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Parede frontal da sala de som: qual a melhor solução neste caso?

Discussão em 'Acústica e Construção de Salas' iniciada por Progger58, 3 Mai 2018.

  1. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    Amigos, eu estou em fase de construção da minha nova sala de som.

    Para a parede frontal eu estou pensando em fazer uma estrutura de madeira e a minha dúvida é se faço essa estrutura arqueada (côncava) ou se faço ela reta no meio com os cantos triangulares, como estas mostradas no desenho abaixo:

    20180503_110250.jpg

    Então gostaria de saber dos colegas qual das duas estruturas seria a mais indicada para uma sala de som.

    @Dennis@Dennis , @carlos_camardella@carlos_camardella , qual solução vocês considerariam a mais adequada?

    Antecipadamente agradecido por qualquer ajuda. (y)
     
    Última edição: 3 Mai 2018
  2. Márcio Veronez

    Márcio Veronez Usuário


    Desde 9 Dez 2010
    Brasil
    Mas qual seria o motivo desta estrutura ?
     
  3. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    A função, dentre outras, seria matar os cantos da sala. (y)
     
  4. Márcio Veronez

    Márcio Veronez Usuário


    Desde 9 Dez 2010
    Brasil
    Vou ver se acho aqui um projeto onde enfrentamos o problema do fundo arqueado ... matava todo o grave

    Eu achando aqui mando a foto e como ficou no projeto depois de pronto (y)(y)(y)
     
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  5. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    Vixi, já não gostei. Sou meio bass maníaco, então essa coisa de "matar todo o grave" não soou nada interessante para mim não. :D
     
  6. juliosouza

    juliosouza Usuário

    785 1.343 671

    Desde 22 Jul 2009
    rio de janeiro
    Demétrio, eu no seu lugar procuraria um especialista. A sua sala tem tudo pra ficar TOP. Temos vários aqui no forum
     
    • 1
  7. FelipeRolim

    FelipeRolim Breaking The Sound Barrier


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    O melhor seria usar a estrutura de madeira estrategicamente para diminuir o tempo de resposta dos graves na sala, o que não necessariamente significa que a sala irá "engolir" os graves, mas sim que o som poderá ficar mais enxuto, claro, definido, inteligível, pois evitará ressonâncias e reverberações e permitirá que se ouça àquilo que a caixa reproduz, na essência, ao invés de um reforço causado pela sala. Claro que essa é uma explicação bem rústica e superficial, mas normalmente recheando os cantos, como se pretende, e adotando um preenchimento adequado, o funcionamento é muito bom, não mata a sala e nem retira o equilíbrio do som. No centro é interessante algum tipo de absorção, mas não necessariamente com muita densidade e/ou espessura, sob pena de se implementar o risco de emagrecer o som, retirar corpo, massa, vida, tornando-o apático e sem peso. É preciso saber fazer com parcimônia.

    Claro que tudo depende das necessidades e dimensões da sala, e também da profundidade desse painel e da disponibilidade de espaço atrás dele. Pelo que consegui entender, está pretendendo fazer algo como uma dry-wall bem acabada esteticamente, e por isso seria interessante deixar alguns centímetros disponíveis no centro, mas uma boa medida disponível nas laterais. O quanto, precisaria verificar com maior precisão. Quanto mais limpa for a instalação e menos elementos acústicos tiver, melhor. Muitos elementos artificiais posicionados de maneira inadequada podem até fazer o som soar corretamente, mas não agradável aos ouvidos. Poderá não tocar "bonito".

    A grande vantagem de se usar um painel recobrindo 100% da parede frontal é poder fazer com que ele tenha cerca de 30% de abertura para vazão de ar (talvez menos), de modo que consiga algo esteticamente lindo, com aprovação da esposa, e acusticamente funcional. Em outras palavras, pelo que entendo, poderá recobrir até 70% ou mais da parede sem comprometer o funcionamento do que estiver atrás.

    Quem fez algo assim foi o Marinaldo, do Distrito Federal. A sala dele é tratada acusticamente e tem um visual que garante a invisibilidade do material sem comprometer o seu funcionamento. Segue uma foto em anexo. Atrás desse painel todo, em especial dos cantos, está recheado de lã de rocha. Não sei as especificações, nem que tipo de aferição se fez, mas, no escuro, sem medição por softwares adequados, praticamente não tem como errar construindo os corner-traps e ajustando o tempo de resposta, lembrando que ajuste de tempo de resposta da sala não tem absolutamente NADA a ver com absorver ou difundir determinada frequência de uma superfície.

    Não caia no conto de fadas de painéis BAD, difusores, etc. Funcionam, mas é preciso uma instalação consciente acerca dos efeitos que estes elementos causarão na sala e no sistema. No chute, e sem estar presente, diria que apenas os corner-traps são um tiro certo.
     

    Anexos:

    Última edição: 3 Mai 2018
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  8. Márcio Veronez

    Márcio Veronez Usuário


    Desde 9 Dez 2010
    Brasil
    Bass Maniaco para filmes 2 (y)

    Não gosto de ouvir o grave mas sim de sentir a onda de choque vindo no peito mas claro sem comprometer o restante do espectro de áudio.
     
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  9. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    É disso que eu gosto também. :D (y)
     
  10. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    @FelipeRolim@FelipeRolim , muitíssimo obrigado por essa verdadeira aula. :aplauso: :aplauso: :aplauso: :aplauso: :aplauso:

    Então, a sala que eu estou construindo tem 4 metros de largura por 5,80 de comprimento. A altura do pé direito é de 3 metros originalmente, mas também pretendo tratar o teto, de maneira que haverá a necessidade de fazer algum rebaixamento.
     
  11. FelipeRolim

    FelipeRolim Breaking The Sound Barrier


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    @Progger58@Progger58, muito longe de ser qualquer aula. Acho que tem muito "especialista" em tratamento acústico infiltrado no fórum que só quer ganhar dinheiro em cima de outra pessoa, adora recomendar soluções inúmeras para uma acústica (que coincidentemente não são baratas, embora sejam de grande simplicidade), mas nunca pisou na sala do outro ou sequer analisou algumas medições feitas na sala com um instrumento adequado. Eu não sou um desses interessados, e sequer sou especialista no assunto, hehehe.

    Penso que todos nós temos limitações impostas por alguém (esposa, mãe, etc.), ou pelo nosso próprio gosto pessoal, ou ainda pelas possibilidades financeiras. Então, acredito que o melhor de tudo é se conscientizar daquilo que é possível ser feito na sala em termos estéticos, em primeiro lugar, para depois avaliar as melhores soluções acústicas para isso. A sala do Marinaldo é um exemplo perfeito. Simples e funcional. Sugerir algo sem estar na sala e avaliar é impossível, com pequenas ressalvas, que são os corner-traps e alguma absorção nas paredes central e laterais. Difusores, painéis BAD, painéis especiais com desenhos esdrúxulos, tudo isso é perfumaria sem garantia de resultado. Pode e vai funcionar, o que não significa que da maneira apropriada. Por isso acho legal otimizar e ir direto ao ponto.

    Se você analisar bem, verá que consegue comprar um caminhão de lã de rocha por uma fração do que custará o seu painel em MDF sobre toda a parede frontal, e ainda conseguirá uma solução funcional com pequeníssima margem de erro. Tempo de resposta, dos graves, principalmente, é algo que toda sala deveria ter sob controle. Então, é um investimento certo e com custo-benefício alto. Já o tempo de resposta de agudos é mais simples, se beneficiará do próprio painel e, normalmente, tapetes e cortinas espessos bastam.

    Grande abraço! Espero não demorar muito para começar a construção da minha sala por aqui também!
     
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  12. Roberto

    Roberto Usuário


    Desde 12 Jul 2003
    Natal-RN-Brasil
    • 1
  13. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    Pois bem, possibilidade financeira é justamente a minha limitação de momento, por isso a ideia de fazer tudo eu mesmo, dentro da filosofia DIY. :D

    Para isso, portanto, nada melhor do que pegar as valiosas dicas e sugestões dos amigos aqui do fórum. (y)
     
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  14. Progger58

    Progger58 Usuário


    Desde 7 Mai 2004
    Campina Grande-PB
    Roberto, acho que faz muito sentido realmente essa sua observação. (y)
     
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  15. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    Demétrio,

    Vamos por partes...

    Atrás do equipamento praticamente só vão graves em maior pressão. Médios e agudos chegam lá pelo "respiro" das caixas (final da resposta off-axis dos falantes, principalmente dos tweeters mas vão médios também) e pelas reflexões secundárias (por exemplo, as ondas que batem no fundo da sala e voltam para a parede frontal).

    Então, se você (ou a patroa) achar que côncavo fica mais belo, caso você trate essa parede na altura dos mid-ranges e tweeters (com uma linha de espumas entre as caixas, de 60 x 60cm cada, painéis de lã de rocha nessa medida, etc.), não haverá quaisquer problemas com os médios agudos nessa parede ainda que você tenha um canal central ali. Com relação aos graves, eles se concentrarão nos cantos mesmo, então, desde que você monte os bass traps triangulares nos cantos (tipo corner traps) e com uma área de cobertura boa, ou seja, que não haja muitas anteparas entre a lã de rocha e o acabamento central (e isso inevitavelmente acontece na sala que o Felipe mandou a foto, ou seja, os lambris minoram a eficácia do corner trap por redução da área de diafragma, mas isso não significa que eles não funcionem).

    Não sei qual tipo de acabamento e materiais estruturais você planeja para essa parede, mas se for dry-wall tem que ser preenchido com lã de rocha independente dos bass traps. E na frente dos traps há que se usar como baffle algo que impeça o mínimo possível sua atuação.

    Uma sugestão de traps fácil de fazer por trás de um acabamento soberbo como o Felipe mostrou é usar os painéis de lã cortados em triângulos empilhados do chão ao teto. Perde-se eficácia e a facilidade de remover a tralha dali, mas se você vai recobrir com o painel, já se sabe de antemão que a idéia é não ser reversível e o uso dos triângulos empilhados é ridiculamente fácil de fazer.

    Com relação ao custo, cada pacote de lã de rocha PSE-64 de 5cm de espessura custa na faixa de R$160,00 e vem com 6 paineis de 60 x 120cm. Cada lã faz 2 triângulos, logo teremos 10cm de altura por lã (2 triângulos empilhados), ou 60cm por pacote. Para cada trap com os 3m de altura da sua sala, você precisará de 5 pacotes (na verdade, com o peso elas serão comprimidas e vai precisar de 1 ou 2 triângulos a mais para fechar até o teto.

    Com relação ao rebaixamento do teto, só se for por estética porque essas medidas da sua sala 4 x 5,80 não encerram proporcionalidade, apenas o teto teria um problema de proporcionalidade com o comprimento, mas se você rebaixar o teto para 2,70 essa diferença não trará praticamente nenhum benefício, teria que rebaixar mais e ainda colocar pelo menos 2 camadas de lã de rocha por cima para absorver as vibrações e não ficar chacoalhando com música alta e graves profundos...

    Com quase 6m de comprimento, você até pode experimentar usar difusores na parede atrás do sofá caso pretenda multicanal. Se for para estéreo, eu acho que o sweet spot vai ficar muito próximo para que você não ouça o trabalho do difusor. Por outro lado, como já comentei no tópico da minha sala pobrezinha, para usar difusor tem-se que usar uma profundidade maior do que os 11cm tradicionais porque do contrário você só terá dispersão nos médios altos e agudos e os médios baixos não dispersos trarão desbalanceamento do som (você vai "ouvir mais" as vozes e instrumentos nessa faixa de frequência) que, por vezes, beneficia ambientes de multicanal mas para estéreo eu não gosto (mas tem gente que adora). Aí teria que embutir parte do difusor na parede para que não fique feio.

    Bom, não sou engenheiro acústico, mas um pitaco sempre se pode dar...

    Abração !
    C.A.
     
    • 2
  16. FelipeRolim

    FelipeRolim Breaking The Sound Barrier


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Só um complemento: eu, particularmente, usaria as madeiras em acabamento mais espaçados entre si, para melhorar a área de ventilação e a eficiência dos corners. Acho que até 70% recobertos é aceitável, mas mais do que isso perde muito a eficiência. Certamente é possível usar a foto da sala do Marinaldo como modelo, mas tentar adequar as medidas àquilo que for mais funcional.

    Carlos, com a licença do Demétrio, me ajude a compreender uma parte? Esta não ficou muito clara:

    O que significam, precisamente, anteparas e lambris? Essa área de diafragma seria aquilo a que me referi como "vazão de ar"?

    Grande abraço!

    PS.: estou numa correria maluca. Com tempo vou retomar a leitura do seu tópico.
     
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  17. DeMorgan

    DeMorgan Usuário

    2.944 1.088 626

    Desde 27 Nov 2007
    brasília
    Não tem como matar os graves de uma sala somente assim. Isso é muito otimismo.
    O que você pode fazer é deixar eles bem bons, mas não vai "matar"

    Se você viu a sala do Marinaldo, nem foi tão caro fazendo com um marceneiro/carpinteiro. Se você for fazer no esquema DIY, vai sair bem em conta eu acho.
    Só que daria preferência para fazer a orientação das "ripas" na vertical e faria o revestimento reto ou convexo. Não arriscaria fazer ele côncavo.

    Agora, se quiser fazer algo realmente diferenciado, seria fazer ele convexo com uns 20-30 de afastamento no centro da curvatura para a parede do fundo, ou fazer com 25-30cm, e os triângulos do canto com uns 90cm de largura na face exposta. E acho que a recomendação do Felipe de usar 70% de cobertura adequado. Poderia ser até mais um pouco, caso a sala tenha venha a ter muito material que absorve altas. Só não pode fazer uma vedação da montagem, senão começa a agir com absorvedor sintonizado.

    O preenchimento seria com lã de rocha ou vidro de densidade de baixa densidade.
    Nunca usei, mas acho que esses aqui seriam adequados para minha sugestão:
    https://www.madeiramadeira.com.br/p...-61cm-x-2-70m-50-mm-x-61mm-x-2-70m-32389.html
    https://www.portaldaacustica.com.br/produto/102
     
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  18. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    Bem... digamos que você falou a mesma coisa de forma muito mais simples :D:D:D

    Eu também... estou com um monte de atividades profissionais concomitantes (inclusive viagens) e ainda tenho que ajudar meu filho nos estudos porque está em época de provas, tenho que passear com a cachorra na rua, fazer exames periódicos... :confuso:
     
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  19. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    Para qualquer coisa que não precise da lã de rocha de alta densidade (como os corner bass traps), sugiro usar a lã de pet mesmo, ecológica e não coça. A densidade maior gira entre 25 e 30Kg/m³ e o preço fica entre R$20,00 a R$30,00 por m².

    Tem em placa e em rolo.

    Vantagens

    - Não esfarela
    - Não desfia
    - Não tem problemas com umidade
    - É mais em conta
    - Possui fibras maiores
    - É térmica
    - 100% Ecológica

    Características Técnicas

    - Fabricado com lã proveniente de reciclagem de garrafas PET
    - Sem a adição de resinas ou qualquer tipo de aglomeramerante
    - Produto ecologicamente correto
    - Elevada absorção acústica
    - Segurança ao fogo: Atende à IT-10 do Corpo de Bombeiros do Estado de SP na classificação II-A
    - Excelente isolante térmico. Condutividade térmica K = 0,035 W/mK
    - Produto atóxico e antialérgico
     
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  20. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    A lã de pet de baixa densidade (20 a 30g/m³) atua bem a partir de 400Hz com 50 mm espessura e fica excelente a partir de 600Hz (em torno de 0,8 a 0,9 Sabine até mais de 10kHz).