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  • Os achados do Holbein.

    "Achei" que aquela quimera com a qual alguns audiotas acalentam-se, e acalentam os leitores, de que o melhor cabo é cabo nenhum poderá ser verdadeira,"mutatis mutandis ". Porque depois de muito destruir para experimentar,
    – destruí um exemplar do cabo “The Second”, do Van den Hul para ver o que tinha dentro e vi que tinha muito mais metal do que carbono;
    -- destruí alguns exemplares de cabos da grife “Logical Cable” e notei que não utilizavam da técnica indicada por Jean Hiraga em 1979 – e hoje adotada por quase todas as boas fábricas do mundo – de dois condutores idênticos para o positivo e o negativo, respectivamente, e mais o “schield” – mas sim e inexplicavelmente a velha técnica dos primórdios do rádio, de fazer da blindagem (“schield”) o condutor negativo...
    -- destruí e destruí SEM PARAR... Inclusive um caro exemplar do cabo digital “Transparent” e nada vi de “criação”, a mesma configuração de todo e qualquer cabo digital... Enganem-lhes que eles gostam!
    Depois dessa destruição toda, "achei" que nenhum cabo por mais caro que tenha custado e melhor aparência que possa exibir; ou usar topologia ortodoxa ou heterodoxa, de cobre comum, cobre livre de oxigênio, prata ou banhado a ouro; nenhum cabo, pois, jamais desempenha SEU MELHOR se for revestido com o famigerado "schield", ainda que na forma flutuante.
    O "schield" torna-se necessário e até indispensável apenas pela circunstância de as impedâncias de saída dos "apparatus" do sistema de som musical, tais saídas são ou serem em sua maioria maior que 50 Ohms.
    "Descobri", entretanto, e também que – louvado seja meu santo padim pade ciço! –, que alguns ledores ("players"), tipo OPPO, têm impedância de saída abaixo do valor de 50 Ohms!
    Assim, portanto, se tais ledores forem interconectados diretos aos amplificadores – e se os ledores possuírem controle de intensidade, e em geral possuem –, nessa situação podemos usar cabo sem "schield" algum! Nessa circunstância, o cabo barato torna-se SOBERBO em termos de som, musicalidade, transparência e ilusão de palco!
    Duvida?
    Faça você no seu “laboratório caseiro” (sua sala de som) esta experiência: dote um de seus pré-amplificadores de impedância de saída em redor dos 10 Ohms (se a impedância original de fábrica for maior que 100 Ohms, não dá certo), pegue dois pedaços de fio de cobre de boa qualidade, de preferências com capa de teflon e rijo, torça um fio contra o outro em espirais de 1 e ½ polegadas, solde as pontas em terminais RCA comuns mas desde que façam bom contato, e vá ouvir seu disco predileto; ou então, tenha o trabalho e a despesa de cortar a capa externa de um par de cabo de grife tipo ZEN, depois cortar e retirar o "schield", e, em seguida, ouça o disco com o qual testa seus aparelhos.

    A diferença de “qualidade musical” é tamanha, tal a diferença de musicalidade que se constata entre um amplificador comum com válvulas comuns e um “singled end” com uma 300B.

    Mas tal “achado” requer que mande um técnico de sua confiança – o Rui Fernando, de São Paulo, por exemplo (Tel. (11) 3104.7160; ou e-mail:
    termiônica@terra.com.br), peça ao Rui para construir e instalar, após o circuito de saída de seu pré-amplificador (melhor seria do seu ledor!) um chipe ou um transistor “descrete”, alimentados a pilha, de modo a lograr ter na saída impedância em torno de 10 Ohms.
    [Em outros tempos, naqueles tempos em que se enganavam menos aos audiófilos e as grifes não eram, apenas, assinadas por projetistas de conhecimento e experiência e fama, para efeito de receber “direitos autorais ; nesses tempos um Engenheiro de qualidade conhecido no mundo inteiro como A. Stewart Hegeman; Stewart “bolou” um aparelho a que deu o nome de “Hegeman Input Probe” (“probe” é um “device”, um aparelho para ser intercalado entre aparelhos de áudio com a finalidade de compatibilizar suas impedâncias inter-relacionadas) , alimentado a pilha, para fazer baixar as impedâncias das cápsula fonocaptoras.
    O impiedoso crítico da “The Absolute Sound”, Patrick Donleycoat, analisou o “device” de Stewart Hegeman, em comentário de 1978, do qual dou abaixo um resumo (em tradução livre):
    “... parece que o “Input Probe” pode ter valor quando utilizado após pré-amplificadores menos esotéricos (os high-end de hoje, HM); e, igualmente, quando usado seguido de cabos de longo comprimento...”
    Já o Editor da revista, o célebre Harry Pearson, comentou ao pé do texto do Donleycoat:
    “... aquilo que o Hegeman fez com o “Probe” foi para reduzir , ou eliminar, os efeitos das capacitâncias interagindo nas interconexões...”
    Que é, “mutatis mutandis”, aquilo que faz o “schield” presente em todos os cabos de interconexão: agir sobre os efeitos das capacitâncias dos cabos de interconexão, e um desses efeitos é o de “antena”, isto é, a captação de zumbidos “air borne”, isto é, circulando na atmosfera da sala de música. Mas quando a impedância de saída de ledores ou pré-amplificadores é baixa (e “impedância” é o nome que se dá, num dado circuito, ao efeito combinado de indutância, capacitância e resistência, fatores que impedem a livre circulação da corrente de áudio), quando a impedância é baixa ou abaixo de 50 Ohms, quer isso significar que a capacitância é baixíssima ou inexistente no cabo de interconexão. Assim, portanto, desnecessitando da presença do “schield”.
    Por isso que o “schield” ou blindagem constitui-se um “corpo estranho” no circuito LCR que é um cabo de interconexão; estranho e prejudicial, e prejudicial porque aumenta sem ser preciso a capacitância de tal circuito. E quando um construtor de cabo, como é o caso da Logical Cable, põe o “schield” para conduzir o sinal negativo, comete não só o crime de lesa fidelidade como o pecado de vender gatos por lebres.
    Ainda que, antigamente, as demonstrações públicas realizadas por Gilbert Briggs e Harold Leak cuja finalidade eram comparar a reprodução ao vivo com a reprodução em conserva, nesses tempos ambos utilizavam cabos de interconexão com o “schield” a conduzir o sinal negativo; assim como praticavam a ligação de falantes com cabos ordinários, duplos e flexíveis, e multiveias, de eletricidade...
    E durma-se com uma situação dessa!
    Conclusão apressada: os de antigamente não tínhamos os ouvidos apurados dos audiotas de hoje... que se especializaram em ouvir diferenças de “coisas” as quais, por serem abstratas, dão o nome de “organicidade”, “dinâmica”, “pegada”, “micro detalhes”, ”corpo harmônico” , “palco sonoro”, “textura” etc. Eles todos os antigos, ouvíamos musicalidade, sim, e equilibro total, também. E mais, ouvíamos a articulação, prestávamos atenção ao andamento, gostávamos ou não da sonoridade e da afinação e ficávamos parados nos temas.
    E não era isso, ou não era só isso: os aparelhos dos de antigamente, QUAD, Marantz e McIntosh e Leak e Scott etc. não atingiam as especificações ótimas dos equipamentos “high-end” de agora; por isso que uma distorção harmônica da ordem de 1% era tolerável, em especial nos amplificadores valvulados “singled-end”, pentodos.
    Mas os musicistas de então, estes estávamos ligados não nas especificações técnicas que não as sabíamos avaliar convenientemente – como ainda hoje os audiotas não sabem pois em geral leem os números metafisicamente, isto é, como se fossem números absolutos desassociados de seus contextos (uma câmara anecóica é tudo por tudo diferente de uma sala de música situada numa casa ou num apê); e também os audiotas de hoje estão “conectados” nas grifes e na wattatagem de seus aparelhos mas não na peça musical que porventura ouvem, nos temas dessa peça musical, na musicalidade da orquestra, no andamento da regência etc.
    Aliás, tal como hoje acontece com as transmissões dos jogos de futebol pela técnica HD: encantam-nos, sem dúvida encantam-nos os detalhes das chuteiras multicoloridas dos jogadores e as camisas furta-cores dos clubes; interessam-nos se o bico da chuteira do jogador do ataque que fez um lindo gol de letra contra o time pelo qual torcemos, pelo tira-teima da TV do Galvão Bueno o bico da chuteira do atacante estava adiante do bico da chuteira do jogador da defesa de seu time – e por isso o gol foi feito em impedimento“(off-side”) – ainda que a jogada do atacante tenha sido uma obra-prima de uma “folha-seca”, de um bate-pronto, de um drible, de uma caneta, de um chapéu etc.
    Da mesma forma agimos os audiotas. Mesmo porque não estamos mais acostumados, nem interessados em ouvir música, uma sinfonia inteira, uma longa ópera. Nos habituamos a ouvir tons isolados, um triângulo que bate lá no fundo da orquestra, o trac-trac da palheta do saxofone do Dexter Goldon, no seu disco “Ballads”; ou, como é avaliação do Fernando Andrette, se a batequeta bateu doze vezes nas bordas do tambor... Para ele, isso é alta-fideliade, isso é “high-end”, isso merece uma capa da sua revista.
    Importa nada aos audiotas que os cabos da grife “Logical Cable”, e os cabos ditos de carbono do Van den Hul aproveitem o “schield” como condutor negativo, técnica condenada pelo cientista de áudio Jean Hiraga desde 1977 (!!!) quando afirmou em artigo na publicação “Revue Du Son”: Tradução livre, HM): “É recomendável que o sinal use a mesma qualidade de cabo (ou fio) TANTO PARA O SINAL POSITIVO QUANTO PARA O SINAL NEGATIVO, OTERRA. E a razão é simples: se se usa o “schield” como condutor , ele apresenta 1/3 de resistência a mais (grifo meu,HM) que o condutor positivo do sinal. A melhor solução é usar os dois condutores do sinal, positivo e negativo, similares e tanto quanto possível iguais, além do “schield.” O “schield” pode ser conectado apenas numa das pontas do cabo a fim de minimizar o seu efeito deletério.
    O meu “achado” mais recente é que SEM ‘SCHIELD” NENHUM qualquer cabo de interconexão desempenha melhor do que com “schield”; devido ao que Jean Hiraga chama de efeito do “schield”.
    Ora, se você já gosta do desempenho do cabo que usa, se lograr baixar a impedância de saída do ledor ou do pré-amplificador, e assim puder usar o seu cabo sem o “schield” com que vem dotado de fábrica, sentirá imediatamente que o som fica mais aberto, desaparece um certa “névoa” mui tênue que encobre o som musical replicado, dificultando sua visibilidade plena e total, que a sua topologia enseja . Fiz essa experiência em casa de um Amigo, comparando um cabo com “schield” Cardas Golden com um singelo cabo feito por mim, sem “schield” nenhum; e até o dono da casa sentiu a diferença na “aeração”... Os instrumentos pareciam mais “purificados”.
    Amém.
    Este artigo foi originalmente publicado dentro do fórum, no tópico: Os achados do Holbein. criado por Holbein Menezes Ver mensagem original
    Comentários 149 Comentários
    1. Avatar do(a) mario fernandes
      mario fernandes -
      Tenho no meu setup o Arataca, uma das primeiras versoes made by HM, cabo este que tomei emprestado (por algum tempo... ) do amigo Ricardo Macedo. Posso afirmar, com toda segurança, que esse cabo é excepcional...
    1. Avatar do(a) Luiz Hallei
      Luiz Hallei -
      Vim aqui fazer um contra ponto: nem 8 nem 80.
      Há sim um exagero de preciosismo feito por certas correntes de audiofilos (achei muito grosseiro o termo audiota, não havia necessidade disso), e são poucos apesar de se achar o contrário, audiófilos que não se sustentam na medida que até hoje nào vi nenhum deles conseguir ou nem mesmo tentar sustentar várias de suas análises em teste cego (fogem deles como o diabo foge da cruz), sendo que nos pouquíssimos feitos o resultado foi um fracasso...
      Por outro lado a simplicidade neste hobbie está longe de ser alcançada: já testei por exemplo o Arataca 2 vezes, ao lado de cabos de "grife"que os "audiotas" "sem conhecimento" e "leitores metafísicos" de reviews teimam em comprar: se quem tem um Arataca acha que o mesmo tem a mesma performance de um "desses de marca", acho que está na hora de começar a ler o Estadão... a diferença é grande ainda. O Arataca já está próximo de bons cabos como o Acoustic Zen ou os da VDH, o problema é que "a grife" já deixou há muito esses nomes e agora se chamam Valhalla, Forbes Lake, enfim nomes que o mestre Holbein teria dificuldade em comprar para abrir e ver o que tem dentro...
      Ter o privilégio e a cabeça aberta de ouvir setups diferente, alguns sistemas caríssimos que eu jamais teria como ter, outros não, cada um com seu charme, com sua assinatura, é um caminho bom pra se construir uma opinião, sem ter medo de mudar de idéia sobre o que se achava, e na maior parte do tempo simplesmente ouvir boa música.
      Viva os experimentadores e vanguardistas como o Luke e o Holbein, viva os que podem comprar coisas fora do nosso alcance e compartilhar com todos: os caminhos são muitos.
      Abs a todos
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Agora para cumprimentar aos amigos e leitores pela passagem de um novo ano, agora é que li todas as mensagens que meu último texto para o HTForum desencadeou. Boas respostas! Alto nível! Alguns exageros ao tratarem de mim e de minhas experiências.

      Ando muito ocupado em transformar minha pequena sala de música na melhor sala de música das muitas que connstrui vida em fora; e estou a lograr sucesso.

      Qualquer dia escreverei sobre: mas os motes têm sido: quanto mais simples, melhor! quanto mais curto o caminho do sinal de áudio, mais puro ele chega aos nossos ouvidos!
      há aparelhos com defeitos, "high-end" ou não, MAS HÁ MUITO MAIS APARELHOS MAL APROVEITADOS (pode ler também como desajustados com o seu sistema e gosto musical)..

      Um bom ano anovo para todos!

      Holbein.





      Citação Originalmente Enviado por Tom Jones Ver Mensagem
      Vim aqui fazer um contra ponto: nem 8 nem 80.
      Há sim um exagero de preciosismo feito por certas correntes de audiofilos (achei muito grosseiro o termo audiota, não havia necessidade disso), e são poucos apesar de se achar o contrário, audiófilos que não se sustentam na medida que até hoje nào vi nenhum deles conseguir ou nem mesmo tentar sustentar várias de suas análises em teste cego (fogem deles como o diabo foge da cruz), sendo que nos pouquíssimos feitos o resultado foi um fracasso...
      Por outro lado a simplicidade neste hobbie está longe de ser alcançada: já testei por exemplo o Arataca 2 vezes, ao lado de cabos de "grife"que os "audiotas" "sem conhecimento" e "leitores metafísicos" de reviews teimam em comprar: se quem tem um Arataca acha que o mesmo tem a mesma performance de um "desses de marca", acho que está na hora de começar a ler o Estadão... a diferença é grande ainda. O Arataca já está próximo de bons cabos como o Acoustic Zen ou os da VDH, o problema é que "a grife" já deixou há muito esses nomes e agora se chamam Valhalla, Forbes Lake, enfim nomes que o mestre Holbein teria dificuldade em comprar para abrir e ver o que tem dentro...
      Ter o privilégio e a cabeça aberta de ouvir setups diferente, alguns sistemas caríssimos que eu jamais teria como ter, outros não, cada um com seu charme, com sua assinatura, é um caminho bom pra se construir uma opinião, sem ter medo de mudar de idéia sobre o que se achava, e na maior parte do tempo simplesmente ouvir boa música.
      Viva os experimentadores e vanguardistas como o Luke e o Holbein, viva os que podem comprar coisas fora do nosso alcance e compartilhar com todos: os caminhos são muitos.
      Abs a todos
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Comentário Especial:

      Sei que o DENNIS BONATTO não precisou de mim para fazer do seu HTForum o sucesso que é; e já agora, não cerece de meus elogios os quais se vão a tornar cada vez mais raros... à medida que vou rápido me achegando dos cem anos...

      O ancião é como o garoto da fábula do REI que se "vestira" para os olhos de seus aduladores com os mais belos e majestáticos trajes; e por isso, quando a desfilar em sua carruagem de ouro puxada por cavalos de raça da cor do algodão, todos os súditos e sabujos gritam quase histéricos: VIVA O REI! ALVÍSSERAS PELO SEU BELO E MAJESTÁTICO TRAJE!

      E como naquele reinado não existiam anciãos pois o Rei mandava à guilhotina todos os que chegavam aos 80 anos pois o desejo imperial era que ninguém pudesse ultrapassá-lo em nada, nem mesmo na idade de nascimento...

      É que o garoto da fábula que muito se parece com o ancião na natural compulsão pela honestidade, o garoto a lograr pôr a cabecinha por entre as pernas de sua mãe, ao ver o Rei, gritou: O REI ESTÁ NU!

      O ancião ao fazer de volta a viagem de volta ao útero materno - a mãe terra - como o garoto da fábula só sabe escrever sobre o que experimentou.

      Esse blablablá é para, por fim, bradar alto e bom som:

      - O único empresário do ramo de áudio que meus sessenta anos de escrevinhador sobre áudio para a reprodução do som musical eletrônico, O ÚNICO que nunca teve medo de publicar minhas arengas iconoclastas foi o DENNIS!

      Desejo-lhe, pois, no início deste 2011 que continui a ser como é: um democrata, livre, liberto, libertado e libertário.

      Holbein Menezes.
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Os achados do Holbein-nº 2.
      O milagre da sala pequena.

      A Acústica não é uma Ciência; para mim, continua ainda no estágio da Técnica experimental. Cujas “teorias” baseiam-se em experiências repetidas. O conhecido caso do Lincoln Center dos Rockefeller fala à saciedade de que a Acústica está mais para arranjo do que para Ciência.
      Porque não há dois teatros de ópera ou de concerto iguais; por isso, o Maestro Leopold Stowkovski respondeu correto à revista “High-Fidelity” (quando ela existia): - “ Não há o som da sala de concerto; cada teatro produz um som musical diferente.”
      Em decorrência do que posso afirmar que das centenas de salas domésticas em que estive por força de minha condição de jornalista de áudio, só as piores guardavam entre si alguma parecença... antimusical; das outras centenas posso afirmar: cada uma delas produzia sons musicais diferenciados, em especial no que concerne ao balanço tonal e aos sutis detalhes.
      Para os que apreciam “pegada” – e eu penso que com “pegada” os donos dessas salas desejam significar “attack” ou “tutti” orquestrais etc.; ou seja, tais salas que não são muitas em nossas megalópoles de hoje soam aceitável na reprodução de músicas para grandes orquestras – em que o detalhe sutil e as nuanças definitórias do instrumento em uso ou do bom uso do instrumento não são tão importantes –; por isso que em tais salas o rendimento musical quando se reproduzem obras de música de câmara ou jazz ou MPB, para os meus ouvidos anciãos e para o meu gosto algo atento ao timbre e ao formante, a reprodução não me agradava.
      Curioso: tal acontecia independente da grife do sistema eletrônico em uso. Vejam: das dez ou onze ou sei lá quantas salas da sofisticada loja “SOM MAIOR”, de Joinville, salas projetadas por Acústico vindo dos Estados Unidos, aos ouvidos sadios do Dr. George Magalhães e aos meus gastos aurículos nonagenários os sons musicais reproduzidos em cada um dos ambientes – todos alimentados por sistemas eletrônicos das mais afamadas e caras marcas – nos chegavam aos ouvidos ou aos sentimentos dos musicistas que somos (!), nos chegavam diferentes, de uma sala para outra. Por sinal, nossos biológicos aparelhos analisadores – os ouvidos, associados à longa experiência de escutar música em conserva, e os nossos sentimentos de musicistas habituados em ouvir música reproduzida –, nossos biológicos aparelhos analisadores não “gostaram” do que ouvimos lá em Joinville; ainda que o analisador “visão” se tenha deslumbrado com as nababescas instalações da Loja de áudio “SOM MAIOR”.
      É que não pudemos pensar em sons musicais da mesma forma como representamos no cérebro, por exemplo, um automóvel; aqui teríamos, na maioria dos itens que constituem um carro, possibilidade de afirmar: é bom (confortável, quatro portas, direção hidráulica etc.), é regular (ora, apenas duas portas..., pô!) ou ruim (um “Fusca” de 1960! Vôte!). Mas música são tons e tons são ondas sonoras que se irradiam através do ar e são produzidas por meio de alto-falantes instalados dentro de caixas de madeira; cuja sonoridade depende do formante da dada caixa ou de qualquer outra caixa, e também do ar e do espaço em que circulam as ondas sonoras.
      [Certa vez o Professor Heber de Sousa, Físico, sugeriu-me rarefazer um tanto o ar circulante na minha internacionalmente conhecida “sand-filled”, de Floripa... até ao ponto em que a propagação do som musical dos meus falantes isodinâmicos, “Eminent Technology”, sua peculiar qualidade de transparência e registro de detalhes se aproximassem mais do meu particular... sentimento musical (uma espécie de resistor variável ao gosto de cada um). Porque ele, o Dr. Heber, na sua alta condição de Físico afirmava que as ondas sonoras dos tons musicais modificam-se com a rarefação, fenômeno que torna o ar do ambiente musical menos denso; portanto, mais fácil de propagar-se!]
      Ora, de experiências estrambóticas bastavam as minhas com meus tubos de grave, de concreto, pendurados por meio de correntes de aço a fim de guardar distâncias de quaisquer superfícies refletoras que influem, a dobrar ou a quadruplicar os tons de baixíssimas frequências; tons que eu os queria verdes, quero dizer, puros, tão puros como os gerados pelos alto-falantes W-15, da Wharfedale, de 15 polegadas, fr em 18 Hz ao ar livre! Porque os sons gerados pelos falantes não são aqueles que os nossos ouvidos escutam; as caixas, sua cubagem, madeira, forma, modo de confecção, pregos, cola e verniz tudo isso associado ao som original produzido pelo vaivém da bobina no campo magnético do megafone, tudo isso altera o som original. Ouvimos, pois, o formante das caixas de alto-falantes.
      Eis, pois, um “achado” dos mais importantes (que divido em duas partes): 1ª) para que o som doméstico aproxime-se do som das salas de concerto carece seguir ou aproximar-se dos percentuais de ouro (“golden percentage”) do Dr. Amar Bose,isto é, os tons (ou ondas sonoras dos tons) chegam aos nossos ouvidos, 89% refletidos e apenas 11% diretos; 2ª) não é pois o grau de absorção que faz um sala acusticamente correta (confortável) mas os bons números das reflexões.
      Tal “achado” torna menos importante (menos crítico) o tamanho físico da sala doméstica e o grau de sua absorção e põe como fundamental a correta porcentagem da relação som refletido e som direto. E esse, a meu ver, é o nó da questão e quando bem solucionado torna-se o “creme-de-la-creme” da reprodução doméstica.
      Aliás, é isso que determina o “estranho fenômeno” de o som musical via um reles fone de ouvido ser – quase sempre o é – mais alta-fidelidade do que o som doméstico de cem mil dólares(!?!) dos raiendistas obsessivos que se emprenham pelo lusco-fusco das lampadazinhas dos painéis dourados dos “apparatus” de alto custo.
      Para mim, a maior estupidez é comprar som musical a metro ou com cartão de crédito internacional de farto lastro; e com base nas opiniões dos “reviewers”, essa gente esnobe mui bem paga tanto por linha; suspeitíssimas opiniões que pululam pela Internet.
      Como no compadrio são-joanesco: (Parodiando) “Fulano disse sicrano confirmou que haverei de ser bem-sucedido com o amplificador da marca tal e com as caixas “home and hand made”... do cientista designer fulano de tal mui bem elogiado pela “The Absolute Sound”.
      Ora, e a Técnica eletrônica? e os circuitos? e o projeto etc.?, onde se situam as especificações? Que quase nada valem de per se quando sabemos por experiências mil que se cada elo do sistema não for otimizado, isto é, ajustado a cada ambiente doméstico peculiar, pessoal e intransferível; “nada valem”, repito, perante os nossos pessoais ouvidos; pois cada ouvido – os doutores que leem audiogramas sabem que não há a curva de audição perfeita, da mesma forma como os experimentadores de equipamentos sabem que não existe o sistema eletrônico ideal, bom para todos ou qualquer ambiente. Só o ajuste inteligente faz um bom som reproduzido!
      Quem afirmar o contrário está a enganar; aliás, e é o que temos de melhor e de mais abundante no Brasil: enganadores! Num próximo texto vou nomear os nomes de alguns; esperem e verão.
      Por fim, eis o meu dito final: prefiro uma sala pequena (12m²) como tenho agora ajustada com propriedade para tocar Mozart e Bach, jazz e MPB, do que a sala de 50 m² que tive na Praça Dr. Del Vecchio, no Rio, megalomaniacamente a perseguir obter o som dos 120 músicos a tocar um dos acordes em uníssono do “Adagio” da Décima Sinfonia de Mahler!
      Em outro “achado” vou tratar com detalhes dos macetes que tive de lançar mão, dos aprendidos nos compêndios de eletrônica, dos ensinados pelos amigos Engenheiros e Técnicos, e dos “inventados” por mim. Pasmem! são centenas de macetes e nenhum centímetro de material absorvente! O “segredo”(!) foi buscado e encontrado na boa distribuição dos elementos de controle da reverberação!
    1. Avatar do(a) Fabio Venan
      Fabio Venan -
      Mestre Holbein,

      "A Acústica não é uma Ciência".

      Coincidentemente, acado de ler no Logos Eletrônico, (na seção Audio Dicas, o jornal de número 157), uma constatação do que o mestre escreveu acima.

      Como sou um iniciante, leio - e experimento - em uma proporção muito maior do que comento.
      Porém, estou sempre atento aos seus artigos.
      Um forte abraço e obrigado,
      Fabio






    1. Avatar do(a) Sith
      Sith -
      Também tenho uma sala pequena, mas o som é maravilhoso!!!
    1. Avatar do(a) charbide
      charbide -
      Ao ler o genial 2º achado do Sr. Holbein, imediatamente uma surpreendente figuração espelhou-se em meu imaginário apontando para a solução de uma dúvida que me perseguia há pelo menos dois anos. A principio eu pensei que poderiam ocorrer perdas significativas ao transferir meus equipamentos para um espaço deveras exíguo! Porém, após as reflexões proféticas do mestre, acrescidas de uma plêiade de novas razões "puras" e suficientes, reeditou-se em mim a máxima de Arquimedes: Eureka! Minha sala atual de audição tem justamente 12 metros quadrados, diferentemente da anterior que era quatro vezes maior. Agora percebo com mais clareza que o intimismo e a introspecção podem igualmente interagir com grandes espacialidades relativas singulares. Assim sendo, tanto as sinfonias ou as grandes massas corais podem conviver perfeitamente com as sonatas e os instrumentos solo num dado espaço-temporal minimalista! Ao modo do Sr Holbein, porém respeitadas as devidas condições de neófito, sempre me exercitei na tarefa do muito imaginar e até de ousar no imenso, fantástico e fabuloso laboratório experimental do áudio! Com isso, procurando sempre aliar a mediação do bom senso à minha incessante busca, imaginava transitar por “retortas” sinusoides ideais, nirvanas da harmonia áurea, difusores de Schröder, absorvedores de Helmholtz, ou seja estava tentando encontrar por meio de um quebra- cabeça interminável a inatingível pedra filosofal da audiofilia. Por grande sorte não a encontrei. Se não fosse a dúvida, o que seria da certeza feliz? A natureza foi imensamente sabia ao ter confinado a resolução do desejo à uma curva assintótica. Dessa maneira chegamos perto, mas a travessia torna-se absolutamente inatingível. Esse foi o cárcere e o drama ou tragédia pessoal de Orfeu e será o de cada um de nós! Ótimo! A dialética é genial justamente por sugerir o inexorável e o inefável! É bem melhor tornar-mo-nos caleidoscópicos do que eternos e solitários narcisos absolutos!
      O Sr. Goethe diria “-Genio é quem descobre o óbvio!”, e eu direi: “- Por sorte conheço o Sr. Holbein.” Dessa forma, à partir de um insight lampejante tudo tornou-se translúcido em minha mente. Meditei à cerca da equação reflexão/absorção e, de fato, devo admitir que já imaginara, em parte, essa busca de equilíbrio ideal. In medio est virtus como diria Horácio.
      Ficarei aqui contando as horas no aguardo dos novos achados do Sr. Holbein para poder aprender ainda mais com sua sabedoria versátil e isenta de comprometimentos mesquinhos!
      Bem, neste momento devo encerrar e gostaria de aproveitar a oportunidade para poder contribuir com os amigos revelando um endereço que julgo ser de interesse geral!

      http://www.silcom.com/~aludwig/contents.htm

      Um grande abraço a todos!
      Charbide
    1. Avatar do(a) c054095
      c054095 -
      Achei o texto uma bela duma *****. Por que ao invés de perder tempo destruindo cabos, vc não faz testes impíricos realizando a troca de cabos e descobrindo diferenças claramente perceptíveis em decorrência da qualidade de cabos superiores. Eu já senti diferenças brutais pela simples troca de cabos de força. Se pra vc não vale a pena pagar um absurdo por um bom cabo, que te dá uma melhora significativa na qualidade do sistema (mas que talvez não seja mensurada tecnicamente ), então engula suas palavras hostis, como chamar outréns de "audiotas" e respeite suas opções. O mercado de áudio é muito subjetivo, assim como o mercado de automóveis, por exemplo. Ou vc acha que uma lamborghini é tão melhor assim que um corolla, ou um azera, pra custar 15 vezes mais?
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Senhor o054095.

      Ora, se o Senhor "acha" que merde é uma bela coisa, estimo que continui a não apreciar meus textos.

      Nos laboratórios de pesquisa infelizmente há que se destruir para construir...

      A expressão "audiota" não foi criada por mim, é da lavra da "Stereophile" para classificar os audiófilos que gostam mais dos equipamentos do que da música; e são muitos!

      Não, definitivamente, o dinheiro não compra qualidade ainda que a qualidade possa vir a custar altos preços. Mas o problema de uma sala de escuta prazerosa e confortável não está no preço dos componentes e sim no arranjo e bom ajuste dos componentes às peculiaridades do gosto artístico de cada musicista e à sala onde estão instalados.

      Pelo menos tem sido essa a minha experiência de 60 anos de escuta da música em conserva.

      Holbein.
    1. Avatar do(a) Ezequiel
      Ezequiel -
      Mestre Holbein, seu texto é inspirador! Mas não só inspira alguns a fazer testes com seus equips, mas também inspira desconfiança em quem têm como certos seus conceitos.

      Primeiro, pude fazer uma visita rápida no ano passaso à sala do Holbein aqui em Fortaleza, e pude conferir que ele é mesmo um cientista em busca de respostas. Não entendo de amperagem, voltagem, capacitância ou indutância (e nem de audiotância!), mas esse senhor entende e explora essas possibilidades. Eu, como muitos outros, também boto fé em testes, mas no meu caso, apenas de ouvido mesmo.

      Segundo, não defendo a cavi, não sou mais assinante e nem leitor assíduo, mas em um ambiente (audio hi-end) em que a subjetividade impera, existe sim a necessidade de uma metodologia, contar batidas nos pratos e etc. Sem isso, como comparar uma caixa com outra para todos que não podem ouvi-las?! Porém, entretanto, contudo... EU acho que não dá pra investir uma boa grana confiando apenas nos ouvidos e salas alheios.

      Fora isso, espero que continue sua investigações, nos presenteando com suas maravilhosas descobertas!

      Abraço.
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Com pedido de permissão ao Dennis,

      aviso aos amigos e colegas que em breve estará no ar meu novo saite WWW.AUDIOLIBERUM.COM.BR

      para continuar a saga de AudioDicas e continuar a SER

      livre e liberto e libertador, libertário e liberado e liberador.

      Holbein Menezes
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Ainda com a licença e tolerância sem limites do Dennis:

      O Fim (The End) do Audio
      Holbein Menezes
      Essa audioliberum ainda que seja dirigida em especial aos que se dedicam à reprodução eletrônica do som musical não é especializada de jeito nenhum ao que em áudio se chama high-end. Mesmo porque nós não aceitamos nem acreditamos que já se tenha logrado o fim (the end)em áudio. Talvez até estejamos longe disso, quem sabe, apenas no começo.
      Temos fé em que a tendência que se observa nos dias presentes, no ramos da informática e do áudio, de componentes cada vez mais eficazes e mais baratos seja evidência de que estamos de fato apenas no começo de uma nova era. Nosso site nasceu para estimular tal tendência.
      Aliás, no princípio era assim: um sistema QUAD de amplificação, um conjunto da mais alta qualidade, composto de 2 peças era vendido por 142 libras esterlinas, e 1 libra valia ao tempo pouco menos de 2 dólares; o ainda hoje inimitável QUAD eletrostático custava 54 libras. A mais cara caixa de falantes da famosa Acoustic Research, a AR-LST, com um woofer de 12 polegadas e quatro médios mais quatro tweeters, pesando mais de 40 quilos cada caixa, custava 227 libras esterlinas. A conhecidíssima caixa B & W DM 70 Improved (alô Luís Zattar, lembra-se?), mista eletrostática com bobina móvel, pesando 45 quilos (!) cada unidade, custava o par 450 libras esterlinas! Isso em 1976. Mas eis que de repente...
      Pois é, de repente, em 1977 os preços dispararam sob a égide da fantasia delirante do state-of-the-art, uma expressão surgida da cabeça esperta de Mr. Harry Pearson, da revista The Absolute Sound. Da SOTA para o high-end foi apenas questão de encontrar o marqueteiro certo para o lugar certo. Com efeito, na primavera de 1977 a revista do Sr. Pearson comentava uma caixa de falantes da Dayton-Wright, XG-8 Mark III, de custo... acreditem, está no nº.9 da revista The Absolute Sound: de custo acima de 3.000 dólares! E no inverno seguinte, 1978, no nº.11 da revista comentava-se a performance da caixa THE BEVERIDGE ELETROSTATIC e anunciava-se o preço: sim senhor, 5.600 dólares! E daí para cá nunca mais os preços desceram desse patamar até... bem, até os atuais dias do reinado da Informática, que parece ter vindo para “democratizar” e disciplinar a coisa, louvada seja!
      Por razão de cujo efeito, aliás, afirmamos: não somos contra o melhor em equipamento, somos contra o maior preço, o preço absurdo, a exploração de incautos. Um par de cabo de caixa NSBcustar 20.000 dólares é desaforo, não é?
      Mas nossa página não nasceu só para combater tais absurdos. Ela nasceu ampla. E continuará ampla. Variada. Abrangente. Dedicada a todas as manifestações da inteligência e da cultura. Da música à literatura. Das artes plásticas às bancadas dos hobbist.
    1. Avatar do(a) antoniolcrd
      antoniolcrd -
      Grande Holbein Menezes,

      peço desculpas em nome de outrens por eventuais ofensas a tua pessoa. O que me motiva a isto é um ligeiro sentimento de vergonha alheia..
      Aproveito para lhe agradecer pela iniciativa em expor de forma tao delicada e eficiente minha ignorância. Ha muito tenho o HTForum - já agradeci ao Dennis e demais colegas por isto - como uma saida de minhas cavernas do desconhecimento.

    1. Avatar do(a) Lanr-user
      Lanr-user -
      Bom dia
      Sou novo no forum, gostei muito da matéria inclusive da questão dos cabos, e relendo umas "ofertas de cabos de audio", isso mesmo, os caras vendem estes cabos por uma fortuna, e somente com muita grana e paciência poderíamos (sem falar nos equipamentos para isso) comprovar vantagens significativas em relação aos cabos paralelos que compramos (de cobre) no comercio em geral. Portanto muitas vezes as pessoas se deixam enganar, e compram até coisas cujos parametros não serão jamais confrontados.
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      É isso aí, Lanr-user! A enganação está onde menos se espera. Veja que fui compelido a trocar as unidades "woofers" de meus falantes Martin Longan "Clarity", as unidades originais de fábrica, umas merdes cujos imãs devem andar pela casa das 5.000 linhas... a produzir, com aplificadores valulares de fatores de amortecimento baixo - como quase todos os amplificadores de válvula - uma ***** de grave buminoso! Martins Logan que me custaram 2.500 dólares! Troquei tais "woofers" originais de 8 polegadas por "woofers" de 6" produzidos cá no Brasil na cidade de Santo André, que me custaram 500 reais! E foi aquele banho!

      Holbein, e obrigado por ler-me!.
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Não considero Beethoven um músico inovador senão subversivo; subverteu a vida da nobreza preguiçosa e fútil com barulho ensurdecedor musicado; são assim as suas Sonatas para piano e suas sinfonias que mais traduzem um espírito conturbado e raivoso do que um músico consciente. Diferente de Bach para quem a música era um problema matemático a resolver – e resolveu-os todos com extrema competência sem utilizar-se da enganação da melodia. Compôs Bach música pura sem se importar com os leitmotiv, ou seja, com os temas, com os dramas, com uma personagem em particular, uma situação, um sentimento, um objeto. Compôs Matemática.


      Igual e ao mesmo tempo diametralmente oposto a Mozart, que compôs sonatas, concertos e sinfonias, comédias bufas, dramas densos e missas insossas, tudo isso independente de seu estado de espírito, suas desgraças pessoais, suas dúvidas filosóficas, suas alegrias fugazes e suas tristezas constantes. Compôs Música.


      Beethoveen criou o barulho musical para incomodar o dolce far niente da nobreza ociosa. Seus tímpanos na Terceira Sinfonia mais parecem o troar dos tambores de pau oco dos índios a ecoar mata a dentro para anunciar aos inimigos a guerra.


      Ora, enquanto Bach era um “homem sério”, um cientista sereno a pesquisar a natureza e os mistérios dos sons cujos laboratórios foram as igrejas com as quais trabalhava, mas a mais-valia do que produzia não estava a serviço da catequese das almas ímpias mas a favor da correta solução das equações matemáticas; enquanto Mozart, garroteado pela tirania do pai, pressionado pelas exigência da mulher, sofrido e endividado e às vezes embebedado, isso nada obstante compôs música pura em que a beleza não está ligada à situações externas ou internas mas ao bom encadeamento e a eufonia dos sons e fraseados musicais; enquanto Beethoven bombardeava com acordes fortes e tempestuosos seus inimigos que eram todos que lhe cercavam, apostrofava contra a Natureza que lhe houvera sido mesquinha ao roubar-lhe o prazer de ouvir, e por isso rugia contra a burguesia bem-sucedida que se banqueteava em convescote enquanto ele, a um canto, solitário e desprezado, tocava sua música para sobreviver.


      Ora, o que ouvimos hoje em nossos sistemas de reprodução do som não são as músicas desses gênios e sim o gosto exibicionista dos maestros. Veja, ainda ontem ouvi a Sinfonia nº 38 de Mozart, conhecida com “Praga”, ouvia-a em três gravações diferentes e em cada uma o maestro se exibia diferente. A interpretação do KV 504 (sinfonia nº 38) que mais apreciei foi do maestro Christopher Hogwood, com a “The Acatemy of Ancient Music”; seguida da interpretação do condutor Jaap Ter Linbden, com a orquestra “Mozart Akademie Amsterdam”, da coleção das Obras Complestas” editadas pela Brilliant Classic. A pior das interpretações inda que a mais “espetacular” foi a do DVD “A Mozart Gala”, com a Filarmônia de Viena conduzida pelo impetuoso e jovem maestro Daniel Harding.

      É, gente, teve razão o grande regente Bruno Walter que, quando completou quarenta anos de regência exclamou, satisfeito: “Agora já posso tocar Mozart”!
    1. Avatar do(a) Sith
      Sith -
      Sr. Holbein,

      Pode fazer comentários dos SACDs ou SHM-SACDs?
      Não com relação ao preços dessas mídias mas com relação a qualidade do áudio!!!

      Abraço
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Posso, sim, Sith; mas trata-se de uma avaliação de caráter pessoal, com base nas muitas experiências que tive com tais mídias.

      E para encurtar a história, diria a você que trocaria todos os meus cedês, inclusive os mais gratos, por versões em SACDs com os mesmos autores e compositores. Porque o que para mim importa mais é a interpretação da obra.

      Sobre o som, ainda ontem ouvi em DTS e Stereo as gravações em DVD das Missas de Bach e Bernstein; a de Bach, "Missa em SI Menor", com o extraordinário e genial regente Herbert Blomsteddt; e a Missa de Leonard Bernstein, em comomemoração à memória de John Kennedy, com o Boris Brott como condutor, e confesso que em ambos os devedês gostei mais do som em estéreo puro, em comparação com o som em DTS (Missa de Bach) e Dolby Digital 5.1.

      De mais a mais, para discos com recursos tridimensionais, para usufruir seus extraordinários recursos, há que se ter uma sala própria com equipamentos próprios. E a minha pequena sala de hoje não é dotada desses modernos recursos.

      Obrigado.

      Holbein
    1. Avatar do(a) Sith
      Sith -
      Bom saber que você reconhece a qualidade superior dos SACDs. Ouvir os SACDs em estéreo não é um problema e não é desmerecer o formato 5.1, é uma opção pessoal e deve ser respeitado. Eu tenho SACDs que ouço apenas em estéreo por estar melhor que o 5.1! Sempre ouço o que estiver melhor em sonoridade. Os SHM-SACD estão vindo aos poucos mas com qualidade surpreendente!!!
      Vamos esperar um artigo seu dedicado aos SACDs! Acho que os amigos do forum iram amar a leitura!
      Abraço