Sala do Carlos Camardella - Tratamento para 2CH

Discussão em 'Acústica e Construção de Salas' iniciada por carlos_camardella, 18 Nov 2017.

  1. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    No caso desse tópico, tentei sempre deixar bem claro o intuito DIY e justamente para não gerar qualquer confusão, sempre afirmei que funcionou perfeitamente para o meu caso, mas tentando dar outras dicas para quem tem ambientes diferentes, sempre pontuando as diferenças. O fato é que o mote do tópico é o uso massivo dos bass traps, coisa que raramente alguém coloca mesmo em projetos profissionais porque demanda espaço e não é fácil fazê-los sem que fique feio. No máximo projetam ressonadores de Helmholtz e bass traps sintonizados com membrana rígida e suas variantes, distribuídos pela sala, e isso não dá pra fazer de forma DIY sem gastar muito e com resultados discutíveis.

    Sempre construí caixas acústicas DIY, inclusive as minhas atuais são, não se pode mexer com isso sem fazer um bom projeto antes e na minha sala eu não só medi como também usei vários softwares para verificação dos room modes, pois cada um tem uma ligeira diferença, já que usei tudo freeware, não são sw profissionais. Assim como usei o Leap para sintonizar as minhas caixas e preferi ir pelo caminho menos problemático: volume razoável, woofers com baixissimo Fs e suspensão acústica, para não ficar refém de dutos bass reflex que geram um posicionamento complicado das caixas dentro da sala.

    Aqui não gastei mais do que R$2500,00 em todos os materiais, então saiu muito barato considerando-se o resultado. Não foi de forma alguma um jeito caro de obter o resultado. Não vejo, no meu caso, como um projeto profissional pudesse ser muito melhor do que o que eu fiz sem custar uma fortuna e levar a resultados pouco superiores, dadas as limitações do ambiente, pois nem fechada a sala é, não há como reduzir muito o seu piso de ruído, já que é aberta para o resto do apartamento, apenas se pode melhorar o conforto acústico e matar as reflexões primárias e secundárias. Mas isso porque eu fiz tudo, se for contratar marceneiro, etc. o valor sobe bastante.

    Só como exemplo, não adiantaria fazer um projeto mais parecido com o de seu video, porque os tweeters são ribbons puros e sua dispersão vertical é pequena se comparado aos de domo, dessa forma não faria sentido recobrir com absorvedores uma área tão grande das paredes.

    Por outro lado, por experiência própria em audições críticas em diversas salas, eu sou 100% contra a colocação de painéis para dispersão/difusão nas paredes traseiras (atrás do sofá) se a sala não for de HT, como está no seu video, pois num sistema estéreo tudo o que se deseja ouvir é apenas e tão somente a emissão frontal dos falantes, com direito a uma pequena interação com a sala para se ter alguma ambiência verídica. Sempre que se coloca dispersão/difusão atrás do sweet spot, você simplesmente re-irradia as emissões que vieram principalmente dos tweeters, descontroladamente, em todas as direções, e não o faz com as emissões dos midranges porque esses painéis não têm profundidade suficiente para dispersar decentemente os médios.

    Então, ao dispersar somente os agudos e não os médios, já rola um baita desbalanceamento no que chega aos seus ouvidos.

    Por exemplo, as caixas acústicas comerciais têm frequências de corte geralmente na faixa de 3kHz (transição entre mid e tweeter) e 300Hz (transição entre woofer e mid). Um painel difusor, para dispersar totalmente os agudos acima de 3kHz, deveria ter profundidade mínima de um comprimento de onda de 3kHz:

    340m/s=C*f ....... C=340/3000 = 11,33cm

    Se você olhar a especificação de painéis como o famoso Omni 64, a profundidade dele é de... 11cm !!!!

    Agora veja só, para dispersar médios na faixa de 300Hz para cima, precisaríamos de um painel com profundidade mínima de mais de 1 metro !!!!!!!!! Quem usa isso numa sala ?

    Edit: Só complementando, a faixa total de atuação dos difusores fica acima de 1/4 de comprimento de onda, é a partir daí que os dados são divulgados, mas sua atuação máxima fica restrita a frequências acima de um comprimento de onda. Logo, um Omni64 atua a partir de cerca de 750Hz mas com atenuação de 6dB abaixo da difusão "flat" na faixa acima de 3kHz. Dessa forma, se quisermos um difusor que atue timidamente a partir de 340Hz, por exemplo, a sua profundidade deveria maior do que 25cm mas sempre tendo em mente que ele só terá dispersão máxima e igual para frequências acima de 1360Hz. Portanto, continuamos com problemas de desbalanceamento.


    Abraço !
    C.A.
     
    Última edição: 13 Fev 2018
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  2. DeMorgan

    DeMorgan Usuário

    2.877 1.039 626

    Desde 27 Nov 2007
    brasília
    Hum... vc replicou o BAD da RPG acoustic, mas a orientação ficou trocada. Não sei se isso faz diferença. Acredito que sendo difusor 2d binário, a orientação não importa (só comentando mesmo).

    Contudo, teria sido melhor você ter feito uma parte dos painéis com uma furação invertida. Cada painel são uma composição de 2 painéis BAD, certo ? Então, teria sido bom ter feito um negativo, invertendo onde a furação fica.

    O ideia é evitar "lobing". Pesquisa no google sobre isso. Uma sequência de difusores repetidos gera esse efeito que diminui a eficiência dos difusores usados em conjunto.

    No seu caso, eu vi que tem uma espaço entre eles, mas vai saber.
     
  3. DeMorgan

    DeMorgan Usuário

    2.877 1.039 626

    Desde 27 Nov 2007
    brasília
    Essa treliça não funcionaria como difusor, pois para um implemento acústico ser chamado de difusor, ele tem que espalhar a energia "igualmente" em todos as direções na sua frequência de atuação.

    Mas a treliça é interessante para dar um acabamento legal, e para devolver alguma energia de alta e média para a sala, caso esteja com uma grande quantidade de absorvedores. Além de não afetar o desempenho de absorção dos graves.
     
  4. m-costa

    m-costa Usuário

    33 13 5

    Desde 15 Jan 2018
    São Paulo
    Eu dou o seguinte exemplo, você entra em uma casa vazia e percebe que o ambiente reverbera bastante. Depois se muda, coloca os móveis e já percebe que a reverberação diminui bastante.

    No seu caso você fez até um estudo, mas tem pessoas que fazem por conta própria só colocando alguns absorvedores e diz que resolveu todos o problemas da sala, que acústica é algo simples. Na verdade estão fazendo algo parecido com o exemplo que disse no começo, só aumentam a absorção da sala e como não tem um comparativo com aquela mesma sala com tratamento bem feito, se dão por satisfeitas.

    Concordo quando diz que sua sala é aberta e dessa forma não conseguiria fazer algo muito além. Limitações precisam ser levadas em conta.

    A ligeira diferença entre um software e outro que usou para calcular os modos da sala pode ser insignificante, uma vez que o estudo dos modos é conservador e considera que as paredes refletem 100% das ondas sonoras, o que não é real.


    Basstraps são extremamente comuns em projetos de estúdios de pequeno e médio porte. A solução adotada vai de acordo com o orçamento disponível, se optaram por outros tratamentos mais caros nas salas que viu foi pela eficiência e estética. Além disso não dá para criticar um projeto sem saber as conversas que tiveram entre o cliente e o projetista, sem ver as simulações que o projetista fez.

    Os exemplos que uso nos vídeos são genéricos, faço os modelos para comentar em cima deles, não são soluções para serem repetidas.

    Te digo que tem projetista renomado que coloca algum tipo de difusor atrás do sofá.
    Para que essa reflexão não retorne teríamos as seguintes opções:
    - Precisaríamos de um sala muito grande, onde as ondas refletidas não chegassem até o ouvinte ou chegassem com pouquíssima energia: ruim pelo fato da sala ter que ser muito grande.
    - Ter absorção total de todas as frequências de modo que não se refletisse nada ou quase nada: não acredito que seja viável.
    - Através da geometria das paredes, desviar as ondas para que sejam refletidas para outras posições que não a do ouvinte: demanda espaço também.
    - No exemplo do vídeo, caso não tivesse o difusor, a onda sonora seria refletida pela parede e chegaria com mais energia no ouvinte, por isso se dispersa a energia e ou ela não chega ao ouvinte ou pelo menos chega com menos energia.

    Para ter um difusor que funcione para médios a profundidade precisa ser maior sim e por isso não é usual, médios e graves devem ser tratados de outra forma.

    O que você quer é uma zona livre de reflexão, para isso a primeira coisa que precisa é de espaço. Muitos produtores musicais desejam ter um estúdio assim também, pelo custo, a maioria não tem e não é isso que impede de fazerem um bom trabalho.
     
  5. m-costa

    m-costa Usuário

    33 13 5

    Desde 15 Jan 2018
    São Paulo
    Na literatura técnica diz que qualquer superfície regular ou irregular pode ser um difusor, porém nem todos tem a mesma eficiência. Os mais eficientes distribuem a energia de forma igualitária.

    Acho muito difícil essa treliça funcionar para médio e pela posição, as ondas sonoras que chegariam até ela seriam ondas já refletidas por outras paredes. As ondas chegariam com bem menos energia já.
     
  6. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    O caso é que na sala dele (não na minha) foi colocado um bass trap em um dos cantos da parede atrás do sweet spot. Nos traps por trás das caixas realmente essas treliças não fariam efeito algum a não ser reduzir a área de atuação do trap.
     
  7. carlos_camardella

    carlos_camardella Usuário


    Desde 29 Dez 2004
    Rio de Janeiro
    O problema é que em quase 100% das salas de "audiófilos" e "melômanos" que eu já fui, e olha que já visitei quase uma centena, raramente o sofá ou poltrona no sweet spot ficam distantes o suficiente da parede traseira para que não se ouça nada do está sendo feito pelo difusor, até porque sempre usam espaçamentos grandes entre as caixas e as paredes frontais, o que empurra o sofá para trás, e as salas raramente passam de 5 ou 6m de comprimento. Se o sweet spot fica perto da parede traseira, a solução que me parece ideal é aplicar painéis com duas camadas de lã de rocha de 5cm (totalizando 10cm) e densidade entre 64 e 80 kg/m3, pois dessa forma você tem absorção total acima de 200 Hz (0,88 @ 125Hz), tratando todo o espectro com exceção dos graves, não voltando quaisquer energias para o ouvinte.

    Porém, se a distância é razoável, usar difusão com profundidade compatível com os médios me parece adequado, como você disse, já que não será ouvido. (y)

    No entanto, o que mais vejo por aí é um sofá quase colado na parede traseira e um difusor atrás ou até preso ao teto, por cima da cabeça dos ouvintes. A sensação que dá é que a sala é maior, até fica interessante para se ouvir grandes massas orquestrais, mas o foco, recorte e corpo dos instrumentos vão para o vinagre.

    Abraço !
    C.A.
     
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  8. m-costa

    m-costa Usuário

    33 13 5

    Desde 15 Jan 2018
    São Paulo
    Não tem espaço suficiente, por isso mencionei que a energia chega com menos energia. Se quer algo sem nenhum defeito, precisa de mais espaço.

    A primeira reflexão pode não estar na parede traseira, pode estar na lateral e já estar sendo tratada com absorvedores. Você teria que tratar a parede traseira com absorvedores, teto também, o piso não tem como tratar frequências mais baixas, aí você corre o risco de ter uma sala morta.
    Para que a sala não fique morta a parede frontal e parte das laterais vão ter que ser reflexivas, o que vai te gerar outros problemas.

    Existem as duas tipologias de sala, sendo a primeira a mais usual, acredito eu por ser a menos problemática.
     
  9. DeMorgan

    DeMorgan Usuário

    2.877 1.039 626

    Desde 27 Nov 2007
    brasília
    Sim, podemos considerar qualquer coisa que evita uma reflexão do som no mesmo ângulo de e incidência e que tem um índice de coeficiente de difusão baixo como difusor, pois vários autores não diferenciam o que "presta" do que não presta... massssss...

    Mas o ponto é que cobrir o "bass traps" não diminui a eficiência (dependendo do tamanho da cobertura) na absorção dos graves, e ainda diminui a absorção dos médios e agudos, que pode ser desejável dependendo do ambiente. Então, enquanto não existe benefício da "difusão" (que não é necessária ali), existe outro tipo de benefício a se considerar.
     
  10. Samurai italiano

    Samurai italiano _-'º|º'-_


    Desde 23 Dez 2004
    Brasília
    Massa de mais essa troca de conhecimento. Era disso que eu falava.

    @DeMorgan@DeMorgan, que bom que é de BSB. Está convidado a escutar e palpitar o meu set. Tenho curiosidade na opinião de outras pessoas sobre essa bagunça que montei aqui. Será bem vindo se quiser aparecer.
     
  11. DeMorgan

    DeMorgan Usuário

    2.877 1.039 626

    Desde 27 Nov 2007
    brasília
    Opa, tenho interesse em ouvir como ficou o seu sistema sim. Vamos combinar. Vou enviar mp.
     
  12. Roberto

    Roberto Usuário


    Desde 12 Jul 2003
    Natal-RN-Brasil

    Demétrio,

    Não sei se vai ajudar, mas no caso de painéis de absorção, algumas empresas trabalham com painéis perfurados:

    https://vibrasom.ind.br/produtos-acusticos/revestimento-acustico-de-madeira.html

    [​IMG]

    Inclusive disponibilizam tabelas de absorção:
    http://www.owa.com.br/assets/files/Produtos/Nexacustic/ficha tecnica_Nexacustic2017-paineis.pdf

    Pra nossa região aqui, temos opção do tecido de sisal também.

    Abraço
     
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