.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Serkin).

http://addons.books.com.tw/G/002/3/0020002683.jpg

Pergunto, pois voltei a escutar hoje após de muito tempo os piano concertos do Beethoven, interpretados pelo solista em conjunto com Boston Symphony Orchestra regida pelo maestro Seiji Ozawa (Telarc). Também possuo algumas gravações lindas de piano concertos do Mozart, estes com a London Symphony Orchestra sob comando do Claudio Abbado (DG).

Desde que comprei estas gravações há quase duas decadas, sempre admirei o estilo suave porém expressivo das interpretações do Serkin. Tudo está fluindo da maneira mais natural possível, sem busca de sensacionalismos artísticos.

Me surpreendi, ao buscar aqui no fórum, que este solista quase não tem nenhuma repercussão, por isto gostaria uma idéia como está posicionado no mundo de quem tem uma referência ampla de artistas e interpretações.

Obrigado pela atenção!! :legal:

ZpínoZ
13-09-2008, 20:45
Desfaçatez.

Fui ver a palavra no Aurélio e achei o significado pesado, mas queria pedir licença para aplicá-la, de forma mitigada, ao nosso companheiro Edson-Parsifal (segundo a fortuna critica inglesa o mais humano dos cavaleiros da Távola).

No meu dialeto natal - mineiro - desfaçatez, também pode significar matreiro. Esse sim se aplica maravilhosamente ao nosso Edson-Parsifal.

Vejam um exemplo e prova cabal. Ele comecou o serviço de vinhos com o Reserva da Familia, Santa Caralina. Antes de serví-lo, cheio de rapapés, explicou que era o melhor produto daquela bodega e coisa e loisa...

Depois, de repente, matreiramente de repente, no segundo vinho, sem falar nada, abre e bota sobre a mesa um TERRUNYO. Assim, abruptamente, de sopetão.

Será que ele queria me testar? Saber se eu entendo mesmo o que tomo? Porque o Sidão e o Braga são irmãos, sabedores desse viés arrevezado dele.

Inocente levei a taça à boca, percebi e imediatamente declarei a súbita subida de qualidade...

Mas, companheiros de tópico, percebam a matreirice, a insídia, a alma de Iago no ato.

É por essa e outras, por esse procedimento ladino e tergiversado que Parsifal conseguiu dar chupadinha na moça...

Z

Holbein Menezes
14-09-2008, 06:33
Pois é, Renato, enquanto os Jovens Mestres estavam mais interessados nas "prendas" da Kundry cujo gemido na sua volta da longa viagem ao Oriente em busca de uma mezinha salvadora para Amfortas - com quem houvera transado, diga-se de passagem... -, "gemido" mais para o orgástico do que manifestação de cansaço, segundo a "sapiência" do freudiano Sidão, enquanto isso deixamos sem comentário sua pergunta sobre Rudolf Serkin, que morreu em 1991 aos 88 anos (tô chegando lá, gente!).

Do Serkin só não gosto o fato de ser estadunidense... Mas como estudou em Viena, deve ter aprendido alguma coisa, louvado seja meu santo padim pade ciço!

Até 1992 os catálogos de CD que possuo não registram nenhuma gravação do Rudolf Serkin, portanto ele pode ter sido um talentoso pianista - e eu era muito jovem ainda para saber distinguir talento, de "tocador de piano" -, mas não se tornou "clássico". De fato, lembro-me de performances dele nas Sonatas de Beethoven no tempo do "longa duração"... faz longo tempo!

Não ajudei nada, né? Quem sabe os Jovens Mestres, agora despertos, e refeitos... não cobrirão minha falha, quem sabe?

Holbein.

migrando
14-09-2008, 10:40
Caro Holbein, se sua única restrição a Serkin deve-se ao fato de
ser estadunidense, esqueça-a, pois ele é judeu, nascido na Boêmia, hoje Checoslováquia. Foi pianista famoso e, segundo a Britannica, (http://www.britannica.com/EBchecked/topic/535697/Rudolf-Serkin#tab=active~checked%2Citems~checked&title)concentrou-se na música de Bach, Mozart, Beethoven, Schubert e Brahms.

Este (http://home.netvigator.com/~joelamkt/serkin.html) site contém informações sobre sua vida e carreira artística. A Amazon (http://www.amazon.com/s/qid=1221399270/ref=sr_pg_1?ie=UTF8&rs=5174&keywords=Rudolf%20Serkin&rh=n%3A5174%2Ck%3ARudolf%20Serkin&page=1) vende inúmeros CDs com ele, incluindo gravações com Toscanini e Guido Cantelli.

Possuo a integral dos concertos para piano, com Ozawa.

:feliz:

ZpínoZ
14-09-2008, 10:51
Se alguem escreveu, o mestre migrando, um contumaz leitor de manuais e afins :concordo:, leu.

Z

ZpínoZ
14-09-2008, 12:11
Caros amigos:

Uma das coisas que mais me apaixonam em termos de vozes são os baixos profundos (do italiano basso profondo), diante não apenas da beleza, como do impacto que acabam causando em nossas almas.
Em sendo assim, há muitos anos, depois de várias pesquisas, encontrei um disco que considero espetacular:

BASSO PROFONDO FROM OLD RUSSIA

http://ecx.images-amazon.com/images/I/21B1PA78Y3L._SL500_AA130_.jpg


Sidão,

Somente neste domingo, chuvoso, pude ouvir mais cuidadosamente aquela arca de tesouros musicais com que voce me presenteou.

Obviamente falta muito para curtir tudo, mas, como voce deve imaginar, a primeira coisa que fui procurar, foram os baixos russos.

Que coisa maravilhosa. Para ficar na adjetivação em "s": solenes, sóbrios, sublimes, soberbos.

Algusn momentos são despudoradamente lindos, de arrepiar os pelos, mesmo os dos ovos.

Z