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VOCÊ OUVE, O QUE NÃO OUÇO...

Discussão em 'Colunas' iniciada por Jorge Knirsch, 28 Mai 2007.

  1. AVA

    AVA Usuário


    Desde 24 Jun 2005
    São Paulo - SP
    Caro Adilson;

    Após ler sua mensagem, fiquei pensando a respeito de suas colocações e fiquei com o seguinte raciocinio na cabeça:

    Suponhamos para fins de exemplo que um ouvinte tenha uma perda auditiva de exatos 10 dB linearmente distribuidos acima de 2 KHz.

    Este ouvinte assiste (ouve) uma performance ao vivo e, posteriormente, logo em seguida, a ouve reproduzida em casa em duas condições distintas:

    Na condição 1, ouve sem nenhuma equalização e na condição 2, ao reproduzir esta performance corrige a reprodução de forma analogamente inversa de acordo com sua deficiencia ( +10 dB acima de 2 KHz linearmente distribuidos)

    Na minha forma de entender, supondo-se uma reprodução utopicamente perfeita, este ouvinte julgaria a condição 1, a não equalizada, como perfeita e, na condição 2, a equalizada, como tendo uma resposta acima de 2 KHz com excesso de volume nestas frequencias.

    Se esta afirmação é verdadeira não sei responder pois há diversas variáveis a serem consideradas tais como aspectos psicologicos, inexistencia da reprodução perfeita, etc. No entanto, parece-me que ao menos o raciocinio é lógico.

    Sou levado a crer que o uso de equalizadores (de qualquer tipo) tende a "corrigir" outros detalhes percebidos na reprodução como falhos.

    Por ultimo, como voce colocou em seu post # 57, concordo que estamos poluindo o topico original e, assim, convido-o a, se quiser, continuarmos nosso "bate papo" por MP.

    Um grande abraço,

    André
     
  2. ÉdisonCh

    ÉdisonCh Usuário


    Desde 1 Dez 2005
    Araras/SP/BR
    Sinceramente, a gente se perdeu do tema original e acrescentou outros, de início paralelos, mas - depois - mais distantes do motivo principal.

    Seria muito bom que pudéssemos saber quais as consequências dessa repartição "analíticos/sintéticos" para nossas preferências musicais e de áudio. O Eng. Jorge já delineou algumas, como a preferência pelo ritmo, a "pulsação" da música, pelos sintéticos etc..

    Acho, porém, que apenas essa dicotomia não esclarece toda a diversidade de formas de escutar. Percebo que, embora existam tendências gerais, agrupamentos de preferências, os indivíduos reais escutam de forma muito diferente, uns em relação aos outros. Como já disse, mesmo aqueles que parecem concordar, que aparentemente chegam a consensos, demonstram entender de forma diferente mesmo os pontos que consideram comuns.

    Portanto, talvez apenas essa dicotomia não seja suficiente para esclarecer as diferenças reais existentes. Por esse motivo, me fio no princípio de referenciais, ou seja, que escutar alguma coisa depende de que o indivíduo tenha criado referenciais, durante sua vida, que lhe permitam atribuir sentido e significado aos sons que ouviu.

    A música é uma linguagem, o som estruturado é uma linguagem. com uma mensagem complexa, que se estende por diversos planos expositivos: são relações de altura, tempo, intensidade, harmonia, contraposição, tensões e resoluções, etc.. Como qualquer linguagem, seu entendimento, sua compreensão, implica em que o receptor da mensagem esteja de posse dos elementos dessa compreensão, os significados, as referências, as indicações significativas.

    Uma pessoa necessita escutar diversas vezes, prestando atenção nos detalhes, por exemplo, uma grande obra sinfônica, ou até mesmo uma rica peça musical, para poder extrair dela um "entendimento" geral, perceber algo de seu possível significado. A partir das partes e aspectos percebidos, a pessoa recria o todo. Ora, mesmo nesse caso, a pessoa necessita de uma experiência ("cultura") anterior relativa àquele tipo de música e instrumental sonoro para poder atribuir-lhe o devido sentido e valor relativo, estabelecer ou reconhecer as relações significativas que são a base do entendimento.

    Essa audição "em construção constante", esse aprendizado contínuo, essa experiência cognoscitiva dinâmica, é que irá permitir-lhe entender as mensagens, os discursos, ou de outra forma, perceber os sentimentos e sensações, que estão subjacentes às "obras", às "mensagens", sonoras (musicais).
     
  3. MSAdilson

    MSAdilson Usuário


    Desde 16 Dez 2008
    São Carlos-SP-Brasil
    Edson, peço desculpas. Eu e o AVA partimos para MPs, para não poluir o forum.
     
  4. ÉdisonCh

    ÉdisonCh Usuário


    Desde 1 Dez 2005
    Araras/SP/BR
    Adilson,

    Não estava me referindo a vocês, mas a nós todos, ao falar que nos afastamos um pouco do tema principal.

    O que estou tentando dizer acima diz respeito a esse tema central.

    Acho que as pessoas aprendem a escutar de uma forma mais completa, mediante o esforço continuado em audições seja críticas seja contemplativas, de obras musicais complexas, que demandem atenção, e também ao aprender os fundamentos, métodos e conceitos que dizem respeito à audição crítica de equipamentos.

    Mais que isso, se assim optar, se decidir tornar-se um apreciador de música reproduzida eletronicamente, a pessoa poderá desenvolver uma sensibilidade e uma capacidade especiais, a de escutar de modo cada vez mais refinado e aperfeiçoado. Todavia, como isso demanda experiência, esse conhecimento e essa sensibilidade especial dependem de uma convivência cotidiana com equipamentos de maior qualidade.

    Portanto, mesmo as pessoas "sintéticas" saberão com o tempo distinguir os componentes "analíticos" de uma reprodução musical. E vice-versa. Ou seja, acho que progressivamente os audiófilos que optam por escutar criticamente em equipamentos de grande qualidade, desenvolvem uma audição mais completa e complexa, superando pela prática e pelo aprendizado as limitações de seu perfil inicial.

    Com relação aos que são músicos, isso tem muito mais pertinência e sentido. Eles tem muito mais facilidade de, se optarem por isso, distinguir em toda sua complexidade os aspectos (características) sonoros em que se decompõe uma apresentação musical.

    É apenas uma forma de ver. Um aspecto a ser analisado.
     
  5. aldolts

    aldolts TUDO NA SANTA PAZ


    Desde 22 Ago 2005
    São Luís MA
    esse e um dos topicos ,se nao o mais importante de todos os que li aqui ate hoje .
     
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