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  • Os achados do Holbein.

    "Achei" que aquela quimera com a qual alguns audiotas acalentam-se, e acalentam os leitores, de que o melhor cabo é cabo nenhum poderá ser verdadeira,"mutatis mutandis ". Porque depois de muito destruir para experimentar,
    – destruí um exemplar do cabo “The Second”, do Van den Hul para ver o que tinha dentro e vi que tinha muito mais metal do que carbono;
    -- destruí alguns exemplares de cabos da grife “Logical Cable” e notei que não utilizavam da técnica indicada por Jean Hiraga em 1979 – e hoje adotada por quase todas as boas fábricas do mundo – de dois condutores idênticos para o positivo e o negativo, respectivamente, e mais o “schield” – mas sim e inexplicavelmente a velha técnica dos primórdios do rádio, de fazer da blindagem (“schield”) o condutor negativo...
    -- destruí e destruí SEM PARAR... Inclusive um caro exemplar do cabo digital “Transparent” e nada vi de “criação”, a mesma configuração de todo e qualquer cabo digital... Enganem-lhes que eles gostam!
    Depois dessa destruição toda, "achei" que nenhum cabo por mais caro que tenha custado e melhor aparência que possa exibir; ou usar topologia ortodoxa ou heterodoxa, de cobre comum, cobre livre de oxigênio, prata ou banhado a ouro; nenhum cabo, pois, jamais desempenha SEU MELHOR se for revestido com o famigerado "schield", ainda que na forma flutuante.
    O "schield" torna-se necessário e até indispensável apenas pela circunstância de as impedâncias de saída dos "apparatus" do sistema de som musical, tais saídas são ou serem em sua maioria maior que 50 Ohms.
    "Descobri", entretanto, e também que – louvado seja meu santo padim pade ciço! –, que alguns ledores ("players"), tipo OPPO, têm impedância de saída abaixo do valor de 50 Ohms!
    Assim, portanto, se tais ledores forem interconectados diretos aos amplificadores – e se os ledores possuírem controle de intensidade, e em geral possuem –, nessa situação podemos usar cabo sem "schield" algum! Nessa circunstância, o cabo barato torna-se SOBERBO em termos de som, musicalidade, transparência e ilusão de palco!
    Duvida?
    Faça você no seu “laboratório caseiro” (sua sala de som) esta experiência: dote um de seus pré-amplificadores de impedância de saída em redor dos 10 Ohms (se a impedância original de fábrica for maior que 100 Ohms, não dá certo), pegue dois pedaços de fio de cobre de boa qualidade, de preferências com capa de teflon e rijo, torça um fio contra o outro em espirais de 1 e ½ polegadas, solde as pontas em terminais RCA comuns mas desde que façam bom contato, e vá ouvir seu disco predileto; ou então, tenha o trabalho e a despesa de cortar a capa externa de um par de cabo de grife tipo ZEN, depois cortar e retirar o "schield", e, em seguida, ouça o disco com o qual testa seus aparelhos.

    A diferença de “qualidade musical” é tamanha, tal a diferença de musicalidade que se constata entre um amplificador comum com válvulas comuns e um “singled end” com uma 300B.

    Mas tal “achado” requer que mande um técnico de sua confiança – o Rui Fernando, de São Paulo, por exemplo (Tel. (11) 3104.7160; ou e-mail:
    termiônica@terra.com.br), peça ao Rui para construir e instalar, após o circuito de saída de seu pré-amplificador (melhor seria do seu ledor!) um chipe ou um transistor “descrete”, alimentados a pilha, de modo a lograr ter na saída impedância em torno de 10 Ohms.
    [Em outros tempos, naqueles tempos em que se enganavam menos aos audiófilos e as grifes não eram, apenas, assinadas por projetistas de conhecimento e experiência e fama, para efeito de receber “direitos autorais ; nesses tempos um Engenheiro de qualidade conhecido no mundo inteiro como A. Stewart Hegeman; Stewart “bolou” um aparelho a que deu o nome de “Hegeman Input Probe” (“probe” é um “device”, um aparelho para ser intercalado entre aparelhos de áudio com a finalidade de compatibilizar suas impedâncias inter-relacionadas) , alimentado a pilha, para fazer baixar as impedâncias das cápsula fonocaptoras.
    O impiedoso crítico da “The Absolute Sound”, Patrick Donleycoat, analisou o “device” de Stewart Hegeman, em comentário de 1978, do qual dou abaixo um resumo (em tradução livre):
    “... parece que o “Input Probe” pode ter valor quando utilizado após pré-amplificadores menos esotéricos (os high-end de hoje, HM); e, igualmente, quando usado seguido de cabos de longo comprimento...”
    Já o Editor da revista, o célebre Harry Pearson, comentou ao pé do texto do Donleycoat:
    “... aquilo que o Hegeman fez com o “Probe” foi para reduzir , ou eliminar, os efeitos das capacitâncias interagindo nas interconexões...”
    Que é, “mutatis mutandis”, aquilo que faz o “schield” presente em todos os cabos de interconexão: agir sobre os efeitos das capacitâncias dos cabos de interconexão, e um desses efeitos é o de “antena”, isto é, a captação de zumbidos “air borne”, isto é, circulando na atmosfera da sala de música. Mas quando a impedância de saída de ledores ou pré-amplificadores é baixa (e “impedância” é o nome que se dá, num dado circuito, ao efeito combinado de indutância, capacitância e resistência, fatores que impedem a livre circulação da corrente de áudio), quando a impedância é baixa ou abaixo de 50 Ohms, quer isso significar que a capacitância é baixíssima ou inexistente no cabo de interconexão. Assim, portanto, desnecessitando da presença do “schield”.
    Por isso que o “schield” ou blindagem constitui-se um “corpo estranho” no circuito LCR que é um cabo de interconexão; estranho e prejudicial, e prejudicial porque aumenta sem ser preciso a capacitância de tal circuito. E quando um construtor de cabo, como é o caso da Logical Cable, põe o “schield” para conduzir o sinal negativo, comete não só o crime de lesa fidelidade como o pecado de vender gatos por lebres.
    Ainda que, antigamente, as demonstrações públicas realizadas por Gilbert Briggs e Harold Leak cuja finalidade eram comparar a reprodução ao vivo com a reprodução em conserva, nesses tempos ambos utilizavam cabos de interconexão com o “schield” a conduzir o sinal negativo; assim como praticavam a ligação de falantes com cabos ordinários, duplos e flexíveis, e multiveias, de eletricidade...
    E durma-se com uma situação dessa!
    Conclusão apressada: os de antigamente não tínhamos os ouvidos apurados dos audiotas de hoje... que se especializaram em ouvir diferenças de “coisas” as quais, por serem abstratas, dão o nome de “organicidade”, “dinâmica”, “pegada”, “micro detalhes”, ”corpo harmônico” , “palco sonoro”, “textura” etc. Eles todos os antigos, ouvíamos musicalidade, sim, e equilibro total, também. E mais, ouvíamos a articulação, prestávamos atenção ao andamento, gostávamos ou não da sonoridade e da afinação e ficávamos parados nos temas.
    E não era isso, ou não era só isso: os aparelhos dos de antigamente, QUAD, Marantz e McIntosh e Leak e Scott etc. não atingiam as especificações ótimas dos equipamentos “high-end” de agora; por isso que uma distorção harmônica da ordem de 1% era tolerável, em especial nos amplificadores valvulados “singled-end”, pentodos.
    Mas os musicistas de então, estes estávamos ligados não nas especificações técnicas que não as sabíamos avaliar convenientemente – como ainda hoje os audiotas não sabem pois em geral leem os números metafisicamente, isto é, como se fossem números absolutos desassociados de seus contextos (uma câmara anecóica é tudo por tudo diferente de uma sala de música situada numa casa ou num apê); e também os audiotas de hoje estão “conectados” nas grifes e na wattatagem de seus aparelhos mas não na peça musical que porventura ouvem, nos temas dessa peça musical, na musicalidade da orquestra, no andamento da regência etc.
    Aliás, tal como hoje acontece com as transmissões dos jogos de futebol pela técnica HD: encantam-nos, sem dúvida encantam-nos os detalhes das chuteiras multicoloridas dos jogadores e as camisas furta-cores dos clubes; interessam-nos se o bico da chuteira do jogador do ataque que fez um lindo gol de letra contra o time pelo qual torcemos, pelo tira-teima da TV do Galvão Bueno o bico da chuteira do atacante estava adiante do bico da chuteira do jogador da defesa de seu time – e por isso o gol foi feito em impedimento“(off-side”) – ainda que a jogada do atacante tenha sido uma obra-prima de uma “folha-seca”, de um bate-pronto, de um drible, de uma caneta, de um chapéu etc.
    Da mesma forma agimos os audiotas. Mesmo porque não estamos mais acostumados, nem interessados em ouvir música, uma sinfonia inteira, uma longa ópera. Nos habituamos a ouvir tons isolados, um triângulo que bate lá no fundo da orquestra, o trac-trac da palheta do saxofone do Dexter Goldon, no seu disco “Ballads”; ou, como é avaliação do Fernando Andrette, se a batequeta bateu doze vezes nas bordas do tambor... Para ele, isso é alta-fideliade, isso é “high-end”, isso merece uma capa da sua revista.
    Importa nada aos audiotas que os cabos da grife “Logical Cable”, e os cabos ditos de carbono do Van den Hul aproveitem o “schield” como condutor negativo, técnica condenada pelo cientista de áudio Jean Hiraga desde 1977 (!!!) quando afirmou em artigo na publicação “Revue Du Son”: Tradução livre, HM): “É recomendável que o sinal use a mesma qualidade de cabo (ou fio) TANTO PARA O SINAL POSITIVO QUANTO PARA O SINAL NEGATIVO, OTERRA. E a razão é simples: se se usa o “schield” como condutor , ele apresenta 1/3 de resistência a mais (grifo meu,HM) que o condutor positivo do sinal. A melhor solução é usar os dois condutores do sinal, positivo e negativo, similares e tanto quanto possível iguais, além do “schield.” O “schield” pode ser conectado apenas numa das pontas do cabo a fim de minimizar o seu efeito deletério.
    O meu “achado” mais recente é que SEM ‘SCHIELD” NENHUM qualquer cabo de interconexão desempenha melhor do que com “schield”; devido ao que Jean Hiraga chama de efeito do “schield”.
    Ora, se você já gosta do desempenho do cabo que usa, se lograr baixar a impedância de saída do ledor ou do pré-amplificador, e assim puder usar o seu cabo sem o “schield” com que vem dotado de fábrica, sentirá imediatamente que o som fica mais aberto, desaparece um certa “névoa” mui tênue que encobre o som musical replicado, dificultando sua visibilidade plena e total, que a sua topologia enseja . Fiz essa experiência em casa de um Amigo, comparando um cabo com “schield” Cardas Golden com um singelo cabo feito por mim, sem “schield” nenhum; e até o dono da casa sentiu a diferença na “aeração”... Os instrumentos pareciam mais “purificados”.
    Amém.
    Este artigo foi originalmente publicado dentro do fórum, no tópico: Os achados do Holbein. criado por Holbein Menezes Ver mensagem original
    Comentários 148 Comentários
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Eatava lendo e encontrei esta frase....diferença na “aeração”... Os instrumentos pareciam mais “purificados”. Isso é belo..... A audiofilia esta parecendo a área de TI com suas nomenclaturas que ninguém entende nada... PMP, PMI, PMO, SOA, etc..... Isto tudo para qualificar sabe lá o que.... Sou da área e sei bem o que significa isto e sou da época em que o SERPRO fez os sistemas que até hoje funcionam muito bem no velho modelo DFD e hoje, pasmem, criaram um monte de coisas, um monte de metodologias e que na maioria das vezes não funcionam. Só rindo. Eu falo com algumas pessoas de mente aberta que depois de 30 anos de TI, observo que nada mudou, a TI continua a mesma. Da mesma forma acontece com a audiofilia, estamos voltando, espero, aos tempos que o bom É ouvir musica e não ouvir cabos. O FA, por exemplo, sabia como ninguém nos fazer querer ouvir cabos, falava bem estes termos: areação, silencio, etc, enfim, um monte de coisa de marketeiro. Aliás, breve vou fazer uma visita à sala da audiopax aqui Rio, vamos ver se realmente é isto tudo que dizem. Será que vou ouvir areação, fundo silencioso, textura, etc? Eu quero ouvir musica e vou levar um cd bem complicado de se tocar, vamos ver como os PAX resolvem isto. mmartins
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Com pedido de permissão ao Dennis aviso aos que gostam de ler-me que estou também no saite www.audioliberum.com.br. E aqui nos "Achados do Holbein" continuarei a estar, sempre. Até o dia em que...


      Por falar nisso, no próximo setembro estarei a completar noventa anos! E meu objetivo secundário é chegar aos cem, ainda que meu objetivo primeiro é ultrapassar minha bisavó, que viveu 114 anos!

      Holbein.
    1. Avatar do(a) Neube
      Neube -
      Meu Amigo Holbein,


      Parabéns ao mestre pela volta do Áudio Liberum, belo comparativo com os dizeres da bandeira do meu estado, MG, Vida longa ao Holbein Menezes e principalmente para o seu exemplo de vida “Livre e Liberto e Libertador, Libertário e Liberado e Liberador”.

      Abraço e Feliz ano Novo para você e seus familiares.


      Neube.
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Quero aproveitar este espaço para passar uma dica de um site excepcional. Creio que já deve ser conhecido. http://pqpbach.opensadorselvagem.org/ Para quem quer mudica erudita, este site é um bom começo par aos iniciantes e para os antigos Att. mmartins
    1. Avatar do(a) fibra
      fibra -
      Martins, excelente dica !

      Obrigado.

      Abraço
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Por Holbein Menezes.
      Escrevi, faz tempo (em 19.05.2006): alhures li mas nem desconfio a onde, que o melhor método de fazer as coisas é tentar fazê-las no modo mais que perfeito (não é o tempo do verbo por isso não foi hifenizado), porque desse jeito o que ficar do projeto original será algo do “mais que perfeito” (ainda não é o tempo do verbo). O que quer dizer, no nosso caso do áudio para a reprodução do som musical, quando começamos ambiciosos e projetamos construir o máximo em termos de reprodução eletrônica, ainda que não logremos realizar nem um terço do projeto sonhado, desse alguma coisa que ficou ficará sempre algo do “mais que perfeito”...(idem).
      Porém a recíproca não é verdadeira, e, lamentavelmente, é essa a que praticamos no dia-a-dia, isto é, sempre começamos com o menos que perfeito e quando tencionamos melhorar o menos que perfeito, fica nada do mais que perfeito... Merde!
      Confesso que se trata de uma dialética perversa: para termos algo sofrível não nos convirá partir do medíocre mas do ótimo, e o ótimo quase sempre custa caro; ainda que esse ótimo seja um singelo par de cabos da melhor... neutralidade. Com isso, eu desejo enfatizar que deveríamos começar construir o sistema de som dos nossos sonhos pelo elo mais importante da cadeia da reprodução do som musical: os alto-falantes.
      Há alguns macetes que minha experiência buliçosa “descobriu”:
      a) que não é preciso termos duas caixas de falantes iguais, de tamanhos semelhantes e de técnica similar, posicionadas na sala de forma simétrica. Quase sempre não é por aí. Atentem: o nosso ouvido esquerdo ouve diferente do direito; a acústica de nossa sala comporta-se desigual do lado direito onde possa haver janela, porta, vidraça etc. do que do lado esquerdo onde a parede de alvenaria talvez seja inteira e lisa – ou vice-versa; os sinais das gravações variam de canal para canal uma vez que os microfones não são distribuídos simetricamente; e, por fim, os conjuntos orquestrais em geral situam seus músicos no palco, desigualmente. Assim, pois, por que a necessidade, na replicação eletrônica, de duas caixas iguais acionados por amplificadores de características uniformes? Assim compreendeu o problema o dono da Wharfedale, Gilbert Briggs; vejam foto da “Sala de Demonstração” da “Wharfedale Wireless” em a qual não se vê duas caixas iguais:
      b) “descobri” também que o lado direito das nossas salas, em que pese a guarnição por ventura ali existente, merece mais atenção audiófila do que o esquerdo. Porque no lado direito situam-se, no comum dos teatros e salas de gravação, os naipes de contrabaixos e violoncelos. Ora, para reproduzir os sons desses instrumentos com o máximo de fidelidade, um ótimo sonofletor é preciso. E aqui devo afirmar que, para mim, um ótimo sonofretor para esse desiderato passa necessariamente pela ótima reprodução dos tons abaixo dos 100 Hz, e, se me relevam a pose de “magister dixit”, na reprodução desses importantes 100 Hz abaixo é obrigatório haver articulação perfeita, isto é, a reprodução, nota por nota e tom sobre tom dessa critica faixa de frequências; sem aquela enganação – valei-me meu santo padim pede ciço! – de uma sombra sonora escura e soturna, indiscriminada e indefinida que se ouve por aí.
      c) não quer isso dizer, porém, que se deva pôr qualquer porcaria do lado esquerdo mas que deste lado a ênfase deve ser dada aos agudos e médios. Por isso sugiro, como maneira prática e inteligente de solucionar a questão, que quem está a começar a aventura do áudio para a reprodução do som musical ponha uma caixa “da pesada” do lado direito e um painel aberto do lado esquerdo o qual painel deve contemplar no mínimo um alto-falante “woofer” de 15 polegadas, um médio de 6 ou 8 polegadas, e muitos “tweeter” em paralelo, se possível.
      d) mas isso quer dizer, e quer dizer muito, que o lado esquerdo se beneficia sobremaneira com a instalação de um punhado de “tweeters” e, em especial, se tais “tweeters” forem instalados virados para cima. Ao longo de muitos anos de escuta do som musical eletrônico, meu gosto acostumou-se com múltiplos “tweeters” a trabalhar na região acima dos 7 KHz, região onde habitam os harmônicos dominantes de violinos e violas e mão direita nos pianos.
      e) já as unidades de médios devem ser iguais, lá isso devem, com características de reprodução assemelhadas, tanto do lado esquerdo quanto do direito. É porque os médios, que são a “zona do agrião” da reprodução eletrônica, manifestam-se pelo naipe das madeiras – flauta, flautim, oboé, ***** inglês, clarinete e saxofone, trumpete e fagote, isto é, os instrumentos feitos antigamente de madeira –, e é comum os maestros posicionarem no centro de suas orquestras os músicos que tocam esses instrumentos. Portanto, para reproduzir com fidelidade o naipe das madeiras os falantes de médios, esquerdo e direito, carecem ter características aproximadas senão idênticas visto que só assim haverá coerência na reprodução do som “central”, ou na ilusão de “central” uma vez que não existe, na maioria dos casos, fonte central de irradiação do som no centro de nossas salas domésticas...

      Naipe de madeira no centro.

      E essas idéias levam-me a recordar, com saudade, de dois bons sons que em algum tetempo perdido nas curvas sinuosas da minha idade avançada, eu gostava de ouvir: o sosom da sala do Carlos Eugênio quando este morava num apartamento em Botafogo, e o sosom da sala do musicólogo Ernesto Bueno, na Avenida N. S. de Copacabana.
      Aliás, Carlos Eugênio era funcionário do Banco do Brasil, tinha posses de classe média; Ernesto Bueno não trabalhava em lugar algum, vivia da pequena aposentadoria da mulher, não possuía posses. Carlos instalara no lado direito de sua sala uma caixa de canto de nove pés cúbicos, “sand-filled”, modelo Briggs (Wharfedale). Esta caixa era dotada de um “woofer” de 15 polegadas com magneto de 13.500 linhas, e continha duas aberturas laterais (dutos) de 10” X 3”); o Briggs não recomendava tratamento acústico interno algum dentro dessa caixa de canto, dizia que o seu tratamento era o seu tamanho.
      Caixa de canto, “sand-filled” e tijolos maciços.
      Independente da estrutura da caixa de canto mas apenas pousado na parte superior dela, e virado para cima, um painel aberto com estrutura na forma de um paralelogramo hexagonal irregular, com área de base de, aproximadamente, 224 polegadas quadradas e oito e meia polegadas de altura, a que dávamos o nome de “pinteiro” pela parecença com as gaiolas para transportar pintos, o qual pinteiro, todo revestido de tecido ortofônico, abrigava do lado da tampa de madeira (os outros lados do paralelogramo hexagonal eram vazados) falantes “full-range” ou de oito ou dez polegadas, e mais o soberbo “tweeter” da Wharfedale, imã de 14.500 “oersteds”, instalado no canto oposto, ou seja, para o lado “de fora” (lado extremo) do “baffle” do “pinteiro”, a fim de produzir o efeito de dispersão na reprodução dos harmônicos de comprimento de onda diminuto.
      Do lardo esquerdo, Carlos punha um painel aberto de chão, Wharfedale, também de construção “sand-filled”, a contemplar um “woofer” de doze polegadas, um médio de dez e o “tweeter”, atrás do painel e virado para cima.
      Esse arranjo produzia um som final que nos encanava a todos, e éramos muitos, e exigentes, e experimentados ouvintes além e habituais freqüentadores do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Já o som do Ernesto Bueno não agradava a todos. Ernesto não entendia patavina de eletrônica, muito menos de áudio e acústica. Montou seu sistema pelo processo de adicionação, isto é, a adicionar um falante que recebera de presente de um de nós “abastados”, com outro (idem) e com outro (também), todos “full-range” da Wharfedale, sem divisor de freqüência algum (Super 12, Super 10 e Super 8), mais o “super tweeter” de 3”, protegido por um capacitor a óleo de 4 Mfd. Uma babel de áudio e som e acústica que tocava bem por meio de uma caixa de canto de 9 pés cúbicos da Wharfedale, a qual não ficava em canto algum, cantos, aliás, que não existiam na sala do Ernesto dado a pequenez quase microscopia de seu apezinho no Posto 2. O “milagre” do musicólogo Ernesto consistia no ouvido absoluto dele, que lhe proporcionava “afinar” tal parafernália ao ponto de emitir um som confortável dentro de um ambiente de pouco mais de 6,25 m2.
      Isso de um lado; do outro o daquele recuado tempo ubíquo “baffle” aberto do Briggs, “sand-filled”, de tamanho, 36 polegadas (largura) por 30 polegadas (altura), com apenas um “full-range” Super 12, de 17.000 linhas, instalado. E, pasmem! havia balanceamento tonal.
      É claro que o “gravis profundis” não visitava a sala do Ernesto fazia uma eternidade, mas, ainda assim, o som era confortável; é claro também que a nossa preferência para ouvir música naquela esquisita situação ficava limitada a certos gêneros de música, com a música de câmara na ponta da lista. Graças, porém, ao bom balanço de intensidade encontrado pelos ouvidos absolutos do Ernesto, o som final se me afigurava suportável. O que me leva a crer, com a compreensão do problema que hoje desfruto, que a “zona do agrião” da reprodução eletrônica do som musical são, de fato, os médios. E os alto-falantes Wharfedale, com suas mais de 15.000 linhas no magneto, suspensão “foam plastic” de alta compliância, exibiam uns médios divinos (isso no passado, no antigamente, nos longínquos e bons tempos; hoje? vôte!).
      Esses exemplos que retirei ao acaso do fundo da caixola mnemônica podem testificar que, onde há bons ouvidos e engenho e arte pode-se tirar som musical; e o exemplo maior encontramos no Sivuca do acordeão, que retira som musical até do ronco de um porco...
      Mas não só eu, outros testificam também que o elo essencial de um sistema eletrônico para reprodução do som musical são os alto-falantes, a inter-relação entre as caixas e a intensidade dos sinais atribuída a cada caixa. Saibam: na página 280 do seu livro “Loudspeakers”, Gilbert Briggs apresenta a planta baixa de sua sala de som doméstica (vide figura abaixo e os comentários do “Doutor Alto-Falantes). Verão que a sala do “home” não era nenhuma “brastemp”, tratava-se, pelo contrário, de uma sala de formato bastante irregular, o que está a indicar, tal a internacional fama do proprietário, que qualquer sala, uma vez bem disposta, é UMA BOA SALA (Os comentários vão em inglês, para desagrado do enferrujado inglês do Victório Benatti:

      At A there is a permanent 3-spaeker corner installation, which gives better results than any speaker tested is any other position in the room – in spite of the rude things often said about corners and room resonance. At B, C, D and E we find one speaker tested in four positions. This is a 3-speaker sand filled baffle, measuring 34” x 31” with 12” sides, with 12” and 10” units facing forward, and a 3” tweeter mounted on a separate small baffle facing upward. The speakers radiate form both sides of the cones, and the main baffle therefore performs as a doublet at low frequencies. (As the tweeter also radiates from two sides in a vertical direction, I suppose the whole system could be described as a “Quadlet”.)
      O que quer dizer, ou confirmar que também aí na sua sala é possível você melhorar a qualidade do som desde que empregue os falantes e as caixas adequados. Mas não esqueça: para cada lado o que o lado concretamente precisa; nada de assimetria.
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Citação Originalmente Enviado por mmartins Ver Mensagem
      É, mmartins, você tá certo, certíssimo, o 88 toca pra dedéu! Tive um e sei o que você sentiu quando essa obra prima do Eduardo Lima começa a esquentar!

      Hoje, nas minhas condições domésticas da salinha "gesso-filled", prefiro um par de amps monobloco com a uma única 300B (oito puros watts!); para ouvir Bach e Mozart dos quais tenho a coleção completa; para usufruir toda a expressividade, e também a cerebração dos quartetos: de Mozart a Shostakovich; e também o melhor fo jazz!

      Você tá certo, Cara!
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Eu vou ver se levo lá todas as sinfonias de Shostakovich, são belas e poderosas, mostra mesmo o sistena. A decima é uma grande sinfonia, do mais alto nível, minha preferida. Poxa, eu que não queria mexer com estes apetrechos de audiofilo, mas vou acabar, de repente, indo para um sistema excepcional de cara, não esquecendo daqueles detalhes como elétrica, etc. abs mmartins
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Ah, tenho várias histórias engraçadas sobre falsos audiófilos. Uma delas é uma pessoa de BSB que tem um baita sim, tudo do bem e do melhor, fuzivesi no quadro, acústica, etc. Muito bom, mas o mais interessante é que ele tem 10 cds e só. Outro amigo, audiófilo de verdade, no sentido da palavras, tem mais de 10.000 cds e ouvi música num AIWA. Cada um com suas necessidades. E eu, com um fone de ouvido que distorce nos naipes de metais estou querendo ouvir um fone do nível do Audiopax (rsrsrsr). Eu não quero nada né? abs, mmartins
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Esta "Coluna", mmartins, está a ser um diálogo a dois, você daí e eu daqui; por quê? Devido a esses Colegas que só gostam de equipamentos e a música passa a ser o meio de testá-los. Aliás, e a rigor, são pouquíssimos os musicistas cá no Forum. Quando vamos à casa de um Colega em geral é para assistir e não para escutar; assistir uma exibição, não escutar uma Obra.


      Como por exemplo a Obra monumental de Dimitri Shostakovich, o maior músico da segunda metade do Século XX; porque na primeira metade, no meu entender, foi Stravinsky; dois músicos de origem russa tão diferentes...


      A propósito, conta-se que certa vez Stravinski encontrou-se com Shosta e reclamou dele que suas do Shosta criações sinfônicas estavam a ser mais malherianas do que stravinskianas; e nem uma coisa nem outra. As catorze Sinfonias não ficam acima de jeito nem maneira dos quinze quartetos para cordas, estes que são espantosos, em especial pelo alto grau de inventividade.


      Quanto a escutar com fone de ouvido, nenhuma das mais de cinquenta caixas que escutei nesses sessenta anos de audiofilia, NENHUMA conseguiu passar-me a fidelidade do mais reles fone de ouvido comprado no camelô por dez reais; N E N H U M A!

      Obrigado por ter a paciência de seu meu único leitor.


      Holbein.



      Citação Originalmente Enviado por mmartins Ver Mensagem
      Ah, tenho várias histórias engraçadas sobre falsos audiófilos. Uma delas é uma pessoa de BSB que tem um baita sim, tudo do bem e do melhor, fuzivesi no quadro, acústica, etc. Muito bom, mas o mais interessante é que ele tem 10 cds e só. Outro amigo, audiófilo de verdade, no sentido da palavras, tem mais de 10.000 cds e ouvi música num AIWA. Cada um com suas necessidades. E eu, com um fone de ouvido que distorce nos naipes de metais estou querendo ouvir um fone do nível do Audiopax (rsrsrsr). Eu não quero nada né? abs, mmartins
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Pois é Holbein, um diálogo. Hoje eu comprei um outro fone da Philips SEH9000. Sabe, sai bem mais barato, muiiito mais barato, brincar de fones de ouvidos do que de sistemas high-super-mega-blaster-end. Estou malhando nas sinfonias de Shostas, Bruckner, Mahler e óbvio, os tres grandes de sempre, BBM. O fato é que meu interesse é unicamente ouvir música e com certeza conhecer estas sinfonias de cor com certeza vai aumentar meu QI, , pois a quantidade de informações que estas músicas despejam é algo impressioante. Estou usando o EQ do Winamp e o ASIO4ALL que melhora muito a qualidade dos mp3. Só não baixo os wav pois ocupam muito espaço. Mudando de assunto, eu sei que voce conhece a sala onde estive fazendo a audição do Audippax, é uma sala de uam tamnho bem interessante o que valoriza bastante os sistemas. Sugerio ao Solvio que colocasse as caixas novas da QUAD eletrostáticas e ver como ficaria, acho que seria algo de se impresisonar. att. mmartins
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Fui "especialista", mmartins, em QUAD eletrostático; fui seu representante para toda a América Latina nos idos da década de 60/70 do Século passado; logrei conquistar a amizade do Ross Walker quando ele parte herdou parte comprou do pai Peter a empresa. Fui o único a ser credenciado pela QUAD Electroacoustics Ltd., de Huntingdon, para realizar reparos no Quad-55.

      No Rio realizei experiências com o "staked-pair" QUAD-55, isto é, um alto-falante sobre outro, a fim de aumentar seu "poder de fogo". Bom mas não ótimo.

      Nada ouvi até hoje em alto-falante que fosse superior a musicalidade desses eletrostáticos. Mas... ainda assim, não são bons reprodutores sinfônicos; os graves não vão além dos 100 Hz, e aos 70 Hz caem drasticamente. E o Peter Walker jamais recomendou reforçar-se os graves com "woofers" de bobina móvel; a sensibilidade de um não casa com a sensibilidade do outro. O modo "staked-pair" reforça 3 dB a reprodução a partir dos 100 Hz.

      Tenho um "novo achado" para por aqui no "espaço" mas o texto contém ilustrações e eu não domino a técnica de transferência de fotos. Você saberia fazê-lo? Caso sim, poderia eu remeter para você o texto como anexo de uma mensagem para si, e você o poria no "meu espaço". Pode ser?

      Um abraço do

      Holbein.
    1. Avatar do(a) fibra
      fibra -
      ... e eu continuo acompanhando este ótimo e interessante diálogo.

      Abraços aos amigos Holbein e Martins.
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Sim, Holbein, pode remeter para o meu e-mail particular, terei prazer em publicar. mauro_muller@yahoo.com.br Pois é, fui frequentador assíduo da sala do Moyses em Brasília e as caixas grandes, HOJE, pelo que sei, descem perto de20 Hz, inclusive se não me falta a memória, gnahou o prêmio da Stereophile de melhor "caixa". Esta informação confere? Agora, que este foninho de 100 reais da Philips da uma boa diversão, isto ele dá. Aguardo seu material e apenas digo que só posso publicar no período da noite.
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Falando um pouco de música, , sem duvidas as sinfonias de Beethoven sõa grandiosas, a Nona realmente é insuperável, mas as sinfonias de Mahler, Bruckner e Shostakovich são poderosas. Estou fazendo uma releitira e as sinfoinias de Shostakovich são de uam beleza impar. A sétima, a décima primeira, nossa, incríveis. Me desculpem os Beethovianos, mas.... abs. mmartins
    1. Avatar do(a) Holbein Menezes
      Holbein Menezes -
      Citação Originalmente Enviado por mmartins Ver Mensagem
      Falando um pouco de música, , sem duvidas as sinfonias de Beethoven sõa grandiosas, a Nona realmente é insuperável, mas as sinfonias de Mahler, Bruckner e Shostakovich são poderosas. Estou fazendo uma releitira e as sinfoinias de Shostakovich são de uam beleza impar. A sétima, a
      décima primeira, nossa, incríveis. Me desculpem os Beethovianos, mas.... abs. mmartins
      É, mmartins, continuemos o nosso "diálogo": gosto demais do Shostakovich, das catorze Sinfonias, dos quinze quartetos para cordas, o último dos quais com uma "marcha fúnebre" com que ele prenunciava sua morte acontecida poucos meses depois. Sua última obra é uma sonata para viola, linda! linda! e profunda! E há também, mmartins a discutida ópera "Lady Macbeth of Mtsensk", proibida na União Soviética até o desmoronamento do regime ditatorial de Stalin.
    1. Avatar do(a) mmartins
      mmartins -
      Sim, os quartetos, fantasticos. A obra de Shostakovich é bela, mas precisa de dedicação para compreende-la e para gostar. Também estou de Bruckner. []s mmartins Ah, regimes ditatoriais? Sim, nós criamos isto tudo, todas estas amarras, e a maioria não sabe como fazer para sair disto e ser livre. De repente ouvindo Shosta pode ajudar e posso até dizer que ficamos mais afiados mentalmente, mais rápidos. []s mmartins
    1. Avatar do(a) valdeci
      valdeci -
      Audiota é quem destrói cabos e usa termos "audiotas" para impressionar alguns audiotas, que por serem audiotas elogiam o texto audiota.