Clube dos Quadrinhos

Discussão em 'Zona Livre' iniciada por Maurício Silva, 25 Out 2018.

  1. Maurício Silva

    Maurício Silva Usuário

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    Desde 29 Out 2012
    Porto Alegre
    Caros colegas de HT Fórum.
    Há muito tempo penso que para esse espaço ser "completo", teria que ter um espaço dedicado aos quadrinhos. Eu sou leitor e arrisco dizer que gosto tanto dessa mídia quanto de cinema e TV. Espero que vocês postem o que andam lendo, recomendações, entre outras coisas.

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  2. cprodrigues

    cprodrigues Keep calm and love Rhinos

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    Desde 30 Out 2007
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    Assinado.
     
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  3. ManoloJunior

    ManoloJunior Cinéfilo

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    São Paulo
    Excelente Maurício.
     
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  4. ManoloJunior

    ManoloJunior Cinéfilo

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    Desde 20 Mar 2007
    São Paulo
    Iniciando as indicações.

    Pílulas Azuis

    Uma graphic novel maravilhosa que lança um olhar otimista na questão dos relacionamentos de pessoas com AIDS.

    Roteiro e arte funcionam perfeitamente ao descrever uma situação que já foi considerada uma pena de morte em um passado não muito distante, mas que serve ainda como uma alerta para um problema de saúde mundial.

    Marquei com spoiler um review muito bem escrito pelo Audaci Junior, colaborador do Universo HQ.

    Pílulas azuis
    Por Audaci Junior
    Data: 17 julho, 2015
    Editora: Nemo – Edição especial

    Autor: Frederik Peeters (roteiro e arte) – Originalmente em Pilules bleues (Tradução de Fernando Scheibe).

    Número de páginas: 208

    Data de lançamento: Junho de 2015

    Sinopse

    Frederik Peeters conta sua história ao lado da companheira, Cati, desde os primeiros encontros nas rodas de amigos até a revelação de ela e seu filho (um menino de quatro anos, de um relacionamento anterior) serem soropositivos.

    Entram em cena todas as emoções contraditórias que o autor tem de aprender a gerenciar, como amor, piedade, raiva e compaixão, sem deixar de lançar algumas verdades duras e surpreendentes sobre o assunto do HIV, seus preconceitos e o tratamento.

    Positivo/Negativo

    Doença altamente contagiosa, sem cura, que mata em curto espaço de tempo. Era o diagnóstico que se tinha sobre a AIDS nos anos 1980. Com o medo e o crescente número de vítimas na época, vinha também o preconceito e a falta de aprofundamento sobre a enfermidade, cujo vírus ataca as células do sistema imunológico, destruindo os glóbulos brancos do infectado.

    Mesmo com os avanços medicamentosos gradativamente mais eficazes e a informação cada vez mais imediata virtualmente, o HIV ainda é um verdadeiro tabu para um grande número de pessoas, gerando o mesmo preconceito de décadas atrás.

    Do mesmo autor de Aâma, série publicada também pela Nemo (veja resenhas aqui e aqui), este premiado álbum é – acima de tudo – uma franca história de amor.

    Essa sinceridade que precisava ser analisada, dissecada e colocada num papel vai além dos modismos das biografias em forma de HQ. Peeters não quer passar a impressão de bom-mocismo ou de ser uma pessoa “correta”, livre das amarras do preconceito. Pílulas azuis é bem mais complexo nos seus quadrinhos.

    Sem ser superficial ou piegas, o autor suíço revela as camadas de um relacionamento com uma soropositiva, a Cati, desde o turbilhão de sentimentos dos mais extremos quando se “cai a ficha” na hora da revelação, passando pela privação da entrega do ato sexual na sua totalidade, até o sofrimento de ambos nas dores morais e psicológicas.

    Afinal, junto com a personalidade, contato visual, tato, química, situação financeira e tantos fatores que aproximam as pessoas, o sangue é indubitavelmente o estreitamento para os futuros laços de constituição de uma família. Com a contaminação (ou uma possível contaminação do parceiro), mesmo sem se manifestar fisicamente, a doença se torna um ser onipresente na vida do casal, algo que “aleija” o amor.

    Mesmo com a coragem e maturidade de enfrentar o “problema”, o mundo da autoconfiança pode enfrentar o Apocalipse quando um simples preservativo estoura. A mera ideia palpável da não existência e do consequente sofrimento assusta até o mais destemido.

    Apavora tanto que Peeters perde a coragem de informar aos próprios pais sobre a condição de saúde da Cati, situação que não é retomada por ele no seu recorte, o que gera apenas um subentendimento por parte do leitor acerca de uma resolução ou conflito familiar.

    A figura de um médico que esclarece as dúvidas de ambos é a única indicação mais “didática” da obra. Passagens que não são pedantes devido à personalidade do doutor – um tipo comum, sem máscaras, cheio de altos e baixos, como qualquer um –, nas quais o autor ainda exercita sua imaginação e bom humor, colocando leveza nas situações de consulta clínica.

    Assim como a AIDS “etiqueta” suas vítimas, existem especialistas e médicos que não deixam de lado o preconceito, chegando a tachar pessoas como Peeters e Cati de “casal discordante”, como visto no início da história.

    Outro mote chamativo no relato é o relacionamento com o pequeno enteado. Interessante notar como o comportamento do quadrinhista vai mudando com o convívio com a criança de quatro anos.

    Equiparado ao texto, agradável também é o traço cartunesco e solto do suíço, bem diferente de outras obras mais detalhadas e realistas dele, como a já citada Aâma e Castelo de Areia (Tordesilhas).

    Adicionando sequências surreais e filosóficas envolvendo rinocerontes e mamutes, com direito a citações do escritor vitoriano Oscar Wilde ao ator hollywoodiano Burt Reynolds, Peeters procura confrontar a situação e se entender no embate com a racionalização e os impasses emocionais.

    Por ser um depoimento e uma reflexão tão pessoais, ao mesmo tempo promovendo uma desmistificação do tema, é bom lembrar a velha máxima de “cada caso é um caso”. Se o indivíduo não tomar os devidos cuidados na hora do parto ou se dedicar ao contínuo tratamento com antirretrovirais, o HIV vai continuar sendo disseminado.

    Em 2001, ano do seu lançamento original, a obra ganhou o prêmio Rodolphe Töpffer, em Genebra, Suíça. No ano seguinte, recebeu o Polish Jury Prize (prêmio do júri polonês) no Festival de Angoulême, na França.

    A publicação em brochura da editora Nemo tem formato 17 x 24 cm, capa cartonada com orelhas, papel off-set de boa gramatura e impressão.

    Como extra, a versão brasileira segue as edições mais recentes do álbum, incluindo mais dez páginas sobre a família de Frederik Peeters 13 anos depois da publicação original.

    Outro adendo sutil são as impressões nas capas internas do livro, mostrando várias cenas dos personagens ao longo dos anos, como uma espécie de álbum de família.

    Esclarecedor, comovente, sensível e bem-humorado. Pílulas azuis pode até não ser um retrato fiel como um diário ou documentário, mas Peeters despeja todas as suas reflexões e o seu nanquim na obra para ficar “vazio” e promover uma expurgação dos próprios demônios. Um verdadeiro tratado de idiossincrasia.

    Nas páginas da HQ, praticamente não se observa os dois se beijando, mas os imensos olhos de Cati retratados pelo autor já denunciam o amor que ela sente por ele. Em contrapartida, o simples fato de ele ter feito o álbum já escancara o sentimento que sente por ela.

    Sem exageros emotivos, canções favoritas, juras ou conflitos familiares, Pílulas azuis é uma das melhores histórias de amor: com a sinceridade pulsante que corre como o sangue.

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  5. Maurício Silva

    Maurício Silva Usuário

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    Desde 29 Out 2012
    Porto Alegre
    Realmente. Linda a obra! E mesmo tratando de temas sérios e adultos, tem seus momentos engraçados.
     
  6. BetoJR

    BetoJR A blast from the past


    Desde 11 Out 2007
    Fortaleza-CE
    Tamo junto, companheiro!

    Agora, mesmo, estou lendo o mangá de Battle Angel Alita e o primeiro volume da Doctor Aphra, de Star Wars.

    Regularmente, leio as seguintes séries: Strangers in Paradise, Batman, Superman, Catwoman, Archie e alguns mangás.

    Também têm as minisséries Doomsday Clock, Return of Wolverine e Heroes in Crisis.

    Tudo digital.
     
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  7. Salame

    Salame Usuário

    2.255 1.603 511

    Desde 6 Abr 2010
    Belém-Pará
    Qual app vc usa pra leitura? Assinatura da DC e da Marvel? Vc tá lendo em inglês? Ou da Panini Nacional?

    Abs
     
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  8. Maurício Silva

    Maurício Silva Usuário

    6.425 2.441 756

    Desde 29 Out 2012
    Porto Alegre
    Vou responder por ele, pois uso o mesmo app. O Comixology! Acho sensacional! É da Amazon. Tudo em inglês.

     
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  9. cprodrigues

    cprodrigues Keep calm and love Rhinos

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    Desde 30 Out 2007
    São Paulo/SP/Brasil
    Eu já li muito mais quadrinhos do que faço hoje. :(

    Na época que os gibis da Marvel e DC mudaram do formatinho para o formato americano eu comprava todas as edições que saíam (eram bem menos também), inclusive as Graphic Novels, mas além de isso ter começado a pesar no bolso depois de um tempo, eu fui aos poucos tendo outros interesses em detrimento dos quadrinhos e o resultado é que hoje leio de forma bem bissexta. Os últimos quadrinhos da Marvel que comprei e li foram o do Casamento do Colossus/Kitty Pride e essa Secret Wars mais recente (que já deve ter uns 2-3 anos que saiu) que teve, da DC nem lembro mais.

    A única série que ainda acompanho regularmente (mas sai uma nova edição a cada 6 meses e olhe lá) é o mangá do Monster Musume. :D
     
  10. ManoloJunior

    ManoloJunior Cinéfilo

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    Desde 20 Mar 2007
    São Paulo
    Deixei de acompanhar mensais há anos. Não dou conta.
     
  11. ManoloJunior

    ManoloJunior Cinéfilo

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    Desde 20 Mar 2007
    São Paulo
    Notas sobre Gaza

    Sou fã de Joe Sacco e o considero um dos melhores quadrinistas de todos os tempos.

    Fiquei espantado de ver o quê Israel fez ao povo de Gaza tão pouco tempo depois do Holocausto, embora seja complicado fazer certos julgantes por conta da complexidade histórica da situação.

    Fato é que Joe Sacco dá voz às vítimas do conflito, e de forma discreta assume um lado, o que de forma alguma é antiético.

    Sua arte é inconfundível e seu estilo remete aos quadrinhos underground americano das décadas de 60 e 70.

    Não é o tipo de gibi que agrada o grande público em geral, mas o trabalho dele é digno de elogios e reconhecimento em níveis muito mais amplos que o do entretenimento.

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  12. cprodrigues

    cprodrigues Keep calm and love Rhinos

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    Desde 30 Out 2007
    São Paulo/SP/Brasil
    Eu também, tinha uma época que meu tempo livre era quase só pra isso. Só que quando eu cortei, acabei talvez sendo radical demais e cortei tudo.
     
  13. BetoJR

    BetoJR A blast from the past


    Desde 11 Out 2007
    Fortaleza-CE
    Se você não tem problema com leitura digital, o serviço Unlimited do ComiXology é bem interessante, NMDO. Dá pra se refamiliarizar com bastante coisa, desse jeito.
     
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  14. Maurício Silva

    Maurício Silva Usuário

    6.425 2.441 756

    Desde 29 Out 2012
    Porto Alegre
    Mas tem que usar VPN, né? Só está disponível nos EUA.
     
  15. cprodrigues

    cprodrigues Keep calm and love Rhinos

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    Desde 30 Out 2007
    São Paulo/SP/Brasil
    Sem problema com leitura digital, o problema atualmente é tempo... É muito hobby nerd diferente para tão pouco tempo livre. :p
     
  16. BetoJR

    BetoJR A blast from the past


    Desde 11 Out 2007
    Fortaleza-CE
    Não precisa de VPN, não.
     
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  17. BetoJR

    BetoJR A blast from the past


    Desde 11 Out 2007
    Fortaleza-CE
    Eu tô deixando acumular muita coisa, também...
     
  18. cprodrigues

    cprodrigues Keep calm and love Rhinos

    112k 31.761 2.546

    Desde 30 Out 2007
    São Paulo/SP/Brasil
    Eu só não acumulo anime, o resto está tudo ficando atrasado, principalmente livros e jogos. :(
     
  19. ManoloJunior

    ManoloJunior Cinéfilo

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    Desde 20 Mar 2007
    São Paulo
    Meus problemas com as mulheres

    Retrato honestíssimo que o Crumb faz de si mesmo e sua visão sobre as mulheres, sexo e outras coisas.

    Me peguei rindo sozinho diversas vezes.

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  20. ManoloJunior

    ManoloJunior Cinéfilo

    8.218 3.656 931

    Desde 20 Mar 2007
    São Paulo
    O Paraíso de Zahra

    Elogiada HQ que traz uma história original baseada em acontecimentos reais, no caso as eleições fraudulentas do Irã em 2009 que culminou com vários protestos e a reação violenta da República Islâmica para conter os manifestantes.

    Narra a história de uma mãe à procura de seu filho mais novo, que sumiu justamente no primeiro dia de conflito. Com a ajuda de seu filho mais velho, que recorre à tecnologia e cria um blog para compartilhar a saga deles à procura do irmão.

    É uma história sofrida, daquelas de dilacerar o coração, mas também estimulante.

    Dá pra traçar diversos paralelos com a situação política do Brasil na época da ditadura, afinal, independente do regime político, quando o estado suprime o direito de expressão do cidadão, acabamos sofrendo da mesma forma.

    Os desenhos são ótimos e cerca de 1/3 da graphic novel é de textos que trazem mais informações importantes para entender a situação atual do Irã, explicando também muitos aspectos do islamismo.

    Leitura fundamental para quem gostou de Persépolis de Marjane Satrapi.

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