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Sala Rolim

Discussão em 'Galeria dos Membros do Fórum' iniciada por FelipeRolim, 7 Ago 2017.

  1. Redcruz

    Redcruz Usuário


    Desde 11 Dez 2008
    Mesquita
    Se em SP foi Igual no RJ, o medidor vem primeiro e o disjuntor depois. Então, ''logo após o medidor'' seria antes do disjuntor.

    Ele ainda mencionou a frase: ''Neste caso evitaria o disjuntor principal''.
     
    Última edição: 25 Fev 2019
  2. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Hehehe, lembrei-me de algumas fotografias que o weltec me enviou do quadro da casa dele, certa vez, e por este exato motivo resolvi explicar melhor. Lembro-me de o weltec ter fácil acesso ao medidor (com lacre diferente) e ao disjuntor, e que este vinha depois daquele, viabilizando uma espécie de "bypass" no próprio disjuntor e a instalação de uma chave seccionadora acessória. Outro que me enviou fotografias do quadro, do Rio de Janeiro, e que apresentava a mesmíssima situação, é o Maurício, o obaby.

    Se não me falha a memória, o weltec comentou que este proceder (bypass) também não é autorizado pela Light, mas não sei a que tipo de sanção isso poderia dar ensejo, já que não há nenhum tipo de desvio de energia elétrica, o famoso "gato" que tanto se tenta evitar. Apenas haveria uma seccionadora em paralelo, corretamente dimensionada para a fiação a ela ligada...

    Em tempo: para mim, a instalação "ideal" teria uma seccionadora Siemens trifásica junto do medidor, na rua, uma seccionadora Siemens trifásica responsável pelo desligamento geral da casa, no quadro de distribuição interno, e fusíveis individuais para o sistema, no padrão 10x38mm. Isso substituiria com perfeição todos os eventuais disjuntores que se pudesse imaginar.
     
    • 2
  3. CarlosTP

    CarlosTP Usuário


    Desde 28 Abr 2008
    MG
    Questão regional e de interpretação. Pode ser os dois casos!

    Essas questões tem variações de Estado para Estado, segundo a carga e até mesmo se é aéreo ou subterrâneo o fornecimento. Em MG para qualquer amperagem é necessário seccionar antes do relógio com disjuntor e não há negociação nesse sentido. É questão de segurança...e pela qualidade do disjuntor exigido... de insegurança pela estabilidade da energia fornecida é um pra não ficar acionando com as flutuações da energia fornecida. Disse isso para o cara que veio religar o novo padrão... ele só olhou pra mim e riu, nada mais.

    Pelo q sei no RJ isso é mais flexível e até uma certa amperagem é feito depois do relógio [lembro de ter conversado com uma pessoa da light, por acaso esteve em casa quando eu estava refazendo a instalação... ele vai estar aqui no carnaval, tirarei essa dúvida], mas lembro que se a entrada é subterrânea tem casos que tem que seccionar com disjuntor antes do relógio. Quando não secciona antes aí tem que colocar uma caixa de proteção direta logo após o relógio. Nesse caso se derivar "logo após o medidor" - na base do disjuntor não estaria cometendo nada ilegal. Pelo que sei aí nem gato eles estão conseguindo reverter, se estiver pagando pra eles já está bom! rsrsrsrs
     
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  4. Redcruz

    Redcruz Usuário


    Desde 11 Dez 2008
    Mesquita
    No fim das contas cada Fornecedora de energia elétrica cria sua própria ''norma'' de instalação e que nem sempre tem a ver com segurança.

    Não sei em outros Estados mas aqui no RJ a Light muda a normatização da instalação quase todo ano, uma hora o cabo tem ser embutido, outra hora tem que ser aparente. A caixa do medidor então, está sempre mudando.

    Lembro de quando solicitei instalação nova aqui em casa, me antecipei e embuti o duto que passaria o cabo, na coluna que serviria e na parede. Quando vieram instalar disseram que por norma o cabo não poderia ser embutido. Uns 2 anos depois solicitei um trifásico, aí já disseram que pela norma o cabo teria que obrigatoriamente ser embutido antes de chegar ao medidor. :idiota:

    Abraços
     
  5. weltec

    weltec Usuário

    6.225 3.939 446

    Desde 15 Nov 2011
    Rio de Janeiro
    Aqui no RJ não existe (ao menos eu nunca vi instalação com) disjuntor antes do medidor, existe apenas o disjuntos geral que fica após medidor ainda na caixa de responsabilidade da light, antes da residência.

    O padrão aqui é o disjuntor e antes deste não pode haver jumper, ele é o ponto de desconexão geral (se é geral, então é único) da residência, se o corpo de bombeiros ou a própria light precisarem desligar a energia da residência em um sinistro, é apenas neste disjuntor que eles vão atuar, não vão procurar emendas, jumpers e segmentações para ver se existe outro disjuntor/fusivel em outro canto e que não está ali.


    Adicionando este ponto que o @FelipeRolim@FelipeRolim colocou.

    O que podemos fazer é substituir o disjuntor geral do medidor por uma seccionadora com fusível, desta forma, após ela podemos ter duas redes, uma que vai abastecer o quadro de distribuição da residência, onde nele vai existir um disjuntor geral da residencia. Outra rede para abastecer o quadro de AV, onde podemos ter outro fusivel de menor capacidade para a proteção interna.

    Se a instalação é antiga, não precisa de laudo de engenheiro, substituir o disjuntor do medidor por fusivel é algo trivial, basta ART de um técnico com registro no CREA e se consegue fazer a solicitação na light, que autoriza a substituição e deixa registrado que lá existe uma seccionadora com fusivel e a sua capacidade, não existe mais o disjuntor.
     
  6. weltec

    weltec Usuário

    6.225 3.939 446

    Desde 15 Nov 2011
    Rio de Janeiro
    Conheço algumas pessoas enroladas por causa de gato, a multa e juros são altos, a light não deixa passar não.

    E se não pagar a conta, corta a luz rapidinho, só não corta se for na favela.
     
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  7. weltec

    weltec Usuário

    6.225 3.939 446

    Desde 15 Nov 2011
    Rio de Janeiro
    O que realmente se precisa para ter segurança e manutenibilidade é um set mínimo, as concessionárias ficam inventando normas e burocracia descartáveis. Criam uma dificuldade para alguém vender a solução.
     
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  8. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Já tem um bom tempo desde que fiz um estudo minucioso da normatização, na época em que inaugurei este tópico e em que me debrucei sobre a organização do tema "elétrica dedicada". Se a memória não me trai, não é tecnicamente correto ter mais de um ponto de interrupção (fusível ou disjuntor) junto ao relógio medidor, e tampouco dois quadros de distribuição, separados, no interior da casa. Lembro-me de ter lido em alguma instrução recente que o quadro de distribuição não precisa mais ser interno, ou seja, para dentro da casa, numa das paredes que estão no interior. Pode também ser externo, numa parede que fica ao lado de fora, mas desde que numa área protegida (uma área de serviço, uma área de lazer, por exemplo). O que não é adequado, do ponto de vista técnico, é ter dois quadros separados, em locais diferentes da casa, exatamente como eu tenho.

    Na prática, a fiação precisa ser cadenciada, da maior para a menor, dividida e protegida conforme suas próprias especificidades e sua própria demanda. Isso significa que o fio de 16mm² (no meu caso), precisa chegar inteiro até o quadro de distribuição, e será dele que farei as derivações de menor bitola, sempre atentando a isto para dimensionar o disjuntor/fusível. Do ponto de vista técnico, eu não posso fazer como fiz ao ligar um fio de 4mm² (Prysmian do sistema) ao fio de 16mm² da casa, e sequer usar a mesma saída do disjuntor/seccionadora para ligar dois fios diferentes, porque precisarei dimensionar o disjuntor/fusível para o fio de maior bitola, automaticamente desprotegendo o outro, de menor. Uma das alternativas, como o weltec sugeriu, é criar uma espécie de "bypass" na chave geral, viabilizando uma espécie de "segunda rede" e, neste caso sim, com uma seccionadora corretamente dimensionada para a fiação a ela ligada (no caso do meu sistema, com fio de 4mm², poderia usar fusível de até 32A, segundo a NBR n. 5410/2010), mantendo-a separada do geral da casa, de maior capacidade de corrente. Embora eu não veja altíssima probabilidade de ocorrência de problemas decorrentes desta instalação, em específico, fato é que também não é tecnicamente correta. O mais ideal é que, seja fora da casa (na rua), seja no interior da casa (no quadro de distribuição), o usuário tenha à sua disposição uma maneira fácil e rápida de promover o desligamento de toda a rede da casa com apenas uma chave, sem que tenha que acionar duas ou mais e, mais do que isso, sem que tenha que fazê-lo em lugares diversos da casa. É por este motivo que, num mundo ideal, meu circuito teria três sequências de fusíveis escalonados: um na rua, junto ao medidor, outro fazendo a função de desligamento geral do quadro (ambos trifásicos e dimensionados conforme a fiação de maior bitola), e um terceiro fusível (aqui provavelmente um porta-fusível no padrão 10x38mm, que tem o tamanho de um disjuntor DIN) responsável exclusivamente pelo sistema (dimensionado conforme a fiação do sistema).
     
    Última edição: 26 Fev 2019
  9. Diegodgo

    Diegodgo Usuário

    Sim aqui foi feito desta maneira e não tive problemas e após o relógio e não antes como foi interpretado (ai seria o famoso gato.rs)
     
  10. Diegodgo

    Diegodgo Usuário


    Houve uma falta de interpretação :

    Na caixa onde se encontra o disjuntor principal logo após o medidor seria feita uma ramificação ate a seccionadora e logo após esta as fases diretamente ate a sala de áudio.. (Neste caso evitaria o disjuntor principal e ficaria menos conexões no caminho).

    Acontece que neste caso do Felipe o disjuntor vem antes do relógio e não depois em hipotese alguma iria sugerir algo que fosse contra lei.rs
     
    Última edição: 26 Fev 2019
    • 1
  11. Redcruz

    Redcruz Usuário


    Desde 11 Dez 2008
    Mesquita
    Certo. (y)

    A coisa toda deu dupla interpretação por causa da forma como as concessionárias fazem as instalações. Aí em SP é igual ao RJ, disjuntor vem depois do medidor. Em MG e PR o disjuntor vem antes.
     
  12. Diegodgo

    Diegodgo Usuário

    Sim com certeza, eu não atentei que o do Felipe vinha antes o que ocasionou essa bagunça.rs

    Mas no entendimento geral seria um Bypass ao disjuntor geral após medidor (indo a seccionadora) criando uma ''segunda rede dedicada'' o que não encaixou neste caso.
     
    • 1
  13. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Essa semana finalizamos o aterramento TN. Ele agora é composto por seis hastes (inclusa a do neutro) dispostas em formato retangular no local onde, após a reforma, formularemos um novo jardim. São duas linhas paralelas, distantes 3m uma da outra, compostas por três hastes, distantes 2,5m de si. Ou seja, foi feito um retângulo de 3 x 5m, numa área útil de 15m², estando as hastes distribuídas nas linhas paralelas que formam os lados de 5m. Pretendia estender o aterramento ainda mais, aproximando de dez hastes, mas achei que ficaria desproporcional. Também gostaria de ter usado a malha de aterramento, com cobre nu, mas aqui isso não existe para vender, então usamos o mesmíssimo fio de neutro, de 16mm².

    Como o aterramento é TN, o terra propriamente dito subirá pela parede da casa, em linha reta. O fio foi estrategicamente posicionado no extremo oposto do fio de neutro por dois motivos: primeiro, para que possa subir em linha pela parede da casa, sem muitas curvas e com menor comprimento; segundo, para que entre a haste da qual sai o neutro e a haste da qual sai o terra sempre existam três hastes de distância (e, por consequência, 8m), por qualquer sentido que se adote. Portanto, como são seis hastes, adotando a do neutro como referência (primeira), a do terra será sempre a quarta haste, e vice-versa. Optei por fazer assim para minimizar os riscos de qualquer chance de "comunicação mais direta", como seria, por exemplo, se ambos os fios (terra e neutro) saíssem da mesma haste, ou de uma haste próxima. Também para aumentar esta distância, não foi feito nenhum tipo de ligação estrela, de modo que a sequência de ligação é apenas 1-2-3-4-5-6. Por minha solicitação, não foram ligadas as hastes 1-4, 1-5, 2-4, 2-6, 3-5 e 3-6, como eu deveria fazer caso optasse por uma verdadeira malha. Simplesmente fechou-se um retângulo.

    Considerando que estamos tratando de um neutro, de um aterramento, que não incrementa risco à segurança, enquanto o eletricista executava o trabalho, que supervisionei, deixei o sistema tocando. Foram 3h de trabalho e 3h de música ininterruptas. Aproveitei esta oportunidade que, para mim, foi única, para extrair o máximo que pude destas mudanças. Como estes testes são irrepetíveis (não tenho como ficar conectando/desconectando as hastes do neutro para aferir o resultado), optei por ficar ouvindo enquanto cada uma delas era conectada. O efeito talvez seja um dos mais impressionantes que já presenciei de forma instantânea e em tempo real. A suavidade, a musicalidade, o silêncio, o relaxamento, tudo foi crescendo. Quando desliguei o aterramento TN antigo, há cerca de duas semanas, notei certa perda, mas presenciar este efeito de incremento, de um aterramento TN novo e maior, foi delicioso. Novamente fiquei com a nítida impressão (que se traduz quase numa certeza) de que o aterramento TN (com hastes reforçando o neutro) é muito mais importante do que o aterramento TT para o resultado geral.

    E, falando em aterramento TT, algo muito curioso me despertou a atenção neste período de experimentação. Fiquei com a impressão de que o aterramento TT não pode ser igual ou mais forte do que o TN. Nos testes que fiz, notei que, quando o neutro é composto por uma haste nova e o terra TT composto por uma haste nova, o resultado é melhor, em termos de conforto auditivo, com o terra TT desligado, ou seja, sem o terceiro pino da tomada. É, na realidade, um "ganha e perde". Ao desconectar o TT, perde-se silêncio, perde-se precisão, perde-se limpeza, mas ganha-se em delicadeza, o som fica menos duro, menos agressivo. Tendo que optar, ficaria sem o TT. Já com as seis hastes compondo o neutro, o resultado passa a ser superior com o uso do terra TT. Não consigo, e tampouco é meu objetivo, compreender os motivos de ter tido essa percepção, mas os testes não me deixaram dúvida. Desde que fiz o aterramento TT, adaptei um conector no chassi do tomadeiro para facilitar este trabalho de conexão/desconexão. Toda vez que eu retirava o terra parecia que o nível de gostosura aumentava, à custa de um pequeno prejuízo a certos atributos. Agora, com um neutro super reforçado, tudo indica que o resultado do uso do aterramento TT é superior, sem que me faça optar por ganhar ou perder algo.

    Acredito que, com isso, a parte externa da casa esteja totalmente finalizada, não apenas com benefícios para o áudio. A parte interna, ligada ao sistema, ainda me deixa em dúvida.

    Bom feriado a todos.
     

    Anexos:

    Última edição: 2 Mar 2019
    • 6
  14. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Play no Carnaval.

    Screenshot_20190303-001843.png
     
    • 7
  15. Redcruz

    Redcruz Usuário


    Desde 11 Dez 2008
    Mesquita
    Mandou bem. (y) :)
     
    • 1
  16. camilod

    camilod Usuário


    Desde 19 Out 2007
    Sao Paulo - SP - Brasil
    cada equipo e cada cabo mais lindo que o outro. parabéns
     
    • 1
  17. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Depois de ter terminado todos os discos do Queen, agora é a vez de Pink Floyd. Comecei em 1967 e já estou em 1975. Não costumo ficar falando de músicas, mas o feriado está simplesmente delicioso para isso...

    Screenshot_20190303-234910.png
     
    • 4
  18. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
     
    • 11
  19. Renato Gomes

    Renato Gomes Arquiteto e Urbanista


    Desde 18 Mar 2007
    Rio de Janeiro/RJ/Brasil
    Essa história de energia elétrica aqui no Rio é complicada.
    A Light é difícil.
    Solicitar qualquer coisa fora do famigerado "Padrão Light" é uma incógnita. Pode ser suave, se der a sorte de ir numa agência e o caso ser apreciado por servidores competentes. Mas também pode ser uma dor de cabeça imensa.
    Se vale a aventura. Só o tamanho do nosso saco e o nosso nível de exigência vai dizer.
     
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  20. FelipeRolim

    FelipeRolim Keep Improving Myself


    Desde 17 Ago 2008
    Quatiguá/Paraná/Brasil
    Estive, este final de semana, no show do Paul McCartney, em Curitiba. Com esta experiência, acredito que como músico e apaixonado por música, fã de rock e de diversos outros estilos, como ouvinte sentimental e grande apreciador que sou, cheguei no auge daquilo que poderia imaginar. O show não tem a mesma pirotecnia de Roger Waters (turnê Us + Them) e U2 (turnê 360º), por exemplo, mas é o mais distante que alguém vivo em 2019 pode chegar em termos de história, de valor, de acontecimento carregado de significado. Ver o que o Paul McCartney faz aos 76 anos, saber que junto dele já tocaram Ringo Starr, George Harrison e John Lennon, saber que a música dos Beatles sobreviveu ao rádio, ao vinil, à televisão de tubo valvulada e continua viva até os dias atuais, fazer parte do coro do "na na na" de Hey Jude, tudo isso é algo extremamente valioso e que pretendo carregar para sempre comigo. É o ápice, o ponto máximo.

    Na viagem de volta, durante a qual dirigi sozinho, em silêncio, por mais de quatro horas, aproveitei o tempo para refletir sobre certas coisas. É algo introspectivo, mas que acho interessante compartilhar com os amigos. Já participei de apresentações das mais diversas espécies, nos mais variados ambientes, compostas por grupos de instrumentos amplificados e reproduzidos por um "paredão de som" e por grupos de instrumentos distribuídos num ambiente e cuja emissão sonora era proveniente deles mesmos. Naturalmente que nunca estive em lugares especialíssimos que existem ao redor do mundo, como o Royal Albert Hall, e também nunca ouvi orquestras como a Berliner Philharmoniker. Fato é que, ao longo de mais de quinze anos, desde que o interesse pelo piano despertou, tive experiências muito agregadoras no sentido de tocar música e de ouvir a música sendo tocada. Mais do que isso: no retrospecto mental que fiz, concluí, sem sobra de dúvidas, que o meu próprio sistema de som entrega muito mais detalhe do que as apresentações amplificadas que já presenciei até hoje. Arrisco dizer que é superior, em detalhamento, quantidade de informação, do que a grande maioria dos equipamentos de altíssima potência para sonorização de estádios e espaços de eventos ao vivo que existem no mundo. Ouvi, ontem, as mais de trinta músicas que o Paul McCartney e banda tocaram e não há como ter suspeita de que a reprodução pelo meu próprio sistema possui muito mais informação. O mesmo eu posso dizer de apresentações simplistas de voz e violão, ou de outros poucos instrumentos, quando tocados ao vivo e sem amplificação. Não é difícil um sistema se equiparar, embora requeira certo grau de cuidado.

    De outro lado, é muito difícil, se não for absolutamente impossível, extrair de um sistema de som a dimensão, a massa sonora, a riqueza harmônica, de texturas e timbres, das grandes massas orquestrais tocadas ao vivo e sem amplificação. Suponho que sequer deve ser possível captar e inserir em apenas dois canais toda essa informação, por incapacidade técnica dos microfones, dos cabos, das mesas de captação e dos equipamentos de masterização. Ao menos de minha parte, jamais ouvi, num sistema de som, algo próximo do que é uma orquestra de verdade.

    Contudo, o que a música tocada ao vivo e amplificada equipamentos de altíssima potência, e a música tocada ao vivo por meio da emissão natural dos próprios instrumentos tem em comum é justamente a vida, a emoção, o calor, o conteúdo, o significado, o valor. Nas 2h40min que passei vidrado no Paul McCartney, nas mais de 2h que passei vendo o Roger Waters, nas mais de 2h que passei vendo o David Gilmour, sequer passou pela minha cabeça qualquer tipo de reclamação de falta de detalhamento, de graves sobrando, de agudos estridentes, de falta de foco de palco, de tempo de reverberação muito alto, e eu até esqueci das mais de 10h que havia passado de pé para conseguir um bom lugar próximo do palco. Ter isto em mente é importante porque, antes de qualquer coisa, música é isso: emoção. Uma música não permanece viva por mais de cinquenta anos por ser bem gravada, mas sim porque cativou/cultivou apreciadores. Não tenho dúvidas de que a morte prematura do John Lennon contribuiu para a consagração da banda, da mesma forma como foi com Freddie Mercury e Ayrton Senna. Mas, isso é valor, é o que faz a vida valer à pena.

    Adoro detalhe. Busco, no meu sistema, o som mais transparente que o bolso pode pagar. Procuro pela reconstrução mais perfeita possível do acontecimento musical, dedico-me aos mais pequenos detalhes de sala, elétrica e equipamentos, gosto do procedimento, dos experimentos, mas é sempre bom lembrar e nunca perder de vista o fato de que a emoção, a expressividade, o significado da música possuem muito mais importância do que um palco bem recortado, um grave perfeitamente desenhado e um agudo confortável. A parte mecânica do fenômeno auditivo nunca pode ser um fim em si mesma. Não ouvimos gráficos, não temos osciloscópio no ouvido. Os ouvidos são apenas etapa necessária para algo maior, para um evento cognitivo que deve sempre possuir o condão de aquecer o coração, de despertar sentimentos positivos, de nos remeter a um universo particular de boas sensações, e é isso que busco. É isso que todos deveriam buscar...
     
    Última edição: 1 Abr 2019
    • 9
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