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  • Os achados do Holbein.

    "Achei" que aquela quimera com a qual alguns audiotas acalentam-se, e acalentam os leitores, de que o melhor cabo é cabo nenhum poderá ser verdadeira,"mutatis mutandis ". Porque depois de muito destruir para experimentar,
    – destruí um exemplar do cabo “The Second”, do Van den Hul para ver o que tinha dentro e vi que tinha muito mais metal do que carbono;
    -- destruí alguns exemplares de cabos da grife “Logical Cable” e notei que não utilizavam da técnica indicada por Jean Hiraga em 1979 – e hoje adotada por quase todas as boas fábricas do mundo – de dois condutores idênticos para o positivo e o negativo, respectivamente, e mais o “schield” – mas sim e inexplicavelmente a velha técnica dos primórdios do rádio, de fazer da blindagem (“schield”) o condutor negativo...
    -- destruí e destruí SEM PARAR... Inclusive um caro exemplar do cabo digital “Transparent” e nada vi de “criação”, a mesma configuração de todo e qualquer cabo digital... Enganem-lhes que eles gostam!
    Depois dessa destruição toda, "achei" que nenhum cabo por mais caro que tenha custado e melhor aparência que possa exibir; ou usar topologia ortodoxa ou heterodoxa, de cobre comum, cobre livre de oxigênio, prata ou banhado a ouro; nenhum cabo, pois, jamais desempenha SEU MELHOR se for revestido com o famigerado "schield", ainda que na forma flutuante.
    O "schield" torna-se necessário e até indispensável apenas pela circunstância de as impedâncias de saída dos "apparatus" do sistema de som musical, tais saídas são ou serem em sua maioria maior que 50 Ohms.
    "Descobri", entretanto, e também que – louvado seja meu santo padim pade ciço! –, que alguns ledores ("players"), tipo OPPO, têm impedância de saída abaixo do valor de 50 Ohms!
    Assim, portanto, se tais ledores forem interconectados diretos aos amplificadores – e se os ledores possuírem controle de intensidade, e em geral possuem –, nessa situação podemos usar cabo sem "schield" algum! Nessa circunstância, o cabo barato torna-se SOBERBO em termos de som, musicalidade, transparência e ilusão de palco!
    Duvida?
    Faça você no seu “laboratório caseiro” (sua sala de som) esta experiência: dote um de seus pré-amplificadores de impedância de saída em redor dos 10 Ohms (se a impedância original de fábrica for maior que 100 Ohms, não dá certo), pegue dois pedaços de fio de cobre de boa qualidade, de preferências com capa de teflon e rijo, torça um fio contra o outro em espirais de 1 e ½ polegadas, solde as pontas em terminais RCA comuns mas desde que façam bom contato, e vá ouvir seu disco predileto; ou então, tenha o trabalho e a despesa de cortar a capa externa de um par de cabo de grife tipo ZEN, depois cortar e retirar o "schield", e, em seguida, ouça o disco com o qual testa seus aparelhos.

    A diferença de “qualidade musical” é tamanha, tal a diferença de musicalidade que se constata entre um amplificador comum com válvulas comuns e um “singled end” com uma 300B.

    Mas tal “achado” requer que mande um técnico de sua confiança – o Rui Fernando, de São Paulo, por exemplo (Tel. (11) 3104.7160; ou e-mail:
    termiônica@terra.com.br), peça ao Rui para construir e instalar, após o circuito de saída de seu pré-amplificador (melhor seria do seu ledor!) um chipe ou um transistor “descrete”, alimentados a pilha, de modo a lograr ter na saída impedância em torno de 10 Ohms.
    [Em outros tempos, naqueles tempos em que se enganavam menos aos audiófilos e as grifes não eram, apenas, assinadas por projetistas de conhecimento e experiência e fama, para efeito de receber “direitos autorais ; nesses tempos um Engenheiro de qualidade conhecido no mundo inteiro como A. Stewart Hegeman; Stewart “bolou” um aparelho a que deu o nome de “Hegeman Input Probe” (“probe” é um “device”, um aparelho para ser intercalado entre aparelhos de áudio com a finalidade de compatibilizar suas impedâncias inter-relacionadas) , alimentado a pilha, para fazer baixar as impedâncias das cápsula fonocaptoras.
    O impiedoso crítico da “The Absolute Sound”, Patrick Donleycoat, analisou o “device” de Stewart Hegeman, em comentário de 1978, do qual dou abaixo um resumo (em tradução livre):
    “... parece que o “Input Probe” pode ter valor quando utilizado após pré-amplificadores menos esotéricos (os high-end de hoje, HM); e, igualmente, quando usado seguido de cabos de longo comprimento...”
    Já o Editor da revista, o célebre Harry Pearson, comentou ao pé do texto do Donleycoat:
    “... aquilo que o Hegeman fez com o “Probe” foi para reduzir , ou eliminar, os efeitos das capacitâncias interagindo nas interconexões...”
    Que é, “mutatis mutandis”, aquilo que faz o “schield” presente em todos os cabos de interconexão: agir sobre os efeitos das capacitâncias dos cabos de interconexão, e um desses efeitos é o de “antena”, isto é, a captação de zumbidos “air borne”, isto é, circulando na atmosfera da sala de música. Mas quando a impedância de saída de ledores ou pré-amplificadores é baixa (e “impedância” é o nome que se dá, num dado circuito, ao efeito combinado de indutância, capacitância e resistência, fatores que impedem a livre circulação da corrente de áudio), quando a impedância é baixa ou abaixo de 50 Ohms, quer isso significar que a capacitância é baixíssima ou inexistente no cabo de interconexão. Assim, portanto, desnecessitando da presença do “schield”.
    Por isso que o “schield” ou blindagem constitui-se um “corpo estranho” no circuito LCR que é um cabo de interconexão; estranho e prejudicial, e prejudicial porque aumenta sem ser preciso a capacitância de tal circuito. E quando um construtor de cabo, como é o caso da Logical Cable, põe o “schield” para conduzir o sinal negativo, comete não só o crime de lesa fidelidade como o pecado de vender gatos por lebres.
    Ainda que, antigamente, as demonstrações públicas realizadas por Gilbert Briggs e Harold Leak cuja finalidade eram comparar a reprodução ao vivo com a reprodução em conserva, nesses tempos ambos utilizavam cabos de interconexão com o “schield” a conduzir o sinal negativo; assim como praticavam a ligação de falantes com cabos ordinários, duplos e flexíveis, e multiveias, de eletricidade...
    E durma-se com uma situação dessa!
    Conclusão apressada: os de antigamente não tínhamos os ouvidos apurados dos audiotas de hoje... que se especializaram em ouvir diferenças de “coisas” as quais, por serem abstratas, dão o nome de “organicidade”, “dinâmica”, “pegada”, “micro detalhes”, ”corpo harmônico” , “palco sonoro”, “textura” etc. Eles todos os antigos, ouvíamos musicalidade, sim, e equilibro total, também. E mais, ouvíamos a articulação, prestávamos atenção ao andamento, gostávamos ou não da sonoridade e da afinação e ficávamos parados nos temas.
    E não era isso, ou não era só isso: os aparelhos dos de antigamente, QUAD, Marantz e McIntosh e Leak e Scott etc. não atingiam as especificações ótimas dos equipamentos “high-end” de agora; por isso que uma distorção harmônica da ordem de 1% era tolerável, em especial nos amplificadores valvulados “singled-end”, pentodos.
    Mas os musicistas de então, estes estávamos ligados não nas especificações técnicas que não as sabíamos avaliar convenientemente – como ainda hoje os audiotas não sabem pois em geral leem os números metafisicamente, isto é, como se fossem números absolutos desassociados de seus contextos (uma câmara anecóica é tudo por tudo diferente de uma sala de música situada numa casa ou num apê); e também os audiotas de hoje estão “conectados” nas grifes e na wattatagem de seus aparelhos mas não na peça musical que porventura ouvem, nos temas dessa peça musical, na musicalidade da orquestra, no andamento da regência etc.
    Aliás, tal como hoje acontece com as transmissões dos jogos de futebol pela técnica HD: encantam-nos, sem dúvida encantam-nos os detalhes das chuteiras multicoloridas dos jogadores e as camisas furta-cores dos clubes; interessam-nos se o bico da chuteira do jogador do ataque que fez um lindo gol de letra contra o time pelo qual torcemos, pelo tira-teima da TV do Galvão Bueno o bico da chuteira do atacante estava adiante do bico da chuteira do jogador da defesa de seu time – e por isso o gol foi feito em impedimento“(off-side”) – ainda que a jogada do atacante tenha sido uma obra-prima de uma “folha-seca”, de um bate-pronto, de um drible, de uma caneta, de um chapéu etc.
    Da mesma forma agimos os audiotas. Mesmo porque não estamos mais acostumados, nem interessados em ouvir música, uma sinfonia inteira, uma longa ópera. Nos habituamos a ouvir tons isolados, um triângulo que bate lá no fundo da orquestra, o trac-trac da palheta do saxofone do Dexter Goldon, no seu disco “Ballads”; ou, como é avaliação do Fernando Andrette, se a batequeta bateu doze vezes nas bordas do tambor... Para ele, isso é alta-fideliade, isso é “high-end”, isso merece uma capa da sua revista.
    Importa nada aos audiotas que os cabos da grife “Logical Cable”, e os cabos ditos de carbono do Van den Hul aproveitem o “schield” como condutor negativo, técnica condenada pelo cientista de áudio Jean Hiraga desde 1977 (!!!) quando afirmou em artigo na publicação “Revue Du Son”: Tradução livre, HM): “É recomendável que o sinal use a mesma qualidade de cabo (ou fio) TANTO PARA O SINAL POSITIVO QUANTO PARA O SINAL NEGATIVO, OTERRA. E a razão é simples: se se usa o “schield” como condutor , ele apresenta 1/3 de resistência a mais (grifo meu,HM) que o condutor positivo do sinal. A melhor solução é usar os dois condutores do sinal, positivo e negativo, similares e tanto quanto possível iguais, além do “schield.” O “schield” pode ser conectado apenas numa das pontas do cabo a fim de minimizar o seu efeito deletério.
    O meu “achado” mais recente é que SEM ‘SCHIELD” NENHUM qualquer cabo de interconexão desempenha melhor do que com “schield”; devido ao que Jean Hiraga chama de efeito do “schield”.
    Ora, se você já gosta do desempenho do cabo que usa, se lograr baixar a impedância de saída do ledor ou do pré-amplificador, e assim puder usar o seu cabo sem o “schield” com que vem dotado de fábrica, sentirá imediatamente que o som fica mais aberto, desaparece um certa “névoa” mui tênue que encobre o som musical replicado, dificultando sua visibilidade plena e total, que a sua topologia enseja . Fiz essa experiência em casa de um Amigo, comparando um cabo com “schield” Cardas Golden com um singelo cabo feito por mim, sem “schield” nenhum; e até o dono da casa sentiu a diferença na “aeração”... Os instrumentos pareciam mais “purificados”.
    Amém.
    Este artigo foi originalmente publicado dentro do fórum, no tópico: Os achados do Holbein. criado por Holbein Menezes Ver mensagem original
    Comentários 148 Comentários
    1. Avatar do(a) Eronsilva
      Eronsilva -
      Holbein meu mestre, bravo leao das alterosas, eh quando leio um seu texto que percebo a falta que sentia de sua escrita.
      De cara me desculpo pela grafia de telegrama, mas "eh" que computador de Israel nao tem acento agudo, nem til, nem os quindins de iaiah. Mas isso nao tem a menor importancia, assim como eh escusado apontar que o nome daquela malha objeto de sua malhacao eh "shield", porque o que vale eh o que voce expoe: a questao da impedancia entre as pecas do sistema, e a acao deleteria do tal "xild" (essa sim eh a grafia correta no estilo holbeniano que conhecemos nos, seus leitores "antigos").
      Sua peroracao (por favor, va acrescentando mentalmente as cedilhas e tils! ) iconoclasta (e perdularia, embora eu desconfie que, para voce, o que conta mesmo eh a "causa" da verdade em audio...) me fez lembrar do "timbre lock" que o eng. Eduardo de Lima usa em seus amplificadores e pres.
      Embora o conceito teorico nao seja original (e nem Eduardo faz tal repto), seu uso como casador de impedancias em aparelhos de audio o eh - e os gringos da Stereophile gostam tanto, que ha 7 anos o amplificador do Eduardo recebe a classificacao "Classe A" lah deles. Entao lhe pergunto: voce ja teve a oportunidade de ouvir algum desses aparelhos?
      Um grande abraco da terra de leite e mel, de mulheres serias e de homens trabalhadores!
    1. Avatar do(a) meggass
      meggass -


      Apesar de não conhecer muito sobre o assunto sempre tive essa impressão em relação aos cabos!

      Gostei muito do texto. Parabéns!

      meggass!!!
    1. Avatar do(a) almeidabatista
      almeidabatista -
      Holbein escreveu:
      "Conclusão apressada: os de antigamente não tínhamos os ouvidos apurados dos audiotas de hoje... que se especializaram em ouvir diferenças de “coisas” as quais, por serem abstratas, dão o nome de “organicidade”, “dinâmica”, “pegada”, “micro detalhes”, ”corpo harmônico” , “palco sonoro”, “textura” etc."
      Fora muitos outros substantivos e adjetivos esquecidos pelo respeitado colega, causa-me espanto um em especial, visto em nossas publicações: equipamento analítico demais...!
      Olha, eu tentei, com a ajuda de dicionários e da minha pouca massa cinzenta, mas não consegui entender do que se trata...
      Parecer-me-ia uma coisa boa, talvez significando que o equipo trata bem os detalhes e reproduz a música com precisão, mas usam-no, aquele adjetivo, como depreciativo e ainda com demais!, então...
      Mas quem sou eu...
    1. Avatar do(a) phcassa
      phcassa -
      Cada vez mais eu amo meus Santo Ângelos!!! Obrigado por dividir essa experiência conosco.
    1. Avatar do(a) antoniolcrd
      antoniolcrd -


      Viva a minha leiguice... ou pode ser ignorancia mesmo??

      Bom domingo a todos.
    1. Avatar do(a) Eronsilva
      Eronsilva -
      Caro Holbein, voce sabe o quanto lhe respeito, mas fico desconcertado quando o vejo empregar o pejorativo "audiota", a meu ver, impropriamente. Para mim, o "audiota" e aquele sujeito que ama mais os aparelhos do que a musica. O que aje como "novo rico", que nao possui cultura que de sentido ao seu poder aquisitivo. Que muda de opiniao a cada ano, quando os conglomerados comerciais ditos "haiendi" vem com nova campanha de marketing desdizendo tudo que disseram no ano anterior... e tomando o dinheiro do imbecil mais uma vez. Usando um ditado la do norte velho, o "audiota" emprenha pelos ouvidos.
      Holbein, enologos, perfumistas, degustadores de cafe, todos possuem um vocabulario proprio para descrever de modo coerente e compreensivel a outros aquilo que seus sentidos lhes informam. Nao e outra a finalidade das palavras escolhidas pelo Fernando Andrette para tentar descrever aos leitores da sua revista como "falam" os aparelhos testados. Ele propos uma metodologia que, imperfeita como tudo que e humano, era ate entao inedita em nosso pais, e gracas a ela e aos "partos de montanha" que foram cada um dos hi-fi shows que ele produziu, uma geracao inteira adquiriu uma percepcao mais clara da diferenca de desempenho entre aparelhos eletronico de consumo equipamentos hi-fi (raifai) e equipamentos hi-end (raiendi).
      Eu desconhecia o estudo que voce mencionou sobre a inconveniencia de se usar o xild para conduzir o negativo do sinal. O estudo e antigo, mas creio que voce so o descobriu recentemente, caso contrario possivelmente te-lo-ia mencionado no tempo em que foi colaborador da revista do Fernando.
      Holbein, num momento em que uma nova geracao esta prestes a ser definitivamente perdida por culpa da musica comprimida que se baixa da internet e se toca em mp3, mesmo um leao velho e iracundo (permita-me: digo-o em reconhecimento ao merecido direito conferido por sua idade e experiencia para dizer o que pensa, sem papas na lingua) como voce pode contribuir para esclarecer em vez de anuviar, ou pior, nivelar definitivamente por baixo a discussao de como se pode obter o melhor rendimento possivel de um sistema (sem para isso ter que vender um rim - ou os dois, no caso do audiota perfeito).
      Tendo dito isso, volto a perguntar-lhe, no espirito do seu texto: voce ja teve a oportunidade de experimentar os aparelhos "com ajuste de casamento de impedancia" do Eduardo de Lima? Sua opiniao e muito respeitada, e eu faria a ponte com o Eduardo com o maior prazer, caso voce me faca "um aceno" (como costuma dizer o obsceno coronel Sarney quando quer sinalizar a outros partidos politicos que esta aberto a mais um cambalachozinho em brasilia... cara, como e bom estar loooonge disso tudo!).
      Por favor, honre-me com uma MP (sei que tentou comunicar-se ha relativamente pouco tempo, mas minha caixa de correio estava abarrotada. Ja apaguei tudo, espanei os moveis e mantenho sempre um cafe quentinho esperando pela visita do mestre).
      Forte abraco do Eron (agora Aharon)
    1. Avatar do(a) alberes
      alberes -
      Excelente texto!

      Agora, digamos que a impedância do meu pré seja alta, e que eu não possa resolver isso facilmente. Nesse caso, imagino que a blindagem (xild) tenha sua utilidade na proteção contra interferências externas. Por outro lado, será que o efeito deletério da capacitância sobre a qualidade sonora é tão alto quanto no caso do pré de baixa impedância?
    1. Avatar do(a) charbide
      charbide -
      Estou de volta, mesmo sabendo que na maioria dos casos a palavra esconde a ação! É que na verdade, fiquei meditando em relação ao que aqui foi postado e gostaria de deixar registrado um fato que ocorreu comigo há alguns anos. Sempre nutri grande admiração pelos "vintage" e à época, movido em parte, por uma irresistível obsessivo-compulsividade, acabei juntando cerca de quatro configurações de equipamentos. Havia os Quad 33/303; Macintosh 5100; Marantz e Dynaco valvulado. As caixas eram Fischer, Wharfedale e JBL. Com todo esse arsenal em mãos, resolvi solicitar algumas orientações especializadas com a finalidade de poder conectá-los da melhor forma possível. Enviei então um e-mail
      ao Sr F.A. com as especificações detalhadas de cada pequena obra de arte eletronica da qual imaginava poder extrair musicalmente o melhor. Junto foram também as medidas dos ambientes, revestimentos, tapetes, cortinas etc... Para minha surprêsa recebi como resposta uma tenebrosa sentença inquisicional. "- o melhor a fazer é livrar-se de tudo isso e partir para um sistema prata referência ou ouro melhor compra". Estou até hoje tentando me curar dessa "paulada" e também procurando entender quais seriam as "forças ocultas" determinantes dessa conclusão. Sei que estamos em franca deterioração quanto aos costumes, valôres, ética e moralidade. Confesso que foi justamente à partir desse momento que o desencanto high-end instalou-se veementemente em meu ser! É claro que eu sei que um Accuphase ou um Gamut é bem diferente de um galena, mas o problema não é bem esse. O que mais preocupa é a franca negação e descaracterização de um segmento da história do áudio que foi, é e continuara sendo impostantíssimo para uma geração inteira de apreciadores de musica. Não foi o próprio Hegel que disse que a história universal é o tribunal que julga o mundo? Pois bem, em síntese, devo dizer que continuo ao lado dos
      meus amiguinhos inseparáveis, que, por sinal, me proporcionam muita satisfação, prazer e chegam até a me curar de certos infortúnios!
    1. Avatar do(a) almeidabatista
      almeidabatista -
      Caramba...
    1. Avatar do(a) Rafael Seixas
      Rafael Seixas -
      Amigos,
      Venho pedir licença para citar dois trechos que extraí do texto dos colegas.
      Veja como este fórum é implacável, apocalíptico e excludente:

      “Holbein, num momento em que uma nova geração esta prestes a ser definitivamente perdida por culpa da musica comprimida que se baixa da internet e se toca em mp3”.

      “Sei que estamos em franca deterioração quanto aos costumes, valores, ética e moralidade”.

      Uma geração não será completamente perdida pelo MP3, que democratiza a música, apesar da baixa qualidade, satisfaz a imensa maioria das pessoas. A música corre livre na internet, mesmo comprimida, digitalizada, mas livre de qualquer gueto.
      Uma pessoa não precisa captar até a última nuança de som, durante um acorde específico, para apreciar e conversar sobre música.
      O xiismo não é bom em nenhuma área.
    1. Avatar do(a) antoniolcrd
      antoniolcrd -
      Eu acho que uma geraçao fica perdida por usos e costumes que geram uma nova cultura. No meu entendimento estao retratados, e muito bem, na "metafora" do mp3 baixado na internet, etc etc. De qq forma
    1. Avatar do(a) Álvaro Ney
      Álvaro Ney -
      Copia sermonis non est consors rationis


      A ocorrência usual de alguns equivocados, levados por construtores ousados alardeam com exacerbada veemência a qualidade dos seus produtos e tem a seu serviço, leigos aprendizes a ratificar a maravilha do produto, relegando ao oblívio a circunspecção dos mais atentos, com inequívoco conhecimento que detectam de plano a estratégia para manter no véu da ignorância os menos favorecidos.
      A razão não precisa ser gritada, propagandeada e tampouco defendida ardentemente. Ela precisa é ser argumentada em elementos fáticos irrefutáveis tais como o nobre missivista observou, sem alardear, ofender ou exaltar, simplesmente mostrando seu ponto de vista de uma forma excepcional, calando as tropas de assalto de marketing com uma estratégia brilhante, revestida de fatos incontestáveis e facilmente comprováveis, não em razão do alto investimento, mais sim da qualidade que se procura com custo que os pseudos conhecedores afirmam ser impossível obter, permitindo facilmente constatar a fragilidade da cognição que detém a respeito do assunto abordado com reconhecido brilhantismo, pois o poder de convencimento é incontestável, pois inclusive encontra apoio em pessoas sem o menor conhecimento, talvez, tão somente para justificar o seu alto investimento em determinada grife.
      Não posso deixar de declinar os meus respeitosos encômios ao brilhantismo do autor do tópico, pois com invulgar utilização do vernáculo, aduziu o que com certeza, muitos gostariam de mencionar, mas temem represálias desagradáveis que culminam em desavenças inglórias para quem detém um pouco de conhecimento do assunto.
      A dissertação foi tão didática que ninguém ousaria litigar com alguém com tamanho conhecimento e experiência tanto em base técnica quanto empírica.
      Só ficou faltando a abordagem do tema de moda dos denominados “cabos de força HI-END”, cujas qualidade excepcionais são alardeadas com exagerada veemência, embora não tenha o menor embasamento técnico para tal.
      Meus parabéns e congratulações pela excelente dissertação.
    1. Avatar do(a) JrPinto
      JrPinto -
      Holbein,

      Quanto à verborragia utilizada para descrever os aspectos abstratos do som, será que algum dia chegaremos ao absurdo dos enólogos? Espero que não.

      Fazem-me rir expressões como luminosidade para a descrição de algo relacionado ao paladar.
    1. Avatar do(a) FMelo
      FMelo -
      "Assim é se lhe parece"

      Frase de Luigi Pirandello sobre a ilusão da realidade. Tenta explanar como a realidade humana muda em função do olhar de quem a observa. NMHO é a melhor explicação para os voodoos que rodam a audiofilia.
    1. Avatar do(a) Shauss
      Shauss -
      Caro Holbein, nos meus 63 anos de vida e pelo menos 35 anos de experimentação em áudio nunca vi tanta lucidez tão bem sintetizada e explicitada como nesse seu artigo...Mas, como você bem o disse, os marketeiros tentam nos fazer comprar cabos exotéricos de US$ 1 mil/metro, alegando baboseiras como "organicidade", "palco sonoro", "corpo harmônico", "micro texturas", etc e outros termos esotéricos que eles (os audiotas) se quer sabem explicar. Mas é que está na moda, meu caro, enganar os trouxas, leigos e incautos na tentativa de arrancar deles um dim dim suado que, em tese, lhes trará o nirvana do áudio. E quanto a qualidade musical do que vai se ouvir? Ora bolas, deixa isso prá lá...! O que importa mesmo é convencer o pobre coitado de que, com um cabo de US$ 1 mil o metro linear, ele vai ouvir toda a "organicidade" que tem direito (rsrsrsrsrs). Fui dono de loja de home theater nos anos 90, ajudei a desbravar este mercado e há 15 anos que trabalho com instalação de sistemas de áudio e home theater na região do Vale do Paraíba, e minha atuação sempre se pautou na relação custo x benefício, para que o cliente tenha um bom sistema sem precisar gastar o equivalente a um bom carro Zero Km, só porque leu "naquela revista" tal e tal resenha sobre as maravilhas sonoras de um cabo Van de Hull e outros similares fabricado com materiais de origem aeroespacial. Tenho cuidadosamente arquivado todos os números da CAVI que você escreveu desde o primeiro até o número em que eles publicaram o seu último artigo. E agora entendo mais claramente porque vc. parou de escrever na revista. Parabéns! Em tempo: há muitos anos que eu deixei de comprar a revista CAVI. Meus ouvidos infelizmente não escutam (e nunca escutaram) nenhuma "organicidade". Se quer uma "micro texturazinha"....Mas a minha coleção de mais de 2000 CDs não para de crescer!
    1. Avatar do(a) AFLD
      AFLD -
      No meu caso particular consegui muito mais incremento de qualidade no som investindo em um bom tratamento da corrente de alimentação, fonte da grande maioria dos ruídos e interferências, que em cabos de áudio, que são bem simples.

      Caro JrPinto,
      Sem querer causar polêmica, mas apenas uma contribuição factual:
      Concordo que a quantidade de parâmetros abstratos que os enólogos usam desafiam qualquer análise mais objetiva e às vezes até o bom senso. No entanto vc escolheu para ilustrar o seu ponto justamente um dos pouquíssimos parâmetros que são objetivos e mensuráveis. :-)
      A luminosidade do vinho nada mais é que o quanto ele brilha quando iluminado (literalmente). É visual mesmo, simples assim, nada ver com essas dezenas de nuances de paladar que só esses enólogos conseguem identificar.
    1. Avatar do(a) Eronsilva
      Eronsilva -
      Caro Rafael Seixas, voce esta certo quanto aa democratizacao que o MP3 (e a internet) permitem. E concordo: Eh impossivel "perder-se uma geracao".
      Eu quiz dizer, no exemplo dado, eh a "referencia" que nos (os mais antigos) temos de coisas como, por exemplo, a variacao dinamica - a "distancia", em termos de pressao sonora, entre os momentos mais suaves e mais intensos da musica. Explico o obvio porque o conceito de "dinamica" faz parte da metodologia criada por meu amigo pessoal e professor de "apreciacao musical" desde os 14 anos de idade, Fernando Andrette , com a intencao de estabelecer um parametro de comunicacao - algo inedito ate entao, e talvez por isso tao vilipendiado.
      A perda da referencia tambem tem a ver com o tipo de musica que uma pessoa ouve.
      Entao...
      Se a referencia de uma geracao for essa midia comprimida... seu nivel de exigencia quanto ao sistema reprodutor sera diretamente proporcional.
      Aharon, ex eron silva, surpreso em saber que Pompeu Pompilio Pomposo tambem eh audiota!
    1. Avatar do(a) MTAVARES
      MTAVARES -
      Ola pessoal.
      Não costumo escrever e sim mais ler, mas achei muito interessante esse artigo.
      Sou adepto do melhor custo beneficio, e costumo ofertar aos meus clientes um sistema que no minimo nao degrade a sonoridade.
      Existe tbem cabos p/ video que acho mais problematico que audio.
      Ja fiz varias comparaçoes com diversos cabos e só consegui perceber as diferenças ouvindo muito e cheguei a conclusão que quase todos fazem a mesma coisa e vai depender muito de quem esta ouvido e se quem esta ouvindo percebe a diferença.
      Ja fiz testes com clientes leigos e tive a surpresa do cabo escolhido ser o mais simples e barato, é como ele estivesse escolhendo um carro, foi oque ele mais gostou.
      Para mim a diferença entre cabos existe, mas vale mais o que o ouvinte gosta.
    1. Avatar do(a) Eronsilva
      Eronsilva -
      Sabias palavras, Tavares!
      Os sistemas que nos, simples mortais, possuimos, dificilmente mostrarao alguma diferenca significativa de desempenho com relacao a cabos. Todos temos um ponto de partida, "o sistema que temos", e para muitos de nos (inclusive eu, ha longos atras) pular do "flamenguinho" para um Santo Angelo e, sim, um upgrade.
      E a audicao continuada que acaba nos fazendo desejar upgrades: uma fonte melhor, caixas melhores, um power um pouco mais "parrudo" e, porque nao, experimentacoes com cabos.
      Eu acho que so quando um sistema atinge o nivel dos milhares de dolares e que se notara alguma diferenca minimamente perceptivel, o tal "refinamento a mais" supostamente permitido pelos cabos.
      Holbein esta coberto de razao em sua ira santa.
      O problema do mercado de audio, seja no brasil como em qualquer outro lugar do mundo, pode ser entendido com o seguinte exemplo: suponha que voce resolva lancar no mercado o "Jeans Tavares". Voce compra o maquinario de um infeliz que esta enforcado, compra toneladas de brim num leilao de contrabando da receita federal, contrata um monte de costureiras baratas em alguma cidade do interior, bola um esquema de vendas forte mas de baixo custo (sei la, vendedores comissionados, porta-a-porta, voce descobriu a polvora). Faz as contas, e percebe: "caramba, posso vender essas calcas por R$35 e ainda ter um belo lucro". Mas ai voce para e percebe que o mercado aceita pagar R$250 por um par de calcas iguaizinhas a sua. Voce vai abrir mao desse lucro? Claro que nao!
      O preco de um produto poderia ser muito mais baixo, mas se o mercado paga...
      De toda maneira, o texto do Holbein merece ser relido, e "trelido" (eita novologismo besta!). Ele fala de tecnica em vez de preco, e de iconoclastia - a eliminacao pura e simples dos cabos.
      Ja existem caixas "sem fio", em que o sinal de audio e captado por radio, mas a complicacao envolvida no projeto e sua consecucao, o alto custo resultante e os infaliveis questionamentos quanto as possiveis interferencias na transmissao do sinal e sua eventual fidelidade abrem uma nova janela para outra discussao interminavel!
      Acho que nos, os amantes da musica ("audiota" eh o ******!), tambem amamos uma boa discussao!
    1. Avatar do(a) Sith
      Sith -
      Muito bom o texto. Gostei muito!
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