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Detroit: Become Human

Discussão em 'Games - Geral' iniciada por Zkyzytuz, 26 Mai 2018.

  1. Zkyzytuz

    Zkyzytuz Tutan Kome On


    Desde 6 Jun 2005
    Juiz de Fora
    Ando bem desanimado com o cenário de jogos, parece tudo mais do mesmo. Mas finalmente um jogo que parece sair do lugar comum e trazer alguma coisa interessante.

    Pena que parece que só tem pra PS4 (eu só jogo em PC). Mas é tão interessante que vale a leitura.

    https://adrenaline.uol.com.br/2018/05/24/55243/analise-games-detroit-become-human/


    Detroit: Become Human
    Uma história densa com uma experiência inesquecível


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    Antes de começar esta review eu pensei em muitas maneiras de escrever sem estragar a surpresa de quem for jogar. Foi realmente bem difícil falar de Detroit sem citar spoilers no texto – confesso que a vontade foi enorme! Após jogar e finalizar o jogo algumas vezes, o desejo que tenho é de por pra fora as coisas que vi e senti, ou até de sentar em uma mesa de discussão e explanar as ideias, soluções, propostas, acontecimentos, fatos e reações com várias pessoas, e principalmente discutir como mudar o mundo para melhor.

    A Quantic Dream é especialista em produzir jogos cinematográficos com um elevado teor emocional, seja baseado em um sequestro e um serial killer, como foi o caso de Heavy Rain, ou baseado em uma paranormal como em Beyond: Two Souls. Se você jogou os dois games, já sabe como funciona a mecânica em Detroit. Embora os dois jogos anteriores tenham seu toque emocional, em Detroit: Become Humam a coisa extrapola de tal forma que... Você saberá mais adiante!

    Que menu é esse?!

    Ao iniciar o jogo, a primeira coisa que acontece é ser surpreendido pelo Menu: um dos mais interessantes que já vi em um game, e ele – na verdade ela, literalmente "fala" com o você. Observem a imagem da chamada no topo da análise.

    Eu explico: O menu do game é uma androide loira Modelo ST-200 chamada Chloe, que conversa com o jogador, conta histórias, agradece por você voltar a jogar, que explica todas as opções do game, que conta curiosidades de Detroit, que chama sua atenção se você ficar observando o menu sem fazer nada durante um tempo, que diz que estava sentindo sua falta, que elogia a "decoração" do local que você está, pergunta se você está cansado já que deixou o jogo aberto no menu, e outras coisas mais. Além disso, ela ativa a vibração do controle pra chamar a atenção do jogador e/ou realizar "testes" no dualshock e, para completar, ainda canta!

    Além de tudo isso, ela muda de fisionomia de acordo com a maneira que você joga o game. Se você for, digamos, intolerante com os androides, ela tende a ficar com medo de você. Percebe-se claramente na maneira que ela passa a te olhar. É realmente surpreendente! Eu cheguei a ficar algumas horas com o jogo aberto enquanto fazia outras coisas, como por exemplo escrever parte desta análise, só para ver as reações dela. O realismo das expressões faciais é literalmente hipnótico a ponto de você desejar ter a companhia dela o tempo todo. Obviamente que o propósito do menu ser um androide é tentar influenciar o jogador nas suas escolhas durante o jogo. Funciona. E como funciona!

    A sensação que temos é que o game transforma o PS4 em uma androide, com inteligência artificial avançada, "aprisionada" dentro da TV. E ao finalizar o jogo pela primeira vez, dependendo das suas escolhas, algo inesperado acontece. É surreal.

    Uma história densa

    A história de Detroit: Become Human cai como uma luva no mundo em que vivemos em meio a racismo, intolerâncias de várias partes, conflitos e desrespeito com o próximo. Experimente jogar Detroit imaginando os androides como uma classe menos favorecida, seja de raça, credo, política ou gênero. Garanto que você irá se surpreender.

    O game se passa em um futuro não muito distante, 2038, na cidade de Detroit. Ele conta a história de três androides: Kara, a menina ingênua que foi construída para ser praticamente uma empregada doméstica, submissa, e se sujeitar às vontades do seu dono inescrupuloso; Markus, que cuida de um famoso pintor já idoso e com paralisia nos membros inferiores obrigando-o a usar cadeira de rodas; e Connor (aquele da demonstração), o androide mais avançado, mas ainda um protótipo, que auxilia a Polícia na caça a outros androides divergentes usando certas habilidades de investigação.

    Aqui um adendo para explicar que Divergente é todo androide que, por alguma forte razão, consegue quebrar a barreira do seu aplicativo interno e assim passa a não obedecer humanos. Ou seja, ele age por conta própria.

    É importante dizer que a demonstração lançada é exatamente o inicio do jogo, e tudo que for falado a partir do final dela, é spoiler. Isso sem contar que a história toma um rumo diferente de acordo com a conclusão dessa missão. Para exemplificar de como as ações do jogador influenciam diretamente na narrativa, modificando até mesmo a ideia do jogo, nessa missão da demo, vemos um policial negro baleado do lado esquerdo da piscina. Connor passa ao lado dele, e se você parar e ajudar esse policial mesmo arriscando a vida da garotinha refém, em uma missão no futuro ele reencontrará você e algo acontecerá. Se você não ajudar, uma outra reação acontece e algo muda no futuro. Citei este exemplo porque é uma missão já amplamente difundida.

    A história de Detroit é exemplar no que diz respeito à forma como ela é contada e às modificações que acontecem no decorrer de 32 capítulos. As decisões tomadas realmente afetam o mundo a sua volta, onde o simples fato de você ajudar alguém, ou não, muda tudo em um determinado momento no futuro.

    E é importante dizer que esse é o primeiro jogo que realmente muda de acordo com o sentimento do jogador. Se você é uma pessoa solidária e toma atitudes assim no decorrer da jogatina, até a androide do Menu será solidária à você. Se você for daqueles que gostam de tiros, brigas, o jogo molda as ações nesse sentido de acordo com as suas escolhas e a Chloe do menu vai começar a te olhar estranho, às vezes com medo, assustada. Literalmente todas as ações que você tomar irão influenciar no jogo e até no menu dele.

    Sem entrar em spoiler, eu mantive minha conduta de ser pacífico até o fim, mesmo depois de acontecimentos que eu não esperava e que me abalaram de tal forma que pela primeira vez em um game eu chorei e depois vibrei de uma maneira que as pessoas que estavam em um outro cômodo vieram ver o que estava acontecendo. O carisma dos protagonistas é enorme. Posso afirmar que dos jogos que já analisei, Detroit possui os personagens mais carismáticos que já vi. Você realmente vai se importar com eles. Uma história que mexe dessa forma com o jogador é digna de nota 10.

    Um dado interessante é que todos os personagens são atores reais conhecidos do grande publico. Desde o Connor que é interpretado por Bryan Dechart, que trabalhou no seriado True Blood; Kara que é a Valorie Curry que fez Crepúsculo e Bruxa de Blair; Markus é interpretado pelo ator Jesse Williams de Grey’s Anatomy; o pintor Carl Manfred vivido pelo Lance Henriksen, um renomado ator de ficção científica que trabalhou em Aliens; o policial Hank interpretado por Clancy Brown que fez Billions, Sleepy Hollow, O Demolidor e The Flash; e vários outros.

    Jogabilidade de QTE

    Quem já jogou algum game da Quantic Dream sabe como funciona o gameplay. Detroit possui características de investigação vistas em Heavy Rain e uma certa liberdade observada em Beyond: Two Souls.

    Há vários momentos em que o jogador é livre para andar dentro de um pequeno cenário como se fosse um jogo normal em terceira pessoa. Por outro lado há momentos em cenários enormes onde o jogador tem uma sensação falsa de liberdade, ou seja, mesmo com cenário grande e vistoso, o personagem anda sempre para uma direção pré-determinada.

    É importante dizer que essa movimentação limitada não é exatamente um problema. Todos os jogos que seguem estilo QTE são limitados e o jogador está ciente disso ao escolher jogar um game assim. Mas Detroit oferece algumas características que em vários momentos te faz esquecer que está em um jogo assim. Uma delas é a imersão que faz você realmente sentir que está dentro do jogo, vivendo aquela história.

    Há dois níveis de dificuldade: o Casual, onde os controles são mais simples e o uso de três botões simultâneos são raros, além de ter menos chances de perder personagens; e o Experiente, onde os controles são avançados, mais complexos, e pequenos erros podem ocasionar a perda de personagens importantes.

    É importante dizer que o jogo permite repetir um capítulo quantas vezes quiser em qualquer momento. Mas a dica que dou aqui é nunca, em hipótese alguma, repita um capítulo antes de finalizar o jogo. Mesmo que algum personagem morra, seja protagonista ou não, nunca volte um capítulo. Caso faça isso, esteja ciente de que a imersão poderá ser perdida.

    Áudio e Visual de Detroit

    Detroit: become Humam traz um visual belíssimo, acima da média nesse estilo de jogo, com uma iluminação impecável que faz encher os olhos. Tudo é bem detalhado, e isso acontece devido ao jogo ser no estilo QTE, o que dá mais liberdade à produtora em relação a qualidade dos cenários, incluindo a implementação fabulosa do HDR (High Dynamic Range).

    As animações são acima da média, desde as partes mais violentas, as lutas corporais, as demonstrações de carinho entre personagens, as expressões faciais, a movimentação, dentre outros. O jogo inteiro foi feito com captura de movimentos, desde o menor dos movimentos como pegar uma bandeja, até os combates frenéticos. Dentro do jogo existe o making of e neles são mostrados como foram gravadas algumas cenas.

    Eu entendo que há pessoas que não gostam de dublagem nacional por inúmeros motivos, mas garanto que aqui em Detroit quase nenhum deles se encaixa. A dublagem é perfeita. Absolutamente tudo combina com os personagens, desde o tipo de voz, características em relação ao ambiente que ele se encontra, entonação emocional, nervosismo, alegria, frieza, tudo foi pensado nos mínimos detalhes. O mais incrível é que no inicio da jogatina as vozes dos androides não soam emocionais, ou seja, parecem estar em uma mesma entonação, artificial, afinal androide não tem sentimentos.

    Conforme as coisas vão evoluindo, você sente uma mudança nas vozes. Dá para perceber que há uma variação de entonação a ponto de se imaginar que o androide está começando a mudar, a ter sentimentos humanos.

    Existem inúmeros caminhos que a história poderá seguir, e esses erros nas escolhas são fundamentais para que o sentimento em relação aos personagens se aflorem.


    Conclusão

    É preciso dizer que em meio a tantos jogos ótimos, não só no PS4, mas em todas as plataformas, nenhum deles possui a experiência de vida que Detroit proporciona a quem joga.

    Nesse mundo caótico em que vivemos, a intolerância se sobressai em todos os sentidos. Seja racial, social, religiosa, sexual, ideológica ou política, Detroit exemplifica bem isso, colocando o dedo na ferida. O título faz o jogador pensar na vida, em como tratar as pessoas ao seu redor e até agir em certas ocasiões que acredito, acontecem na vida real.

    Ao finalizar o jogo você se depara com dois sérios questionamentos. Sugiro que respondam essas perguntas antes e depois de jogar.

    ATÉ QUE PONTO VOCÊ IRIA PARA SALVAR UMA IDEOLOGIA, UMA PESSOA OU UM GRANDE AMOR? E VOCÊ ACREDITA EM DEUS?

     
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