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Astronomia - você tem observado o céu ultimamente?

Discussão em 'Zona Livre' iniciada por Sidrack Marinho, 16 Fev 2014.

  1. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Eu sempre tive um interesse pelo tema mas nunca visitei um observatório. Pedi meu primeiro tele recentemente, um Maksutov Cassegrain de 90mm, mas só deve chegar em Março.

    O meu interesse, além de observar, é mesmo em astrofotografia, porém vou ter que me contentar com esse modelo citado porque os melhores de 150, 200, 250, 300mm de abertura exigem melhores condições, e o custo ficaria bem maior.

    Exemplos de complicações:

    - Moro em apartamento, então teria que levar o equipamento lá pra baixo pra observar. Isso seria viável com o MAK90, mas com um dobsoniano que pesa 20-40 kg já complicaria. No total, no caso do MAK, todos os equipamentos somados não pesam tanto. Não é um trambolho.

    - Enquanto o MAK está saindo na faixa de R$ 700 (um exemplo de câmera adequada pra acoplar nele é a ASI120MC, mas essa custa quase R$ 1 mil, até mais cara - sendo que você também pode comprar um anel que custa menos de R$ 100 pra conectar um outro tipo de câmera - uma que tenho é a Sony DSLR 100, mas não tem o mesmo poder de ampliação da ASI), um dobsoniano custaria entre R$ 1.500 e 3 mil.

    Mas se você pretende tirar fotos, precisa adquirir uma montagem equatorial (só a equatorial parece que é adequada pra quem deseja tirar foto, a que vem com ele não presta), então aí tem que somar mais uns R$ 3 mil. Com a montagem que vem com o Maksutov creio que dê pra extrair alguma coisa, sem grandes problemas.

    - Os refletores newtonianos exigem uma parada chamada colimação, que é um ajuste feito no equipamento (se não for feito, fica desfocada a imagem). No MAK essa colimação parece ser dispensada, mas nos outros isso teria que ser feito de vez em quando. Pesquisando por "colimação" na internet você vê que nem chega a ser complicado, mas é aquele tipo de ajuste que você aprenderia a fazer melhor se alguém do seu lado com esse conhecimento te explicasse. De qualquer forma, perde-se tempo fazendo esse ajuste, em um dos passos você até faria mais rápido se alguém estivesse ali pra te ajudar.

    - Os grandes/melhores seriam mais aproveitados se não fossem movidos pra lá e pra cá como o Maksutov, instalados num local fixo, e, lógico, não num apartamento fechado, e sim numa casa onde você tem o céu aberto e pode mexer na parada sem complicações.

    - Quanto maior o telescópio, mais evidentes os problemas de poluição luminosa típico das cidades. Isso com certeza será um problema pra mim, só que mais amenizado.

    Então pro iniciante o Maksutov ou um Skywatcher 114mm seria o melhor custo-benefício.

    Fora o MAK, eu pedi também conforme sugestão, uma ocular Wide Angle de 6mm. Quando tudo chegar eu posto o que achei aqui.

    Seguem alguns vídeos que achei no Youtube:

    http://www.youtube.com/watch?v=iomhKfyQrRE
    Apresentação do Skywatcher com montagem motorizada

    http://www.youtube.com/watch?v=h_4yzWaRpmU
    Conectando a câmera ASI120MC ao telescópio

    http://www.youtube.com/watch?v=3OCLfkJD3fM
    Lua filmada com tele Skywatcher 90mm

    http://www.youtube.com/watch?v=ATghKrZKKqc
    Tele 90mm Skywatcher Maksutov 90

    http://www.youtube.com/watch?v=OkcH8wAYVBo
    Filmagem da Lua

    http://www.youtube.com/watch?v=WluE--m5yX4
    O melhor vídeo com filmagem da superfície lunar desse tele que encontrei

    http://www.youtube.com/watch?v=xbEKhFiRjRM
    Resenha do MAK

    http://www.youtube.com/watch?v=zFZUAapCHhw
    Outra resenha

    http://www.youtube.com/watch?v=mkcWvLWZIK8
    Outra filmagem da Lua
     
    • 2
  2. Dennis

    Dennis Moderador


    Desde 21 Mai 2002
    Tópico assinado, assim que você tiver as primeiras fotos, não deixe de compartilhar aqui, além das impressões do telescópio. (y)
     
  3. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Sobre meu tele, ele chegou ontem. Foto:

    [​IMG]

    Manual em inglês:
    https://mega.co.nz/#!zMZijBDJ!COtFZStVpNGsgNkmfu6MfHqo--JpE_tunD6XDjagojU

    Em PT-BR (desconsiderem a parte que fala sobre EQ1 e EQ2, não é essa a montagem que vem com ele):
    https://mega.co.nz/#!qBRznBLb!LZxoPG-ls1p_2FPpMBo0ySX6bjcqEzEEBC8xnElSuQA

    Eu ainda estou vendo como funciona a parada, pessoalmente achei esse manual em inglês bem fraco. Hoje só vi alguns prédios próximos (de dia), ainda não testei de noite.

    Junto com ele pedi uma ocular de 40mm e uma Wide Angle 6mm. Não testei a base ainda porque preciso arrumar mais 4 pilhas, já achei que tinha defeito quando abri a parte traseira e descobri que precisa de mais 4 (ou isso, ou pode ser ligado na tomada).

    Também vou precisar limpar uma poeirinha que veio no espelho dele:
    [​IMG]

    O site que comprei disse isso:

    Isso porque eu reclamei que na frente do tele (vejam a foto acima) dá pra ver dois pontinhos pretos de sujeira (tipo um cisco) e um pelinho que parece estar dentro dele e se pareceu com um risco. Vou ver se dá pra limpar porque quando abri o tele já constatei isso.

    Ainda não montei o tal de Red Dot (no manual em PT ele é mencionado) e testei as oculares, mas não dá pra emitir nenhuma opinião porque o principal que eu quero apontar ainda não apontei...

    Depois eu posto os últimos updates.

    P.S. Eu pedi também (ainda vai chegar) um cabo USB que permite apontar pra algum astro específico por meio do programa Stellarium. Esse cabo parece que só é vendido também pelo pessoal do Armazem, que foi quem fez os drivers que permitem fazer esse apontamento por meio do Stellarium e programa(s) similar(es), vejam um resumo aqui:
    http://www.armazemdotelescopio.com....tos/152-o-controle-automatico-dos-telescopios

    http://www.armazemdotelescopio.com....lview-dob-goto-skywatcher-frete-gratis-detail (existe um sem-fio, mais caro, mas preferi pedir esse)
     
  4. GmsTvOc

    GmsTvOc The Zombie Barbarian


    Desde 26 Jul 2010
    Curitiba
    Que bacana! Tópico assinado!

    Boa diversão com essa bela aquisição!
     
  5. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Eu tinha digitado um texto enooorme explicando o porquê desisti desse hobby mas pra variar o Ruindows me mandou uma tela azul e perdi tudo...

    Vou tentar ser mais suscinto dessa vez...

    Primeiro, não recomendo ninguém comprar esse Maksutov 90 da foto, e nenhum telescópio com menos de 200 ou 250mm de abertura. Portabilidade nunca deve contar mais pontos que qualidade.

    Refrator esqueçam (só devem prestar os ultra-caros), catadióptrico (o MAK é um) só se for Schmidt Cassegrain (também caríssimo, é tele que custa tipo 8, 10 mil), e o melhor custo benefício é mesmo um dobsoniano, que com abertura de 200 ou 254 custa 1.500, 2.200 reais.

    Dobsoniano é o tipo de tele, a tecnologia é REFLETOR. Refletor é o mais usado/melhor e catadióptrico é uma mistura de refletor com refrator. Todos tem seus prós e contras mas colocando na balança o refletor compensa mais. Tanto pra observar como capturar imagens.

    Não recomendo pegar dobsoniano (DOB = modelo de refletor) com o chamado GO-TO, que é acompanhamento dos astros. Pois ele não permite adequar o tubo a uma montagem equatorial.

    E nem o DOB manual, sem GO-TO, pois é chato de fazer essa adaptação. A loja recomenda pegar o tubo fechado (somente o chamado "OTA") e a montagem separado. Pra dar uma ideia, uma montagem do tipo "EQ6" (a que serve pro de 254) custa mais de R$ 5 mil.

    A montagem é bem mais cara que o telescópio mas sem ela não rola capturar objetos de espaço profundo como nebulosas, galáxias, estrelas... Se tentar capturar mesmo com o GO-TO fica ruim o resultado, cria rastros na imagem (aliás até pra planetas não fica bom realmente). Essa montagem EQ é obrigatória pra captura de DSOs.

    Meu objetivo era somente fazer captura, não apenas observação. Até rola fazer algo com um DOB manual (o que eu queria comprar), mas... não do jeito que eu queria, sem tantos entraves, como necessidade de fazer alinhamento polar (se for usar montagem EQ ou DOB GO-TO), colimação, ter que manter o objeto no campo visual do tele enquanto ajusta o programa...

    Esse procedimento é muito engessado e ter um tele e querer fazer astrofotografia é muito caro, consome muito tempo e estressa você demais.

    Não tenho estrutura pra ter sequer pra observação, o clima aqui é péssimo pois o céu só vive nublado mesmo sem chover... Você começa a tentar observar e o pedaço limitado de céu que dá pra ver nem fica mais disponível.

    E não vou investir muito $ assim sem certeza de resultados ou pra obter "qualquer coisa".

    A ideia de apenas apontar pro céu com uma câmera e começar a gravar direto, depois vindo coletar o vídeo e ver objetos diferentes não existe. Porque mesmo com tudo preparado você captura um objeto só, depois se mover pra outro tem que reajustar várias coisas... Então não rola deixar gravando direto, de várias coisas e coletar o vídeo depois.

    Aliás, até a montagem das peças da equatorial, do dobsoniano, o manejo da montagem EQ, a manutenção obrigatória do refletor (chamada colimação) eu acho não só difícil de assimilar mas chato de fazer.

    Eu vou dar um exemplo de algo fácil, que até uma criança faz... mas que eu não faria de novo nem se me pagassem:

    http://www.htforum.com/vb/showthrea...nte-livros-e-afins-(-gerar-arquivos-digitais)

    OCR em livros.

    Já cheguei a fazer, mas é muito ruim justamente porque leva muito tempo pra livros com centenas de páginas. E com o tempo você enche o saco de continuar fazendo repetidamente. É algo maçante elevado a enésima potência.

    Os ajustes são fáceis, mas você leva tipo 5, 10 minutos (ou até menos) pra revisar uma página (mas multiplique esse tempo por 500 e veja quanto dá), e mesmo depois de tudo pronto ainda pode gerar um arquivo final onde o computador trocou um "tornar" por "tomar" por exemplo, você lendo na revisão não percebeu isso, o software do OCR não te avisou que estava errado... *

    * Avisar que está errado é te alertar que naquela área do livro ele teve dificuldade de reconhecer os caracteres e você precisa conferir se o texto que ele criou condiz com a imagem/livro em papel.

    Sem contar que no tópico eu deixei claro que não se pode escanear mesmo livro só de texto em 300 DPI, precisa ser mais (funcionou com 600) senão nem reconhece caracteres... e escanear assim leva tipo 1, 2 minutos por página.

    Eu não faria um trabalho desses sozinho por compensação alguma. É aquele tipo de serviço que implora por ser feito EM GRUPO. Com pessoas se ajudando mutuamente, cada um fazendo um pouquinho, e no final todos saem ganhando.

    Captura é a mesma coisa, só que a captura que se faz é que nem jogo de seleção brasileira. Não acontece toda semana, tem uma "preparação" prévia antes dele... então quem captura faz isso esporadicamente, tipo, amanhã, depois daqui a 1 mês.

    Eu não queria isso, mas capturas diárias. O máximo possível, e a maior quantidade de objetos possível.

    Só que pra capturar nem que seja um é um parto... Ainda que um dia eu consiga fazer o alinhamento polar, ainda que um dia eu junte uma grana e compre as peças mais ideais possíveis... ainda assim não vou poder chegar ali fora, apontar com facilidade, não precisar ficar interferindo o tempo todo... não precisar me preocupar em limpar sensor de câmera (isso pra mim foi o prego do caixão, porque a poeira só sai passando lenço (me recomendaram kleenix classic) e álcool isopropílico em cima).

    Recomendaram usar "soprador" mas a partícula de sujeira gruda nele, e ficam pontos pretos na imagem. Até fiz isso mas não limpou 100%, as pessoas sempre reclamam disso. Mesmo câmeras comuns tipo Canon e outras se deixar lá foram sujam e precisa proteger. Limpar sensor tem sempre risco de dar algo errado.

    Aliás fazer qualquer coisa com equipamento sensível assim sempre gera um risco iminente de quebrar. Se eu tiver algum problema como tive de não conseguir fazer alinhamento polar não vou ter quem chamar pra me ensinar a fazer (tem certas coisas que só se aprendem com a presença de alguém lhe explicando/demonstrando mesmo que você leia bilhões de livros, assista vídeos, ou acesse muitos sites). Nem pagando. Quer dizer, vou investir muito $, tempo, me aborrecer, e sem garantia nenhuma de nada.

    Enfim, isso é o que eu chamo de roubada total.

    Tudo na vida sempre será furado se você não pesquisar os prós e contras e as possibilidades. A expectativa sempre suplanta a realidade.

    Pra mim acho que compensa mais visitar observatórios, especialmente os estrangeiros, que perder tempo com capturas com todos esses entraves e da maneira que é feita (ou melhor dizendo, da maneira que só pode ser feita).

    Vale a pena ter um tele mas não vale a pena investir em astrofotografia.

    Da maneira que eu quero fazer não tem como. E não é porque eu quero mais facilidades... mas porque tecnologicamente falando não dá pra fazer isso apontando pro céu a noite.

    Somente se você usar a mesma câmera pra apontar pra objetos terrestres e de dia. Aí funciona como EU QUERO.
     
  6. bbonic

    bbonic Usuário


    Desde 22 Jul 2014
    Maringá/PR
    Marinho,

    concordo em partes com o que vc relatou. Mas acho que vc desistiu muito cedo, parece que quis entrar de cabeça em astrofotografia e somente depois foi se aperceber do pepino que esse hobby tras ao hobbista. De qualquer forma, acho que um bom começo para astrofotografias é esquecer os tipos de fotos que mais gosta e se concentrar em o que vc pode fazer com o seu setup. Vou dar um exemplo. Você tem uma DSLR, o que te possibilita fazer fotos com o método da câmera fixa (sem telescópio mesmo), e ir aprendendo como utilizar alguns softwares de empilhamento (DSS, Rot'n'Stack, Registax). Além do mais, com a câmera fixa dá pra montar imagens de startrails e fazer time-lapses do movimento dos astros. Não sei se vc tem o Mak ainda, mas sabendo utilizar esses softwares, vc pode tirar fotos bem interessantes de alguns aglomerados para empilhar. Com esse seu tele dá pra fazer imagens interessantes da Lua, de Júpiter e Saturno também, com alguma webcama adaptada. Custaria uma fração das câmeras dedicadas (eu achei uma SPC900NC e o adaptador no ML, uso ela somente para registros do sistema solar). Enfim, dá pra reduzir os custos adicionando suor. Estou a 6 anos no hobby de observação, 3 anos com um tele 150mm de abertura, 2 anos fazendo astrofotografias. Esta semana passei horas e horas aprendendo como manipular alguns softwares e só agora fui processar fotos com mais de um ano de tiradas. É muita informação e detalhes, então imagino que a forma de ir subindo os degraus é utilizando o que se tem em mãos de todas as formas possíveis.

    Abraços!
     
  7. CARLOS (CMG)

    CARLOS (CMG) Usuário


    Desde 1 Mar 2007
    Criciúma / SC
    • 1
  8. bbonic

    bbonic Usuário


    Desde 22 Jul 2014
    Maringá/PR
    Carlos,

    também navego bastante nos sites de fotos dos astros! E o site da NASA é show também. Tem cada imagem... Por isso talvez o povo desista, uma imagem do Hubble esta a um clique de distância, enquanto uma boa astrofotogradia é sempre muito trabalhosa... Olha só, com muito custo, para se ter uma idéia, essa imagem só saiu depois de anos de prática e estudo, usando um equipamento baixo custo, se assim podemos dizer...

    [​IMG]
    saturno-as!2 por bboni, no Flickr

    Abraços!
     
    • 3
  9. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Ninguém deve ingressar nesse hobby se não tiver 1) muita paciência e tempo sobrando; 2) uma boa grana, e 3) condições ideais pra captura.

    A mim faltam esses 3 requisitos. Especialmente o terceiro.

    Eu recomendo a aquisição de telescópio, sim, mas equipamentos pra captura (não só pra astronomia) eu achei decepcionante. São muitos pormenores a serem considerados e que influem na possibilidade de se conseguir capturar com sucesso e há muita omissão de detalhes de como se proceder pra realizar cada captura. E vão por mim, não é algo que qualquer pessoa queira descobrir por conta própria.

    Achei decepcionante por exemplo descobrir que se precisa gastar muito com tripé ou montagem (mais até que o próprio tele) pra se tirar qualquer foto noturna. Quer dizer, se um objeto estiver se movendo no céu e o intervalo de tempo pra captura for curto você não vai conseguir registrar.

    Quando falo condições ideais pra captura quero dizer observar afastado das luzes da cidade. Isso é em 90% dos casos impraticável, o que arruina a experiência de se observar e especialmente capturar.

    Pode ser possível capturar planetas ou a Lua mas daí pra objetos de espaço profundo não rola mesmo.

    Achei decepcionante como câmeras funcionam porque imaginava que seriam minimamente parecidas com o olho humano. Mas a diferença é (sem trocadilho) astronômica. Isso explica não termos fotos de corpos celestes nas capturas realizadas nas viagens do homem à Lua. Não é apontar, clicar e capturar.
     
  10. placard

    placard Usuário

    7.610 3.786 701

    Desde 29 Mai 2008
    Terra
    Pessoal, só vi o tópico agora. Temos tópicos por aí sobre assuntos diversos, que vieram durante os anos e se perderam.

    Temos um sobre astrofografia. Recomendo mesmo, principalmente, o Clube do Telescópio. Reitero tudo que falei, especialmente no Clube do Telescópio.

    Quem se interessa por astrofografia realmente (ou seja, irá eventualmente progredir para longa exposição) dificilmente poderá morar num apartamento. Eventualmente, seria necessário montar o telescópio em definitivo, numa posição fixa. Astrofografia de longa exposição requer bastante investimento e dedicação.

    Como o amigo ali acima adiantou, existem possibilidades para se capturar via webcams modificadas, com custo irrisório no que diz respeito à câmera e adaptador (mas muita dedicação!).

    Seu Maksutov também vai precisar, especialmente no primeiro uso. ;) E realmente, pra iniciantes, parece mais difícil do que o que é. Eu já faço tranquilo. Demora um pouquinho, especialmente se a pessoa não tem conhecimento de ótica.

    Para iniciantes, a resposta é um BOM binóculo, como os Celestron SkyView 8x56 e os Orion Ultraview 10x50 (eu tenho este). Para telescópios, dobsoniano a partir de 150mm. Refletor com 250mm é um luxo para poucos. Na minha opinião, os melhores telescópios para iniciantes são justamente os DOB, se possível com Goto. Mas os computadorizados de qualidade são CAROS.

    Abordamos essa questão exaustivamente no Clube do Telescópio há 4 anos atrás, cujo link postei acima.

    O Cass já é um design que, por padrão, já possui uma razão F/ mais longa. Uma ocular de 6mm talvez crie um aumento impraticável para o seu Cass (dada a captação de luz) e suas condições de observação (local). A ocular ideal para começar é sempre a proverbial Plossl 1,25" de 25mm. Minha Plossl de 6,3mm é raramente usada, e isso porque o meu é um newtoniano F/4,9 (1 metro de foco). Imagina só um Cassegrain!

    No mais, leia o Clube do Telescópio, cujo link coloquei no início.

    Nunca custa lembrar: a poeira sempre pode sair, mas o arranhão é para sempre. ;) Acho que só limpei meu telescópio 2 ou 3 vezes nos últimos 10 anos.

    Sintoma do nosso Braziu ziu ziu, onde equipamentos de iniciação às ciências são taxados como itens de luxo, e a "indústria" nacional se resume a uns gatos pingados "malucos", anônimos socialmente porque insistem se dedicar ao trabalho artesanal de alta qualidade sem incentivo algum para isso. É assim há dezenas de décadas na história da astronomia nacional, e vai continuar assim. :aff:

    No mais, convenhamos que a EQ6 aguenta até Celestron SC de 9". É montagem pra durar uma vida inteira, só se compra uma. Excelente custo-benefício. Fora do Brasil, claro.

    Mais uma vez, faltou pesquisa. É possível longa exposição com montagens baratas, especialmente em telescópios leves como o seu. Até em Goto se faz, dependendo da montagem e do adaptador visual.

    Astronomia amadora requer bastante conhecimento. Movimento angular, magnificação, ótica, e no caso de astrofoto, exposição... quando se tem em mente o movimento angular pela magnificação, isso não é surpresa alguma. E sim, boas montagens custam muito.

    Em síntese, recomendo que você repense seu interesse em astronomia amadora.

    É muito comum o iniciante que não pesquisa antes de entrar nisso se desapontar. Para você ter uma ideia, meu telescópio ficou guardado durante quase 1 ano e meio. Coincidentemente, retirei esse mês porque levei numa viagem ao interior, onde o céu é absolutamente transparente e o clima é frio e seco. É normal, mas é comum que pessoas que não consigam sair da cidade percam o interesse devido às limitações atmosféricas.

    Nós somos felizardos, pois não moramos no Sudeste, onde a poluição luminosa de megalópoles como SP arruinam o céu por dezenas de dezenas de quilômetros. Moramos no Nordeste. No seu caso, qualquer lugar de Caruaru para trás é excelente, e dá pra levar o telescópio de carro. Toda a região do Ipojuca, Moxotó e Pajeú (e as regiões paraibanas do Cariri e Serra do Teixeira) são excelentes, absolutamente excelentes, coisas que qualquer astrônomo amador norte-americano pagaria caro para ter tal bênção. Transparência do céu inigualável, nenhuma iluminação artificial e com clima semi-árido que proporciona pouca humidade do ar com clima frio à noite.

    Depende dos seus objetivos. Muita gente investe e é feliz.

    Amigo, desculpe-me, mas dá. Agora, você não tem interesse no que está acessível. Você queria capturar nebulosas e se impressionar e impressionar os outros. E nem os conhecidos astrofotógrafos amadores tiram fotos de tirar o fôlego... Os satélites da NASA no espaço custam centenas de milhões por isso.

    Você quer sim facilidades. Basta ver o que foi postado logo acima, sobre "preparação", "aborrecimento" e tudo mais. É até compreensível, e você não foi o primeiro nem será o último a se (aparentemente) desapontar com astronomia amadora por esse exato motivo. Isso é muito comum, infelizmente. Talvez se você tivesse visto antes ao menos o Clube do Telescópio aqui do HTF isso teria sido evitado. Sobrou expectativa e faltou cautela/pesquisa (especialmente sobre as expectativas). Desculpe a sinceridade.

    Como falei, somos felizardos. Temos um dos melhores céus, pelo menos das Américas e em termos também de acessibilidade (infraestrutura, altitude, distância de grandes centros etc.), a algumas dúzias de quilômetros. (y) Praticamente todo mundo que observa precisa viajar de vez em quando. É por isso que existem Clubes Regionais de Astronomia amadora. Aqui raramente, mas nos EUA isso é praxe (custo alto dos equipamentos). Mais uma vez, pesquise e verá.

    Desculpe se este "choque de realidade" pareceu desestimulante. Mas não quero que você seja mais um a perder muito tempo apenas para se desapontar mais no fim, e ter prejuízo financeiro grande. Astronomia amadora é bastante gratificante, desde que, com as reais expectativas, você identifique nela algo que agrade você e para a qual você esteja DISPOSTO a se dedicar, aprender, investir dinheiro e, principalmente, TEMPO!
     
    • 1
  11. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Epa, calma lá, o problema não é morar na região A ou B.

    É morar na cidade grande. A maioria não mora no interior ou em locais afastados o suficiente pra que luzes parasitas deixem de interferir na observação. Esse é o preço que você paga pelo conforto.

    Se você tiver de viajar vários quilômetros pra apenas observar levando seu tele a tiracolo isso já deixa de fazer sentido (pra quem quer fazer com maior frequência pelo menos), sendo muito mais vantagem uma viagem pra um observatório de qualidade.

    O problema de tudo isso não é somente o grau de dificuldade envolvido. Resolvidos alguns detalhes no geral você vai ver que se tornará fácil.

    É a possibilidade de problemas com o tele e equipamento de observação além de exigir uma dedicação que com o tempo acaba se tornando chato pra você.

    É que nem escanear um livro. Veja que nesse tópico:
    http://www.htforum.com/vb/threads/2...nte-livros-e-afins-(-gerar-arquivos-digitais)

    Eu expliquei como fazer com reconhecimento de caracteres (OCR) e de um jeito que o resultado final é satisfatório.

    Não há dificuldade alguma. Porém é chato. E por que chato?

    Pelo tempo que leva pra tudo.

    Mas aí vai vir a pergunta: arrumados todos os softwares, lido o tutorial e tentado, dá pra fazer?

    Dá.

    Mas eu só cheguei a fazer 2 ou 3 OCRs. Fiz mais de 10 só em PDF com imagens. Em coisa de 2-3 dias (depende do meu tempo livre e quantas páginas tenha) um livro pode ser gerado assim.

    Pra fazer OCRs eu levei mais de 1 mês. Sendo que o programa funciona assim: ele sublinha palavras que teve dificuldade de ler e as que não teve ele não avisa.

    Exemplo: Ele sublinha cssa e você corrige pra CASA.

    Só que teve página onde a palavra TORNARIAM foi transcrita como TOMARIAM. Pra pescar erros como esse você precisa perder maaaaais tempo lendo um e conferindo o outro.

    Em suma: isso não é trabalho pra uma pessoa só.

    É pra ser feito em grupo. Cada pessoa fazendo um pedaço e tudo seria feito em tempo recorde (se rolasse OCR, senão só PDF com imagens).

    É pra ser feito por uma editora, se essa não estivesse preocupada apenas em vender versões impressas em papel a preço de ouro restringindo o conhecimento não só porque a maioria não quer pagar mas porque carregar pilhas de livros é ridículo. Só que essas empresas ainda vivem no século 15.

    Qual é a conclusão que você chega lendo tudo que eu disse?

    Que por não ser algo simples e que um programa sozinho faça é feito apenas muito esporadicamente.

    Ou nem é feito e se opta por um método alternativo.

    O meu objetivo quando pensei em fazer astrofotografia não seria fazer uma captura aqui e ali, 1 vez por mês.

    Seria capturar por um tempo prolongado e diferentes objetos no céu.

    Mas aí digamos que eu compre tudo, o equipamento todo.

    Primeiro descubro que qualquer poeirinha se aloja dentro da câmera, não só as planetárias, e dependendo da situação por mais que tente remover você não consegue e pode até acabar piorando.

    Porque é uma poeira que praticamente gruda no sensor e mesmo usando equipamento pra limpeza (tive de comprar álcool isopropílico e um lenço específico) pode não resolver.

    Como a poeira entra eu não sei, mas a ASI120MC que comprei já veio assim.

    Pra quem é perfeccionista isso é a treva.

    Aí tem a colimação. Pode até ser simples de fazer mas você tem que repetir o procedimento sempre. Tem tele que não exige colimação periódica, mas custa os olhos da cara.

    O tele que custa os olhos da cara exige uma montagem diferente da que vem com ele, pra latitudes do Nordeste (desnecessário pra outros locais inclusive exterior).

    O tele que custa caro é ideal pra planetas mas não pra objetos de espaço profundo. Esse é outro ponto a se considerar. Implícita aí a necessidade de ter dois teles, um otimizado pra planetas/Lua e outro menos pra eles e mais pra DSOs.

    Equipamentos fotográficos não servem pra tudo. Por ex. câmera planetária (como o nome já diz) é ótima pra planetas/Lua mas não serve pra DSOs.

    Pra DSOs o ideal seria uma câmera parecida só que bem mais cara. Ou uma DSLR.

    DSLR não presta pra planetas.

    Ou seja, de novo você precisa gastar duas vezes.

    A montagem pro tele é bem cara e mesmo a cara você entra em fóruns estrangeiros e nego diz que não serve pra mais que alguns minutos (ou não presta mesmo) pra exposição prolongada de DSOs.

    O ArmazémdoTelescópio até coisa de 1, 2 anos atrás tinha vários teles disponíveis e a preços mais em conta, mas tiraram a maioria desses teles do estoque e encheram dos careiros.

    É a única loja (única mesmo, se muito deve existir mais 1 ou 2) do Brasil que vende alguma coisa. Se você tentar importar de qualquer loja estrangeira não vai conseguir só pelo frete porque insistem em mandar sem ser pelos correios, é tudo por transportadora.

    Os manuais dos equipamentos (especialmente dos teles) são horríveis. Omitem sempre detalhes relevantes ou não explicam nada direito, e os artigos e vídeos que rolam por aí nunca mostram passo a passo como cada pessoa fez pra capturar com sucesso.

    Você tem que saber montar as peças do tele, colimar (pois com certeza virá de fábrica precisando desse ajuste, além de precisar ser feito de tempos em tempos), fazer alinhamento de não sei o quê (polar?) preciso...

    Precisa se preocupar de alimentar na bateria, rezar pro céu não fechar, o que sempre vejo acontecer em questão de minutos (e no Brasil eu duvido que o tempo ajude na maioria dos casos).

    Ou então ter que ficar observando em horários ingratos...

    E isso pra que uma fotozinha seja gerada a partir de um vídeo.

    Não é desmerecendo não, mas não era nem de longe esse o meu objetivo quando pensei nisso. Eu queria uma captura facilitada, sem tantos fatores a serem considerados que podem arruinar a mesma. Contínua.


    Por exemplo, durante o dia eu bati essa foto com uma DSLR:


    [​IMG]

    Fui lá, apontei, cliquei e saiu. Dei "sorte" de aparecer algo nela. Mas daí a ter um trabalho do cão pra só tirar isso aí (quando possível) eu não quero ter.

    Mas não é nem nesse ponto aonde eu quero chegar.

    E sim que se fosse pra ter todo esse trabalho, teria que ser uma captura sem interrupções.

    Ou seja, eu deixo a câmera gravando e capta um passarinho. Depois aparece outra coisa.

    Mas algo assim não rola nem sem tele.

    A câmera grava 2h. A bateria acaba em 2h.

    E de noite a mesma câmera tem que ficar 100% imóvel e o objeto também tem que ficar imóvel.

    Mesmo uma luz enorme sendo vista pela câmera ela não consegue capturar direito. Vira um borrão escroto porque tem que configurar um monte de coisas.

    Você tem de esperar até a luz ser captada e só depois a imagem gerada.

    O olho humano é capaz de perceber o pontinho de luz mais insignificante no céu, mesmo cheio de luzes em volta.

    A razão de não ser possível apontar, clicar e gerar a foto de noite, além da ausência de luz, tem também a ver com o movimento da Terra e dos astros.

    Eu achei que não seria tanto assim. Mas é incrivelmente rápido. Por isso só a Lua dá pra capturar com facilidade.

    Por isso o tele precisa manter o alvo parado, é preciso uma montagem mais cara, tripé pra câmera e assim vai.

    E exatamente por isso que AF e esses tipos de fotos nunca serão populares.

    Gasta-se muito dinheiro e é preciso perder muito tempo com resultados pífios.

    Veja essa gravação:



    Mesmo com uma qualidade mediana é bem melhor que um sem número de fotos dessa estrela que tem por aí.

    Eu quero isso, vídeo aqui na minha mão. Eu sei que a foto é gerada a partir do vídeo. Mas foto não me interessa tanto quanto vídeo.

    Eu não acho vídeos longos da Lua e dos planetas.

    Já imagens tem em qualquer site.

    Confesso que se tivesse condições ideais investiria novamente nesse hobby.

    Só de morar em apartamento e ter de carregar tudo pra outro local já é o suficiente pra sequer pensar nele.

    Além do fato de que se tiver algum problema técnico não haverá quem me socorra nem que eu pague.

    Se tiver alguma dificuldade no manejo da montagem ou não estiver conseguindo fazer astrofotos e terminar mais perdido que filho da... em dia dos pais não terei garantia nenhuma de que solucionarei minhas dificuldades só de consultar a internet.

    Como não tive quando precisei saber como configurar o Maksutov pra não precisar ajustar o objeto novamente porque ele saiu do meu campo de visão.

    Resumindo pra você, gastei uma quantia razoável e terminei frustrado. Porque não planejei direito.

    Então pensem muuuuuuito, mas muito MESMO antes de se aventurar em qualquer coisa sem informações suficientes.

    Não caiam na roubada de confiar nos fanáticos que fazem parte das comunidades de astronomia e muito menos em sites de venda.

    Foi essa mesma galerinha que disse que o Maksutov era tão bom quanto os telescópios da NASA.
     
    Última edição por um moderador: 19 Out 2014
  12. placard

    placard Usuário

    7.610 3.786 701

    Desde 29 Mai 2008
    Terra
    Caro Sidrack,

    Você falou muita coisa que simplesmente NÃO é verdade. Apenas como exemplo, que DSLRs não servem pra planetas. Que precisa gastar muito, quando várias fotos de webcams modificadas, de DS a planetas, já apareceram em destaque em revistas como Sky&Telescope.

    Desculpe. Você está bastante desapontado com o hobby por ter tido expectativas irreais, e agora está espalhando desinformação.

    Isso é um simples exemplo de como você está perdido.

    [']s e tudo de bom!
     
  13. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Eu já colei aqui essa informação de que uma DSLR não é a escolha mais adequada pra planetas, não?

    Se não, então lá vai. A fonte é o livro Digital SLR Astrophotography, de 2007. Apesar de bem desatualizado, até por mencionar tecnologia obsoleta, toca no ponto da DSLR não ser mais adequada pra isso que webcam ou câmera planetária (CCD então é melhor em tudo, mas são equipamentos ainda hoje caros).

    O motivo do DSLR ser inadequado pra planetas é que enquanto a câmera planetária tem um chip menor, com sensor pequeno, permitindo assim capturar um pedaço menor do campo visual com boa qualidade (parecendo assim maior), a DSLR é o inverso e te dá um campo largo de visualização.

    Com isso não estou dizendo que a DSLR não tem qualidade. Ambas as câmeras tem, mas quando se faz astrofotografia de planetas ou da Lua, uma DSLR não bate outros tipos de câmera.

    Esse blog toca nesse ponto:

    http://andolfato.blogspot.com.br/2014/03/qual-camera-para-astrofotografia-voce.html

    E esse repete o que eu disse:

    http://stargazerslounge.com/topic/80893-dslr-vs-webcam-for-planetary-imaging/

    Traduzindo:

    Uma webcam é mais barata e produz resultados melhores. Parte por conta do sensor ser bem menor, o que te proporciona uma imagem maior de objetos pequenos, como Júpiter, comparado a uma DSLR, com um sensor maior, mais adequado pra images com campo mais largo.

    Além do preço ser menor.

    O tópico também explica que a escala da imagem é determinada pela distância focal do telescópio, claro, mas que há muito espaço "não utilizado" em volta do objeto quando a captura é feita pelo chip da DSLR.

    O que eu falei sobre a poeirinha se alojar na câmera pode ocorrer com qualquer uma, não só a planetária. Se ocorrer é desagradável porque fica aquele pontinho em algum canto da imagem. Porém pode-se tentar limpar e quando fiz isso até saiu (não 100%). Mas não deixa de ser arriscado pois pode ser necessário tentar mais vezes e fazer isso em equipamento caro com certeza gera uma angústia.

    A planetária que testei vem fechada e não faço ideia de como a poeirinha entrou, provavelmente foi durante a confecção. Ah, eu não usaria uma webcam/planetária se o objetivo fosse, com o tele, fazer capturas de objetos terrestres e de dia.

    Nesse caso é óbvio que usaria uma DSLR.

    Agora veja como uma DSLR mostra Júpiter num tele de 10 polegadas (manual, portanto nesse o objeto desliza fora do campo visual em questão de segundos):



    E compare o mesmo alvo com uma ASI120MC (planetária).



    Apesar que esse autor é meio suspeito pois ele diz que suas astrofotos são geradas com tele manual, então deveria deslizar como na imagem anterior. Quando questionei o mesmo em outro fórum me disseram que sem montagem equatorial você pode esquecer de fazer capturas.

    E realmente, não se deve ter uma EQ só pra DSOs, mas pra tudo. Comprar um tele manual com montagem altazimutal e querer fazer AF não dá, mas não dá MESMO. Quer dizer, dá se você se contentar em ficar feito um maluco caçando o alvo e captando só pouquíssimos segundos, quando isso for possível.

    Em tempo: aqui vai uma captura da Lua usando DSLR:



    O tele é manual, dobsoniano de 254mm.

    E aqui com a planetária ASI120MC:



    Essa segunda usa um Celestron C6 SCT:
    http://www.celestron.com/browse-shop/uncategorized/c6-sgt-computerized-telescope

    A razão focal dele é 10.

    Veja que esse link: http://www.inape.org.br/astronomia-astrofisica/be-a-ba-telescopio

    Explica que:

    Então, enquanto um newtoniano como do primeiro vídeo da Lua usando DSLR é mais adequado pra DSOs, esse Celestron seria pra Lua e planetas.

    Logo, não há um telescópio que sirva pras duas finalidades - Lua/planetas e DSOs. A razão focal do newtoniano é 4,7.

    Veja ele aqui:
    http://www.skywatcherusa.com/dobsonians/sky-watcher-dobsonian-10-254-mm.html

    Mas repare que a montagem não é equatorial.

    E quem comprar o dobsoniano com essa montagem que faça rastreamento de objetos não pode retirá-la e usar uma equatorial (se o dobs for manual, sim).

    Precisa comprar apenas o tubo (que é mais raro ainda de achar no Brasil, o Armazém só tinha 1 modelo a última vez que eu vi) e a montagem equatorial separadamente.
     
    Última edição por um moderador: 19 Out 2014
  14. bbonic

    bbonic Usuário


    Desde 22 Jul 2014
    Maringá/PR
    Caro Marinho,

    Essas dificuldades ao mesmo tempo que podem desestimular vc, podem ser um fator de de estímulo a outras pessoas... acho interessante os seus relatos, pois é difícil encontrar pessoas que escrevam suas experiências negativas quando de entrar em um hobby, de fato a astrofotografia amadora é um grande desafio para quem já é astrônomo amador, imagina pra quem não é... Mas o ponto que vc está batendo de que pra cada tipo de astrofotografia existe um telescópio ideal não é determinante para sua conclusão que a meu ver é precipitada. É como desestimular o aquarismo porque pra peixes de água doce vc tem que ter um aquário e pra peixes marinhos tem que ter outro... Como qualquer outro hobby complexo, exige tempo, dedicação e dinheiro, não necessariamente nessa ordem de importância e volume, mas exige... E convenhamos, montar um Home de qualidade para música e filmes, ter um equipamento fotográfico com um set interessante de lentes para vários motivos, ter um grande Reef cheio de peixes coloridos ao lado de um belo aquário plantado, tudo isso é, como tirar astofotos de objetos do sistema solar e de DSOs, trabalhoso, complexo e caro. Mas dá pra começar aos poucos, sem tentar dar um passo maior que a perna. Se uma criança desistisse no primeiro tombo, nunca aprenderia a andar.

    Abraços.
     
  15. Alex D.

    Alex D. mralfh


    Desde 16 Mar 2009
    Tanganmandapio
    Uma mancha solar gigante
    POR SALVADOR NOGUEIRA
    30/10/14 07:13
    [​IMG]
    Mancha solar com 125 mil km de diâmetro, fotografada pelo satélite Solar Dynamics Observatory, da Nasa.

    É bem verdade que estamos na época de pico de atividade do Sol em seu ciclo de 11 anos — o chamado máximo solar. Mas ainda assim a mancha impressiona. Entre os dias 18 e 27 de outubro, ela produziu nada menos que sete erupções solares da classe X — as mais poderosas –, além de outras menores. Viu-se atividade similar em outra mancha de mesmo porte, um pouco menor, em 2003.

    As manchas são produzidas por verdadeiros frenesis magnéticos que ocorrem na superfície do Sol, levando à ejeção de grandes quantidades de matéria solar na direção para onde apontam. Conforme o Sol gira, ele pode muito bem disparar essas rajadas de partículas na nossa direção. O que não é bom.

    Embora não sejam ameaça direta à vida, essas tempestades solares podem danificar satélites e até mesmo prejudicar o funcionamento de nossas redes elétricas. Dependendo do tamanho, elas poderiam muito bem causar um blecaute global.





    É isso aí, o negócio é perigoso. Uma tempestade solar capaz de causar exatamente isso atingiu a Terra em 1o de setembro de 1859 e foi registrada pelo astrônomo Richard Carrington. Na época já foi um negócio assustador. Auroras boreais chegaram a ser vistas em Cuba e no Havaí, regiões próximas ao equador. Operadores de telégrafo levaram choques, e alguns sistemas continuaram a funcionar mesmo depois de desconectados de suas fontes de energia.

    Se acontecesse hoje, um novo evento Carrington seria ainda mais dramático, pois somos muito mais dependentes de sistemas elétricos do que éramos em 1859. Uma estimativa recente prevê um prejuízo de mais de US$ 1 trilhão, só nos Estados Unidos.

    E pode acontecer. Uma tempestade similar à do evento Carrington foi vista deixando o Sol em 2012. Felizmente, “errou” a Terra. Mas estima-se que a probabilidade de vermos o fenômeno se repetir até 2022 e efetivamente nos atingir é de 12% — nada negligenciável.

    DICA: Você se interessa pelo tema da busca por vida alienígena? Clique aqui e baixe uma amostra grátis do meu novo livro, “Extraterrestres: Onde eles estão e como a ciência tenta encontrá-los”

    Uma coisa curiosa, contudo, é que a mancha associada à tempestade de 1859 era de porte médio, bem menor que a atual. O que mostra que não é preciso uma supermancha para ter uma supertempestade.

    De toda forma, não custa permanecermos ligados no que rola no Sol até a atual mancha se dissipar. Vai que, né?
     
  16. Alex D.

    Alex D. mralfh


    Desde 16 Mar 2009
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  17. Alex D.

    Alex D. mralfh


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    Tanganmandapio
    Sexta-feira, 07/11/2014, às 07:00, por Cássio Barbosa
    Uma missão ridiculamente difícil: pousar em um cometa
    [​IMG]
    Está chegando a hora de um feito histórico. Na próxima quarta feira, dia 12 de novembro, a sonda Philae deve pousar no núcleo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Já falei bastante dessa missão e dos desafios que foram um a um vencidos. Agora chegou a vez do maior deles: o pouso.

    Pousar em um cometa não é coisa fácil. De uma maneira bem geral (e informal) as missões espaciais são classificadas em três categorias: difíceis, muito difíceis e ridiculamente difíceis. Exemplificando:

    -Difícil: sobrevoos. Uma nave viaja centenas de milhões de quilômetros pelo espaço escuro, mira num ponto perdido na imensidão, um planeta ou lua e passa batido por ele a 30-40 mil km/h. Sondas assim foram as missões Voyager nas décadas de 1970 e 1980. Outro exemplo é a missão New Horizons com destino ao planeta-anão Plutão e seu sistema de luas.

    -Muito difícil: inserção em órbitas. Nesse caso, ao invés de simplesmente passar por um planeta a nave vai se aproximar e frear de alguma maneira. Com isso ela permite que a gravidade do seu alvo de estudo a capture, o que funciona para planetas, ou executa diversas manobras complexas para entrar numa órbita fechada ao redor de um asteroide, por exemplo. Um movimento em falso, uma manobra mal feita e a nave pode se tornar um meteoro fritando na atmosfera do planeta, ou ser arremessada para algum lugar do Sistema Solar.

    -Ridiculamente difícil: pousos. Sim, pousos *suaves*, não missões de impacto, como a Deep Impact que se espatifou no núcleo do cometa 9P/Tempel 1. Nesses casos, além da manobra de inserção orbital, outros manobras precisam ser efetuadas de modo a propiciar um pouso controlado. Para efetuar a entrada em um planeta com atmosfera, como Marte, a velocidade e o ângulo de entrada devem ser muito específicos, com pouca margem de erro. Com a velocidade incorreta e com o ângulo errado, uma nave pode entrar muito inclinada e não conseguir frear para o pouso, ou se entrar rápido demais, simplesmente ela pode ricochetear na alta atmosfera e se tornar mais um corpo do Sistema Solar. Para você ter uma ideia, pousos suaves só foram efetuados em 6 corpos do Sistema Solar: 2 planetas (Vênus e Marte), 2 luas (a nossa Lua e Titã no sistema de Saturno) e 2 asteroides (433 Eros e Itokawa). Não à toa, as manobras finais de pouso do Jipe Curiosity em Marte são chamadas de "7 minutos de terror".

    E como deve ser um pouso em um cometa? Eu diria, ridiculamente difícil ultra plus!

    Considere o seguinte, o cometa viaja a uma velocidade 40 vezes maior que uma bala de revólver, tem movimento de rotação, expele jatos de gás e tem uma superfície coalhada de rochas, rachaduras, escarpas e possivelmente alguns metros de poeira fina acumulada. Para pousar em Marte ou a Lua, por exemplo, missões anteriores esquadrinharam a superfície durante anos ou décadas para achar um local seguro de pouso e a sonda Rosetta está há apenas um mês fazendo isso.

    Ao chegar a uma distância de 22 km do núcleo, a Rosetta deve liberar o módulo de pouso Philae que vai executar a aproximação final de maneira autônoma, ou seja, sem intervenção do controle da missão. A distância até o cometa é tal que uma informação enviada pela sonda demora quase meia hora para chegar ao controle da missão, fica impossível fazer qualquer coisa "ao vivo". As manobras para o pouso devem durar 7 horas, que podem terminar abruptamente por causa de eventos inesperados, como um jato de gás ou mesmo a explosão de um bolsão de gelo do núcleo do cometa. A cientista da missão Cláudia Alexander brincou em uma entrevista "E vocês acharam que 7 minutos de terror era ruim? O que dizer de 7 HORAS de terror?".

    Se tudo correr bem, a Philae vai pousar na superfície do cometa com uma velocidade equivalente ao caminhar de uma pessoa e imediatamente 3 arpões vão fixar a sonda de 100 kg na superfície. Câmeras de alta resolução devem fornecer panorâmicas fantásticas do ponto de pouso e 10 outros equipamentos de pesquisa devem fornecer dados sobre a estrutura interna do cometa. Nesse vídeo da Agência Espacial Europeia é possível ver a loucura que é fazer as manobras de aproximação e pouso em um asteroide em rotação.

    A sequência de eventos prevista será a seguinte, (no horário de verão):

    11/11, 17:00. Início da transmissão (de 24h) pela internet no endereçohttp://new.livestream.com/ESA/cometlanding

    11/11, 17:35. Hora de decidir nº 1: vai ou não vai? Se a missão receber a luz verde, a sequência automática de pouso será transmitida para a Philae.

    11/11, 22:00. Hora de decidir nº 2: vai ou não vai? Se a missão receber a luz verde, a Philae será colocada de prontidão para a separação.

    11/11, 23:35. Hora de decidir nº 3: vai ou não vai? Se houver luz verde, a Rosetta inicia as manobras de entrega.

    12/11, 05:03. Alinhamento da Rosetta com o núcleo do cometa para a separação da Philae.

    12/11, 05:35. Hora de decidir nº 4: vai ou não vai? Se houver luz verde os procedimentos para o pouso serão iniciados.

    12/11, 07:03. Separação da Philae a 22,5 km do núcleo. Começa a fase de descida e pouso.

    12/11, 07:43. A Rosetta executa uma manobra de afastamento.

    12/11, 08:00. O controle da missão recebe a imagem de "despedida" da Philae após se soltar da Rosetta.

    12/11, 09:03. A sonda Rosetta aponta para a Philae para poder receber seus dados.

    12/11, 14:03. Pouso da Philae!

    12/11, 15:00. Divulgação das primeiras imagens.

    12/11, 15:03. Início das primeiras operações de ciência.

    15/11, 07:03. Término das primeiras operações de ciência.

    É sempre bom frisar que essa é uma previsão e ajustes de última hora podem e devem ocorrer mesmo que tudo corra bem! O que eu vou fazer e sugiro que todos façam, é ficar de olho na cobertura ao vivo pela internet. E claro, torcer para tudo dar certo!





    Foto: ESA/Rosetta/MPS for OSIRIS Team MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
     
  20. Sidrack Marinho

    Sidrack Marinho Usuário

    989 24 1

    Desde 29 Mai 2008
    Brasil
    Uma missão da NASA que todos devem ficar de olho no ano que vem é a New Horizons, que foi estudar Plutão e partiu em 2006. A estimativa é que em Julho haja aproximação suficiente para que registros mais precisos sejam feitos.

    Vejam:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/New_Horizons
     
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