Jogo é jogo, mas será que treino é treino?

Discussão em 'Colunas' iniciada por Holbein Menezes, 2 Mai 2008.

  1. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    Jogo é jogo, mas será que treino é treino?

    Por Holbein Menezes.

    Parte I – (Reportagem).

    Conheci a revista estadunidense “the absolute sound” no verão de 1977. Era então editada por Harry Pearson, que tinha como colaboradores Patrick Donleycott, como Editor, e John Cooledge no papel de Editor Consultivo. Considerada desde o nascimento, pelo seu caráter não comercial, como imprensa de “underground”; não obstante – nas suas 160 páginas em tamanho de bolso (14 x 21 cms) –, 30 eram de anúncios; embora a revista adotasse a boa prática de pôr tais anúncios, consecutivamente, nas últimas páginas; e não “vendia” sua capa principal, e a quarta, para fotos de “certos” produtos de áudio objetos do particular interesse do Editor-em-chefe...

    Toda uma geração de audiófilos “state-of-the-art” foi formada a partir das idéias veiculadas pelo magazine do Harry Pearson. Antes deles, os assuntos da eletrônica para a reprodução do som musical eram divulgados por revistas do tipo “High Fidelity”, “Stereo Review”, “Hi-Fi Answers” etc. Naquele tempo, no mundo do áudio sobressaíam os nomes de Saul Marantz e Peter Walker; superavam em notoriedade até as marcas dos aparelhos que fabricavam. Foi a época do reinado dos ouvidos e não dos componentes eletrônicos. Ainda se não tinham inventado as expressões “marketing” e “merchandize”. Éramos felizes e nem sabíamos!

    [Hoje, a revista do Harry Pearson não é mais do Harry, é de Mr. Robert Harley, “editor-in-chief”; e não é mais de bolso, cresceu de tamanho; aliás, em maior medida que de importância...]

    Mas como aprontou o Sr. Pearson!

    Em 1976, o anuário “HiFi Year Book” publicava a fotografia da caixa AR-LST , fabricada pela “Acoustic Research” (USA), então considerada o “crème de la crème” em matéria de sonofletor: suspensão acústica com um alto-falante de 12 polegadas, mais quatro “hemispherical dome” médios, de 1,5 polegadas, mais quatro “tweeters”, também “hemispherical dome”, de ¾ de polegadas; “crossover” em 525 Hz e 5kHz, com impedância a variar de 4 a 16 Ohms.. Preço de um par: £ 227 que, ao câmbio do tempo representava mais ou menos 400 dólares!

    No número 10 da revista do Sr. Harry Pearson, edição do verão de 1977 (portanto, um ano depois da edição de 1976 do anuário acima referido), a caixa “Infinity QLS-1”, com características assemelhadas às AR-LST (um “woofer” de 12, mais seis médios “dome”, mais oito “tweeters”; cortes em 200 Hz e 600 Hz), era testada pela “the absolute sound”, que anunciava sem-vergonhamente o preço de 2,400 dólares por par!

    Foi o começo da escalada dos preços tresloucados, e foi para justificá-los que a revista criou o termo “state-of-the-art”, pai legítimo do vago e impreciso “high-end” de hoje.

    Depois de tantas décadas (mais de três, eu acho), por gentileza do Ricardo Pontes voltei a ter em mãos um exemplar da “the absolute sound”, edição de dezembro de 2007. E deparo-me, sem muita surpresa, com uma realidade muito próxima da realidade da “Áudio & Vídeo” tupiniquim, ou seja, o dono da revista assina a maioria dos artigos... Um desses chamou-me a atenção pelo título: “Do hard-disk drives sound better than CDs?”, matéria assinada pelo próprio “editor-in-chief”, Mr. Robert Harley. Que conclui, em síntese:


    • “... escutei marcante melhora na qualidade sônica...”
    • “Notei mais espaço, aeração, frescor e melhor ilusão de palco...”
    • “... mesmo com a intensidade diminuída, o som tinha melhor resolução, principalmente quanto ao caimento o qual é responsável por mais arejamento e espaço...”
    • “... altos médios e agudos, apesar de mais suaves, soaram mais orgânicos...”

    Pensem bem: pode a situação substituta (cópia) ser melhor que a situação original (CD)? Uma cópia ou a leitura de um disco compacto por outro meio pode soar melhor do que a leitura feita por meio dos nossos “CD-Players” de cada dia? Um CD terá porventura leite escondido que nossos vãos ledores não conseguem tirar? Que que acontece entre as duas formas de leitura, para que pessoa experimentada como Mr. Robert Harley registre melhoramento?

    Eis o que pensa a respeito o Engenheiro-audiófilo Ricardo Pereira, de Belo Horizonte:

    “Dois aspectos aqui nessa questão:

    - se lido o arquivo musical a partir de um HD, é notória a qualidade obtida, superior e muito à leitura normal dos discos ópticos externos visto que um dos defeitos eliminados nesse processo é a presença de “jitter”;
    - se lido num “player” de mesa, o disco queimado a partir de arquivo copiado/guardado num HD, afirmo por experiência, que não houve sequer um caso em que a cópia não ficasse bem superior em qualidade de áudio, comparado ao mesmo arquivo impresso em fábrica no disco original.


    Eu não tenho dúvidas quanto a isto: um disco prensado em série nas fábricas contém muitos erros de estampagem o que não ocorre nos discos queimados em computador/gravador de mesa/mídias de ótima qualidade,
    em tempo real, pois os lands e pits assim gerados são muito mais perfeitos fisicamente do que aqueles gerados numa prensa.

    Desde as primeiras experiências com cópias de CDs, nos anos 90, chamou a atenção dos analistas e usuários a melhor qualidade de áudio nas cópias do que nos originais digitais. Pela primeira vez na história da música gravada, a cópia tinha ficado melhor que o original!! E concordo com isso até o talo!”


    Minha recente experiência leiga também fala nessa direção. As cópias de música erudita que me têm sido presenteadas mostraram ser da mais alta qualidade, cópias de obras que já tive em “long playing”, disco-leiser ou fitas VHS mas não as tinha ainda em CD.

    Animado e ao mesmo tempo intrigado com a “descoberta”, com a ajuda competente de Hermosa Maria minha doce companheira e eficiente secretária, resolvi fazer um teste eu próprio com os quartetos de cordas de Béla Bartók, vintena gravação de 1984 – acho que a primeira coleção de cedês que adquiri –, com o soberto conjunto húngaro, “Takács Quartet”. Sobre as cópias, eis as principais observações que notei e anotei:


    • no “Quarteto nº 1”, os acordes iniciais em prianíssimo, do primeiro e segundo violinos – talvez concebido assim quase indistinto para criar expectativa –, e o diálogo entre a viola e o violoncelo ficaram audivelmente marcados;
    • ficou bem mais nítida a distribuição dos instrumentos no ambiente de gravação;
    • os difíceis semitons de Bartók, que traduzem a cor das incertezas e angústias do compositor, ficaram mais “amarelos” (quem sabe, cor da desbotadura atonal);
    • senti mais aberto o leque sonoro da esquerda para direita;
    • passei a ouvir as ressonâncias produzidas pela caixa do violoncelo, que nunca dantes notara, e saibam que já ouvi esses quartetos, nos mais de vinte anos que os possuo, no mínimo meia centena de vezes;
    • e detalhes apareceram: como a flacidez das cordas que antes afiguravam-se-me duras; e os planos fundo, meio e frente, e o som curió dos violinos, e o roufenho e agourento som da viola; o violoncelo, a pintar de cor cinzenta e sombria as angústias do compositor maníaco-depressivo.

    Antes dessa experiência, professava a convicção de que cópia de disco é replicação do original mas... com os defeitos da fonte de origem, magnificados. Um de meus filhos, Engenheiro especializado em duplicação de discos compactos, com passagem proveitosa por um estágio de dois anos numa fábrica austríaca de fabricar máquinas de replicação para cedês e devedês, experiente técnico no mister mercê de seus muitos anos como Gerente técnico da Video Lar e da Sony, com poderosos argumentos convencera-me de que a melhor das cópias será sempre inferior ao original, uma vez que não acrescenta nenhuma virtude e corre sério risco de introduzir, na copiagem, imperfeições não primárias. Portanto, no meu outrora buliçoso espírito investigativo e iconoclasta, a matéria estava assentada: cópia é cópia, original é original.

    Como o assunto é interessante, dividio-o em duas partes. Voltarei a ele no próximo artigo.
     
    2 membros agradeceram.
  2. Furlan

    Furlan Vivendo e aprendendo!

    Grande Mestre, sempre nos brindando com seus maravilhosos textos.:aplauso:

    Mas... E agora José? Original ou cópia?:aff:

    Normalmente pego alguns dos meus cds originais e faço cópias no PC para ouvir no carro para ajudar a driblar o vai e vem desse trânsito maluco das grandes cidades.

    Também recebo de presente algumas cópias, e presenteio alguns amigos.

    Seja como for, original ou cópia, o que digo com propriedade é que a emoção em ouvir um determinado artista, a música em sí, é absolutamente a mesma, ainda que essa emoção varie conforme o estado de espírito no momento da audição.

    E para ser muito sincero, não tenho ouvido para perceber a diferença de um disco original para outro copiado com uma boa mídia, talvez por causa do meu humilde sistema.

    Seja como for, vale a tecnologia da informática que permite essa singela "pirataria" doméstica, que não é correta, mas é justa!:rofl:

    Abraço

    Furlan(y)
     
    #2    
  3. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    "... não é correta mas é justa". Furlan.

    O que não é correto nem justo, Furlan, é o preço do CD. Sei de fonte insuspeita que um CD custa para a empresa duplicadora menos de 10% do preço cobrado no varejo do cedê, nesse custo incluídos os impostos, que são altos. E quem menos aufere pecúnia é o autor da obra.

    Entretanto, nada disso justifica a pirataria, aliás, na mesma proporção em que não se justifica que um "stamper" feito para estampar um número "certo" de cópias duplique dez vezes mais cópias...

    Minha reportagem e o segundo texto que se seguirá não se destinam a justificar a pirataria; pelo contrário, destina-se a "provar" o quanto os musicistas e audiófilos somos enganados pelas duplicadoras. Ainda ontem tentei devolver dois dos dez devedês que houvera comprado, pelo fato de o áudio destes ser inaudível. E só minha amizade com o Gerente da distribuidora permitiu a troca. E pasme! só sabemos que um CD ou DVD está com defeito... após abrir o invólucro!

    Antes de bater a casoleta ainda escrevo um livro sobre o "panorama escabroso" do mundo fonográfico.

    Obrigado.

    Holbein.
     
  4. Furlan

    Furlan Vivendo e aprendendo!

    "...O que não é correto nem justo... é o preço do CD..."

    Infelizmente o preço abusivo dos CDs originais talvez seja o grande motivador para que os "empresários" informais (vulgo "camelôs") entrem cada vez mais nesse "mercado fonográfico de baixo custo"...e baixa qualidade.

    Sem contar nos artifícios "tecnodigitalógicos" que algumas gravadoras usam para modificar inclusive a voz de seus "cantadores e cantadoras", tudo com o objetivo de vender, vender e vender...

    Acho engraçado quando vejo algumas "artistas" cantando, ou melhor, fazendo mímica de suas músicas com aquela voz gostosa, doce, impecável (aquela gravada no estúdio obviamente), e quando tem que dar uma "palhinha" ao vivo e a cores desafinam sem dó na sua apresentação...rs :rofl:

    E já que falamos da indústria "pornofonográfica", para ilustrar li hoje na internet uma notícia fresquinha, que aquela tal moça da melancia vai lançar um CD... Aposto que não vai demorar muito para que esse disco seja mais um sucesso de venda nas banquinhas de todo o Brasil, especialmente se a tal moça mostrar o lado "B" na capa.

    Pergunta que não quer calar: será que o palco sonoro "urgh" desse CD vai ser amplo? Bem definido?...rs:lol:

    Salve, salve, Brasil!!!

    Abraço

    Furlan(y)
     
    #4    
  5. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    Furlan,

    somos de tal maneira enganados, enganam-nos tão completamente que até o dito "sucesso" de um CD é um engodo! Quando se noticia que algum cantor vendeu tantos mil discos, digamos cem mil, a mentira está não no número cem mil mas no emprego do verbo! Porque o que acontece é a troca do verbo "distribuir" por "vender"; o disco, de fato, é "distribuído" na rede de revenda em quantidade, digamos, de cem mil mas ao cabo de um tempo o que "salgou" volta à fábrica que credita às revendas pelo número de discos devolvidos; não há dinheiro envolvido nesse negócio, trata-se de pura contabilidade.

    Aí vem o Faustão e entrega em seu programa "discos de prata", de ouro, de diamante, o diabo que for, como se o laureado houvesse vendido mesmo cem mil discos... quando pode ter vendido apenas dez!

    E assim se fabriam grandes sucessos!

    Enganação, tudo é enganação!

    Quando eu sentir que esteja perto de morrer divulgarei o "livro negro" da indústria fonográfica brasileira cujas cópias estão em mãos de dez amigos fiéis camaradas. Aguarde mais um pouco, tá chegando a hora.

    Holbein.
     
  6. Adriano WR

    Adriano WR Ouvinte


    Desde 3 Jun 2007
    Itajaí - SC
    Holbein,

    Entendo que a cópia no HD soe melhor devido à falta de jitter, ou ainda devido a um menor "processo mecânico" nesta leitura, mas complica minha cabeça que a cópia soe melhor tbém no player de mesa. Aceito que seja igual, mas melhor ?!? Muitos aqui do Forum afirmam que o player hi-end mais barato seria um combo computador + squeeze box + dac, por eliminar as questões mecânicas (variáveis e imperfeitas) do processo de leitura.

    Foram feitos testes nos Encontros do HTForum, e todos os depoimentos que li afirmavam ou que não perceberam diferença, ou vantagem ligeira para o original. Eu aqui em casa não percebi diferença, mas aí deve ser culpa do equipo e das "oreia".

    Gostei muito do texto!
     
  7. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    Adriano,

    aguarde a Parte II, que irá ao ar no próximo dia 15, na qual produzo suposições sobre o que poderia ocorrer entre o original e a cópia para que a cópia se nos afigure "melhor" que o original; ao mesmo tempo em que apresentarei, sobre a matéria, considerações científicas de um Bacharel, Mestre e Doutor em "Ciência de Computação", Professor de uma Universidade nos Estados Unidos, meu sobrinho Ronaldo Menezes.

    Um abraço do

    Holbein.
     
  8. Ricardo Pontes

    Ricardo Pontes Usuário Muito Ativo


    Desde 8 Dez 2004
    fortaleza ce brazil
    Mestre ,voce conhece a expressao ``parece mas nao é``?,aparece muito
    entre quatro paredes ...:D

    Com a compressao, ha o achatamento dos medios altos e altos - com isso

    a primeira vista pode parecer que o som ficou mais limpo ,mais analitico até .

    Estamos falando de coisas SUPER SUTÍS , mas o clone perde muito do corpo do médio e da presença naquelas frequencias que vai de 600 retzs pra cima ! Ainda prefiro o original - infelizmente ,porque é hoje caro pra dedeu e voce sabe que nao gosto de gastar dinheiro...

    Ricardinho .(y)
     
  9. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    Ricardinho, obrigado pela sua experiente participação neste debate.

    Um bom original é sempre um bom original mas está cada vez mais raro, e caro, encontrar-se um bom original; o processo em alta velocidade da replicação "original" não favorece à qualidade mas ao lucro máximo. Tal qual acontecia nos velhos tempos do "bolachão", as prensagens em escala industrial perdiam para a artesanal, unidade por unidade. Porque a indústria jamais será capaz de fazer arte, a ideologia do lucro não permite. Desgraçadamente, para os que consumimos arte.

    Holbein.
     
  10. Ricardo W. Pereira

    Ricardo W. Pereira Audio Designer


    Desde 25 Set 2004
    BH/MG
    Olá Xará,

    Uma coisa fica sempre muito clara quando eliminamos distorções diversas na cadeia de reprodução: o som resultante parecerá menor, menos "brilhante", diria até menos "emocionante" do que a situação anterior.
    Isto sugerirá uma "perda" porque agora ele não terá toda aquela esperteza e vivacidade, que é o que MAIS chama a atenção dos ouvintes.
    Mas agora ouvir-se-a música durante mais tempo, sem cansaços exagerados...
    Muito bom isso.
    É um processo bem parecido com aquele em que se resolve ir tirando o açúcar do café aos poucos, uma dieta as vezes inevitável: no começo a pessoa estranha o amargor da bebida mas lá na frente, ao sentir a beleza e o aroma fantástico daquela inigualável infusão, sem estar falseada pelo "indispensável" e perigoso adoçante, o sujeito cai na real e dificilmente retornará ao uso de açúcar e/ou correlatos...
    No caso das cópias domésticas de CDs aconselho que se façam clones de discos bem conhecidos, que gostamos muito, e com paciencia e boa vontade, de preferencia sozinho, sem conselheiros e experts diversos presentes, façamos audições atentas, repetidas, e vc poderá observar facilmente a vantagem das cópias.
    É um processo gradual tb...
    Mas não use midias baratas e nem computadores das casas bahia...

    Um abraço,
    Ricardo
     
  11. ZpínoZ

    ZpínoZ Festina lente


    Desde 22 Mai 2006
    São Paulo
    Mestre Holbein,

    Parabéns pela coragem de abordar um assunto tão "rebarbativo" e refratário a uma análise definitiva. A possibilidade de discussão já é um bem em si.

    Obviamente o mais aconselhável seria esperar o fim da série de artigos para se pronunciar, porém como o tema me interessa bastante vou antecipar meus "pitacos".

    Deixando de fora o setup que reproduz o som do CD e a matriz original do CD (porque a esta não temos acesso) e focando apenas o processo de cópia de um CD qualquer, ou seja, a transposição de um "arquivo" (um conjunto de bits) de uma mídia para outra, efetivamente existe apenas uma possibilidade teórica da cópia sair melhor do que original.

    Isso acontecerá, se e somente se, usarmos programas de rippagen corretos (por exemplo, EAC-Exact Audio Copy), computadores e leitores/gravadores de CDs de boa qualidade e mídias excelentes (o Ricardo W. Pereira argumenta também nesse sentido). Porém e apesar de tudo, esses componentes escolhidos só garantirão que o "arquivo" gravado foi copiado sem perdas nem alteração das informações. Em outras palavras, um CD muito bom, novo, e não desgastado nem degradado, em tese, não pode ser melhorado.

    Quero excluir também qualquer tratamento do arquivo, ou por placas de som, ou por programas de edição de áudio, porque aí não seria só “cópia”.

    Se compararmos bit a bit os dois arquivos, antes e depois da cópia, e eles forem absolutamente iguais (e em geral são), então, exceto por deficiência do CD gravado (a mídia) ou por imcompatibilidade entre a mídia usada e CD/DVD Player, a cópia e o copiado são (para o setup) completamente idênticos e equivalentes.

    Sobre a melhora às vezes percebida na cópia, na maioria dos casos, a explicação é porque no processo de gravação substituímos uma mídia (o CD original) desgastada e com alguns problemas de leitura nos CDs/DVDs Players, por uma mídia nova, e por isso mesmo, potencialmente, em melhores condições de leitura.

    PS: Por exemplo, um CD que comprei, raro e excessivametne riscado, usando o EAC-Exact Audio Copy, na modalidade "maniac", levou 14 horas, mas ele consegiu ler o CD, e a copia que produzi ficou bastante audível.

    Z
     
  12. leosimas

    leosimas Em processo de conversão


    Desde 2 Dez 2005
    Rio de janeiro/RJ/Brasil
    Cara companheiro,
    não sou audiófilo. mas um mero amante da eletrônica.
    frequento mais a sessão de jogos e HDTV deste fórum. mas não consigo concordar com tais argumentos mostrados.
    concordo plenamento com o que diz seu filho. a cópia no máximo iguala, nunca melhora a fidelidade de um som.
    Além há as descrições sinestésicas como: "cor das incertezas e angústias do compositor, ficaram mais “amarelos” (quem sabe, cor da desbotadura atonal); " ou
    “... altos médios e agudos, apesar de mais suaves, soaram mais orgânicos...” e mais "o som curió dos violinos, e o roufenho e agourento som da viola". estas só me apavoram. não consigo compreende-las.

    O fato é, a verdade que seu filho disse é irrefutável. duvido plenamente que uma audição "às cegas" faria qualquer dos argumentos mostrados confirmar o melhor desempenho de uma cópia.
     
  13. Furlan

    Furlan Vivendo e aprendendo!

    Hummmmmmmmm....

    Taí uma boa idéia para se colocar em prática, bastando marcar uma reunião na casa de algum colega.

    Uma prova dos 9, um teste cego, só para ilustrar e aquecer essa saudável discussão.

    Um colega usando boa mídia e bom software faz uma cópia de um CD e leva ambos, original e clone, para uma audição, sem que a platéia de ouvintes veja qual dos discos está na bandeja.

    Ideal que a platéia seja mista, ou seja, metade que acha que o original é melhor, metade que aposta na qualidade da cópia.

    Tiram-se as conclusões em meio a degustação de alguns petiscos e uma (ou algumas, como queiram...) boa taça de vinho, e no "grand finale" faz-se a revelação de quem é quem.

    Que tal a idéia?

    Se essa idéia não for boa, pelo menos vale pela amizade, e a degustação é claro...rs.

    Só não esqueçam de me convidar hein!!!:lol:

    Abraço

    Furlan(y)
     
  14. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    Duvidar, Leosimas, é o caminho mais cuto para acertar. Não duvidar é um ato de fé: acredita-se, e pronto. Inda que estejamos errados. Aí, adeus-tia-chica, nunca mais acertaremos...

    Você já esteve a observar horas a fio o funcionamento de uma máquina de duplicação de CDs? Viu que censores programáveis "lêem", pós-estampagem, as cópias que se vão sucedendo, aceitam a maioria como "boas" mas rejeitam cerca de 10% como "com defeito"? Isso a partir de um padrão programável pelo técnico que opera a máquina.

    Não lhe parece que esse fato pode querer significar que há cedês de uma mesma prensagem, portanto "originais", diferentes entre si?

    Espere pela Parte II da matéria, prometo-lhe que, em troca, pouparei você de ler sinestesias... Aliás, não só sinestesias como também aliterações; adoro fazê-las; no que estou bem acompanhado, entre muitos pelo talento de Guimarães Rosa: "Avista-se o grito das araras."

    Um abraço do

    Holbein.
     
  15. leosimas

    leosimas Em processo de conversão


    Desde 2 Dez 2005
    Rio de janeiro/RJ/Brasil
    Atenção :
    Os spoilers são detalhamentos tecnicos das minhas afirmações. leia por sua conta e risco. :ataque:

    Infelizmente não pude acompanhar um processo destes. nunca tive a oportunidade de conhecer pessoalmente.
    Pela sua breve descrição trata-se de um processo típico de controle de qualidade. Testar algumas unidades estatisticamente para validar um lote ou testar um a um e validar os especimes (qual escolher não vem ao caso).

    Jamais disse que os discos são perfeitamente iguais, mas há parametros mínimos para serem aceitos. Entretanto é inerente ao processo de "digitalização" dos meios de transmissão a fidelidade da informação transmitida dentro de tais parametros. ou seja, enquanto a informação tiver uma quailidade mínima ela pode ser reproduzida integralmente.

    Sistemas modernos de transmissão digital desde décadas atrás, incluem ainda códigos de correção de erro. Com isso mesmo que a informação for parcialmente corrompida, pode-se (dentro de limites especificados) recuperar com a fidelidade absoluta, nisso incluem os CD's.

    Para assegurar que a informação recebida corresponde a uma cópia fiel do que foi transmitido, também é acrescentada a informação de Códigos de verificação Cíclica (lembra dos famosos "CRC error" 's dos disquetes de 3,5" ? é o proprio!)

    Este dois processos estão embutidos em qualquer CD-player de boa procedencia. É requisito mínimo.

    Jamais direi que uma cópia de um arquivo obtido na internet tem qualidade melhor ou pior de que um CD. A origem deste arquivo é desconhecida, assim como os processos utilizados para geração dele.

    A Minha duvida está a afirmação: "Uma cópia de um CD tem melhor qualidade que o original". sendo que nas mais perfeita das hipóteses a cópia teria as mesmas informações, e defeitos do Original.

    ou seja... tem o mesmo som do original.

    O mesmo vale para uma gravação lida de um HD. um bom aparelho não deve apresenter "jitter" audível e um aparelho com rescursos com "anti-skip" nunca, a não ser que tenha algum defeito.

    um off-topic :
    Ainda assim vão me questionar com a frase "Eu já recuperei um CD aranhado (com defeito) copiando-o!" é simples.

    Os Leitores de PC quando estão copiando não tem a mínima pressa de tentar reler a informação até que consiga ser extraida corretamente, se não conseguirem enviam um erro ao usuário.

    Os CD players só tentam algumas poucas vezes. pois se aterem-se a releitura vão gerar pausar indesejadas.

    A cópia tem mais informação que o original? não. Só está acessando mais rapido a ela devido a um DEFEITO do original que ainda tem a informação lá.
    Na maioria dos players com recurso "anti-skip" isso é contornado da mesma forma que nos PC's.

    O que me proponho para sanar é o que já foi proposto. Vinho, queijos, distração e audições as cegas junto com amigos. (y) Um experimento informal quase cientifico.

    Como qualquer engenheiro, estas coisas subjetivas e não-cartesianas me deixam nervoso, hahahahaha...

    a propósito . o que seria um "som aveludado" :)oloko:arrepios brrrr)...
     
  16. Dmaumau

    Dmaumau Moving Forward


    Desde 9 Out 2002
    Campinas - SP
    Há um excelente tópico do Dennis (com muita teoria e comprovações técnicas) em que se analisou exaustivamente essa questão, com hardware da melhor qualidade e reprodução sempre em sistema High-End e em nenhum caso se notou tal superioridade das cópias.

    Vale a busca (y)
     
  17. Holbein Menezes

    Holbein Menezes Usuário


    Desde 21 Nov 2007
    Fortaleza,Ceará,Brasil
    "Testar algumas unidades estatisticamente para validar um lote ou testar um a um e validar os especimes (qual escolher não vem ao caso).Leosimas."

    Não é estatisticamente, Leo, é processo contínuo; censores examinam "erros" ou diferenças entre o "stamper" e todos os discos copiados dele, "stamper"; às vezes é tão consecutivo o rejeito que o técnico operador pára a máquina para mexer nos censores.

    Isso é evidência cartesiana, existem de fato diferenças entre as unidades de uma dada prensagem pois umas tantas duplicatas (não tome a expressão como sinestésica, "please"!) são consideradas "defeituosas" e são mandadas para o "lixo" do sistema; e são mandadas por comando de sensores programados e não a obedecer uma metodologia estatística.

    Agora, se uma cópia feita em computador pode ou não "trabalhar" essas diferenças, isso não posso provar sem um estudo espectral dos "bits".

    Estou a adorar seu contraditório.

    Holbein.
     
  18. Ricardo Pontes

    Ricardo Pontes Usuário Muito Ativo


    Desde 8 Dez 2004
    fortaleza ce brazil
    Mau -Leo e amigos .

    Taí uma discussão que nao vai ter fim . Se voce tem uma gravação original e passa para a cópia ,esta mesma,vai soar diferente ,com o timbre ligeiramente diferente ,que para um gosto de um audiófilo ,pode soar MELHOR.,para outro PIOR ,mais aberto ,menos corpo sei lá...

    Teremos assim uma CÓPIA que apresentou-se uma ou duas linhas mais
    aberta nos agudos - com menos presença de excesso de graves para determinados sistemas fruto de modificaçoes que nao quero discutir aquí .

    Mas vejam voces ,a gravaçao tornou-se DIFERENTE ,mas NUNCA igual ou
    melhor que a original .

    O individuo tem no seu sistema ,uma tendencia [isso é comum] para o medio exagerado !.Na cópia ,em funçao do sistema mas nao do clone
    ,o medio pode VIR PARA O LUGAR no gosto do ouvinte ! Daí ele dizer FICOU MELHOR!! nao ha duvida, FICOU MELHOR CARA, OLHA AÍ!!!!

    Acho que HOJE ,as cópias chegaram a um patamar simplesmente espetacular , ha nào ser que o disco seja ANTOLOGICO ,especial para mim
    posso conviver tranquilamente com o CLONE no meu sistema ...
    Esta é apenas a minha opinião .

    Ricardo.(y)
     
  19. leosimas

    leosimas Em processo de conversão


    Desde 2 Dez 2005
    Rio de janeiro/RJ/Brasil
    definitivamente não é sinestésico...:rofl:

    no caso dos CD's os Bits não tem valor espectral mas temporal (no MP3 e principais metodos de compressão com perdas, sim), caracteristica da codoficação PCM que é usada, mas isso não vem ao caso.

    Pode-se atestar esta igualdade usando softwares. Em geral os gravados de disco tem a opção "Verificar disco destino".
    O que tal ferramenta faz é verificar bit-a-bit se a cópia é identica a original. Essa opção vem desabilitada por "default" pois toma muito tempo do usuário e raramente encontra problemas, só sendo usado típicamente por usuário avançados em back-ups críticos.

    O mundo é complexo e caótico demais.
    Sempre fico prevendo problemas de interpretação e escrevendo demais. Como se diverte com isso, deixo a mais divertidas de todas as contradições (NMHO): "Em toda regra há execeções"