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Aterramento aterra... o quê?

Discussão em 'Energia, Alimentação e Aterramento' iniciada por _rau_, 9 Jun 2009.

  1. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Todas as informações repassadas nos textos abaixo, de minha autoria, não tem como intuito condenar, muito menos de incentivar qualquer prática de aterramento, muito menos por conta própria sem a orientação de um profissional no local da obra! O intuito é apenas o de criar uma cultura, um conhecimento melhor em cima de um assunto tão complexo e controverso como o aterramento elétrico. Em vista disso, não me responsabilizo por qualquer tipo de dano, pessoal ou material, que possam advir de práticas ou interpretações equivocadas do exposto abaixo. Procure sempre um profissional qualificado na sua região!

    TEXTO ATUALIZADO EM: 22/10/2010

    Há algumas décadas atrás, ou melhor, no início da década passada, mas de forma mais corriqueira nas décadas anteriores, o uso do cinto de segurança nos automóveis era algo raro de se ver, ou o sujeito utilizava só pra viajar ou apresentava a desculpa de que está indo só ali na padaria, ou está dentro da sua cidadezinha onde a velocidade é baixa e há poucos carros, então não precisa por o cinto.

    Foram feitas várias campanhas de conscientização do uso do cinto de segurança até que hoje a grande maioria das pessoas nem pensam em utiliza-lo, virou algo automático, é entrar no carro e afivelar o cinto. Eu pelo menos sou assim, virou algo completamente natural.

    O mesmo acontece hoje no nosso pais, e na maioria dos paises em desenvolvimento, quem dirá naqueles países miseráveis, com relação ao "fio terra".

    "Fio terra" na verdade é o nome popular dado ao condutor de proteção ou condutor de segurança, também conhecido pelas siglas "PE", de "Protection Earth". Por norma ele deve vir na cor verde ou verde com amarelo - condutor zebrado ou "brasileirinho", como também são conhecidos, nos Estados Unidos entretanto permite-se que o condutor terra seja "nú", ou seja, desemcapado. Dessa forma, essas cores deverão ou deveriam ser utilizadas apenas no condutor de segurança, mas infelizmente é comum não respeitarem esse código de cores.

    Em 2006 o presidente Lula assinou um decreto obrigando que em todas as instalações o fio terra obrigatoriamente deve estar presente. Mas há décadas já existe a recomendação e obrigação do seu uso em normas da ABNT, mas não é respeitado até hoje, principalmente em instalações residenciais onde mal se tem uma planta baixa feita antes de construir, quem dirá um projeto elétrico.

    A adoção do aterramento tem vários motivos, mas o principal é a proteção das pessoas. Por incrível que pareça, muitos técnicos de informática instalam esse condutor - de forma errada diga-se de passagem, mas com o intuito de proteger apenas o equipamentos ou no máximo pra parar de dar aqueles choquinhos causados pela fuga de corrente natural da fonte de alimentação do computador, o que é algo bastante equivocado e realmente NÃO protege por si só contra todos os problemas, além de criar outros que em primeiro momento ou por anos e anos, ficam ocultos.

    Além do fato dele ser um condutor de proteção para as pessoas que manuseiam os equipamentos, ele tem funções secundárias de proteção ao equipamento. O aterramento também é utilizado por exemplo em torres de celular, sistemas de para-raios prediais (SPDA), para proteger principalmente as pessoas e a estrutura do prédio contra fortes descargas e indiretamente fazer parte da proteção dos equipamentos instalados dentro dessas construções, mas nessa questão, um SPDA não consegue proteger os equipamentos por si só. Esse sistema precisa estar coordenado com outros sistemas pra que a proteção seja efetiva. Enfim, pensar no fio terra como solução pra qualquer tipo de queima é um conceito errado.

    O aterramento é um "cinto de segurança" para você, usuário do equipamento. Este foi criado como um meio seguro pra referenciar a tensão descarregada nas carcaças metálicas dos equipamentos que funcionam à eletricidade, tirando essa carcaça de um potencial "flutuante" pra um potencial da Terra ou seja, 0V. Veja que coloquei o "t" de "terra", em maiúsculo, por uma razão nobre, Terra - Planeta Terra. Tem muita gente por aí achando que preguinho na parede ou fio enterrado num vaso de plantas é um aterramento! Absurdos assim e outros mais bizarros como amarrar o fio terra na janela (QUE PERIGO!) ocorrem por esse brasilzão afora. Aterramento não é aterrar um fio simplesmente, não é toca-lo na terra, é mais complexo do que isso. Aterrar, em termos básicos, é conseguir um perfeito contato com o planeta Terra, da forma que as correntes de fuga, seja de qualquer forma que elas venham a ocorrer, possam ir à Terra mantendo o potencial das massas aterradas em 0V ou na pior das hipóteses em 25V (em ambientes molhados) e 50V (em ambientes secos), evitando assim, eletrocuções. Ambos valores de 25e 50V são valores normalizados como seguros para o toque do ser humano.

    Enfim, colocando as carcaças num potencial igual igual ao da terra, 0V, não há circulação de elétrons pelo corpo do ser humano. Vejam que elétrons precisam de uma diferença de potencial entre um ponto e outro para que haja corrente elétrica, para que haja um fluxo de elétrons. No caso de um equipamento vier a falhar, seja por uma queda no chão, seja por um fio descascado ou derretido por qualquer razão e que venha a tocar na sua carcaça metálica, o que que aconteceria se não tivesse um fio ligado à Terra atado na sua carcaça? Sim, o usuário tomaria um choque daqueles! Se as condições forem ideais, esse choque pode ser mortal. O que são condições ideais? Geralmente pés descalços, mãos suadas, corpo molhado, piso molhado, tempo de exposição à essa descarga, caminho que ela faz pelo seu corpo até a Terra, etc. Havendo então uma conexão intencional com o planeta Terra nessa carcaça, os elétrons "acharão" mais fácil ir para a Terra do que pro seu corpo e depois pro chão. A resistência é muito menor pelo condutor de segurança do que pelo corpo humano.

    A complexidade do assunto aterramento é tamanha que há livros inteiros dedicados só a esse assunto, já que o aterramento pode assumir tanto um papel funcional dentro da rede elétrica, como um papel passivo, apenas de segurança quando solicitado e é esse o qual está em foco aqui, o condutor de segurança, ou o vulgo "fio Terra". Essa complexidade se deve às questões funcionais que depende de um bom aterramento e às questões de segurança ao usuário, como também a segurança dos equipamentos, ao se adotar um condutor ligado à Terra como via de segurança, já que o simples implantar deste condutor adiciona mais uma complexidade em todo sistema ou seja, é uma linha a mais pra se gerar disturbios elétricos. Antes tinhamos Fase e Neutro, que já são passíveis de distúrbios elétricos entre si. Com uma linha a mais, prestando outro papel, os problemas só aumentam e o pior, muitas vezes são problemas ocultos que poderão se manifestar "amanhã" ou daqui uma década.

    Ao contrário do que as pessoas em geral acreditam, o simples fato de atar um fio ao solo, numa haste metálica, geralmente cobreada, não resolve os problemas relativos à segurança, só complica as coisas! Sim, a carcaça irá parar de dar choquinhos, mas isso é só parte do problema.

    Por um lado essa proteção é importante, por outro abre portas pra disturbios elétricos.

    "Mas como assim? Como que um fiozinho atado na carcaça do equipamento e enficado na terra, vai gerar problemas? Ainda mais que eu fiz isso e o gabinete do meu computador parou de dar choques!"

    No "ramo" do aterramento existem várias coisas a serem levadas em conta ao implantar esse condutor à Terra. Coisas como ambiente no qual esse sistema será usado, hospital, locais com atmosfera inflamável, residências, prédios, etc. Depois vem a analise do solo, suas caracteristicas elétricas condutivas, tipos e numeros de pontos enficados na Terra a serem utilizados, como se conseguir o resultado esperado em determinado tipo de solo e também a topologia de aterramento a ser utilizada. É comum o leigo achar que fio terra é fio terra, só atá-lo à Terra e pronto, mas existem topologias a serem escolhidas pra cada situação, estudos e técnicas, dependendo da funcionalidade que se quer desse sistema. Nesse texto só focarei um pouco nas topologias e não nas técnicas de como se construir malhas, isso é um assunto mais complexo e que o usuário residencial nem precisaria saber. O usuário doméstico não precisa analisar seu solo e utilizar de várias técnicas pra conseguir um aterramento de segurança. Se o padrão de energia, onde fica o medidor de luz, for relativamente recente, ele já conta com um aterramento feito pela CIA Elétrica e esse, se tomado devidas precauções, pode, E DEVE, ser o aterramento de segurança também! Mas reforçar esse aterramento com mais hastes bem espaçadas, não há problema algum, e é até recomendável.Só se deve tomar precaução em saber como que o neutro da red está aterrado fora de sua casa. É muito perigoso adotar esse tipo de aterramento, colocando hastes só na sua casa e saber depois que o neutro da rede externa não está aterrado ou não é aterrado nas residências da vizinhança. Explicarei mais obre isso abaixo quando eu explicar sobre a topologia "TN". Nesses casos deve se ou aterrar o neutro de cada casa atendida pelo mesmo transformador ou utilizar outro esquema de aterramento. Felizmente no Brasil predomina o neutro multi-aterrado

    Bem, existem vários esquemas ou topologias de aterramento, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Um exeemplo é ao adotarmos uma topologia tal qual não permita que o equipamento siga funcionando durante uma falha, o que pode ser prejudicial, como por exemplo em ambientes hospitalares, onde um equipamento não pode parar imediatamente na ocorrência de uma falha elétrica à carcaça do equipamento, principalmente em UTI's ou salas de exames invasivos. O aterramento ainda é importante nesses ambientes, mas detectores de falta à terra precisam existir pra notificar às pessoas que algo está com fuga elevada à Terra e que deve ser corrigido o quanto antes, nesses ambientes a topologia adotada se chama IT, onde o caminho da corrente tem um impedimento ou impedância elétrica, fazendo com que na primeira falta a corrente não suba ao ponto de cortar a energia por meio de um disjuntor. Já num local onde há uma atmosfera inflamável, não pode haver faiscamento, um aterramento em certas topologias não pode ser utilizado por gerar uma corrente de curto-circuito elevadissima, podendo criar arcos voltaicos, nesse caso o esquema TN deveria ser evitado ou usado com extrema precaução e uso de dispositivos DR. Apesar do esquema TN-S ser um esquema de aterramento relativamente seguro, não deveria ser usada indiscriminadamente nesses locais, nem em locais onde não se pode garantir a integridade do consutor neutro, explicarei mais em breve.

    A topologia a ser adotada deve ser analisada pelo engenheiro que fará projeto elétrico, sendo que em cada ambiente e topologia escolhida deve estar aliada à dispositivos de alerta e proteção necessários pra que uma desvantagem de uma topologia não vire um risco maior do que se não existisse o aterramento, para que o aterramento cumpra suas funções de fato. Como mencionado anteriormente, o aterramento por si só não faz tudo. Numa residência ou um estabelecimento comercial, em geral o esquema TN-S a partir do medidor de luz é preferível aos outros. Quando o neutro é multiaterrado ao longo da rede elétrica, esse esquema na verdade se chama TN-C-S e não TN-S, TN-S fica sendo só a porção do medidor de energia em diante.

    Existem basicamente 5 tipos de topologias de aterramento. Veja bem que estou comentando aqui só a topologia em si e não os métodos de medição, técnicas de instalação das hastes metalicas, tipos de hastes, análises de solo, etc, para melhorar a eficiência elétrica do mesmo. Esse texto só tem a intenção de dar uma uma visão um pouco mais apurada do assunto.
     
  2. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Parte 2

    Topologias ou esquemas de aterramento:

    Será apresentada primeiramente o esquema de aterramento em si e logo em seguida as suas vantagens, desvantagens e riscos de adota-lo.

    1 - Esquema TT :

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    Essa topologia é de certa forma incorreta e a mais difundida, principalmente no meio de TI (Tecnologia da Informação) do Brasil, na verdade quando o próprio técnico de informática decide "aterrar" o computador, em predios de Data Centers, muito provavelmente há um projeto elétrico e nesses o sistema de aterramento deve ter sido executado corretamente. A topologia TT é a mais difundida, na minha opinião, por ser o método de aterramento mais fácil de se implementar e manter. Essa topologia basicamente se caracteriza pelo enficar uma ou mais hastes no solo e derivar dali o fio Terra para os pontos finais de uso.

    Porque o uso dessa topologia, principalmente se for pra ser usada nos meios informáticos, é incorreta?

    Para não ser radical, não devemos dizer que é incorreto usar o esquema TT, mas sim que deveria ser usado sabendo o porquê de se usá-lo ou não.

    Existe algumas complexidades as quais os usuários de informática não possuem conhecimento ao adotar essa topologia, são elas:

    1 – Equipamentos da tecnologia da informação e eletrônicos em geral usam técnicas para tanto melhorar o seu funcionamento, como por exemplo torná-los mais imunes à certas interferências como também evitar que interferências produzidas internamente saiam do mesmo de volta para a rede elétrica. Uma das técnicas usadas é colocar capacitores entre as linhas Fase-Terra e Neutro-Terra da fonte de alimentação. Para quem não sabe, o fio neutro é um condutor aterrado (mais à frente mostrarei a razão de não ser recomendado usar o fio neutro interno da construção como fio Terra). Mesmo estando aterrado, e esperançosamente bem aterrado pela CIA Elétrica, ele pode apresentar algumas condições na qual pode ser arriscado para o usuário e para o equipamento. Explicarei mais adiante.

    Anteriormente comentei que a eletricidade para que onseguisse fluir haveria a necessidade de uma DDP (Diferença De Potencial) entre ambos pontos. Por algumas razões, o potencial do fio neutro pode se elevar, por sobrecarga nesse condutor, por estar mal aterrado, por rompimento em um ponto onde faz com que ele perca seu referencial do o "center tap" do transformador da rua/prédio. Se esse rompimento ocorrer num ponto onde o neutro ainda possa estar aterrado em vários locais, o risco é bem menor. Enfim, nesse exemplo aqui será tratado o problema de diferença de potencial entre neutro e terra quando há descargas atmosféricas.

    Veja a situação, você tem um aterramento na topologia TT, o fio Terra da sua tomada está numa haste no seu jardim ou no seu quintal e o neutro está aterrado em vários pontos como no poste de medição (padrão), nos seus vizinhos, no poste do transformador, etc. Aqui já daria pra perceber que uma DDP entre o neutro e o seu aterramento "xing-ling" é muito fácil de acontecer, correto? Ou seja, tensão será criada na malha de condutor neutro da rede e como seu aterramento em relação ao aterramento do neutro flutuarão seus potenciais entre si, poderá haver uma corrente bem alta passando de um terra à outro tendo como caminho a fonte de alimentação do seu eletrônico. Como já comentando, as linhas Neutro-Terra de eletrônicos informáticos possuem capacitores atados entre ambas. Percebe-se então o que poderia ocorrer numa flutuação de potencial entre essas linhas. No mínimo esses capacitores explodiriam e a elevada corrente poderia criar campos magnéticos que levaria junto outros componentes do computador. Outro fator agravante, geralmente as linhas neutro e Terra estão bem próximas na placa de circuito da fonte, mesmo que os capacitores agüentem o tranco, se forem de qualidade muitas vezes agüentam, poderá ocorrer arcos voltaicos entre neutro e Terra também, podendo danificar a fonte de qualquer forma.

    Nos casos onde é inevitável o uso do esquema TT, como em redes aéreas onde a continuidade do neutro é duvidosa, tão bem como seu aterramento, há como se minimizar esse risco por meio da instalação instalação de DPS’s (Dispositivos de Proteção contra Surtos) entre Neutro e Terra. Nesse caso deve-se tomar a precaução de selecionar um DPS da mais alta capacidade disponível e se possível algum que utilize a tecnologia "Spark Gap", por possuir uma alta capacidade para correntes de surto com curvas de elevação e descrescimento mais lentas como a de 10/350 microsegundos. Os dispositivos com Spark Gap suporta algo em torno de 50 à 120kA de corrente e um DPS mais barato à varistor, suporta na melhor das hipóteses 25kA @ 10/350 microsegundos. No míninimo deve se usar um DPS que suporte 12,5kA em 10/350us entre neutro/terra o que equivaleria 60kA @ 8/20us.

    O terceiro problema com o esquema TT é o de choque elétrico. A solução nesse caso é a implementação de Dispositivos DR, o qual será comentado abaixo:

    1 – Tensão de passo: Tensão de passo é um fenômeno que ocorre quando um gradiente de energia , causado por uma descarga elétrica na(s) haste(s) aterrada(s) isoladamente ou quando a descarga é muito intensa em cima dessa(s) haste(s). Quando ocorre uma descarga elétrica pro solo, esse gradiente elétrico se propaga para todos os lados da haste, de forma mais perigosa pra quem está há um ou dois metros da(s) haste(s) - numa descarga de uma Fase pra terra, no caso de raios a distância de perigo é maior. Quanto mais dificuldade esse ponto de descarga tiver pra dissipar esse energia pro solo, devido n fatores, pior o perigo. Entenda por descarga qualquer energia descendo à Terra, seja por uma falha do equipamento ou por descargas atmosféricas.

    O perigo está no momento em que uma pessoa caminha nessa zona de risco, nesse gradiente de energia sendo dissipada à Terra. Os passos da pessoa tendem a estar em potenciais diferentes e zonas com potenciais elétricos diferentes, então quando um pé saí do solo e o outro permanece, nesse ato de caminhar, a eletricidade pode subir por um pé, e descer pelo outro ao tocar no solo, pela DDP criada entre um pé e outro, eletrocutando o indivíduo ou animal que cruzar nesse gradiente. Isso pode acontecer principalmente se o solo ou a pessoa tiverem molhados, a pessoa descalça. E se esse evento ocorrer na rede elétrica externa de distribuição, onde há linhas de alta tensão, a camada de borracha fina do solado do calçado não irá isolar nada. Por isso se você ver um fio do poste caido no chão, nem passe perto. E se você tiver dentro de um veiculo acidentado, permaneça dentro dele até chegar ajuda e não toque nas partes de metal, mas se for necessário sair do veiculo, não toque no metal caso o condutor elétrico esteja em contato com a lateria e pule com os dois pés juntos e calcaçados, os dois pés devem tocar ao mesmo tempo no solo, vá pulando com os pés juntos, até uma distancia boa do ponto em que o fio estiver em contato com o solo, mas de qualquer forma é melhor ficar onde você está até a ajuda chegar!

    Porque no esquema TT isso é mais crítico? Nesse esquema dificilmente se consegue dissipar grande energia à Terra sem que com isso grande parte dela fique “presa” nas proximidades da superficie da haste porque é difícil conseguir uma resistência tão baixa no esquema TT igual á do esquema TN, ainda mais com uma ou poucas hastes e pouco espaçadas uma das outras. Um piso de borracha grossa em volta das hastes poderia servir como um paliativo em descargas de baixa tensão. Mas no caso do uso de dispositivos DR, os quais são obrigatórios em qualquer esquema TT, isso seria de menor preocupação, ainda assim descargas atmosféricas poderiam criar um grande grandiente de tensão de passo entre dois pontos aterrados independentemente, sendo assim necessário que no esquema TT se utilize também obrigatoriamente um DPS de alta capacidade de dissipação de corrente, entre neutro-terra. Ele fará o papel de equipotencializar essas duas linhas momentaneamente durante uma descarga atmosférica.

    2- Tensão de contato: A tensão de contato é aquela que pode se desenvolver nas carcaças quando da falha no equipamento que venha a energiza-lo. No esquema TT isso é crítico. Como eu havia comentado, é muito difícil conseguir uma resistência baixa o suficiente. E qual a necessidade disso? Se a resistência/impedância é alta demais, no momento em que ocorrer uma falha desse tipo, o disjuntor ou fusivel da sua casa ou do seu protetor local, não vai atuar, já que a corrente não tem como se elevar ao "infinito" para que um simples disjuntor ou fusível venha atuar, em termos técnicos temos uma baixa corrente de curto-circuito. Mesmo que se tenha um aterramento TT com a resistência relativamente baixa, digamos de 5 Ohms, a atuação do disjuntor ou fusível não é rápida o suficiente ou nem mesmo atua. O tempo é um fator crítico aqui, porque um dos fatores importantes que está entre a vida e a morte de uma pessoa que esteja em contato com uma carcaça energizada acidentalmente, é o tempo de contato. O disjuntor precisa agir instantaneamente, portanto para que o potencial da carcaça não se eleve acima de 25 ou 50V AC

    Qual seria a solução nesse caso? O dispositivo DR! Mesmo assim deve se tomar a precaução de testá-lo periodicamente através do botão de teste disponibilizado na frente do dispositivo.

    Sem alongar demais, a siga DR vem de “Diferencial Residual”. A função do DR é monitorar o ”balanceamento” entre a corrente que “entra” e a que ” sai” pela fiação ou seja, a corrente que vem pelo fio fase e o que retorna pelo condutor neutro ou outra fase. Idealmente a diferença entre o que entra e sai é 0. Há naturalmente pequenas fugas em qualquer instação, então o valor absoluto não dá exatamente 0, mas para efeitos de ilustração, essa diferença dá 0. Quando ocorre um choque elétrico ou uma fuga para à Terra por qualquer razão, o DR desarma o circuito, protegendo o usuário. Na verdade, por norma, o uso de DR é estritamente obrigatório no esquema TT, e é a única forma de se proteger o usuário nesse topologia. Mesmo que o aterramento TT apresente uma resistência elevada, digamos uns 800 Ohms, um dispositivo DR de alta sensibilidade (30mA) é capaz de proteger o usuário prontamente. Bem, basicamente esses são o principais problemas em se adotar a topologia TT, mas que se tomada devidas precauções, pode ser usado caso outra topologia não ser recomendada.

    Esquema TN-C:


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    O TN-C consiste em usar o mesmo fio neutro das caixas de tomada/passagem para ligar o pino de aterramento dos equipamentos. Em principio essa técnica é válida e funciona como um aterramento de baixa impedância, mas há riscos grandes nessa topologia.

    1 – O neutro tem corrente trafegando pelo mesmo e dependendo de alguns fatores e desequilíbrios na rede, esse condutor passa a não ter mais seu potencial em 0 volt, sendo assim, pode apresentar um risco de choque elétrico, principalmente se esse neutro se romper em alguma caixa de passagem.

    2 - A proximidade da corrente em fluxo no neutro pode gerar interferências nos equipamentos ao ligar o seu fio terra diretamente no neutro. Quanto menor a proximidade do terra do equipamento ao neutro, maiores as chances de ocorrerem interferências sendo que uma distância de pelo menos uns 10 metros já elimina bastante as chances de ocorrerem interferências.

    3 – Há o risco de alguém mexendo em alguma tomada ou caixa de passagem inverter os fios, daí poderíamos ter até 220V na carcaça do equipamento.


    Há poucos casos onde o esquema TN-C é viável, mas deve ser evitado ao máximo e mesmo nesses casos as precauções a serem tomadas são tão grandes que é melhor mesmo não ter aterramento, mas apenas um dispositivo DR ligado no quadro, o que seria muito mais seguro e mesmo assim não há razões para não adotar outra topologia a não ser financeiras.

    Vale dizer que DR é incompativel com o esquema TN-C, já que nunca poderia atuar numa falha Fase-Carcaça (Terra), já que fio neutro e fio terra seriam a mesma coisa nessa topologia.
     
  3. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Parte 3

    Esquema TN-C-S:

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    A topologia TN-C-S é um misto da TN-C com a TN-S. Numa rede de distribuição típica, o neutro é aterrado e chega até o seu medidor de luz em esquema TN-C e é aterrado novamente, desse ponto em diante ele segue em TN-C até a caixa de disjuntores. Desse ponto em diante, se ligarmos o fio terra no neutro e derivá-lo separadamente do condutor neutro, está feito um esquema TN-C-S. Entretanto, em qualquer rede onde temos o neutro multi-aterrado e derivarmos o fio terra em qualquer ponto, o esquema continuará sendo um TN-C-S, apenas a porção onde há a separação em diante, consideramos TN-S. Logo globalmente o esquema é sempre um TN-C-S. A diferença fica de onde derivamos o fio terra, quanto mais longe de uma haste de aterramento, menos seguro.

    A vantagem em utilizar esse esquema é a facilidade de se obter um aterramento confiável, de baixissima impedância, muitas vezes menos que 0,5 Ohms, podendo-se assim utilizar apenas disjuntores para a proteção do usuário, salvo casos onde o circuito é muito longo já que quanto mais longo o circuito e menor a "bitola" da fiação, maiores as chances do disjuntor não agir rápido o suficiente. De qualquer forma, isso não é de grande preocupação num ambiente residencial, onde as distâncias são sempre relativamente pequenas. De qualquer forma, um dispositivo DR resolveria esse problema e é sempre muito bem vindo.

    Esse esquema pode apresentar algumas desvantagens do esquema TN-C, mas com menos riscos, só que ainda pode, apesar de mais dificil que no esquema TN-C, ter elevação de potencial no fio terra após separado do neutro na caixa de disjuntores. O esquema TN-C-S onde o fio terra é derivado a partir do neutro do quadro de disjntores pode ser usado caso não haja nenhuma alternativa, e é recomendável que se use DR, mas nesse caso o fio Terra propriamente dito tem que ser derivado do neutro antes do neutro passar pelo DR. Mais recomendável que se derive o fio terra na haste da entrada ou dentro do quadro de medição.

    A equipotencialização de qualquer superfície condutiva dentro da construção é um outro tema importante ao utilizarmos um esquema TN-C-S, está adicionado um texto mais abaixo onde fala sobre o assunto, mas basicamente devemos equipotencilizar ou seja, ligar à mesma malha de aterramento por exemplo uma tubulação de metal, uma tubulação de gás, banheiras metalicas, dutos de ar-condicionado, esquadrias, box de banheiro que possua hastes de metal tocando no piso, etc. Isso é importante porque se por ventura o neutro assumir um valor superior à 25V, o terra poderá também assumir o mesmo nível de tensão e se isso ocorrer enquanto manusei-se um equipamento aterrado e o usuario toque no mesmo instante nessas superfícies condutoras estranhas à instalação elétrica, o choque poderá ser fatal! Mas se ambas superfícies tiverem aterradas no mesmo ponto, não há choque elétrico ou o choque não será fatal! Por isso, EQUIPOTENCIALIZAR É IMPORTANTE!

    O uso desse esquema é desencorajado por alguns estudiosos onde a rede externa é aérea por causa do risco de furto ou rompimento do neutro, mas o risco é considerado pequeno quando temos o neutro aterrado em diversos pontos, inclusive na entrada da casa. De qualquer forma, esse esquema não deveria ser usado onde o neutro é passível de se romper e o seu aterramento não é garantido. Outro problema que comentei mais atrás e prometei explica-lo melhor é com relação novamente ao aterramento do neutro. Se apenas sua casa tiver o neutro aterrado e o neutro externo não for aterrado, nem mesmo na entrada de cada casa, a coisa se complica bastante. Caso o neutro principal que vai direto ao transformador perder contato com o mesmo, a carga de consumo de toda vizinhança vai procurar sua(s) haste(s) local e a bomba estaria armada, todo esse sistema assumiria tensão elevada e a corrente indo de encontro com sua haste seria tão alta que poderia até derreter as hastes ou gerar algum incêndio.

    O uso de qualquer esquema TN tb é desencorajado onde as altas correntes de curto-circuito podem gerar danos, como onde se lida com inflamáveis ou por exemplo o equipamento é muito sensível a altas correntes de curto-circuito, como um motor elétrico por exemplo, podendo nesses casos haver um rompimento do isolamento do enrrolamento do motor.

    No esquema TN-C-S o neutro deve ser aterrado em quanto mais pontos forem possíveis, desde que antes do dispositivo DR.

    O uso de DPS's no esquema TN-C-S é importante entre as Fases e Neutro ou Terra, e apenas entre Neutro-Terra quando a distância do ponto de separação de condutores neutro e terra for superior a 3 metros.

    Esquema TN-S:


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    O esquema TN-S consiste em termos um condutor terra separado desde o transformador na rua ou seja, o neutro só é aterrado uma vez, num único ponto e ao longo de toda rede neutro e terra seguirem num condutor distinto, junto com as fases. É um esquema incomum de se ver no Brasil, onde teriamos por exemplo ao invés de 4 condutores (3 Fases + Neutro) na rede, teríamos na rua 5 condutores, um deles sendo o condutor terra de proteção. Em alguns países isso é comum, mas geralmente toda rede é subterrânea.

    Vantagens:

    - Diminuição dos perigos de tensão de passo pelo aterramento ser em ponto único.

    - Baixa impedância, permitindo rápida atuação dos dispositivos seccionadores, fusíveis ou disjuntores, no caso de falhas internas no equipamento, desde que sejam obedecidas distâncias e bitolas de condutores. Numa residência típica, mesmo bem grandes, essas distâncias não vem tanto a ser uma questão crucial. De qualquer forma, o uso de dispositivo DR é recomendável hoje em dia em qualquer topologia de aterramento em que seu uso é possível.

    A recomendação do uso de DPS's é a mesma do esquema TN-C-S e TT, todas as linhas devem ser protegidas pro DPS's.

    A desvantagem do esquema TN-S é o uso de 5 condutores ao longo de toda instalação, externa e interna, aumentando muito os custos.

    Existem os mesmos riscos existentes do esquema TN-C-S, mas de forma mais reduzida devido o comprimento que percorre o fio terra até o ponto final de uso e devido o neutro estar ligado junto com terra apenas no "pé" do transformador, o que dificulta o seu rompimento e mesmo que isso ocorra, o terra ainda estaria ligado direto ao "center tap" do transformador e aterrado logo abaixo ou seja, elimina-se vários pontos vulneráveis que poderia ocorrer ao longo do neutro.

    Em redes áereas é dificilimo ver o uso de um esquema TN-S, no Brasil predominha o esquema TN-C externamente e TN-S internamente, sendo assim um esquema TN-C-S global.

    Em ambos esquemas TN-C-S e TN-S se houver o rompimento do neutro, as carcaças poderiam assumir valores de tensão de até igual a tensão de fases, mas tudo dependerá do ponto onde o neutro se romper, felizmente num rede com neutro multi-aterrado as chances disso ocorrer são pequenas, mas caso ocorra por exemplo na entrada de sua residência, onde possua uma haste, sua casa ficaria "pendurada" nessa haste e provavelmente nada funcionará ou a tensão cairá bastante ao ligar algum equipamento de maior consumo. Tensão de passo poderá surgir em volta da haste, as tensões de fase poderão oscilar bastante, podendo gerar até queimas dos equipamentos e as carcaças assumirem valores de tensão variada, tudo dependerá da carga imposta e da qualidade do aterramento local. Essa situação deve ser resolvida o mais imediatamente possível, deve-se desligar o disjuntor geral até corrigido o problema.

    A terceira e ultima desvantagem, geralmente acusada pelos audiofilos, é que qualquer topologia TN-C topologia pode induzir alguns ruídos em seus equipamentos de alta fidelidade e/ou prejudicar a dinâmica sonora. No esquema TN-C isso é nem real, no esquema TN-C-S, dependendo de onde for derivado o terra, as chances são pequenas e no TN-S bem remotas e no TT inexistente, tudo isso vai depender também da definição sonora do seu equipamento e do seu ouvido, além da qualidade acústica do seu ambiente.

    Esquema IT:

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    A topologia IT é utilizada em ambientes hospitalares onde não se pode ter um desligamento instantâneo dos equipamentos no caso de um fio de energia vier a tocar na carcaça. Uma impedância é colocado no caminho que a corrente dessa falta passaria, pra que a impedância seja alta (mas não tão alta), o suficiente pra que o disjuntor não desarme repentinamente e mantenha os equipamentos funcionando corretamente. Geralmente são utilizados detectores de falta à terra, pra alertar as pessoas desse evento e logo, a correção do mesmo.

    Há várias questões que devem ser respeitadas nessa topologia, tudo em prol da vida do paciente, questões essa que só um engenheiro elétrico bem conceituado saberá lidar.

    ------------------------------------

    Normas atuais exigem que todas as malhas de aterramento independentes sejam interligadas em um ponto especifico, um ponto equipotencial de condutores à Terra, mas nem sempre isso é possível e onde não é possível há medidas que podem ser tomadas para eliminar ou reduzir problemas, cito o uso de fibras ópticas na comunicação entre dois prédios com aterramentos distintos, já que fibra óptica não conduz eletricidade. As outras precauções são seccionamento em tempo hábil, no caso com uso de dispositivos DR no esquema TT, proteção contra surtos elétricos por meio do uso de DPS's, etc.

    Um exemplo de malha que devem estar equipotencialidas são as malhas dos sistemas de para-raios. Elas devem estar intelirgadas também com a malha de aterramento do neutro e de segurança, devem formar uma malha única ou um anel em volta da construção. Independente disso NÃO se pode ligar o fio terra da tomada no cabo de descida do para-raios ou na estrutura metalica do prédio, isso é terminantemente proibido e perigoso! Só se pode acontecer essa interligação no ponto equipotencial entre as malhas, há um local correto pra se fazer isso, geralmente o mais próximo da Terra possivel, longe dos equipamentos numa barra de equipotencialização ou mesmo diretamente no solo.

    Bem, espero que eu possa ter esclarecido os pontos principais das implicações em se ter um sistema de aterramento mal feito. Uma frase que gosto muito é:

    "Ruim sem aterramento, pior com um mal feito."

    Obrigado!
     
  4. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Parte 4


    Adendo:

    Imagem do aterramento local, feito pela CIA Elétrica e a forma utilizada pra se derivar o condutor de proteção desse ponto. Esse aterramento está em esquema TN-C-S ou TN-S a partir desse ponto:

    Exemplo de um padrão de energia aterrado:

    [​IMG]

    Conexões dentro do padrão - Mono - Bi - Tri - Fásicos:

    [​IMG]

    Detalhe da derivação do neutro e terra:

    [​IMG]

    Aconselho a todos a também lerem esse manual de aterramentos:

    http://www.procobre.org/pr/aplicacoes_do_cobre/instalacoes_eletricas.html

    Em inglês tem esse texto onde há uma tabela que orienta qual esquema escolher em cada situação:

    http://www.electrical-installation.org/wiki/Selection_criteria_for_the_TT,_TN_and_IT_systems


    A cópia deste texto é permitida, desde que não seja cobrado nada por isso, que seja citada a fonte, que não tenha sua autoria assumida por outrem ou modificações no seu conteúdo, a não ser que seja notificada ao autor com o intuito de melhorar ou corrigir algum eventual erro.

    Atualização:

    As siglas TN-C, TN-C-S, TN-S, TT e IT são abreviações as quais significam:

    T: Terra ou Terre do francês
    N: Neutro ou Neutral em inglês
    C: Combined - Combinado
    S: Separate - Separado
    I: Impedance - Impedância.

    Ou seja, no caso da topologia TN-C-S, terra e neutro são combinados em parte da instalação e separados num ponto "mediano" da mesma. O TN-C são terra e neutro combinados num mesmo condutor, o TN-S é Terra e Neutro separado ao longo de toda instalação, externa e interna, o TT são duas malhas separadas, "Terra-Terra" e o IT é uma malha qualquer com uma impedância proposital adicionada no percurso da corrente elétrica.
     
    • 1
  5. ST@R

    ST@R Usuário


    Desde 17 Ago 2005
    São Paulo
    Rau...excelente(y)

    Abraços

    Silvio
     
  6. arielcs

    arielcs Musica de Qualidade

  7. jmvieira

    jmvieira Usuário


    Desde 29 Nov 2008
    recife
    exelente topico. somente complementado com detalhes:

    alguns equipamentos hospitalares possuem transformadores com entrada em Y e saida em Delta na alimentação de alguns aparelhos importantes, com a finalidade de "isolar" as possiveis correntes de fuga dos equipamentos, para q elas nao escoem pra terra num possivel defeito, o q poderia provocar choques alem da parada do equipamento numa situação importante.


    essa topologia IT da parte 4 tb ajuda e evitar sobretensão nas fases sadias num defeito monofásico pra terra. o valor da impedancia tem q ser calculado levando-se em consideração a tensão maxima suportavel pelos equipamentos, mas em baixa tensão isso nao é um problema grave.


    com relação aos harmonicos q podem entrar no fio terra e levar esse ruido aos aparelhos de audio, no caso do esquema TN-S, poderia se fazer um esquema TT pra o equipamento de audio, porem interligando a haste ou malha dedicada exclusivamente a equipto de audio com a malha da topologia TN-S, usando pra isto um DPS (varistor, centelhador, etc.)
     
  8. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Proteção DPS entre N e PE deveria utilizar idealmente DPS por centelhadores do que por varistores. Por que?

    O modo de falha de um varistor é curto-circuitado. Quando ele falha desse modo entre uma Fase e Neutro ou Fase-Aterramento em TN-x, o disjuntor geral irá desligar o circuito por causa dessa falha, a amperagem vai subir rapidamente. Já um varistor que sofra uma corrente muito alta entre N e PE ao falhar, falha silenciosamente mantendo curto-circuitado N e PE a partir do local onde o mesmo foi instalado. Um centelhador não costuma falhar assim e logo é mais seguro pra esse tipo de proteção.

    Se há pretensão apenas de melhoria no funcionamento do equipamento audiovisual com o uso de uma malha TT, alguns ainda questionam se isso realmente acontece, mas o Jorge Knirsch diz que sim..., tudo bem, vão em frente, mas se há também a pretensão da proteção das pessoas que estejam em contado direto com esses equipamentos, a adoção de um dispositivo DR é primordial e exigida na nossa norma. É obrigatório o uso de DR em malhas TT de aterramento em praticamente qualquer lugar do mundo que tenha uma norma relativamente decente. Mas se não me engano o próprio Knirsch diz que DR num circuito alimentador de equipamentos de audio causa certas interações no seu som. Na minha opinião isso tudo não passa de exagero.
     
  9. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    O que diz o Jorge Nirsch sobre o aterramento para equipamentos de audio/video e aterramento da malha do neutro.

    "
    E o neutro, como fica nesse caso?




    O neutro é outro assunto: ele não é terra!! Neutro e terra são duas coisas completamente distintas.





    Mas o neutro também não é aterrado?

    O neutro deve ser aterrado normalmente pela concessionária de energia, e na entrada elétrica de edifícios, residências e industrias, e tem, na realidade, uma função muito diferente. Ele não tem somente o objetivo de ser um referencial. Ele é o retorno da fase, o segundo fio. A fase e o neutro juntos formam a alimentação do sistema trazendo toda a energia para os aparelhos.
    Portanto, por ambos flui corrente. Este não é o caso do fio terra que é apenas um referencial com um potencial nulo (que é o caso do nosso planeta Terra).
    Portanto, neutro e terra são diferentes. Nunca os interligue em hipótese alguma dentro de sua residência, nem utilize o neutro como terra, a menos no quadro geral elétrico de entrada, onde poderão estar interligados.
    Conforme já citado, o neutro deve ser aterrado pelas concessionárias, em distâncias preestabelecidas, através de fios que são enterrados no solo, junto aos transformadores de postes das ruas. Algumas concessionárias estão solicitando que os usuários de energia aterrem o neutro e as caixas de luz nas entradas das residências, em separado. Nestes casos siga as instruções de aterramento das concessionárias. É importante certificar-se de que seus vizinhos também tenham aterrado o neutro para que, em um eventual caso de curto-circuito na rede elétrica, o seu neutro aterrado não seja o único na redondeza. Pois, se assim for, a alta corrente que circulará virá a danificar a sua entrada de energia.
    Outro aspecto importante é de que, se o neutro foi aterrado na sua entrada de energia, não utilize este mesmo aterramento também para o fio terra, ou seja, para o terceiro pino do seu sistema de áudio/vídeo. Faça para o seu terra um novo aterramento independente, se possível, no jardim de sua casa. Caso more em um edifício onde todo o encanamento é de ferro, você poderá usar este encanamento como aterramento (Leia minha observação abaixo). Caso contrário, infelizmente, terá que instalar um cabo terra que venha do quintal do prédio.
    Posso lhes assegurar que todos os custos e problemas que essa instalação porventura vier a lhes causar, tudo isto será regiamente compensado no novo prazer da audição. A diferença é gratificante! E, como já vimos em artigos anteriores, não se esqueçam que a maioria dos aparelhos eletrônicos para áudio é projetada no primeiro mundo, onde se usa um bom aterramento, para se obter com isso a melhor qualidade sonora possível."

    ----------------
    Acrescento a importância da instalação de DPS entre Neutro / Aterramento no caso da utilização de malha dedicada. Esse DPS deve ser de maior capacidade de corrente de surto possível e idealmente utilize um centelhador interno - www.clamper.com.br - GCL SLIM N/PE é um exemplo disso.

    Outra coisa, ligar terra no encanamento não é uma boa idéia, não se sabe se alguma conexão desse encanamento foi substituida por uma de PVC, não se sabe se esse cano realmente desce ao solo e mesmo que desça e tenha continuidade elétrica com o solo, ele não é um aterramento seguro. Em qualquer problema, pessoas manuseando o encanamento vão tomar choque!


     
    • 2
  10. zairon

    zairon Usuário


    Desde 26 Nov 2008
    Rio de Janeiro/RJ
    Eu particularmente odeio aterramento, pois moro em AP.

    Fico me perguntando: o homem já foi a lua, inventou rôbo, computador, celular e o caramba a quatro, mas não conseguiu se livrar do maldito terra. :D

    Meu apartamento é moderninho, porém estou num prédio antigo, instalações de 20 anos eu acho.... já pensei em "n" maneiras de fazer um terra e não chego a lugar nenhum.

    :irado:
     
  11. marco_piracicaba

    marco_piracicaba Usuário


    Desde 28 Jun 2007
    Piracicaba - SP - Brasil
    Apenas para complementar seu pensamento.

    Embora não seja recomendado o uso de tubulações hidráulicas como sistema de aterramento, o recíproco deve ser considerado.

    Todas as tubulações metálicas (hidráulicas, gases...) devem ser equipotencializadas, assim como esquadrias etc...
    .
     
  12. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Sim, tem um tópico meu aqui nesse forum que fala da necessidade da equipotencialização, traduzi esse texto tem poucos dias: http://www.htforum.com/vb/showthread.php?t=104249

    Resumindo, pra quem não sabe, se você tem qualquer aparelho ligado num aterramento todo bonitinho, dentro das normas, mas tem uma estrutura metalica aterrada a parte, como um encanamento, uma estrutura de consrução, uma cerca com estacas metalicas, uma escada de piscina, etc, se ocorrer uma elevação de potencial ou seja, uma elevação de tensão na malha de aterramento, essa tensão só precisará de uma superfície condutora em potencial diferente pra que haja um fluxo de corrente. Ex:

    1 - Elevação de potencial da malha de aterramento
    2 - Dona de casa na correria pra entregar o almoço.
    3 - Enquanto mexe a panela com uma colher de ferro, numa panela de ferro, num fogão ligado ao aterramento...
    4 - ...abre a torneira da pia ao lado pra encher uma vasilha pra preparar a comida ou algo do tipo e o encanamento da do local é de metal
    5 - Nesse exato momento ocorreu uma falha na rede de média tensão com o neutro da rede.
    6 - A dona de casa foi eletrocutada.

    Então de nada adianta um aterramento em TN-S, todo bonitinho, mas as equipotencializações forem esquecidas. Adotar uma malha TT separada nesse caso talvez não teria deixado isso acontecer, mas outros tipos de perigos poderiam ter ocorrido que o aterramento TT não protegeria também.

    Resumo: É por isso que sempre é dito, melhor deixar sem aterramento do que fazer a coisa fora do figurino. Não é só o aterramento em si, tem outros fatores que são importantes pra segurança. É por essa e outras coisas que o aterramento é um assunto complexo e perigoso até, se mal feito. Vejo as pessoas, e eu era uma dessas pessoas há alguns anos atrás, que falava do aterramento como a coisa mais simples do mundo, mas quando passei a estudar o assunto vi que o buraco é mais embaixo! Aterramento e equipotencializações mal feitos, mata, e o pior, é silencioso, o problema não aparecer a não ser quando ele acontece, aí é tarde demais. Pode se ficar décadas e nenhum problema acontecer, mas num determinado dia a fera mostra os dentes!
     
  13. marco_piracicaba

    marco_piracicaba Usuário


    Desde 28 Jun 2007
    Piracicaba - SP - Brasil
    Muito bom o artigo _rau_... Parabéns... (y)

    Infelizmente vemos a proliferação de artigos, manuais práticos, guias, tutoriais, cartilhas... sobre "Como fazer um aterramento".

    Na maioria das vezes escritos por pessoas que "catam informações na internet" (forma rudimentar de pesquisa) com pouco ou nenhum critério técnico, as quais depois são divulgadas por outras pessoas sem nenhum conhecimento de causa ou no máximo, no mesmo nível de quem "pesquisou", tendo em vista os "termos técnicos" usados.

    Já vi:

    - "recomendações culinárias" sobre a adoção de salmora para reduzir a resistividade da terra;
    - quantificação de um número "X" de hastes sem nenhum critério técnico ou avaliação da necessidade e sim pelo critério "quanto mais, melhor";
    - utilização de janelas metálicas, pregos na parede, ferragens da construção civil sem um estudo prévio...;
    - adoção da fitinha do "Senhor do Bonfim" amarrada na haste... ops... acho que esta AINDA não vi...

    Defendem com unhas e dentes os "conceitos achológicos" criados por conta de deduções infundadas, em detrimento aos "conceitos normativos", recomendados por organismos internacionais.

    Como diz o jornalista Boris Casoy: "Isso é uma vergonha"...
    .
     
  14. cboava

    cboava Usuário


    Desde 28 Ago 2008
    Jaraguá do Sul/SC
    Muito bom o texto rau, parabéns.

    Só uma dúvida: as figuras dos esquemas TN-C e TN-C-S não estariam invertidas?

    Sds,


    Christian.
     
  15. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Realmente, tavam invertidas. Me confundi pq na hora de colocar o nome nos arquivos, inverti tb e na hora de colocar a msg no forum, me guiei pelo nome do arquivo e não me imagem em si. Vou ter que corrigir nos outros foruns tb, eu acho.

    Valeu pelo alerta!
     
  16. wuemura

    wuemura Usuário


    Desde 13 Dez 2006
    Guarulhos - SP
    Que bom ver um assunto desse ser tratado com o devido respeito pois mesmo hoje em dia é difícil encontrar alguém consciente sobre o assunto e pior, profissionais que conhecem tal norma, parabéns pelo tópico.

    Como contribuição aqui alguns documentos sobre o assunto:

    http://www.garcezrepresentacoes.com.br/nbr5410.pdf
    http://www.dee.ufc.br/~tomaz/material/INSTRUMENTAÇÃO/NBR 5410 - Instalações Elétricas em BT.pdf
    http://www.pdf-search-engine.com/nbr-5410-pdf.html

    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/00a_apresentacao.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/00b_introducao.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/00c_sumario.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/01_definicoes.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/02_influencias.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/03_choques.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/04_linhas_eletricas.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/05_sobrecorrentes.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/06_dimensionamento.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/07_circuitos_motores.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/08_sobretensoes.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/09_compatibilidade.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/10_harmonicas.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/11_quadros_e_tomadas.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/12_iluminacao.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/13_verificacao_final.pdf
    http://www.eletrica.ufsj.edu.br/pub/eletrotecnica/norma5410/harmonic.pdf

    http://www.dee.ufc.br/~tomaz/material/INSTRUMENTAÇÃO/
    http://www.dee.ufc.br/~tomaz/materi...esentações e Material de Eletricidade Básica/
     
  17. jmvieira

    jmvieira Usuário


    Desde 29 Nov 2008
    recife
    sim, isso é possivel, mas depende bastante de uma caracteristica do varistor chamada de "derating" . normalmente a diferença de potencial entre neutro e terra é muito baixa e nao compromete o varistor nesse aspecto, pois os varistores comerciais começam a operar com algumas dezenas de volts, enquanto a diferença de potencial entre os terras nao deve passar de algumas unidades de volts em condição normal, não mantendo-o curto circuitado com facilidade, pois mesmo q o varistor opere muitas vezes na sua caracteristica de corrente, a tensão em regime normal fica bem abaixo da tensão da curva de derating com as operações do varistor.

    porem, se a corrente for maior q a especificada, ele ao operar deve destruir-se (explodir) ao inves de curto-circuitar. nesse caso, os centelhadores suportam maiores correntes de surto, alguns chegando a 100~120kA.
     
  18. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    A DDP entre N e PE é pequena em uso normal, mas na queda de um raio nas proximidades essa DDP poderá ser bem grande.

    O método de falha de um varistor é destrutivo e assim sendo, é difícil dizer se nessa destruição os terminais dos varistores não ficam em contato direto um com o outro. Eu já vi varistores estourados nos quais ambos terminais estavam em curto.
     
  19. jmvieira

    jmvieira Usuário


    Desde 29 Nov 2008
    recife
    esse curto q vc viu é em funçao do de rating... vc mediu o curto com um multiteste?
     
  20. _rau_

    _rau_ Usuário


    Desde 31 Jul 2008
    Brasilia
    Essa característica que você fala "derating" eu nunca ouvi falar pra varistor. Derating que eu conheço é a prática de se reduzir intencionalmente a capacidade de um dispositivo para abaixo do seu valor nominal como por exemplo um transformador ou um disjuntor. Nesses casos é colocada uma etiqueta com os dizeres "derating" e a capacidade pra qual foi intencionalmente reduzida a capacidade desses dispositivos. Geralmente isso é feito quando uma rede apresenta distorção harmônica, fazendo com que transformadores e componentes elétrico em geral passe a trabalhar acima da sua capacidade nominal de corrente. Fazendo um derating intencional, se previne sobrecargas. Essa é uma prática quebra-galho entretanto...

    O varistor que eu medi estava em curto total, ele estourou por causa de uma sobretensão. Foi ligado 220V num varistor pra 130V máximos. Ele pipocou totalmente, inclusive o seu encapulamento azul derreteu todo e aquela parte verde interna dos varistores foi pro espaço, acho que é o oxido de zinco.
     
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